Stranger Boy: Capítulo 9 – Dilemas



“Em um momento estamos aqui, no outro já podemos estar longe, tão longe que já não se pode escutar, que já não se pode tocar… tão longe que só se pode sentir, e não viver.”

William e Evan continuaram caminhando mesmo sobre os olhares pesados dos outros colegas. Evan abaixou a cabeça, sentindo um incômodo que não saberia explicar o motivo. Assim que ambos entraram na escola, ficaram de frente para Sara, que não olhou diretamente para eles, e sim desviou. William estranhou aquilo, gritou o nome de Sara, fazendo com que ela parasse.

– Pode me explicar o que está acontecendo? – William indagou, se aproximando de sua ex-namorada, que por sua vez, resolveu levantar o olhar. Os dois se encararam por poucos segundos. Evan ficou observando tudo o que se passava diante de seus olhos.

– Você e o Evan deveriam saber, William.  – Sara respondeu, demonstrando pouca vontade de estar alí, falando com seu ex-namorado. – Eu só fico me perguntando, qual foi o motivo para que vocês não confiassem em mim? Eu realmente não sirvo para ser amiga de vocês. – Continuou, olhando para Evan por cima do ombro de William. – Eu só espero que vocês sejam felizes. Agora preciso ir. – Sara concluiu, deixando os dois pensativos. William voltou a se aproximar de Evan, que já começou a entender tudo o que estava acontecendo. Evan abraçou William e chorou em seu ombro enquanto outros alunos passavam por eles, alguns olhavam, outros não davam a mínima.

– Tudo vai ficar bem, Evan, eu prometo. – William disse, apertando o abraço, afagando o cabelo de Evan, que por sua vez tentava conter as lágrimas insistentes.

William não saiu do lado de Evan enquanto subiam pelas escadas que levavam ao andar em que ficava a sala de aula. Os dois somente pararam quando um rapaz da mesma altura de William, porém um pouco mais amorenado parou à frente deles, impedindo a passagem de ambos. William conhecia o rapaz, então não atendeu a atitude idiota que estava a ter naquele momento.

– Será que dá para sair da frente,  Peter? – William  indagou, arqueando a sobrancelha. O rapaz  à sua frente alternava  em olhar para Evan e Wiliam, que esperava uma resposta.

– Você não está mais no time, William.  – Peter disse. Uma resposta que William não esperava. Evan olhou para ambos, atônito. – Eu não reconheço mais você, não mesmo. – Terminou, saindo da frente de Evan e William. Evan ficou cabisbaixo, pois acreditava que aquilo estava a acontecer por culpa  dele, seus olhos voltaram a se encher de lágrimas.

William se aproximou de Evan, tentando abraçá-lo, mas ele desviou do abraço e saiu correndo, passando rapidamente por todos. Evan saiu para fora da escola, no qual viu aparentemente um corredor ser formado, ele apertou os passos, correndo o mais rápido que podia, e logo atrás foi William. Sara os observava de longe, deixando algumas lágrimas  caírem. Evan já não queria mais saber se a corrida, se a emoção o afetaria, queria apenas fugir daquele local, queria apenas fugir dos olhos julgadores, dos sorrisos desdenhosos e do mal que acreditava estar fazendo para William. Evan somente parou quando sentiu que alguém o segurava, ele então se debateu, tentando se soltar de um abraço que aos poucos foi lhe acalmando. O rapaz abriu os olhos, ficando face a face com William, que por sua vez apertava Evan contra seu peito. Já mais calmo, William beijou Evan por poucos instantes, e passou o dedo de forma carinhosa pela região abaixo dos olhos dele, enxugando as lágrimas.

– A gente vai enfrentar isso juntos, Evan. Eu estou com você, não vou deixar você só por conta do que os outros pensam, acham ou sei lá. – William disse, pegando a mão esquerda de Evan e levando até seu peito, bem próximo do coração. – Você já está nesse coração aqui e, não pretendo e nem quero ver você fora dele. – Continuou, envolvendo Evan em seu abraço mais uma vez. – Já quero você do meu lado todos os dias, e nada é mais valioso do que isso, pode acreditar. – Concluiu, esboçando um pequeno sorriso. Evan também abriu um belo sorriso diante da declaração de William.

Enquanto os rapazes retornavam para a escola, um indivíduo trajando um sobretudo e um chapéu preto, saiu de trás de uma árvore, olhando para a tela do celular e sorrindo. Era nitidamente um adulto, que assim que teve a certeza de estar sozinho, fez uma ligação rápida, escondendo o rosto com parte do chapéu. Evan sentiu um arrepio estranho, mas nada comentou com William,  ambos seguiram para a escola, mais calmos, porém não deixavam de ser olhados por todos que ali ainda estavam.

– Posso fazer uma coisa? – William perguntou, esboçando um leve sorriso. Evan parou e olhou nos olhos dele, parecia que a sintonia de ambos também se estendia por ali.

– Depende! – Evan respondeu, olhando de soslaio para os lados, aparentando um pouco de nervosismo diante do questionamento de Evan.

– Confia em mim? – William indagou, sorridente.

– Nunca vou deixar de confiar! – Evan afirmou, demonstrando uma certeza visível em seus olhos, que olhavam somente para William.

Diante da resposta, William segurou devagar na mão de Evan, entrelaçando os dedos, se mantinham olhando um no olho do outro. De mãos dadas, eles seguiram para dentro da escola sob os mais diversos olhares possíveis. O sinal para que os alunos entrassem, disparou, todos seguiram para dentro. O mesmo indivíduo agora espreitava de longe toda a movimentação, distraído, não reparou que Sam o observava, pensativo.

As aulas se iniciaram. As horas passaram rapidamente. William e Evan não se desgrudaram um minuto sequer, e mesmo com o afastamento de suas amizades, William não se abalou, deixando Evan um pouco mais tranquilo, mas ele ainda não deixava de se culpar por isso ter acontecido. O intervalo de uma hora havia se iniciado, Wiliam seguiu para o banheiro, deixando Evan na sala, revisando o que havia aprendido em uma das aulas. Evan se assustou com a porta se batendo com certa violência, era Peter, fazendo com que o estranho garoto se levantasse no mesmo instante. Peter se aproximou, olhando diretamente para Evan.

– Qual é a sua, novato? Você acha que pode chegar assim de repente e virar a cabeça do William de uma hora para outra e tudo ficar bem!? – Indagou, andando devagar. – Eu nunca acreditei em feitiçaria ou essas coisas, mas eu estou começando a acreditar que seja isso que você esteja fazendo com o William. – Continuou, demonstrando sua raiva por saber que seu amigo aparentemente estava apaixonado por outro garoto. Peter ficou muito próximo de Evan, estava com os punhos cerrados, a raiva era grande. – Pessoas como você não merecem o dia e a noite! – Esbravejou, partindo para cima de Evan, que se afastou sem olhar para trás. Evan esbarrou na janela que apenas estava encostada, se desequilibrando e caindo. Peter, assustado, se apoiou na janela, não conseguindo ver onde Evan pudesse ter caído.

CONTINUA

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