Stranger Boy: Capítulo 5 – Mente Confusa


​“Não alimente sentimentos que vão destruir você”


William acolheu Evan em seu abraço repleto de carinho e ternura, sentia que poderia protegê-lo de alguma forma. Evan por sua vez soluçava com a cabeça encostada no ombro de seu mais novo colega e possivelmente amigo. O corpo de Evan que esteve frio, com o abraço de William  parece ter recuperado o calor  que partiu, ele levantou a cabeça lentamente e se deparou com um sorriso pequeno no canto da boca de William, que abaixou o olhar fazendo com que se encontrassem. Ambos suspiraram após o olhar intenso que um lançou sobre o outro. Wiliam tocou o queixo de Evan, que se arrepiou, algo que já estava se tornando normal para ele, pois desde que o encontrou pela primeira vez, isso sempre acontecia. William  moveu a cabeça de encontro a de Evan, e quando os lábios quiseram se aproximar, o estranho garoto se afastou rapidamente, sentindo o coração acelerado. Seguiu direto para cama onde se sentou, cabisbaixo. William voltou a se aproximar.

– Você fez operação ou algo assim? – William perguntou, curioso  pelo que viu no corpo de Evan.

Evan arriscou olhar para William, que aguardava uma resposta enquanto lhe observava atentamente. As lágrimas  dele voltaram, aquele assunto sempre lhe causava tristeza, era inevitável. William pode sentir que o assunto não fazia bem para Evan, então mais uma vez  tomou a iniciativa de acalmar o novo amigo, que despertava nele algo muito além da amizade sincera, ele o abraçou.

– Não precisa ficar assim… não irei perguntar mais nada que deixe você desse jeito. – Disse William, afagando os cabelos de Evan, que lentamente foi parando de chorar. – Só que você precisa confiar em mim, Evan. Sei que não devia estar falando isso já que não o conheço  há tanto  tempo assim, mas eu quero o seu bem, e quando você  estiver pronto para falar, pode me procurar. – Completou, beijando a testa de Evan.

William se levantou, logo Evan também fez o mesmo ao perceber que ele iria embora. Os dois se mantinham em pé, muito próximos. Nathan bateu na porta do quarto, fazendo com que Evan se assustasse e inevitavelmente colasse seu corpo no de  William, que sem pensar muito, fez o que vinha desejando fazer, pegando Evan de Surpresa com um beijo longo. Evan desgrudou os seus lábios dos lábios de William, estava com um pouco de falta de ar devido ao beijo demorado. William mordeu o lábio inferior e sorriu. Nathan desistiu de chamar pelo filho depois de não receber resposta alguma.

– Até amanhã na escola. – William disse, seguindo para a janela, sorrindo e deixando Evan  fora de órbita por alguns minutos. Evan se deitou na cama, fechando os olhos, estava nitidamente incrédulo com o que acabara de acontecer.

Evan caminhava por um campo limpo, que apenas tinha gramíneas verdejantes, de um momento para o outro, deixou de caminhar e começou a correr, sentia todo o toque do vento com uma intensidade que certamente seria assustadora para os que não possuíam o que ele possuía. A velocidade das passadas eram cada vez mais intensa, sem deixar a leveza de lado, ele sorria, a felicidade alí estava  mais do que presente. De repente Evan parou ao ver Sara e William  olhando para ele boquiabertos, ele então voltou seu olhar um pouco para seu próprio ombro e viu o que os deixou de tal maneira.

Evan abriu os olhos, estava suando, se sentou na cama e ficou pensativo. Acordou antes mesmo do despertador, que minutos depois começou a tocar, ele olhou para os números digitais, estava um pouco mais calmo, mas ainda sentia seu coração levemente acelerado. Evan tocou os lábios, se lembrou  dos beijos que lhe deram no dia anterior.

Margareth estava sentada ao lado marido, Nathan, tomavam o café da manhã quando Evan entrou na cozinha, despreocupado e com um sorriso no rosto, deixando seus pais admirados.

– Está tudo bem, filho? – Nathan perguntou assim que Evan se sentou à mesa, lançando um olhar  intrigado para o filho.

– Está bem,  pai. Eu dormi bem… bom, está tudo bem! – Respondeu, sorrindo e colocando os olhos no sanduíche que preparava.

– Você não está chateado? – Margareth questionou, surpresa.

– Mãe, eu entendo que vocês querem o meu bem, sério… desculpa se eu agi como um completo idiota ontem. Eu não estou chateado com vocês, jamais ficaria. Vocês são os meus pais e eu os amo muito. – Respondeu, levantado o olhar e sorrindo mais uma vez. – Eu prometo que vou me comportar! – Concluiu, abaixando a cabeça. Margareth e Nathan se olharam e sorriram. Nathan bagunçou um pouco do cabelo do filho, voltando a tomar seu café logo em seguida.

Evan caminhava tranquilamente pela calçada, ouvindo música quando se assustou levemente com mãos envolvendo seus olhos, de forma que os deixaram tampados, ele então se desviou com certa violência e viu Sara.

– O que você estava fazendo? – Evan questionou, ríspido sem mesmo se dar conta. Sara não ligou para a forma como Evan disse e se aproximou dele, sorrindo.

– Calma! É só uma brincadeira, Evan. – Respondeu sem se importar muito.

– Não faça mais isso! – Evan pediu, voltando a caminhar lentamente. Sara o acompanhou calada, pois se deu conta que Evan não havia gostado nenhum pouco de sua brincadeira.

– Você é estranho. – Afirmou, quebrando o estranho gelo que se formara. Evan a olhou de soslaio, concordando em pensamento. – Mas não é um estranho ruim, e sim um estranho bom. – Sara concluiu, voltando a sorrir.

Assim que chegaram próximo da escola, Sara se despediu de Evan e se juntou as suas amigas, que minutos depois passaram a encará-lo com certo sorriso besta. Evan seguiu para dentro da escola, passando por alguns grupos formados de meninas, meninos e mistos, todos nem ligavam para ele, que achou bom, aliviando um certo nervosismo que pairava sob a mente. O rapaz  entrou na escola, seguindo direto para escada, distraído, esbarrou em Sam, que ia deixando cair seu material, mas Evan com uma velocidade incrível, os pegou antes de caírem.

– É, vejo que você fez progresso, Evan. – Sam comentou, ajeitando o material. – Mas tome cuidado! – Alertou, deixando Evan intrigado. O professor seguiu, terminando os degraus que faltavam. Evan seguiu atrás e o alcançou.

– Eles estão aqui, Sam? – Questionou, deixando seus olhos correrem pelo saguão. Olhava desconfiado para todas as pessoas que passavam por ele.

– Eles não estão aqui, Evan! – Sam respondeu, pousando a mão no ombro de  Evan. – Eles  não sabem e nunca saberão que você está aqui, bom… pelo menos da minha parte. O que eu queria dizer é que você precisa conhecer bem as pessoas com quem  você  está  se relacionando. Eu vi você ontem com aquele garoto…- Fez uma pausa enquanto  se aproximou um pouco mais de Evan. – Ele é confiável? – Questionou, olhando  nos olhos de Evan.

– Eu… sim. Acho que ele é confiável sim, Sam. Ele é o William. – Respondeu com certa angústia.

– Você não tem que achar, Evan. Você tem que ter certeza de que ele é realmente confiável. – Sam afirmou, correndo os olhos pela face de Evan.

– E como eu posso ter certeza de que ele é confiável, Sam? Nem eu mesmo  tenho a certeza de que sou confiável, então não posso exigir  isso de outra pessoa. O Wiliam é uma boa pessoa, tenho certeza, e para mim, isso  é o que importa. – Evan disse, mantendo o mesmo olhar firme com que Sam o olhava.

– Só não faça o que eles querem que você faça, Evan. Não alimente sentimentos que vão destruir você. – Disse, tocando o peito de Evan levemente com a ponta do dedo indicador.

Sam seguiu para outro lance de escada, deixando Evan mais pensativo do que nunca. Ficou com a mente a vagar, enquanto pensava, nem mesmo percebeu a aproximação de William, que por sua vez parecia se conter. William tocou a mão de Evan, fazendo com que ele despertasse para o real. Evan olhou para o William, e de imediato se lembrou do dia passado.

– Como você está hoje? – William perguntou, sem soltar da mão de Evan, que pareceu não ter notado tal fato.

– Estou melhor. – Evan respondeu, abaixando a cabeça e olhando para a mão de William que estava segurando a sua. Ele esboçou um leve sorriso. – Eu quero falar com você depois. – Disse, voltando a olhar nos olhos de William.

– Tudo bem. – Wiliam afirmou, puxando a mão de Evan contra o seu peito, fazendo com que o outro rapaz arregalasse os olhos. Evan  sentiu que o coração de William estava disparado.

Todos entraram na sala de aula, logo um dos professores entrou e iniciou sua aula. William não tirava os olhos de cima de Evan, que percebia que alguém o olhava. Sara também se mantinha olhando para Evan, que não percebeu os olhares dela. Três aulas se passaram rapidamente e logo o intervalo de meia hora se iniciou. Evan ficou na sala, tal como da última vez, porém William também resolveu ficar. William se levantou da cadeira, seguiu até a porta, mas logo retornou para perto de Evan, que o observava. William puxou uma cadeira e se sentou ao lado de Evan.

– O que tem para me dizer?  – Perguntou, aparentando estar ansioso. – Eu não consegui prestar muita atenção nas aulas, fiquei com isso na cabeça. Se for sobre ontem, tudo bem, eu fiz mal em ter feito aquilo, estava confuso. – William disse cabisbaixo.

– Bom, tem a ver com aquilo de ontem… mas é mais sobre mim, sobre o que eu sou, William.  – Evan disse, desviando o olhar do de William, que se manteve atento.

– Ei… não se sinta pressionado ou algo do tipo… ainda está muito cedo pra que você tome uma decisão dessa. – William afirmou, percebendo a tensão em que Evan estava. – Ontem eu fui na sua casa para tirar uma dúvida que surgiu e acho que acabei por tirar todas as dúvidas  que pudessem surgir daqui pra frente. – Comentou, tocando na mão de Evan que estava sobre a carteira. – Desculpa se isso  te assusta de alguma maneira, mas eu tinha que dizer. – Continuou, sorrindo. – Estou aqui sempre que precisar. – Concluiu, beijando o rosto de Evan, que ficou corado.

William saiu da sala, deixando Evan com os pensamentos a todo vapor. Evan novamente sentiu que podia confiar em William, seus olhos correram pela sala vazia que minutos depois começou a se encher novamente. Sara passou pela carteira de Evan, sorriu para ele, deixando um bilhete cair propositalmente de sua mão. Evan abriu o bilhete, ficando sério de repente.

Estou sendo boba, mas essa foi a única forma de dizer que preciso falar algo muito importante com você, Evan. Me encontre na hora do almoço na arquibancada.

Sara


Evan depois de ter lido o bilhete, cogitou olhar para trás, mas decidiu por não fazer isso. Se manteve olhando para o quadro negro durante um bom tempo, voltando seu olhar  de vez  em quando para o bilhete de Sara. As horas passaram, e mais algumas aulas se foram, logo os alunos foram liberados para o almoço. Alguns venciam os degraus com muita pressa, outros ia com nenhuma pressa, assim como Evan, que viu um monte de gente no refeitório, entre elas, William  que sorriu para ele assim que o viu. Evan também sorriu para William, que piscou discretamente. Evan cruzou o refeitório e saiu do interior da escola, seguindo para o campo de futebol. Assim que se aproximou, viu Sara sentada na arquibancada, parou e respirou lentamente, estava com receio do que pudesse ser o assunto que ela queria falar. Sara saiu da arquibancada assim que viu Evan, correu um pouco até ele, ficando  frente a frente.

– Eu achei que você não ia vir. – Sara disse, mexendo nos cabelos vermelhos, que eram tão belos quanto ela.  – Mas que bom que você veio, Evan.

– O que você queria me dizer? – Evan questionou, curioso. Ele a olhava nos olhos sem desviar um segundo sequer. Sara se aproximou um pouco mais de Evan, que pensou em se afastar.

– Eu na verdade não queria dizer, mas sim mostrar. – Sara respondeu, sorridente, e sem dar tempo para Evan reagir ou dizer qualquer coisa, ela o beijou com muito desejo.

William estava olhando para a tela do celular enquanto caminhava até o campo, e assim que levantou o olhar,  viu Sara e Evan se beijando. Ele ficou paralisado, não tinha reação alguma, somente sentiu um pequeno aperto no coração, algo indolor, mas que ele conseguiu perceber. Evan se afastou com muita violência de Sara, que acabou caindo no chão, ele se virou e começou a correr para fora do campo, com a visão um pouco embaçada, acabou trompando em William, que cambaleou. Evan correu, entrou no interior da escola, seguindo pelas escadas, quase que ignorando os degraus, parou somente ao ser segurado por Sam, que o viu ofegante e angustiado.

– O que houve, Evan? – Sam perguntou, preocupado.

– Eu estou confuso, extremamente confuso, Sam. Esse lugar não é pra mim, esse lugar não é pra mim. Me deixa! – Respondeu se soltando e terminando de subir pela escada. Sam olhou com certo remorso para o rapaz que parecia sem rumo, sem destino.

Evan chegou na sala, parou próximo da porta, trêmulo, os olhos arregalados e cheios de lágrimas.  Ele fechou os olhos, tentando se acalmar da melhor maneira possível. Um pouco mais calmo, saiu da sala novamente e seguiu para o banheiro que ficava no mesmo andar. Evan entrou em uma das cabines, retirou a camisa, algo o incomodava. Ele levou as mãos até onde conseguiu, e notou que a fita havia se rompido, voltou com as mãos até a frente, e viu sangue nos dedos, momento em que bateram na porta da cabine em que ele estava.

– Eu sei que você está aí Evan e não vou sair daqui enquanto você não sair daí. Agora eu realmente estou muito preocupado com você… você estava sangrando. – Wiliam disse do outro lado da porta, ouvindo  a respiração rápida de Evan.

CONTINUA

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