O Que o Tempo Levou: Capítulo 23


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Ano de 2009

CENA 1: PEDRA FINA | CASA DE MANOEL | QUARTO | INTERIOR | TARDE

Manoel está sentado, olhando para Estela que observa algo pela janela.  Ele se levanta e se aproxima dela.

MANOEL: – Não sei se fiz certo ao aceitar isso. – Diz, voltando seu olhar para fora. Estela passa a olhar para ele.

ESTELA: – Por mais que ela tenha feito aquilo, acredito que mereça uma segunda chance… até agora ela está tratando eu e minha  mãe da melhor forma possível. – Revela, fazendo com que Manoel a olhe diretamente nos olhos.

MANOEL: – Sério isso? Ela não está sendo mais maldosa? – Pergunta, incrédulo.

ESTELA: – Parece que ela realmente está querendo se redimir, Manoel. – Afirma, sorridente.

MANOEL: – Vamos ver como ela vai agir nesse jantar de hoje a noite. Aí dela se ousar destratar você novamente ou qualquer outra pessoa. – Diz, pensativo. – Você convidou sua irmã? – Pergunta se movendo um pouco para a frente.

ESTELA: – Tive que fazer isso, pois tenho muitas coisas para acertar com ela, Manoel. – Afirma, cabisbaixa. – Mas isso eu farei em um local reservado, não quero estragar esse jantar.

MANOEL: – Pode usar o escritório para ficar mais a vontade e dizer tudo o que tem para dizer a sua irmã. – Diz, segurando a mão dela. – E não tenha receio, pois ninguém faz o que ela fez com a família. – Conclui, abraçando Estela, que ao encostar a cabeça no ombro dele se pega pensando em Maurício.


CENA 2: PEDRA FINA | CASA DE FRAU HERTA | SALA | INTERIOR | TARDE

A campainha toca, fazendo com que Frau Herta desça pela escada com uma  certa pressa. O sorriso no rosto da tia de Manoel é nítido.

FRAU HERTA (Pensando): – Deve ser ela!

Frau Herta abre a porta, deixando que Márcia entre. As duas ficam frente a frente. Frau Herta aparenta estar mais contente do que Márcia.

FRAU HERTA: – Realmente até achei que você não viria. – Diz como se não tivesse feito nada.

MÁRCIA: – Só estou aqui por não querer ir parar na cadeia, Frau Herta, pois se fosse por mim, estaria fora do país há muito tempo.

FRAU HERTA: – Tenho certeza de que você está aqui não só por isso. – Aftima sem deixar o sorriso desaparecer. – Você viu a foto da mulher com quem meu sobrinho está, não viu? – Indaga, encarando Márcia.

MÁRCIA: – Eu vi sim, Frau Herta, mas o que tem isso a ver com o que você disse querer falar comigo? – Pergunta, tentando disfarçar o incômodo, pois sente ciúmes de Manoel.

FRAU HERTA: – Não tente disfarçar o que até as pedras sabem, Márcia. Está na cara que você está com ciúmes, pois meu sobrinho está com uma  pobre coitada  e não com você. Mas isso  pode mudar. – Responde, caminhando  até o sofá sob o olhar intrigado de Márcia. Frau Herta se vira após pegar um frasco de vidro em cima da mesa ao lado do sofá. – Você só vai precisar disso aqui. – mostra o frasco. – para tirar ela do seu caminho.

MÁRCIA: – Não! Da última vez, você colocou o Manoel no meio disso tudo, e ele quase morreu.

FRAU HERTA: – Aquilo foi um erro, eu  admito, mas dessa vez você fará tudo sozinha e de quebra poderá ficar com quem você ama. Se você não fizer isso, Márcia, então diga adeus a todos os sonhos que sei que você tem nessa mente. – Diz, provocativa.

Márcia levanta o olhar, que alterna entre Frau Herta e o frasco que ela tem nas mãos.


CENA 3: ONDAS DO PARAÍSO | BAIRRO ROMANO | CASA DOS FERREIRA | SALA | INTERIOR | FIM DE TARDE

Maurício sai do quarto e segue pela escada até chegar na sala, onde estão seus pais sentados no sofá, eles se viram e encaram o filho.

MAURÍCIO: – Vocês não vão mesmo, pais? – Pergunta assim que se aproxima do sofá.

CLODOALDO: – Sua mãe está um pouco indisposta, filho, então ficarei com ela. – Responde, voltando o olhar para Rosa, que está ao lado dele.  – Vá e nos represente nesse jantar com o Manoel. – Diz, sorridente.

Maurício se aproxima um pouco mais, beijando a testa da mãe, que o olha com grande ternura.

MAURÍCIO: – Prometo que volto amanhã mesmo. – Afirma, começando a andar em direção a porta.

ROSA: – Vai com Deus, filho. – Deseja assim que o filho abre a porta.

MAURÍCIO: – E vocês fiquem com ele! – Deseja antes de sair.


CENA 4: ONDAS DO PARAÍSO | RODOVIA | FIM DE TARDE

Bianca segue em um táxi pela rodovia que a está levando até Pedra Fina. Ela olha pela janela o sol que começa a se pôr.  Bianca esboça um leve  sorriso, se lembrando do que fez para separar sua irmã de Maurício.

BIANCA (Pensando): – O que será que ela quer comigo? Tenho certeza que ela não descobriu nada do que fiz, nem poderia já que a nossa mãe está em um lugar que ela jamais encontraria. – Se pergunta, pensando. Bianca tenta encontrar um motivo para que sua irmã queira sua presença no jantar.


CENA 5: PEDRA FINA | CASA DE MANOEL | SALA | INTERIOR | NOITE

Estela desce degrau por degrau vestida em um vestido simples, mas que realça ainda mais sua beleza estonteante. Assim que pisa no último degrau, Manoel pega nas mãos dela.

MANOEL: – Você está belíssima! – Diz, beijando o rosto dela. Estela cora, um pouco envergonhada.

ESTELA: – Minha mãe se aprontou, Manoel? – Pergunta, correndo os olhos pelo ambiente.

MANOEL: – Ela está na cozinha, Estela… e por incrível que pareça, está junto da minha tia. – Diz, sorrindo. – Só espero que corra tudo bem tal como está agora.

ESTELA: – Vai sair, Manoel. Tudo vai dar certo. – Afirma, sorrindo.

A campainha toca, uma das empregadas passa por Maurício e Estela, seguindo até a porta e a abrindo de forma imediata. Estela sente um arrepio assim que vê Márcia.  Manoel a observa entrar.

CONTINUA

 

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Junho Vermelho: Doe Sangue. Doe Vida
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