Stranger Boy: Capítulo 8 – Unidos



“O desconhecido assusta, espanta, paralisa, mas para que isso passe é necessário conhecer, e quem se recusa a conhecer, cultiva os mais belos espinhos de ignorância.”


A cortina da janela balançava com o vento frio que soprava, balançava parecendo realizar uma bela dança. William se levantou, seguindo até a janela e fechando-a, logo o quarto voltou a ficar em uma agradável temperatura. Ele voltou seu olhar para a cama, observando Evan, que dormia profundamente. William pensava no que Evan havia pedido e mesmo a contragosto, realizou o pedido. Ter suas mãos manuseando uma tesoura, cortando literalmente as asas dele, o deixou muito mexido, parecia que ele o havia ferido de alguma maneira, ficou pensativo. O rapaz voltou para a cama, se aconchegando ao lado do outro, beijou a face de Evan com um carinho imenso, tomando cuidado para não despertá-lo. William ficou olhando Evan dormir calmamente, teve a certeza do que realmente estava a sentir pelo seu novo amigo, e desejava não sair mais do lado dele, queria protegê-lo de tudo que pudesse ameaçar sua paz. William ajeitou o cobertor que cobria todo o corpo de Evan e o abraçou, adormecendo novamente.

Batidas intensas na porta fizeram com que William despertasse, logo Evan também despertou. William olhou para a porta, lembrando que ele havia passado a chave, de certa forma, respirou aliviado.

– Você está aí William? – A mãe dele, Felícia, perguntou do outro lado da porta, muito mais para confirmar do que por qualquer outro motivo, pois ela sabia que o filho estava  no quarto. Evan, dentro do cômodo, suspirou profundamente.

– Estou, mãe! – Respondeu,  bocejando.

– Não vai para a escola hoje? – Felícia questionou, preocupada e se mantendo próxima da porta. Felícia olhava para o corredor e também para a escada, esperando uma nova  resposta.

– Hoje não, mãe… desculpa por faltar, mas hoje não estou muito bem. – Respondeu, voltando seu olhar para Evan, que o olhava, sorrindo.

– Tudo bem! Mas me avise se precisar de qualquer coisa. – Felícia recomendou, saindo de perto da porta do quarto do filho.

William respirou um tanto aliviado, provocando risos em Evan, que por sua vez recebeu um abraço apertado dele. William o olhava com muita ternura, queria que Evan se sentisse seguro alí, perto dele. Palavras não foram pronunciadas. Evan segurou o queixo de William, que aproximou sua boca da boca dele, fazendo com que ambos fechassem os olhos no mesmo instante, o beijo aconteceu de forma plena e intensa. Eles sentiam muito mais que prazer ao se beijarem, sentiam que estavam se completando, estavam se entregando a algo muito maior. Evan sorriu ao abrir os olhos e constatar que tudo aquilo era real, e não era mais um sonho qualquer em uma noite fria e silenciosa, realmente podia ver que estava entre os braços de William, que afagava seus cabelos, pensativo.

– E agora? – Evan indagou, levantando a cabeça e olhando nos olhos de William, os mesmos olhos que o deixaram desconcertado por diversas vezes. Suas mãos se uniram, fazendo que ambos ficassem arrepiados.

– Agora viveremos o que há para se viver, Evan… e tenha certeza que nós faremos dar certo. – William respondeu, esboçando seu belo sorriso de sempre. Evan se aconchegou ainda mais. William beijou a testa de Evan, que fechou os olhos, sorrindo.

Margareth e Nathan estavam preocupados demais com o filho e com que pudesse ter acontecido com ele. Eles estavam na companhia de Sam, que já os conhecia há um bom tempo. Todos tomavam ou tentavam tomar um café quando a porta se abriu, e Evan entrou acompanhado de William, que por sua vez cumprimentou a todos. Evan parou diante dos pais e do seu professor, a mãe percebeu logo que o filho havia cortado as asas, e ela sabia o quanto isso era doloroso pra ele, logo se levantou para um abraço apertado, que fez Evan se debulhar em lágrimas, sentido o conforto do carinhoso abraço de mãe. Assim que deixou o abraço de Margareth, Sam se aproximou.

– Fico feliz por ver que está bem! – Sam disse ao dar um rápido abraço em Evan. – Fique tranquilo, pois agora você poderá viver em paz. – Afirmou, sorrindo.

– Obrigado, Sam! – Evan agradeceu, esboçando um sorriso. Sam era como um segundo pai para ele, vê-lo ali só deixou Evan ainda mais feliz e agradecido.

– Bom, agora vou indo,  pois há muita coisas da se fazer na escola. O vejo amanhã por lá? – Indagou, sorrindo.

– Sim, estaremos lá amanhã. – Evan respondeu, voltando seu olhar ligeiro para William,  que sorriu, cúmplice. Sam se despediu de todos e saiu. Nathan olhou para William e depois para o filho, sabia que os dois estavam juntos, era perceptível em seus olhares. William ficou com receio ao ver o pai de Evan seguindo até ele, já esperava um esporro ou qualquer coisa do tipo, mas mesmo assim ele se manteve no mesmo lugar. Nathan se aproximou de William, e lhe puxou para um abraço apertado.

– Bem vindo à família! – Nathan disse assim que abraçou o William.  – E muito obrigado por cuidar dele tão bem. – Agradeceu, saindo do abraço. William se sentiu estranho, mas um estranho bom. Quando olhou para Evan, ele estava sorrindo feito bobo. Evan se aproximou de William,  agora era ele quem o abraçava forte.

A tarde se aproximou preguiçosa, já era possível perceber nos sinais da natureza que uma frente fria se aproximava de Heaven Peace. Sara vinha pela calçada do lado de sua casa quando viu Evan e William saírem da casa do segundo. Sara atravessou a rua, se aproximando dos dois, sorridente.

– O que houve com vocês? – Sara perguntou, curiosa para saber o motivo do sumiço repentino de ambos. – Ontem vocês desapareceram e as aulas nem mesmo haviam terminado e hoje nem mesmo foram pra escola. – Comentou à espera de uma resposta enquanto olhava para ambos, que surtiram.

– Ontem eu precisei ajudar o Evan em uma coisa aí,  e hoje a gente se atrasou um bocado e decidimos por não ir, mas amanhã iremos. – William respondeu calmamente. Por ter namorado Sara, ele a conhecia muito bem e sabia que sua curiosidade era gigantesca.

– Bom, espero que esteja tudo bem com vocês, qualquer coisa é só me dizerem. – Sara disse, um tanto sugestiva. Ela olhou para Evan rapidamente e logo desviou o olhar, era notável que estava um tanto magoada. Sara seguiu para a casa, deixando os dois se olhando, intrigados.

William e Evan caminhavam pela calçada, próximos um do outro, estavam pensando praticamente na mesma coisa. Evan parou diante de William, que fitou seus olhos. Havia algo a ser esclarecido.

– Você acha que a Sara desconfia de alguma coisa? – Evan perguntou, preocupado. William deu um passo à frente, ficando muito próximo de Evan.

– Tenho certeza que não. – William respondeu, olhando nos olhos de Evan. – Mas conhecendo ela do jeito que conheço, ela não vai se contentar com aquela nossa resposta. A Sara é desconfiada, e ela estava ou ainda está afim de você, então ela vai ficar nos cercando. – Continuou, ficando mais próximo ainda de Evan, que pode sentir a respiração dele ficar acelerada. – O que você acha de ser meu namorado? – William indagou, sorrindo, mas a tensão se instalou em seu interior. Evan abaixou a cabeça, sorrindo.

– Acho que está tudo bem. – Evan respondeu, levantando o olhar. William tocou a face dele de forma leve e carinhosa. – Bom, se estiver tudo bem pra você. – Concluiu, sorridente. Evan fez um pequeno carinho no rosto dele, que se arrepiou, os olhares se encontraram e nada mais foi dito.

Uma garoa começou, logo foi se intensificando, Evan e William correram para a casa, estavam nitidamente felizes por estarem juntos, por cada um estar bem. Da janela de sua casa, Sara observava os dois, sua expressão era de estranheza por verem os dois tão próximos em um curto espaço de tempo. A chuva se arrastou pelo resto da tarde e a noite inteira, logo cessou, trazendo um frio intenso. William foi para sua casa somente após Evan adormecer, tinha um sorriso faceiro estampado.

A manhã de um novo dia se iniciou mais fria do que de costume. Evan se despediu dos pais e seguiu com William que já o esperava do lado de fora. Eles olharam para a casa de Eva e viram que tudo estava trancado. Seguiram para a escola, sorrindo por estarem mais uma vez juntos. Assim que chegaram na escola, os alunos que estavam para fora, passaram a olhar de forma estranha para os dois, alguns chegaram a apontar, outros cochichavam em seus grupinhos. Evan olhou para Wiliam, que por sua vez não soube o que dizer, nenhum dos dois sabiam o que estava acontecendo.

CONTINUA

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