O Que o Tempo Levou: Capítulo 26


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Ano de 2009

CENA 1: PEDRA FINA | DELEGACIA | INTERIOR | NOITE

Carmen acaba de falar com o irmão, se encosta na parede e respira aliviada pelo mesmo ter conseguido um advogado para a filha. Enquanto isso, Estela  se senta na cadeira de frente para o delegado Emílio. Ele a observa atentamente, e seu faro de policial não consegue ver nenhuma culpa na mulher na sua frente. Estela abaixa a cabeça, triste e pensando em Manoel que morreu de uma forma tão misteriosa.

Alguns minutos se passam, e logo um homem jovem,  todo trajado no terno, entra.

FILIPE: – Boa noite Delegado, sou o advogado da moça aqui. – Diz, se apresentando ao se aproximar de Emílio.

EMÍLIO: – Pois bem, estava realmente à sua espera para que pudéssemos começar ouvindo a acusada. – informa, indicando a outra cadeira vazia. Ele faz sinal para o escrivão que balança a cabeça de forma positiva.

Estela começa a contar tudo o que ela sabe sobre o que está sendo acusada.


CENA 2: PEDRA FINA | APARTAMENTO DE MÁRCIA | INTERIOR | MADRUGADA

Márcia está em seu quarto, arruma algumas malas com certa rapidez, temendo que descubram toda a verdade. Ela olha para o celular, que toca  de maneira insistente, ignora as chamadas e termina o que estava fazendo.

MÁRCIA: – Eu deveria ter feito isso antes, deveria ter me contentado com o nada e partido para bem longe. – Diz, olhando para o espelho da porta do guarda-roupa. Ela se assusta, pois pensa que viu um vulto, pega a mala já arrumada e sai do quarto, apressada.


CENA 3: PEDRA FINA| DELEGACIA | INTERIOR | MADRUGADA 

Estela continua contando sua versão. Filipe a orienta muito bem, mas mesmo assim não consegue impedir que ela seja detida até que sua inocência seja provada. Assim que Estela é levada, Filipe encara o delegado com certo desgosto.

FILIPE: – Eu tenho certeza que ela não matou ninguém delegado. – Diz com convicção enquanto fecha a pasta.

EMÍLIO: – Eu também tenho essa certeza, Filipe. – Comenta, deixando o advogado surpreso.

FILIPE: – Então qual o motivo de mantê-la aqui, presa? – Questiona, voltando a olhar diretamente para o delegado.

EMÍLIO: – Eu não posso burlar a lei, Filipe. Você terá que ‘fazer’ isso da forma correta. – Responde, sério.

FILIPE: – Obrigado! – Agradece, seguindo em direção a porta e saindo da sala do delegado.


CENA 4: PEDRA FINA | MADRUGADA 

Filipe segue em seu carro, no banco do carona está a mãe de Estela. Filipe deixa Carmen em frente a casa de Jorge, se despendido em seguida. Carmen chora, pensando em como a filha mais nova deve estar.

O dia logo amanhece.


CENA 5: ONDAS DO PARAÍSO | BAIRRO ROMANO | CASA DOS FERREIRA | SALA | INTERIOR | MANHà

Maurício desce pela escada um pouco desatento, ainda parece estar com sono, mas desperta um pouco mais ao ouvir o som alto da TV que está ligada no jornal. Rosa está sentada assistindo ao noticiário da manhã. Maurício para atrás do sofá e arregala os olhos.

REPÓRTER  (Televisão): – Estamos aqui em frente a delegacia principal de Pedra Fina, aguardando mais esclarecimentos acerca da morte do jovem empresário Manoel Ferreira, que segundo fontes, foi assassinado por sua namorada, Estela Belmonte. A qualquer momento, voltamos com mais informação…

Rosa se virou e viu Maurício.

MAURÍCIO: – Não! Eu tenho certeza que ela não fez isso… eu conheço a Estela, mãe. – Diz, olhando diretamente para Rosa. – Ela é incapaz  de fazer mal a alguém. – Conclui, intrigado. – Eu tenho que ver como ela está, não posso  ficar  aqui…

ROSA: – Se ela não fez isso,  logo a verdade vai aparecer, filho.  Ninguém pode manter um inocente preso. – Diz ao se levantar e abraçar Maurício, que chora no ombro da mãe.


CENA 6: ONDAS DO PARAÍSO | BAIRRO COSTEIRO | CASA DOS BELMONTE

Bianca desliga a televisão,  está boquiaberta com a notícia que acabou de ver também. Ela olha para o relógio de parede,  ficando pensativa.

BIANCA: – A Estela? Não, jamais ela faria algo assim, tenho certeza. Ela não mata nenhuma mosca que dirá uma pessoa. Há algo muito errado nisso tudo. – Diz, voltando seu olhar para a tela da televisão desligada

Bianca se levanta do sofá e começa a caminhar de um lado para o outro, confusa.


CENA 7: PEDRA FINA | APARTAMENTO DE MÁRCIA |EXTERIOR | MANHà

Filipe sai do elevador e segue direto para a porta do apartamento da irmã, está intrigado por ter visto o nome dela como uma das mulheres que acusou Estela de forma impiedosa. Filipe toca a campainha, depois de não obter resposta alguma dessa forma, ele  bate na  porta de forma insistente.

FILIPE: – Onde você se meteu, Márcia? – Se pergunta enquanto se afasta da porta. A porta da frente se abre, e uma mulher sai.

MULHER: – A moradora desse apartamento aí parece que viajou ontem, rapaz.

Filipe se espanta com tal informação.


CENA 8: PEDRA FINA | DELEGACIA | CELA | INTERIOR | MANHà

Estela está sozinha em uma cela, percorre os olhos pela parede enquanto está sentada em um banco de concreto. Ela se levanta e segue  até a janela, olhando que já é dia.

ESTELA: – O que eu fiz para estar passando por isso? Mas isso não é nada comparado ao que o Manoel deve ter sofrido. – Diz, sentida, abaixando a cabeça.

De repente, um policial bate na grade.

POLICIAL: – Tem visita para você. – Informa, se prontificando a abrir a cela.


CENA 9: PEDRA FINA | DELEGACIA |SALA | INTERIOR | MANHà

Estela é conduzida algemada até uma sala reservada, assim que a porta é aberta, ela fica de frente para Maurício. O policial tira a algema de Estela, e sai, fechando a porta. Estela caminha devagar até Mauricio, que não se contém e a abraça fortemente.

MAURÍCIO: – Eu sei que você não fez nada disso, Estela. – Afirma, a observando encostar a cabeça em seu ombro. – Eu vou fazer de tudo para tirar você daqui.

Maurício percebeu o jeito da barriga de Estela, então se afastou um pouco, intrigado com isso.

MAURÍCIO: – Você está grávida? – Perguntou, presumindo a resposta. – Está grávida! – Diz, voltando o olhar para Estela, que se encontra cabisbaixa. Ele volta a se aproximar, tocando o rosto de Estela. – É do Manoel? – Volta a questionar, com receio.

Estela deixa algumas lágrimas caírem, fazendo com que Maurício a abrace novamente, pensativo.

ESTELA: – É nosso… – Diz, chorosa. – É nosso filho, Maurício. – Afirma, sentindo como se tivesse no meio de um turbilhão de emoções.


CENA 10: PEDRA FINA | DELEGACIA | SALA DO DELEGADO | FIM DA MANHÃ

Emílio entra sozinho em sua sala, olha tudo em volta e acha estranho ao ver um saco transparente com algo dentro. De repente um policial entra.

POLICIAL: – Uma senhora trouxe isso há algum tempo já, delegado.

EMÍLIO: – O que será? – Se pergunta, curioso enquanto pega o saco nas mãos e passa a analisar a olho nu um frasco em seu interior. Ele estende o saco para o policial. – Leve para a perícia agora mesmo. – Diz, entregando o saco com o frasco para o outro policial, que sai sem demora.

Emílio se senta na cadeira e fica olhando para o nada, pensando  no caso que tem em mãos.


CENA 11: PEDRA FINA | DELEGACIA | INTERIOR | TARDE

Filipe observa Emílio mexer no computador de mesa, de vez em quando os olhares se cruzam de forma rápida. A porta então se abre e o mesmo policial de mais cedo chega trazendo um papel em mãos, olha rapidamente para Filipe e segue, entregando o papel para Emílio. O policial deixa a sala.

FILIPE: – Então, o que é que está acontecendo? – Pergunta, intrigado.

Emílio se levanta, dando a volta na mesa, parando próximo de Filipe.

EMÍLIO: – Parece que tudo se complicou para a sua cliente, doutor Filipe. – Responde, estendendo o papel para Filipe.

Filipe alterna em olhar para o papel, e para o rosto de Emílio. Os dois parece estarem incrédulos.

CONTINUA

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