O Mago: Capítulo 3 – Deitado na Escuridão (Quarta Temporada)


Castelo de Zaro

Aron se encontrava no canto escuro próximo de uma grande janela, seus olhos não estavam mais azuis, não tinham o mesmo brilho de antes. A escuridão em volta do palácio no qual estava emanava um frio congelante para todos que não obtivessem magia suficiente. Algumas lágrimas escorreram pelo rosto do mago, parando próximo de seus lábios, ele as enxugou depressa assim que ouviu o destravar da grande porta que estava há vinte metros dele. Aron se virou, então viu Zaro entrar, e com o mexer leve de uma das mãos, acender diversas velas que estavam espalhadas pelo cômodo. Zaro se aproximou, mantendo um leve  sorriso.

– Acreditei que você não iria ceder tão fácil a escuridão, mas vejo que ela também lhe tomou de amores. Bom, assim é muito melhor, pois posso continuar mantendo o nosso trato de pé, Aron. – Zaro disse enquanto circulava em volta de Aron, que se mantinha cabisbaixo, ouvindo e também se lembrando de seus amigos. – Vamos, melhore essa cara, Aron. Você deveria estar cheio  de alegria já que não me livrei dos seus. – Continuou, debochado. – Você quer ver uma coisa? Acredito que vai melhorar seu humor assim que vê o que tenho para lhe mostrar. – Ele caminhou até próximo da janela na qual Aron  estava, estendeu as mãos ao alto. – Grezal Arap Recreva. – Zaro pronunciou o feitiço, soltando as mãos e abrindo-as em direção a janela, que de imediato se iluminou, algo semelhante a um portal então surgiu. Aron olhou, fascinado. Zaro sorriu ao ver seu prisioneiro estático a olhar para o que ele fez. – Veja como eles  estão felizes sem você, jovem mago. Eles não precisam mais de você, pode ver isso. – Afirmou apontando para as imagens que apareciam.

Aron se aproximou lentamente da janela, com os olhos voltando a ficarem marejados, e observou tudo o que acontecia no Palácio de Viturius. Aron viu que os amigos realmente pareciam muito felizes, logo viu Alim e então arregalou os olhos, surpreso com o que testemunhou mesmo  estando tão longe. Zaro aproximou sua boca do ouvido de Aron, e sorriu maliciosamente.

– Ela também já superou sua perda, Aron. Será mesmo que existia amor da parte dele? – Indagou, provocando a ira de Aron, que empurrou o bruxo com toda sua força.

Aron olhou para o feitiço criado por Zaro que se encontrava na janela. – Etreporo! – Aron gritou ao estender a mão na direção da janela, fazendo com que todas as imagens desaparecesse. Ele se ajoelhou no chão, deixando as lágrimas caírem sem cessar. Zaro deixou os aposentos de Aron com um sorriso no rosto, mais uma vez conseguiu o que queria.


Castelo de Viturius

Alim olhava pela janela de seu quarto, para ele tudo alí parecia não ter o mesmo sentido, tinha o olhar perdido enquanto todos lá fora pareciam retornar às suas vidas normalmente. Já se fazia dois meses desde que Aron desapareceu na noite, sendo carregado por algo que ninguém nunca soube explicar. Um servo entrou em seu quarto o avisando de que não obtivera sucesso na incansável procura por Aron. Alim mexeu somente os dedos, indicando que o servo poderia se retirar de seus aposentos. A tristeza no olhar do rei era algo real.

– Eu consigo sentir que não perdi você para sempre, Aron e esteja onde você estiver, um dia eu o encontrarei e vou traze-lo de volta para a casa, eu juro. – O rei disse antes de levar uma das mãos aos olhos e secar as lágrimas. Assim  que terminou de fazer isso, Galbo  entrou no quarto do rei, que se virou para o fiel amigo e guerreiro.

– Se por acaso não quiser fazer isso, Alim, todos nós entenderemos. – Galbo comentou com a voz um pouco falha. Alim saiu de perto da janela, seguindo até o amigo.

– Essa é a única saída que eu vejo para que esse Reino, nosso lar não padeca de vez, Galbo. Estamos em uma série crise… é realmente a única saída. – Afirmou, cabisbaixo, deixando Galbo mais preocupado ainda.

– Desculpa se eu for inconveniente, milord, mas vai suplantar todo o amor que ainda sente pelo Aron? Sei que é preciso pensar no Reino como um todo… mas acho  que seria, com o perdão da palavra, uma traição. – Galbo comentou com grande receio.

Alim começou a andar de um lado para o outro, pensativo, até que parou novamente na frente de Galbo, que mesmo com receio, ansiava por uma resposta de seu soberano.

– Eu sei disso, mas o que eu posso fazer? A coroa nunca pesou tanto como agora, nunca foi tão difícil ser rei, meu amigo. Quando eu conheci o Aron, eu era apenas um Príncipe que adorava  caçar e se divertir com os amigos, e mais cedo do que nunca, quase fui morto e nesse meio tempo, meu pai e minha mãe foram mortos, quando retornei, já era rei disso tudo aqui e sem me perguntarem se realmente eu queria ser. – Respondeu, divagando. – Não posso pensar em abandonar toda essa gente que sobreviveu, essa gente que daria a vida por mim se preciso fosse. Não posso deixar  que o Reino caia mais uma vez em desgraça, tenho de fazer alho. – Afirmou, pousando a mão no ombro de Galbo, que pareceu entender o que seu soberano faria.

Alim e Galbo saíram do quarto, percorreram um corredor imponente com gigantescas pilastras, desceram dois lances de escada e seguiram até a sala do trono, onde algumas pessoas já esperavam ansiosamente pelo rei.


Castelo de Zaro

Aron caminhava de um lado para o outro, suas roupas que um dia foram leves, de tons claros, estavam totalmente diferentes. O mago pareceu ter deixado que as ações de Zaro o influenciasse de alguma forma. Diante de um espelho emoldurado com a mais fina madeira de todo o Reino, ele se olhava com certo mistério. Aron estendeu a mão e de forma rápida, o espelho se tornou aquoso, mas o líquido não corria, ele olhou para os lados e não ouviu ou viu nenhuma movimentação, respirou profundamente e se pôs a atravessar o espelho, que tão logo completa a travessia, se tornou sólido mais uma vez.

A porta do quarto se abriu com violência, Zaro entrou acompanhado de algumas de suas criaturas que começaram a fazer uma espécie de varredura por todo o ambiente. Nada encontrado, Zaro atacou o espelho com um de seus feitiços, fazendo o objeto se quebrar em mil pedaços, seus olhos eram de um vermelho sem igual, o ódio emanou sem cessar.

– Eu o subestimei mais uma vez, mas essa foi a última. – Zaro disse, estralando os dedos. – A próxima vez, assim que eu encontra-lo, não haverá piedade, não mesmo! – Gritou, furioso com o que acabara de deixar acontecer. Zaro voltou seu olhar para as criaturas que estavam de prontidão e ordenou que todas procurassem no Reino inteiro pelo paradeiro de Aron. As criaturas dos olhos vermelhos se desfizeram como poeira no vento, desaparecendo, deixando apenas Zaro e seus pensamentos no quarto.


Floresta Mística

Aron caminhava com rapidez, estava com medo de ser encontrado novamente. O vermelho que dominava seus olhos enfraqueceu, porém não desapareceu por completo. Ele andava em meio as gigantescas árvores, que mexiam seus galhos, não pelo vento, mas por terem  vida própria. Aron ouviu certos sussurros, que não o deixou com medo, mas atento ao que poderia ser. Os sussurros continuaram de forma constante até que Aron parou sobre a sombra de uma dessas árvores. Alguns pássaros que estavam por ali, levantaram voo e também parecia que diziam algo enquanto partiam.

– Eu sei que logo ele vai me encontrar de novo, e dessa vez tenho de estar preparado. – Disse, se desencorajando a seguir adiante. Aron se sentou na raiz exposta de uma das árvores e descansou por alguns segundos até voltar a caminhar, apagando todo seu rastro com o uso da magia.

O mago seguiu por um caminho mais arborizado, onde poucos fechos de luz do sol entravam. Ele continuava atento a tudo. Todos os barulhos suspeitos já lhe obrigavam a se esconder de alguma maneira.

Longe de onde Aron estava, mas ainda dentro da Floresta Mística, Alim seguia devagar montado em um cavalo branco, observava todos os lugares com muita curiosidade, e além de sua espada, carregava ainda a esperança de ter sucesso em sua missão na floresta. Distraído, nem mesmo ouviu quando Galbo e Lion se aproximaram em seus cavalos, os dois deram risadas da distração do rei, tentando descontrair.

– O que vocês estão fazendo aqui? – Alim questionou ao perceber a presença dos dois. – Deixei claro que queria os dois fora disso. – Afirmou, autoritário.

– Não iríamos deixar nosso rei sozinho. – Galbo respondeu, mantendo a visão no fronte. – E algo também aconteceu enquanto  estávamos vindo para cá, Alim, então não podíamos deixá-lo. – Continuou, voltando seu olhar para o Rei.

– O que houve? – Alim perguntou, curioso, alternando em olhar para Galbo e Lion.

– Um pássaro nos avisou que meu irmão está aqui na floresta, Alim. – Lion respondeu, olhando para o rei, que por sua vez fez com o que o cavalo parasse.

– Um pássaro contou? – Indagou, parecendo incrédulo.

– Sim, acredite! Eu mesmo vi com os meus próprios olhos e ouvi com esses ouvidos aqui. – Galbo afirmou enquanto tocava o ouvido e os olhos. – Mas essa floresta é grande, então vai ser um pouco difícil sem a ajuda do Lion. – Comentou, esboçando um leve sorriso enquanto Lion sorriu envergonhado. Alim olhou para o irmão de Aron e consentiu com a cabeça.

Aron caminhava sem rumo, só desejava estar a salvo, longe de Zaro, mas quando achou estar livre dele, uma voz estranha surgiu em sua mente, fazendo com que ele sentisse uma forte dor de cabeça, caindo ao chão tamanho o sofrimento que sentia. Aron ficou parado, olhando para o nada enquanto a voz continuava a falar em sua cabeça, lágrimas correram pelo canto dos olhos do mago até que ele fechou os olhos, mergulhando em uma imensa escuridão que o prendeu, deixando sem movimentos e sem voz, podia ouvir alguém o chamando, mas nada podia fazer, apenas deixou as lágrimas caírem pelo cantos dos olhos.


Castelo de Zaro

Algumas criaturas seguravam Aron, que se contorcia de olhos fechados. Zaro, com as mãos estendidas na direção do jovem, balbuciava muitas palavras que pareceram ser sem sentido algum, isso durou até o momento em que o jovem mago adormeceu, sendo segurado pelas criaturas para não cair. Zaro fez com que as criaturas se afastassem, então  levitou o corpo de Aron até próximo dele.

– Agora sim você não vai mais escapar! – Zaro disse, sorrindo e tocando a face de Aron. – Agora será somente nós dois, o amanhã todos irão temer, meu caro. – Concluiu, olhando Aron, que era mantido em um sono profundo.


Castelo de Viturius 

Alim olhava para Galbo, Lion, Eran, Perion, Moran e Oniria. Todos esperavam pela resposta que já sabiam qual seria. O rei caminhou até próximo do trono, voltando o olhar novamente para seus fiéis amigos.

– Não posso mais adiar, meus amigos. Seria tolice de minha parte deixar que o Reino afunde quando eu sou o único que pode mudar isso. Tentei encontrar vocês sabem quem, mas parece que ele realmente se foi, infelizmente…

– Ele não se foi, Alim. – Lion afirmou, interrompendo o rei e saindo do salão principal. Galbo o seguiu.

Alim olhou para os outros e não teve mais coragem de dizer mais nada, sentou-se no trono e ficou cabisbaixo, todos saíram em seguida, logo uma jovem de cabelos negros, andar calmo entrou acompanhado de um senhor de meia idade. Alim suspirou profundamente ao notar que eles chegaram.

CONTINUA

 

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