Máscaras & Verdades: Capítulo 7



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2016

CENA 1: MONTES ALTOS | FÁBRICA DESEJOS | ESTACIONAMENTO | EXTERIOR | FIM DA MANHà

Sabrina olha para o homem parado ao lado do seu carro, apoiado no vidro, ele parece pedir para que ela abra a janela, o que não é atendido.

SABRINA: – Saia daqui! – Grita, assustada. Ela acelera o veículo, deixando o homem  sozinho, em pé no meio do estacionamento. O estranho sorri enquanto observa Sabrina partir.


CENA 2: FÁBRICA DESEJOS | INTERIOR | FIM DA MANHÃ

Diego olha para sua secretária, que não entende o que acabou de acontecer. Ele se aproxima da mesa dela.

DIEGO: – Por favor, avise aos seguranças que não quero mais ver essa mulher aqui, se ela aparecer aqui, pode colocá-la pra fora ou até mesmo chamar a Polícia. – Recomenda, irritado.

SECRETÁRIA: – Pode deixar, senhor Diego. Cuidarei disso agora mesmo. – Diz, eficiente. Diego retorna para a sala, pensativo.


CENA 3: MONTES ALTOS | AEROPORTO | INTERIOR | TARDE 

Um jovem rapaz desembarca, ele puxa duas malas grandes, observando tudo à sua volta e percebendo que as únicas lembranças da cidade de Montes Altos são vagas. Ele solta uma mala e retira o óculos de grau, verificando se está tudo ok, logo volta com o óculos.

ERON: – Só espero que alguém venha me buscar. – Diz com um sotaque peculiar. Ele olha para o relógio de pulso. – Me esqueci de ajeitar a hora para o fuso deste país.

Eron olha para todos os lados e logo vê um relógio digital bem próximo dos balcões de atendimento. Ele respira aliviado.


CENA 4: MONTES ALTOS | GALERIA | INTERIOR | TARDE 

Daiana se mostra feliz por Juliana, as duas conversam enquanto terminam de reorganizar algumas coisas no ambiente. Juliana parece não parar de pensar no convite de Diego, Daiana percebe.

DAIANA: – Pelo visto você quer muito esse encontro mesmo, não parou de falar disso. – Diz, brincalhona.

JULIANA: – Eu só estou um pouco nervosa. Não sei se deveria ter aceitado, amiga. – Diz, pensativa enquanto caminha com uma escultura nas mãos.

DAIANA: – É claro que você deveria, Juliana. Está na hora de você voltar a viver de forma plena, minha amiga… E esse só é um jantar de agradecimento, não é nada demais, não deveria ficar tão nervosa.

Juliana ajeita a escultura no lugar certo, ela volta o olhar para Daiana, que por sua vez está sorrindo.

JULIANA: – Eu sei disso, mas é só pensar nele que eu não consigo… explicar, é estranho. – Afirma, ficando cabisbaixa. – Talvez você esteja certa. – Conclui, olhando para a amiga.

DAIANA: – Você só tem que se deixar levar por essa oportunidade, e tente não se lembrar do Sandro, pois não vale à pena, acredite!

Assim que termina de falar, um cliente entra na galeria, obrigando as duas a pararem com o assunto. Daiana segue até o homem, que passeia pela galeria, observando tudo. Juliana pensa em Diego.


CENA 5: MONTES ALTOS | EMPRESA MALVEZ | INTERIOR | TARDE 

Viriato verifica alguns papéis, está concentrado em seu trabalho, momento em que seu celular começa a tocar praticamente sem parar. Ele pega o aparelho, reconhecendo o número no visor. Viriato atende.

A ligação não dura muito, o suficiente para Viriato saber que Isaque não fez o combinado.  Viriato sai às pressas da empresa, enraivecido.

VIRIATO: – Esse Isaque não tem jeito mesmo! – Diz, seguindo para o estacionamento.


CENA 6: MONTES ALTOS | CASA DE ALBERTA | SALA | INTERIOR | TARDE 

Joana é recebida por Alberta, que por sua vez nota certa aflição na amiga. As duas seguem para sofá, se sentando.

ALBERTA: – O que houve, Joana?! Você me ligou e eu fiquei preocupada com o que pudesse ter acontecido. – Indaga, segurando a mão da amiga e sócia.

JOANA: – Eu acho que aconteceu um milagre, Alberta. Eu vi meu filho… bom, em um primeiro momento eu não o reconheci, mas depois quando já estava em casa, eu senti que era ele. – Responde, sorrindo e deixando algumas lágrimas caírem.

Alberta olha com surpresa para Joana, ela vê a felicidade estampada no rosto da amiga.


CENA 7: MONTES ALTOS | AEROPORTO | INTERIOR | TARDE 

Eron está impaciente, anda de um lado para o outro, logo ele olha para a porta de saída e começa a caminhar em direção, puxando as malas.

Júlio entra no aeroporto, distraído, e de repente bate de frente com Eron, que acaba deixando  o óculos cair, os dois  se olham com certa raiva.

ERON: – Não olha por onde anda?! – Indaga, se abaixando e procurando o óculos.

Júlio se abaixa, pegando o óculos rapidamente, logo se levanta.

JÚLIO: – Desculpa, mas eu realmente não vi você. – Diz, entregando o óculos de Eron.

Eron pega o óculos, o colocando novamente. Ele olha para Júlio, até esboça um pequeno sorriso, nervoso. Desconcertados, nada dizem, logo Eron ouve seu nome ser chamado, ele olha por cima do ombro de Júlio. Viriato se aproxima, reconhecendo o irmão de Isaque.


CENA 8: MONTES ALTOS | GALERIA | INTERIOR | FIM DE TARDE 

Daiana olha para a galeria toda, uma de suas paixões. Juliana se aproxima da amiga, colocando uma das mãos no ombro dela.

JULIANA: – Vou sentir saudade daqui. – Diz, observando todas as obras expostas.

DAIANA: – Você fala como se nunca mais fosse aparecer aqui, minha amiga, mas logo você estará de volta. Tem muita gente que gosta do seu trabalho… E você virá aqui sim pra me contar como foi o encontro com esse tal de Diego. – Diz, sorrindo.

JULIANA: – Não é um encontro, Daiana… é apenas um jantar. – Afirma, esboçando um pequeno sorriso.

DAIANA: – Em todo caso, já é um bom começo. – Complementa, sorridente. – Eu torço muito por você, amiga, de verdade! – Afirma, abraçando Juliana.

JULIANA: – E você, não vai desistir do seu grande amor, Daiana. Por mais que vocês estejam passando por dificuldade, mão é momento para desistir do que vocês tem… o Marcelo e você foram feitos um para o outro. – Aconselha, devolvendo o abraço apertado.

DAIANA: – Pode deixar, vamos resolver isso, minha amiga! – Afirma, confiante.

O abraço se desfaz. Juliana termina de ajeitar algumas coisas, logo as duas saem da galeria.


CENA 9: MONTES ALTOS| CASA DE ALBERTA | SALA | INTERIOR | FIM DE TARDE 

Diego entra em casa, deixando a chave do carro em cima do sofá. Ele para e fica olhando para a mãe que parece um tanto distraída. Diego se aproxima de Alberta.

DIEGO: – Está tudo bem, mãe? – Questiona, fazendo Alberta se virar.

ALBERTA: – Tudo bem sim, filho. – Responde, esboçando um pequeno sorriso. – Só estava pensando em algumas coisas, mas nada que você deva se preocupar.

DIEGO: – Mas se tiver acontecendo algo, pode me contar, mãe. – Diz, abraçando Alberta rapidamente. Ele se afasta, encarando a mãe. – Hoje eu tenho um jantar com uma pessoa, então não vou jantar aqui. – Informa, deixando Alberta atenta.

ALBERTA: – Eu espero que não seja com aquela mulher… a tal de Sabrina. – Diz, temerosa.

DIEGO: – Não é com ela, mãe, acredite!  A Sabrina só foi uma coisa passageira,  fique tranquila. – Afirma, sorrindo.

ALBERTA: – E você não pode dizer quem é essa moça?! Estou curiosa para saber quem é ela. – Indaga, intrigada, observando o filho.

DIEGO: – A única coisa que posso dizer é que ela é a mulher que me salvou naquele dia da tempestade. – Responde, sorridente. Alberta sorri, pensativa. Diego beija a testa da mãe, e segue para o quarto.


CENA 10: MONTES ALTOS | CASA DE ISAQUE | SALA | INTERIOR | NOITE

Eron caminha pela sala, tentando se lembrar da casa, mas nada de importante volta à mente. Seus olhos correm por todo o ambiente, admirado.

VIRIATO: – É normal você não se lembrar de muita coisa agora, mas com o tempo, as memórias vem. – Diz, observando o rapaz.

ERON: – Você conhece o meu irmão há muito tempo? – Questiona, parando próximo da escada.

VIRIATO: – Há um longo tempo, Eron. – Responde, sorrindo. – Ele no começo parece ser chato, mas você vai se adaptar e ele também.

ERON: – Não tenha muita certeza disso, Viriato. Onde eu vivia era menos complicado, mas aqui já vi que será bem difícil… meu irmão já deu uma amostra grátis disso ao me deixar esperando naquele aeroporto. – Afirma,  voltando seu olhar para a janela. – E não quero imaginar quando ele descobrir que não sou o que ele talvez  pense que sou.

Viriato fica ainda mais pensativo, observando o rapaz à sua frente e pensando em que lugar Isaque deve ter se metido.


CENA 11: MONTES ALTOS | EDIFÍCIO PORTAL | APARTAMENTO DE MARCELO | INTERIOR | NOITE

Daiana anda de um lado para o outro, pensando nos momentos que viveu com Marcelo, ela esboça um sorriso farto, demostrando sua felicidade por estar ao lado de quem sempre amou.

A porta se abre, Daiana olha e vê Marcelo entrando. Ela se aproxima devagar dele, que desvia, a deixando intrigada.

DAIANA: – O que houve? – Questiona, voltando a se aproximar.

MARCELO: – Eu tive um dia cheio hoje, Daiana… agora eu só quero descansar! – Responde, ríspido. Ele segue pelo corredor em direção aos quartos. Daiana o observa, desconfiada.


CENA 12: MONTES  ALTOS | CASA DE JOANA | QUARTO | INTERIOR | NOITE 

Joana olha para o espelho bem à sua frente, ela sorri se lembrando do garoto que viu na rua.

JOANA: – Eu voltarei lá e saberei se ele é ou não o meu filho, mas eu sinto que é, sinto que ele está tão perto, agora mais do que nunca. – Diz, colocando a mão no coração. – Eu vou encontrá-lo. – Afirma, convicta do que tem em mente.


CENA 13: MONTES ALTOS | CASA DE ALBERTA | EXTERIOR | NOITE

Diego entra em seu carro. Alberta o observa do portão. Diego se despede da mãe com um aceno de mão, acelerando o carro em seguida.

ALBERTA: – Vá com Deus, filho! – Diz, assim que vê o carro partindo. Ela olha para a esquina próxima e constata que está sendo observada, ela se arrepia diante da pessoa que parece se mover em sua direção.


CENA 14: MONTES ALTOS | CASA DE JULIANA | INTERIOR | NOITE 

Juliana sai do quarto, deixando a mãe boquiaberta. Heloísa se aproxima da filha, sorrindo.

HELOÍSA: – Você está muito bonita, filha. – Ela elogia, sorridente. – Não é por eu ser sua mãe que estou dizendo isso, é a verdade.

JULIANA: – Ó mãe, obrigada! – Agradece, abraçando Heloísa, que por sua vez sente que sua filha está muito mais feliz, mas nada comenta. Ela beija a testa de Juliana.

HELOÍSA: – Se divirta, filha. – Recomenda, sorrindo.

Assim que o abraço é desfeito, a buzina de um carro é ouvido. Juliana segue para fora de casa. Heloísa observa pela janela, percebendo mesmo que de longe, o olhar do tal Diego e da filha. O veículo segue.


CENA 15: CASA DE ALBERTA | EXTERIOR | NOITE 

Mesmo com receio, Alberta não entra em casa. O homem se aproxima devagar, olhando para todos os lados, ele usa um chapéu, que é retirado assim que ele atravessa a rua. O homem para em frente à Alberta.

SEBASTIÃO: – Quanto tempo Alberta!  – Diz, sorrindo.

ALBERTA: – Eu sabia que era você, Sebastião. – Afirma, encarando o homem que continua sorrindo.  Ela o olha com raiva.


CENA 16: MONTES ALTOS | RESTAURANTE | INTERIOR | NOITE

Diego entra acompanhado de Juliana no restaurante próximo da praia. A recepcionista os recebem, levando os dois até a mesa, com visão privilegiada. Diego puxa a cadeira para Juliana e só depois que ela se acomoda é que ele se senta no devido  lugar.

DIEGO: – Bom, eu resolvi trazer você até esse restaurante, pois é um dos meus preferidos, Juliana. – Diz, se acomodando. – Espero que esteja bom pra você. – Conclui, revelando uma certa preocupação.

JULIANA: – Acredite… eu não me importo muito com essas coisas, mas eu gostei daqui. – Diz, esboçando um leve sorriso, deixando Diego sorridente.

Ambos conversam enquanto escolhem o que vão pedir, os olhares às vezes se encontram. Juliana desvia o olhar, tímida por estar de frente com o homem que a deixou um pouco fora de órbita nas últimas horas.

Isaque entra no mesmo restaurante, acompanhado de Sabrina, que olhando em volta, acaba reconhecendo Diego, que por sua vez também a reconhece, ele olha nitidamente incomodado. Juliana não entende o que acontece, então se vira lentamente, seguindo o olhar de Diego, ela vê a mulher para quem ele olha incomodado.

Sabrina e Juliana se encaram pela primeira vez. Sabrina fecha ainda mais a cara, deixando Juliana intrigada.

A imagem de ambas se congelam em um azul fosco, partindo em diversos pedaços logo em seguida.

CONTINUA

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