Stranger Boy: Capítulo 12 – Esperança



“Quando você não está aqui, a solidão sempre resolve aparecer, partindo somente quando estou em seus braços, naquele abraço que junta todos os pedaços que possam existir.”


Evan se viu outra vez acorrentado, desconhecendo por completo em que lugar estava. Os olhos se abriram lentamente, demorando um bom tempo para conseguir ver de maneira nítida. Um quarto escuro aparentemente sem nenhuma janela, esse era o lugar em que Evan se encontrava. Ele tentou se levantar, mas não obteve sucesso pois algumas correntes o prendiam firmemente. Evan sentiu raiva, muita raiva por estar naquela situação novamente, parecia que não importava para onde ele fugisse, sempre o encontravam, temia por seu destino, pelo que estariam planejando mais uma vez. Evan mirou seu olhar em uma das paredes, então com muita dificuldade, constatou que era uma parede de madeira, descoberta que o deixou mais intrigado ainda. De repente se ouviu o que parecia ser o tilintar de chaves presas em um chaveiro, Evan fechou os olhos ao ver parcialmente uma intensa luminosidade, passos pesados podiam ser escutados, passos esses que pararam ao se aproximar o objeto desejado. Evan tornou a abrir os olhos novamente, decidido mesmo que preso, enfrentar pessoa que ali estivesse, que se mostrasse para ele. – Espero que essas correntes não estejam ferindo você, mas aqui entre nos, você sabe que elas são mais que necessárias em vista de que você pode tentar fugir como fez quando esteve com a organização. – A voz disse, muito próxima do ouvido de Evan, que por sua vez não demorou muito tempo para reconhecê-la, então girou lentamente a cabeça e viu quem ali estava. – Quanto tempo, não? Acredito que pensou na possiblidade de eu estar morto. – Martín continuou, se colocando na frente de Evan. – Mas não estou, e agora vou terminar o que comecei. – Concluiu, sorrindo de forma assustadora. Um sorriso que revelava toda seu desejo por ver Evan cada vez mais perdido. – Assim como da outra vez, manterei a esperança de que vou conseguir sair daqui, Martín… lá fora há muita gente que gosta de mim, que me quer bem, então continuarei acreditando que você logo estará no devido lugar. – Evan disse, enfrentando, mesmo que amarrado, o homem que dele tirava um certo sarro. – Já eu acredito no contrário, meu caro Evan, ainda mais sabendo que dessa vez eu tenho o Charles totalmente ao meu lado, então não há riscos, não há como você sair daqui, pois além disso, conheço todos os seus truques, todos os seus dons, não existe a mínima possiblidade de você me passar a perna dessa vez, então acho melhor você curtir sua estadia aqui que será bem longa. – Martín disse, dando as costas para Evan, que por sua vez se enfureceu com as afirmações duras de um dos doutores que participaram de todo o processo para que ele pudesse nascer com asas. Martín deixou o quarto no qual estava Evan com a certeza de que estava muito próximo de retirar o que faltava para criar mais seres modificados.

Um dia chuvoso, silencioso e frio, foi assim que se resumiu o dia em que já se completava duas semanas do desaparecimento de Evan, e ninguém sabia de seu paradeiro, era o que pensavam. Margareth mais uma vez se sentiu culpada, mas dessa vez duplamente, pois além de Evan, o filho ter desaparecido, William perdeu a memória, o que deixou tudo mais complicado. Ela estava sentada, com a cabeça no ombro de Nathan quando a campainha tocou de maneira insistente, ela titubeou na decisão de saber quem era, pois receava ser a mãe de William ou alguém trazendo alguma notícia ruim. Nathan abraçou Margareth, beijando seus cabelos, então se levantou, a deixando aflita, ele abriu a porta, ficando um pouco mais aliviado ao ver que era Sam quem ali estava. Sam foi convidado para entrar, o que aceitou, acreditando que desse modo poderiam conversar melhor. Nathan guiou o professor de Evan até o sofá, Margareth se ajeitou no sofá no qual estava, tentando disfarçar sua tristeza enorme por ver o filho desaparecido novamente. – Tenho novidades que podem nos ajudar nessa busca já que não podemos avisar a Polícia. – Sam revelou, se ajeitando no sofá, fazendo com que Margareth levantasse o olhar. Nathan a olhou com a esperança ainda mais acesa. – Soube que a organização foi extinta em definitivo pelo governo após tudo o que aconteceu da última vez em que Evan foi capturado, então logo podemos deduzir que quem esteja com o Evan está trabalhando sozinho. – Continuou, esperançoso em suas palavras que de certa forma acalmava os pais do rapaz desaparecido. Nathan e Margareth se olhavam, desejando acreditar que o filho estava bem e que logo retornaria para casa. – E eu sei de uma pessoa que se tornou uma espécie de caçador após ser demitido pela organização. – Disse, concluindo o que havia para ser dito. Margareth já deixava a esperança invadir seu olhar, que tomava um brilho especial, desejosa de rever Evan novamente.

William sentia que algo estava sendo deixado para trás, porém não se lembrava do que poderia ser, a mente era uma confusão imensa, nem dos pais parecia se lembrar mais, eram completamente estranhos. Ele observava fascinado, a chuva fina cair, seus olhos miravam aa gotas de água no vidro, momento em que um clarão se fez presente, mas somente para ele que não conseguiu ver mais nada com os olhos, porém seus pensamentos foram se ajeitando e as lembranças se reconstruíram aos poucos. William abriu os olhos, admirado com o que se lembrou, então começou a gritar desesperadamente por um único e pequeno nome, tanto que os aparelhos começaram a apitar descontroladamente. Um médico e uma enfermeira entraram rapidamente no quarto em que ele estava, fazendo todo o possível para que a calma prevalecesse, então tiveram sucesso incontáveis minutos depois, logo ouviram William chamar por Sara, pedia com muita insistência. As horas passaram, e William se mostrou estar mais calmo com o peso de suas lembranças, que retornavam em pequenas doses. A porta do quarto se abriu, então ele pode ver Sara entrar, estava um pouco pálida, parecendo que temia pela conversa que com certeza teriam. William fez sinal para que Sara se aproximasse, logo ela estava ao lado dele, que a encarava com uma expressão enigmática. Sara pensou em dizer algo, porém William foi mais rápido. – Você estava lá! Você viu tudo. – William disse, olhando diretamente para sua ex-namorada, que abaixou o olhar, não negando e nem afirmando o que o rapaz disse. – Eu não sei o que você estava fazendo lá, realmente não sei, minha memória ainda não está funcionando bem, mas eu vi você, assim que me atacaram… você estava com aqueles? – Indagou, irritado, sabendo da resposta. – Diga! Você levou aqueles dois até lá? – continuou, se alterando aos poucos. Sara começou a se afastar, mas não deixava de olhar para William, que por sua vez tinha vontade de sair da cama e retirar toda a verdade que se escondia, por mais que ela mesma já quisesse se escancarar. Por outro lado ele não queria acreditar que Sara pudesse ter a capacidade de fazer mal à alguém. Sara parou próxima da porta, então colocou a mão no rosto, tentando esconder o choro que se intensificou, ela então se sentou com os joelhos encolhidos e abaixou a cabeça, pensava no que havia feito por puro ciúmes, uma confusão que se apoderou dela logo após ver seu relacionamento de anos com o garoto mais popular da escola, se acabar.

– Me perdoa! – Sara pediu, aos prantos. Ela tinha vergonha de olhar novamente para William, vergonha de estar ali, tentando se explicar, mesmo que explicação alguma desse jeito. A garota dos cabelos ruivos não ousava levantar a cabeça, não ousava olhar nos olhos de William, que por sua vez, os tampou com as mãos, a memória retornava com uma rapidez impressionante, ele vai tudo acontecer sem nada poder fazer, era torturante demais.

CONTINUA

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