Stranger Boy: Capítulo 6 – Asas Abertas


​“Tudo que é bom, dura o tempo que tem que durar. E quanto tempo é esse? Depende de como você vai aproveitar”


Evan colocou a camiseta de volta, destravou a porta e saiu, não vendo mais William ali, respirou aliviado. O rapaz seguiu até a pia, lavando o rosto, se apoiou um pouco, suspirando profundamente. Evan seguiu para a porta  do banheiro, saindo em seguida e tendo o braço segurado por William, que olhou bem nos olhos dele, percebendo certo inchaço, muito provavelmente por causa do tempo em que ficou chorando. William abraçou Evan, que permitiu ser abraçado. Por cima do ombro, William percebeu a camiseta de Evan manchada com sangue, se afastou, colocando as duas mãos no rosto dele.

– Você vai me contar o que está acontecendo? – William perguntou, encostando a testa na testa de Evan, que o olhava enigmático.  – Eu disse que iria respeitar o seu tempo, mas desculpa por quebrar essa promessa. – Continuou, baixando o olhar. – Vamos sair daqui! – Concluiu, pegando nas mãos de Evan, que o seguiu sem pensar muito em qualquer outra alternativa.

William e Evan cruzaram pelos fundos da escola, seguindo para o ginásio principal, não viram ninguém no caminho, tudo estava tranquilo e ninguém parece que também os viu. Os dois entraram no ginásio  e se sentaram na arquibancada. Evan olhou de maneira tímida para William, que por sua vez não soltou da mão do outro rapaz.

– Eu não sei como tudo começou exatamente, não há como eu me lembrar, William. – Evan disse, começando a levantar o olhar. – Sempre aparentei ser normal, mas quando completei meus dez anos, elas começaram a se desenvolver, de início me assustei, não sabia o que era ou que deixava de ser… mas meus pais sabiam, sempre souberam, porém não era culpa deles eu ter nascido desse jeito.

– De que jeito você fala? – William questionou, arqueando uma de suas sobrancelhas, parecia estar ligeiramente intrigado.

Evan olhou por alguns minutos nos olhos de William, e fez uma viagem somente dele. William  esperou por alguma resposta, mas Evan continuou parado o encarando.

– Não me veja como uma aberração ou algo do tipo, William. Não sei se você vai acreditar no que vou dizer, mas é toda a verdade que há pra ser dita de minha parte. – Evan respondeu, começando a tirar a camiseta que usava. William o olhava atentamente, não desviava o olhar. Evan se virou, permitindo que William  olhasse melhor para o que ele tinha nas costas. William  se levantou boquiaberto, levando a mão ao que parecia estar nascendo abaixo do pescoço de Evan, tocou levemente, fazendo Evan gemer baixinho, ele então logo recuou os dedos, parecendo incrédulo.

– Você tem asas? – William perguntou, fazendo Evan se virar, cabisbaixo. William segurou no queixo dele e o fez levantar a cabeça. – Você tem asas? – Tornou a perguntar, olhando dentro dos olhos de Evan como que vasculhando toda a alma.

Evan parecia envergonhado, balançou a cabeça afirmativamente, respondendo ao questionamento de William, que por sua vez voltou a se sentar, mirando os olhos na arquibancada do outro lado. Evan vestiu a camiseta novamente, olhava para William, mas nada dele lhe olhar, os segundos foram torturadores, até que o garoto estranho se levantou, seguindo para fora do ginásio, mas antes que alcançasse a porta, foi agarrado pelos braços fortes de William que o acolheu mais uma vez, beijando o logo em seguida. William afastou seus lábios dos lábios de Evan, suspirando de forma profunda.

– Você é perfeito do jeito que você é, Evan.  – William afirmou, voltando a beijar Evan, que também correspondeu ao beijo na mesma intensidade, porém parou bruscamente, se soltando de William, que nada entendeu.

Evan se ajoelhou no chão, segurando na mão de William, que mais uma vez  se admirou com o que viu. Algo que era minúsculo, começou a crescer rapidamente, tomando uma admirável proporção depois  de alguns minutos. As asas de Evan cresceram com uma rapidez tremenda, deixando William  boquiaberto e de olhos arregalados. Evan se levantou devagar, quase sem forças, acabou desmaiando nos braços de William enquanto  esboçava um pequeno sorriso. De repente, um grito foi ouvido por William, que se virou com cuidado e viu  seu professor de Biologia se aproximando com rapidez. Sam olhou de forma séria para William, que se manteve segurando Evan.

– Ele não deveria ter contado nada, nada! – Sam disse, analisando o par de asas de Evan, que continuava desmaiado. – É isso que acontece quando o coração dele sente que está livre para voar, o que poderia levar semanas para crescer, acontece em poucos segundos. – Continuou, voltando seu olhar para William, que ficou mais  confuso ainda, com a única certeza, a de não deixar Evan sozinho de maneira  alguma. – É melhor você ir embora rapaz, você não faz bem para ele. – Sam concluiu, percebendo que Evan despertava.

– Eu não vou deixar ele, não importa … e se eu não faço bem  para ele, isso quem vai me dizer, será o próprio Evan. – William disse, enfrentando Sam enquanto abraçava Evan que abriu os olhos de forma repentina, logo as asas ganharam movimentos rápidos, fazendo com que Sam se afastasse, William teve uma sensação esquisita, e mesmo tendo a chance, não deixou de se segurar em Evan.

– Não faça isso, Evan! – Sam gritou energicamente, observando Evan começar a sair do chão enquanto as asas batiam. Evan levantou voo de forma leve e levou com ele, William,  que não acreditava no que estava acontecendo. O teto do ginásio aberto facilitou para a fuga de Evan, que sem temer os perigos mais uma vez, seguiu para o alto  na companhia de William.

As forças de Evan estavam a todo vapor, conseguiu segurar William muito bem. Estavam alto,  principalmente por Evan não querer que ninguém mais o visse daquela maneira.

– Você já tinha feito isso antes? – William perguntou, olhando um pouco para baixo e se arrependendo em seguida de ter feito tal coisa.

– Longa história, William, que eu vou contar assim que estivermos em terra firme. – Evan respondeu, sorridente enquanto deixava as asas plainar.

Assim que avistou a floresta nos arredores de Heaven Peace, Evan começou a descer lentamente. William olhava para ele e sorria. Evan aterrissou no meio da floresta, deixando William colocar os pés no chão. William virou e tocou no rosto de Evan, que suspirou, com receio.

– Essa foi a coisa mais louca que eu já fiz em toda minha vida! – Exclamou, sorridente, tocando no rosto de Evan, que respirou um tanto aliviado. – Uau!!! Eu realmente nunca pensei que viveria algo assim, que eu estaria vivo pra ver isso. – Afirmou, encantado, avançando para beijar Evan, que correspondeu.

Os dois começaram a caminhar pela floresta, William se mantinha bem próximo de Evan, que tentava ignorar um pouco de suas asas. Caminharam durante algum tempo até que avistaram a margem de um rio, se aproximando em seguida. Evan se sentou próximo de algumas pedras, William fez o mesmo, ficaram um tempo observando o cantar dos pássaros. Wiliam olhava para Evan e sorria.

– Não dói? – William perguntou, curioso por saber como aquilo funcionava em Evan. Olhou por um instante para o outro, desviando em seguida para pequenas pedras que estavam na sua frente. William pegou as pedras e começou a arremessar no rio.

– Dói somente quando tenho que cortar elas, William. – Respondeu, fazendo William o encarar, um tanto chocado. William tocou a mão de  Evan, tentando entender.

– Cortar? Vocês as corta? – William indagou um pouco assustado com a revelação.

– Tenho que fazer isso William ou não queira nem imaginar o que seria da minha vida. – Evan respondeu, voltando seu olhar  para a água do rio. – Quando eu morava em outra cidade, elas cresceram e eu por rebeldia não quis  cortar, então digamos que acabei sendo descoberto, claro, era bastante estranho ver um aluno com sobretudo todo santo dia fazia frio ou calor. – Continuou, alternando em olhar para o rio e para William, que por sua vez se mantinha atento a cada nova palavra de Evan. – Meus pais foram enganados quando procuraram uma certa  clínica para fazer fertilização, e dessa forma aqui estou eu. – Disse, deixando o semblante cair. – Eu sou o que deu certo… mais que isso, sou o que  conseguiu fugir, pois meus  pais não permitiram que eles  ficassem comigo depois de descobrirem tudo, o Sam ajudou meus pais. – Concluiu, sendo abraçado por William.

– Eu vou proteger você. – William afirmou, sorrindo, fazendo com que Evan também esboçasse um pequeno sorriso. Os dedos de ambas as mãos se entrelaçaram, e mais uma vez os lábios se tocaram de forma sedutora. Ambos se tocavam e sorriam entre os beijos, se deitaram e observaram o sol que se escondia atrás de algumas nuvens. Wiliam olhou de soslaio para Evan que também fez o mesmo. – Você pode não acreditar, mas eu vou fazer de tudo  para ter você sempre bem, e perto de mim, não deixarei que o machuquem. – Concluiu, tocando os lábios de Evan com a ponta do dedo.

Com os cantos dos pássaros e o barulho da água correndo do rio bem próximo deles, acabaram por dormir, um segurando na mão do outro. Wiliam abriu os olhos, e percebeu que o sol já estava se se pondo. Não sentiu Evan, então olhou para o lado e não o viu. William  se levantou rapidamente, percebendo algumas penas caídas perto dele.

– Evan!!! – William gritou, desesperado. Esperou alguns minutos e nada de resposta. Ele sentiu um estranho calafrio, então se pôs a caminhar, chamando por Evan, que nada respondeu. William se encostou em uma árvore, colocando as mãos na cabeça, aflito com o desaparecimento de Evan.

CONTINUA

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