Máscaras & Verdades: Capítulo 3



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2016

CENA 1: MONTES ALTOS | CASA DE ALBERTA | SALA | INTERIOR | MANHà

Alberta olha diretamente para Sabrina, que dá um passo curto em direção à mãe de Diego. As duas se encaram.

ALBERTA: – Então, quem é você? – Questiona, esperando por uma resposta rápida. Ela fica intrigada por nunca ter visto  a mulher na sua frente.

SABRINA: – Eu sou Sabrina… Sabrina de Amparo,  senhora. – Ela responde, sorrindo de forma bastante amigável. Um sorriso que não convence a desconfiada senhora.

ALBERTA: – Bom, mas o que faz aqui a essa hora? O que você quer com meu filho? – Pergunta, intrigada com a presença de Sabrina.

SABRINA: – Eu e seu filho… bom, estamos os conhecendo. Eu só queria saber se ele está bem. – Responde, firmemente.

ALBERTA: – Você não sabe o que está dizendo, minha filha… meu filho não pode estar envolvido com você… bem, com todo respeito, ele não pode estar envolvido com ninguém. – Ela afirma, olhando seriamente para Sabrina. – Queira me desculpar, mas naquele coração com certeza não há espaço para outra mulher a não ser o da falecida noiva.

SABRINA: – Mas eu e… – Ela é interrompida por Alberta.

ALBERTA: – Eu direi que você esteve aqui, mas agora você precisa ir. – Ela diz, mantendo a seriedade.

SABRINA: – Tudo bem, não quero incomodar mais senhora. – Ela dá meia volta, seguindo para o carro. Alberta a observa de forma atenta. Assim que o veículo  segue, ela volta o olhar para a empregada, que sorri.

EMPREGADA: – O senhor Diego não vai gostar nada disso, senhora. – Comenta, fechando a porta.

Alberta sorri enquanto caminha pela sala. Ela para diante de um quadro de seu falecido marido.

ALBERTA: – Eu sei o que é melhor para o meu filho e essa tal de Sabrina, quando a vi, não sei, mas não fui com o santo dela. – Diz, voltando o olhar para a empregada. – Acredite, meu filho ainda vai me agradecer por isso. – Ela sai em direção à cozinha, sendo seguida pela empregada.


CENA 2: MONTES ALTOS | EXTERIOR | MANHà

Sabrina está no carro, ela espera o sinal abrir. Aparenta estar com uma raiva enorme, notável em seu olhar.

SABRINA: – Quem ela pensa que é para me tratar daquele jeito?! Deu pra ver bem que ela não gostou de mim, não gostou de me ver ali. Eu não vou aceitar que me tratem dessa maneira, não vou! – Ela bate de maneira insistente no volante.

O sinal abre, Sabrina acelera. Ela quase atropela um jovem que fazia seu show de malabarismo.

SABRINA: – Gentinha dos infernos. – Ela pensa enquanto acelera um pouco mais.

O jovem vai para a calçada e fica olhando o carro desaparecer no meio dos outros veículos. Ele se assusta ao sentir uma mão no ombro, se virando rapidamente e ficando de frente para um senhor.

LINO: – Já conseguiu algo? – O senhor pergunta, olhando diretamente para o jovem.

GABRIEL: – Somente algumas moedas, senhor Lino, mas ainda é cedo então vou tentar mais algumas vezes. – Diz, sorridente.

LINO: – Você sabe que não precisa fazer isso, garoto. Você pode ir pra nossa casinha… ontem mesmo fiquei preocupado.

GABRIEL: – O senhor sabe que eu não gosto da Fábia…Ela não é boa comigo como o senhor é. O senhor é o pai que eu nunca conheci. – Diz, já emocionado. – Prometo que não demoro aqui e logo estarei lá. – Afirma com os olhos cheios de lágrimas.

LINO: – Mas é para ir pra casa mesmo e não ficar nas ruas como você sempre faz, viu? A rua é perigosa, não pode ficar por aí sempre.

GABRIEL: – Tudo bem, senhor Lino. – Diz, abraçando o senhor, que se emociona. O sinal abre, então Gabriel retorna com seu número. Lino  o observa antes de sair dali.


CENA 3: MONTES ALTOS | CASA DE ISAQUE | SALA | INTERIOR | MANHà

Isaque caminha de um lado para o outro com o papel dado por Viriato, que por sua vez observa o amigo de forma atenta.

ISAQUE: – Não há nada demais nisso, Viriato. Eu só quero o que é meu e ponto. Não consigo ver o que há de errado nisso!?

VIRIATO: – Não consegue ver? Não consegue ver? Você está tentando roubar seu próprio irmão, Isaque e acha que isso não é nada demais?! Eu não vou participar disso, não vou mesmo. – Diz, irritado.

Isaque se aproxima de Viriato, que o encara.

ISAQUE: – Eu não vou fazer isso, pode ficar tranquilo. Nossa amizade é mais importante que isso, Viriato. – Diz, balançando a folha.

VIRIATO: – Você tem que parar de agir assim, Isaque! Você não é mais um adolescente que pode sair por aí fazendo o que quiser achando que não será punido. Você já é um adulto e as consequências são graves. – Alerta, pegando a folha de papel.

ISAQUE: – E falando no meu irmão, ele chega hoje amanhã de manhã. – Informa, se sentando no sofá.

VIRIATO: – E você pensando em dar uma rasteira nele… vê se toma jeito, Isaque! – Ele bate no ombro do amigo. – Eu só quero o seu bem,  nunca se esqueça disso.

ISAQUE: – Eu sei disso, Viriato… foi só uma loucura que passou por minha cabeça,  passou e já foi embora… você tem a razão. – Afirma, suspirando, aliviado.


CENA 4: MONTES ALTOS | EDIFÍCIO PORTAL | APARTAMENTO DE MARCELO | SALA | INTERIOR | TARDE 

Marcelo terminou de almoçar, agora lê um livro, sentado próximo da porta que dá acesso a varanda. Ele ouve a porta da sala se abrindo, então abaixa o livro e vê o irmão, Júlio entrando. Júlio segue até o irmão, que por sua vez fecha o livro.

MARCELO: – Como foi a faculdade? – Pergunta, interessado.

JÚLIO: – Normal como sempre, mano… nada de especial. – Responde, colocando a bolsa sob o sofá. – E como está tudo por aqui? Conseguiu resolver aquilo com a Daiana? – Indaga, curioso.

Marcelo se levanta, olhando nos olhos do irmão.

MARCELO: – Eu não quero falar sobre isso, Júlio. É problema meu e não posso falar sobre isso. – Responde, seguindo  para a escada.

Júlio volta o olhar para irmão.

JÚLIO (Sussurra): – Pelo menos admitiu que está com problemas, já é um bom começo.

O celular de Júlio começa a tocar. Ele olha para a tela e revira os olhos ao perceber de quem se trata. Júlio não atende a ligação, o celular continua a tocar, ele segue para a cozinha, deixando o aparelho na sala.


CENA 5: MONTES ALTOS | GALERIA DE ARTE | INTERIOR | TARDE 

Juliana ajuda sua amiga, Daiana a arrumar algumas coisas no salão principal. Juliana começa a limpar algumas esculturas quando de repente se pega pensando em Diego, na forma em como se conheceram.

DAIANA: -… eu realmente não sei o que passa na cabeça do Marcelo, mas eu não vou desistir de nós, eu amo muito ele. – Ela percebe que a amiga está bastante distraída. – Olá! Em que planeta você está? – Ela indaga, estalando os dedos, fazendo com que Juliana olhe para ela, um pouco perdida. – Em que mundo você está, Juliana? – torna a perguntar sorrindo. – Se eu não te conhecesse, minha amiga, diria que essa cara é de apaixonada.

JULIANA: – Você acha possível gostar de uma pessoa só tendo visto ela uma vez, Daiana? – Ela pergunta, surpreendendo a amiga.

Daiana para o que está fazendo e olha diretamente para Juliana, que aguarda uma resposta. Ela percebe que a pergunta é séria.

DAIANA: – Tudo é possível, minha amiga. Eu quando conheci o Marcelo, foi dessa maneira, amor à primeira vista. – Responde, sorrindo. – Mas você não quer me contar o que aconteceu de ontem para hoje? Você realmente parece estar diferente… para melhor. – Indaga próxima de Juliana.

Juliana sorri, e começa a contar tudo o que aconteceu na noite anterior, deixando Daiana à par de tudo.


CENA 6: MONTES ALTOS | EXTERIOR |FIM DE TARDE

Joana segue para a casa em seu carro, ela escuta uma música que a deixa calma. Joana para no sinal, olha para os lados e quando volta o olhar para a frente, fica cara a cara com um jovem maltrapilho, que faz uma apresentação de malabarismo para ela. De repente, Joana começa a lembrar do filho, tudo parece parar à sua volta.


Flashback

2006

Joana cambaleia, sua visão é turva devido a uma forte pancada na cabeça, está desesperada.

JOANA: – Meus filhos não! Meus filhos não! – Ela grita, desesperada. Não aguentando mais, desmaia no tapete da sala.

Fim do Flashback 


Joana chora enquanto observa o garoto à sua frente. O garoto é Gabriel, que se aproxima da janela do carro, estendendo a mão. Joana pega uma nota no porta luvas e entrega, tocando a mão do garoto, os dois se arrepiam. O sinal abre, os outros veículos buzinam,  fazendo com que Joana saia com o carro, ela olha pelo retrovisor, se afastando de onde o garoto ficou.


CENA 7: MONTES ALTOS | FÁBRICA DESEJO | EXTERIOR | FIM DE TARDE

Diego está no estacionamento da fábrica, ele retira a chave do carro do bolso da calça, momento em que um estranho homem se aproxima. O homem encara Diego, que por sua vez está assustado.

HOMEM: – Diego Porto? – Pergunta, olhando de forma insistente.

DIEGO: – Sou eu mesmo! – Responde com receio.

HOMEM: – Eu preciso falar sobre seu pai! – Diz, insistente.

Diego arregala os olhos diante do homem à sua frente.

A imagem do rosto de Diego congela em uma cor azul fosco, logo a ela se parte em diversos pedaços.

CONTINUA

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