Stranger Boy: Capítulo 7 – A715


​“Mistérios sabemos que existem, mas não sabemos como são, e talvez nunca saibamos, pois eles não nos pertence a ponto de nos serem revelados”

Algumas luzes piscavam, iluminando o ambiente por pouquíssimos segundos. Algumas estavam quebradas, outras soltavam faíscas. Do lado direito do corredor, um amontoado de celas, todas com as portas reforçadas. Um homem vestindo calça e camisa branca seguia pelo corredor, sem medo, e parecendo já conhecer cada canto do lugar. Ele parou diante de uma das celas e sorriu de maneira estranha, aparentava ter os seus quarenta e poucos anos. O homem retirou um molho de chaves do bolso da calça, escolheu  uma delas e colocou na fechadura, abrindo a cela. Era possível ouvir  alguém chorando, visivelmente triste e amedrontado, o estranho homem se aproximou do prisioneiro e trouxe ele para onde a única lâmpada da cela estava, era Evan quem estava preso, suas asas estavam mantidas, mas foram amarradas, impedindo assim que ele voasse e por fim, fugisse daquele local. O estranho homem de cabelos longos e um pouco mais alto  que Evan, retirou do outro bolso da calça, uma seringa, e sem dar tempo para nada, ele aplicou o conteúdo contido ali, em Evan, que rapidamente desmaiou. Evan foi pego  nos braços pelo homem, e levado para fora da cela.

– Tudo vai ficar bem, A715, não iremos machucar você. – O homem disse, andando pelo corredor com Evan nos braços. – Demorou, mas até que enfim nós o encontramos. – Concluiu, voltando a prestar atenção no caminho que seguia. Ele abriu uma porta, e saiu do corredor, entrando em uma  sala, na qual mais pessoas estavam.

– George, achei que ficaria a vida toda naquelas celas. – Comentou, uma mulher mais jovem do que ele ao se aproximar. George, o homem que segurava Evan, voltou seu olhar para a mulher.

– Ele não está mais leve como antes, Ambar, por isso eu demorei. – George disse, explicando e seguindo na direção de uma maca que ficava bem no centro da sala. George colocou Evan em cima da maca e parou, observando o adolescente. – Como ele cresceu. – pensou alto enquanto  tocava as asas de Evan. Ambar se aproximou. – Ele foi o único que deu certo, Ambar. Veja como ele está, como se desenvolveu. Está perfeito! – Afirma, admirando o rapaz.

– A715 realmente deu certo, George. Era pra existir mais como ele, mas as experiências foram um verdadeiro fracasso. Quando os pais dele o levaram, todos ficaram sem o molde principal, então não se podia fazer mais nada. – Âmbar, comentou, tocando as asas de Evan. Ela voltou o olhar firme para George, que parecia estar pensativo, muito além da conta. – Vamos fazer o que tem de ser feito, George! – Ela orientou, saindo de perto de George, que por sua vez concordou apenas com o aceno de cabeça, estava calado. O homem começou a desatar as amarras que prendiam as asas de Evan, seus olhos começaram a lacrimejar.


Na cidade de Heaven Peace, a noite já havia se iniciado. William se encontrava bastante abalado e com uma coragem oriunda de algum lugar desconhecido por ele mesmo,  estava sentado de frente para os pais de Evan, que ouviram cada palavra do que o rapaz dissera sobre o filho deles. Wiliam estava nitidamente envergonhado e com medo ao mesmo tempo, ele não conseguia olhar diretamente para Margareth e Nathan, que se mantinham calados e pensativos. Nathan se levantou e seguiu até a janela, logo voltou seu olhar para William, que esperava por algo, mas não sabia  o que.

– Você contou a mais alguém tudo isso? – Nathan questionou calmamente sem desviar o olhar do rapaz.

– Não senhor! Eu prometi ao Evan que não diria e vou cumprir o que prometi. – William disse, levantando a cabeça. – Eu só quero encontrá-lo novamente… eu não tive culpa, se eu soubesse que isso iria acontecer, não teria feito nada, eu… – Margareth se levanta, aproximando de William, que demonstra estar muito nervoso.

– Sabemos que você não tem culpa William,  não precisa ficar dessa maneira… nós encontraremos o Evan e tudo vai ficar bem, acredite! – Margareth disse, segurando a mão de William. – Agora vá para casa e tente se tranquilizar. – Ela pede, compreensiva.

Wiliam se levantou, olhando para a mãe de Evan e depois para o pai. Antes de sair, parou e voltou seu olhar para Margareth.

– Ele é muito especial para mim. – Afirma, visivelmente  emocionado e com receio. Wiliam sai da casa dos pais de Evan, pensando em um modo de encontrá-lo.

Nathan volta seu olhar para a esposa, que por sua vez está pensativa. Ele se sentou ao lado de Margareth, que colocou sua mão sobre a do esposo. Nathan puxou Margareth para um  abraço. Ela chorou no ombro  do marido, demonstrando todo seu medo do que poderia acontecer com o filho.

– Vamos acreditar que tudo vai ficar bem, Margareth. O Evan é especial, nosso filho logo estará com a gente novamente. – Nathan disse, sentindo toda a emoção da esposa, que ficou imersa nos pensamentos, tentando afastar as possiblidades ruins, já que conhecia muito bem a história.


George observava todos os seus colegas se aprontarem para o procedimento necessário que realizaria o recolhimento do DNA de Evan, o qual eles tratavam de A715. O especialista suava frio, olhava para o relógio digital ao longe, e depois de muito pensar, não teve nenhuma dúvida do que iria fazer. Evan estava com os olhos abertos, e de repente as asas se abriram, George então caiu no chão, tamanha a força que aquela  parte do corpo de Evan possuía.

– Vá em paz! – George sussurrou antes de Evan levantar voo. Destemido, o especialista se pôs a quebrar tudo que encontrou pela frente, fazendo com que boa parte das informações se perdessem, o suficiente para fazer com que levassem vários anos para chegar nos mesmos resultados. Âmbar o olhou com muita raiva e de imediato pegou uma pistola que eles ainda testavam e disparou contra seu colega, que caiu ao chão sem nenhuma reação, se desintegrando logo em seguida. Evan viu  aquilo tudo do alto e se entristeceu, pois viu que mais uma vez alguém deu a vida por ele. Chorando, o garoto estranho saiu dali, batendo as asas para longe.


William não estava com cabeça para explicar aos seus pais onde esteve aquele tempo todo. Ele seguiu direto para o quarto, deixando os pais sem qualquer resposta. William se deitou na cama, chorando, temendo que Evan não voltasse. Ele acabou adormecendo assim, mas mantendo a esperança de vê-lo novamente assim que o dia amanhecesse.

Evan voou para um lugar que ele sabia que estaria seguro. Planou sobre a floresta ao redor de Heaven Peace, o silêncio e o vento gelado imperava por ali. O rapaz voou até a escola, que se mostrava silenciosa. Evan aterrissou no campo de futebol, olhando para todos os lados como que para obter a certexa que novamente não foi flagrado. Assim que ele se sentou na arquibancada, cabisbaixo e amedrontado, sentiu uma mão tocar seu ombro. Assustado, o rapaz bateu suas asas e voou, voltando seu olhar e vendo que era Sam quem ali estava. Evan retornou, ficando de frente para Sam.

– Eles o encontraram, não é mesmo? – Sam indagou, olhando nos olhos de Evan, que por sua vez, apenas balançou a cabeça de forma positiva. – Meu irmão, ele morreu? – Perguntou, entristecido. Mais uma vez Evan se calou, respondendo apenas com o balançar da cabeça e se pondo a chorar enquanto se lembrava de tudo. – Vá para a casa, Evan, é o melhor a se fazer. – Sam orientou o jovem rapaz, que seguiu o conselho, batendo suas asas para longe dali.

A manhã não demorou a chegar. William acordou após ouvir um estranho barulho, se levantou devagar e seguiu até a janela,  visualizando uma sombra, então assim que afastou as cortinas, viu Evan sentado próximo do vidro. Os dois se olharam por alguns minutos antes de William abrir  a janela, Evan entrou, abraçando William. O garoto estranho chorou no ombro dele. William levou a mão até a cabeça de Evan, afagando os cabelos dele. Após chorar por longos minutos, Evan afastou a cabeça do ombro de William.

– Corte elas para mim! – Evan pediu, ainda com lágrimas nos olhos e abraçado a William, que deixou o abraço mais apertado, sentindo toda a musculatura de Evan, rígida.

– É isso que você quer? – William indagou, olhando no fundo dos olhos de Evan, que cabisbaixo, respondeu com convicção.

– Não é o que eu quero, é o que eu preciso fazer, William.  – Evan responde, levantando o olhar e ficando testa com testa com William. Ambos respiravam rapidamente.

CONTINUA 

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