Stranger Boy: Capítulo 10 – Passos Vigiados 



“Eles não lhe conhecem o suficiente para saber do que é capaz. Ele não se conhece o suficiente, portanto não sabe do que é capaz, por enquanto a sua capacidade é inofensiva.”


Peter continuava a olhar para baixo, tentando encontrar algum vestígio de Evan, mas não viu nada que pudesse ajudar. Ele ficou amedrontado, acreditando que  pudesse ter matado o garoto. Assim que Peter se virou, ficou frente  a frente com William, que o encarou de forma dura. William se aproximou do que foi seu amigo por muito tempo. Peter ficou trêmulo com a aproximação de William, não conseguindo  conter o nervosismo.

– Eu não fiz nada, juro… ele só se aproximou demais da janela e quando  vi não pude fazer nada, nada! – Disse, assustado, deixando William perplexo.

– O quê?  Você só pode estar brincando, Peter! O Evan caiu? O Evan caiu da janela e você não fez nada pra ajudar? – Indagou, seguindo para perto da janela. William também olhou para abaixo assim como fizera Peter e nada viu, logo ficou ainda mais preocupado. – Se acontecer algo com ele, você não vai perder só minha amizade para sempre, vai perder também sua liberdade. – Gritou, saindo de perto da janela. William olhou com raiva para Peter, que se encolheu no canto da sala.

William saiu rapidamente da sala, às vezes ignorando os degraus e pulando na tentativa de chegar mais rápido. Ele passou com muita pressa por Sara,  que o observou sair da escola. William só queria encontrar Evan novamente e saber que ele estava bem, mesmo que parecesse algo improvável, mas de uma maneira inexplicável, sentia que o estranho garoto estava bem. William deu a volta na escola e assim que se aproximou do ginásio, conseguiu ouvir que ali haviam pessoas, então começou a espreitar, logo reconheceu a voz de Evan, que por sua vez estava bastante alterado. William se aproximou devagar sem ser notado por Evan ou pelo outro rapaz, que estava bem próximo do garoto estranho.

– Eu acho que você já pode ir embora agora, Charles. Agradeço demais que você tenha me salvado, mas eu não preciso mais de você. – Evan disse, se virando. Charles, um rapaz um pouco mais baixo que Evan, e de cabelos encaracolados, segurou o braço dele.

– Acho que eu mereço muito mais que um simples obrigado por ter salvo  sua vida, Evan. Você sabe  muito bem o que eu mereço. – Charles disse, soltando o braço de Evan, que por sua vez, volta seu olhar para o outro rapaz.

– Você e suas idiotices, Charles! Semestre passado você quase me matou, fez com que todos soubessem quem eu sou, e assim abriu as portas para que a organização me encontrasse… acredite, você só merece um muito obrigado e nada mais. – Evan diz, irritado e seguindo para longe de Charles, que fica pensativo durante alguns segundos.

William sai detrás de alguns empilhados de caixas, ficando frente a frente com Evan, que apressa o passo, o abraçando. Evan se sente aliviado por ver William, que olha para Charles com uma certa desconfiança. Em um simples piscar de olhos, Charles se aproxima dos dois, encarando William  com um certo ar de superioridade.

– Espero que você não faça a besteira que eu fiz um dia! – Charles disse, fazendo com que Evan se virasse, o encarando. William se mostrava bem intrigado diante de ambos.

Tudo foi muito rápido. William só sentiu um vento frio e em uma outra piscada  involuntária, Charles desapareceu por completo, deixando o rapaz  um tanto impressionado. William olhou para Evan, que sabia que teria muito para explicar para ele. Ambos se abraçaram com muito carinho, William afagou  os cabelos de Evan, que por sua vez suspirou, apoiando a cabeça no ombro dele. Estavam distraídos que não perceberam a presença de outra pessoa no local, era Sara, que parecia incrédula mesmo sem entender boa parte do que acontecia ali. Evan e William seguiram de volta para o prédio no qual funcionavam as salas de aula.

As aulas passaram sem nenhum aparente problema. William evitava ao máximo fazer contato visual com Peter, que se sentia mal por ter agido de um jeito tão errado com Evan, mas se mantinha intrigado com o fato de ver o estanho garoto bem, sem nenhum visível arranhão. Entram professores, saem professores, as aulas chegaram ao fim por volta das quinze horas.

Evan seguia ao lado de William e estranhou o fato dele estar calado. William olhava de soslaio para Evan, querendo perguntar qual era a relação dele com o outro rapaz, mas se continha com medo de estar sendo invasivo demais, pois afinal, acreditava que Evan não  tinha que contar tudo para ele. Ambos seguiram calados até a casa de Evan, que parou em frebte à William.

– Não quer entrar? – Evan perguntou, segurando na mão de William, que olhava para a mão dele, pensativo. Evan aguardava uma resposta, reparando em como William parecia estar tenso.

– Acho melhor não… seus pais podem não gostar muito que eu esteja sempre com você. – William respondeu, levantando o olhar. Evan ficou cabisbaixo, sentindo algo estranho na conversa que estavam tendo.

– Eu preciso contar uma coisa, William,  mas você precisa entrar comigo pra que eu conte. – Evan disse, esboçando um pequeno sorriso, fazendo William ficar curioso. – E meus pais só voltam à noite, então não tem como você recusar. – Completou, sorrindo e puxando  Evan para dentro da casa. Assim que entraram, um estranho homem  saiu detrás do tronco de uma árvore, tinha o olhar fixo na casa de Evan.

Evan seguiu com William para seu quarto. Ambos deixaram as mochilas próximo da cama e se sentaram, ficando muito próximo um do outro, tanto que era possível um ouvir a respiração do outro. William tocou o rosto de Evan com muito carinho, sentia um arrepio quando fazia isso, mas não era um arrepio por  sentir que algo de ruim pudesse acontecer, mas um arrepio que o fazia chegar cada vez maus perto de quem desejava, e estar ali com o garoto que o fez mudar muito durante tão pouco tempo, isso era inevitável.

– O Charles era somente um amigo, William… bom, pelo menos para mim, sempre o vi assim. Assim como eu, ele foi modificado, só que ele não tem asas como eu e sim, uma velocidade surpreendente. – Evan começou a contar, parando quando os lábios de William tocaram os seus, o beijo aconteceu e realmente se tornou mais importante do que qualquer outra coisa. Evan sorria entre os beijos, desejando o mesmo que William, que o beijou mais uma vez, passando pelo pescoço de Evan, que se arrepiou completamente diante dos toques mais insistentes.

– Desculpa, mas você é irresistível. – William afirmou, sorridente, deixando Evan desconcertado. Evan se deitou na cama, logo William também fez o mesmo, ficando de lado, observando Evan fechar os olhos e abrir constantemente. – Você nunca fez isso? – Perguntou, tocando o rosto de Evan com as pontas dos dedos. Evan ficou  de lado, olhando para William, que aguardava uma resposta, olhando de forma curiosa para ele.

– Nunca! – Evan respondeu, encostando um pouco mais de seu corpo no de William, que sorriu encantadoramente.

– Sempre há uma primeira vez. – William comentou, mexendo nos cabelos de Evan.

O tempo em Heaven Peace começou a fechar, logo trouxe uma fina garoa que durou a tarde toda enquanto os rapazes se entregavam de forma completa aos desejos que gritavam. Um frio se instalou na cidade, fazendo com que o fim de tarde ficasse ainda mais preguiçoso.

A porta da cozinha foi aberta sem muita dificuldade pelo mesmo homem que vinha observando Evan e William.  Ele entrou na casa, tentando não fazer barulho, subiu pela escada, evitando ao máximo qualquer ruído, tudo estava silencioso. Uma das mãos alcançaram a maçaneta enquanto na outra, levava uma pistola. A porta do quarto de Evan então foi aberta. Evan estava na cama, seminu, parecia estar em um sono profundo. A arma foi apontada e o gatilho acionado, um tiro foi disparado, momento em que Evan despertou, suando frio. William abraçou Evan, percebendo que ele despertara de um pesadelo.

CONTINUA

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