Máscaras & Verdades: Capítulo 2



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2016

CENA 1: MONTES ALTOS | EDIFÍCIO LOUSADA | INTERIOR | NOITE

A chuva continua torrencial. Juliana olha assustada para Diego, que se apoia na parede e se levanta. Ele volta o olhar para Juliana, que parece entender que devem sair do prédio rapidamente. Ambos ouvem mais um estalo, observando a parede rachar.

DIEGO: – É melhor sairmos daqui! – Diz, seguindo para fora. Juliana o acompanha, amedrontada.

Diego e Juliana saem correndo em direção à rua, apavorados pela possibilidade do edifício desabar.

DIEGO: – Você está bem, moça? – Pergunta, parando um pouco mais a frente embaixo de chuva.

Juliana está bastante assustada, tem apenas a reação de abraçar Diego, que é pego de surpresa. Juliana está de costas para o edifício Lousada, ela abraça fortemente o até então estranho homem. Diego por sua vez fica abismado ao ver uma parte do prédio desabar. Juliana sai do abraço, se virando e ficando mais chocada ainda com tudo o que vê.


CENA 2: MONTES ALTOS | CASA DE ALBERTA | SALA | INTERIOR | NOITE

Joana observa a amiga caminhar de um lado para o outro, parecendo muito preocupada com alguma coisa. Alberta para de ir de um lado ao outro, ela se senta no sofá ao lado de Joana.

ALBERTA: – Essa chuva está muito assustadora, Joana. Eu espero que o Diego não tenha saído nesse temporal. – Diz, olhando para a tela do celular.

JOANA: – Não fique assim, Alberta. Logo essa chuva passa, não tem tempestade que dure para sempre minha amiga. – Ela olha para a frente, ficando pensativa. Alberta olha para Joana e parece entender o motivo dela ter ficado daquele jeito. – Nessas horas eu fico pensando se meus filhos tem algum lugar para morar, se estão bem… eu daria tudo para estar ao lado deles. – Comenta, voltando o olhar para Alberta, que por sua vez segura a mão da amiga.

ALBERTA: – Deus está cuidando deles, Joana, tenha absoluta certeza disso.

JOANA: – Eu tenho, Alberta e é isso que me mantêm viva ainda, pois carrego a esperança de vê-los novamente. – Afirma, lembrando dos rostos dos filhos. – Sei que um dia eles estarão comigo novamente.

Alberta abraça a amiga, que chora em seu ombro.


CENA 3: MONTES ALTOS | RUA | EXTERIOR | NOITE

A chuva já começa a perder sua intensidade. O vento sopra um pouco mais calmo. Em um beco da cidade, um monte de papelão molhado começa a se mexer, logo é espalhado, revelando a face de um adolescente, que está vestindo apenas uma camiseta cheia de furos e um short todo surrado. O jovem olha para cima, coloca as mãos juntas, parece estar se preparando para uma oração.

GABRIEL: – Obrigado por ter feito essa chuva passar, meu Deus! Muito obrigado. – Agradece. Ele abaixa a cabeça lentamente e sai andando em direção a saída do beco.


CENA 4: MONTES ALTOS | EDIFÍCIO LOUSADA | EXTERIOR | NOITE 

Vários veículos do corpo de bombeiros se encontram parados na rua, os profissionais fazem o atendimento aos feridos, entre eles, Diego e Juliana, que não vão tirar da memória tão cedo o que acabaram de ver. Os dois estão lado a lado enquanto são atendidos.

DIEGO: – Apesar disso tudo aqui, eu só tenho a agradecer você por ter me tirado daquele carro. – Diz, olhando diretamente para Juliana.

JULIANA: – Tirei você do carro, mas quase levei você para a morte. – Comenta com um sorriso amarelo.

DIEGO: – Não, nada disso… você me salvou, ficou comigo, ficou ao meu lado enquanto tudo acontecia, enquanto o mundo parecia desabar sobre nossas cabeças…literalmente. – Diz, correndo os olhos pelo rosto de Juliana. Os socorristas terminam os primeiros socorros em ambos, eles se afastam. Diego segura na mão de Juliana. – Eu serei eternamente grato pelo que você fez. – Ele leva a mão dela até próximo da boca, beijando-a. Juliana se arrepia, não por ainda estar molhada, mas por sentir uma estranha sensação ao sentir os lábios do homem à sua frente, tocando sua mão.


CENA 5: MONTES ALTOS | CASA DE JULIANA | INTERIOR | MADRUGADA

Depois da chuva forte e do atraso da filha, Heloísa não conseguiu pegar no sono. Ela caminha do quarto para a sala, seguindo para perto da  janela, assim que ela afasta a cortina, vê a luz do farol de um carro. Juliana sai do veículo, entrando na casa um pouco mais seca. Heloísa segue rapidamente para perto da filha.

HELOÍSA: – Minha filha, ainda bem que você está aqui, ainda bem! – Diz abraçando Juliana.

JULIANA: – Eu estou tão feliz por estar em casa novamente, mãe. A senhora não imagina o tamanho dessa felicidade por estar aqui com a senhora novamente. – Comenta, deixando o abraço mais apertado. Heloísa  beija a face da filha, percebendo uma certa tensão nela.


CENA 6: MONTES ALTOS | EXTERIOR | MANHà

O sol nasce, muito mais brilhante. O céu está limpo, muito diferente da noite que passou. Um homem sai de um veículo branco, caminha pela calçada, levando uma pasta preta. Ele para em frente de uma mansão, olha para ambos os lados e entra na residência.


CENA 7: MONTES ALTOS | CASA DE ISAQUE | SALA | INTERIOR | MANHà

O mesmo homem anterior é recebido por uma empregada, que abre caminho para que ele entre na casa. Ela fecha a porta.

EMPREGADA: – Ele já vai descer, senhor Viriato. – Ela informa, receptiva.

VIRIATO: – Muito obrigado. – Ele agradece a informação. A empregada segue para a cozinha, deixando ele sozinho.

Viriato não fica muito tempo sozinho. Logo ele olha para escada e vê Isaque descendo. Isaque para no último degrau, encarando Viriato com certa desconfiança.

ISAQUE: – Pra você estar tão cedo assim aqui em casa, deve ser algo muito urgente, não é mesmo?! – Indaga, se apoiando no corrimão.

Viriato por sua vez, abre a pasta que carrega, retirando alguns papéis. Ele fecha a pasta e se aproxima de Isaque, que somente olha. Viriato entrega os papéis nas mãos de Isaque.

VIRIATO: – O que é isso agora? É melhor você explicar direitinho, Isaque ou você não me terá mais como advogado e muito menos como amigo. – Pede, encarando Isaque, que alterna em olhar para os papéis e para a face de Viriato.


CENA 8: MONTES ALTOS | CASA DE ALBERTA | SALA | INTERIOR | MANHà

Alberta conversa com uma das empregadas enquanto ela mesma cuida de arrumar algumas almofadas no sofá.

EMPREGADA: – A senhora não precisa fazer isso, dona Alberta. – Comenta, um pouco envergonhada.

ALBERTA: – Não é nenhum sacrifício para mim, minha querida… e eu já fui uma empregada também, acredite! – Diz, sorridente. Ela termina de arrumar as almofadas.

A campainha toca, fazendo com a empregada se desloque e abra a porta. Alberta segue para perto da escada e observa a mulher parada, conversando com a empregada, ela resolve se aproximar.

EMPREGADA: – O senhor Diego já saiu, senhorita. – Ela informa. Alberta se aproxima, interferindo na conversa.

ALBERTA: – Quem é você?  – Pergunta, mantendo seus olhos nos olhos da mulher que se revela ser Sabrina assim que a empregada se afasta para o lado. Alberta olha intrigada para a mulher à sua frente.

Sabrina esboça um pequeno sorriso enquanto olha para a mãe de Diego.

Seu rosto congela em uma cor vermelho fosco, a imagem se parte em diversos pedaços.

CONTINUA

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