Stranger Boy: Capítulo 4 – Cedo ou Tarde


“Somente olhar nos olhos não garante a verdade, é preciso tocar o coração, aquele que for alcançável ”


Evan caminhava ao lado de William, que por sua vez esperava pacientemente o outro rapaz começar a falar assim como havia prometido enquanto conversavam sentados no banco de concreto em frente a escola. Evan olhava para William e disfarçava, estava com muito receio de revelar o que ele escondia, parecia não ter coragem suficiente para começar a falar, pois se a tivesse, teria começado e não parado mais antes do fim de tudo. William de certa forma entendeu o silêncio do seu mais novo amigo, então resolveu não pressiona-lo. Os passos pareciam sincronizados enquanto caminhavam em direção ao bairro que moravam. William fez Evan parar ao também parar para pegar o casaco que caiu, os dois se olharam por alguns instantes até que Evan desviou o seu olhar, ficando intimidado.
– As coisas ficam mais interessantes quando há certos mistérios envolvidos. – William comentou, sorrindo. Evan voltou o olhar para o amigo, que continuava ostentando seu sorriso único.
– Eu não sou misterioso. – Evan afirmou, cabisbaixo. – Bom, talvez um pouco. – Concluiu, com meio sorriso e levantando um pouco o olhar. William se aproximou de Evan devagar e tocou seu rosto gentilmente, fazendo o outro se arrepiar um pouco, pois a mão estava um tanto gelada.
– Foi isso que me chamou atenção. – William revelou, passando sua mão pelo lado esquerdo da face de Evan de maneira suave. Evan corou com o toque um pouco mais invasivo de William, que sorriu ao notar esse fato. – Eu nunca pensei que algo assim fosse capaz de acontecer comigo, mas quem pode saber todos os mistérios da vida, não é mesmo? – Indagou, sorridente. – Acredito que eu tenho mais coisa pra dizer a você do que você tenha para dizer a mim. – Completou, tirando a mão lentamente do contato com o rosto de Evan.
Evan ficou pensativo no restante do caminho que fizeram. William o olhava com certo receio, pois não sabia o que Evan poderia pensar do que ele revelara. Os dois pararam em frente a casa de Sara, Evan ainda envergonhado, estendeu a mão para William, que surpreendentemente, recusou, e logo depois o puxou para um abraço caloroso, deixando Evan desconcertado.
– Quando quiser contar o que queria me dizer, estarei pronto para escutar. – William disse ainda mantendo Evan em seu abraço. Logo os dois se afastaram, e Evan sentia seu rosto queimar, mais envergonhado do que nunca. William abriu o bolso menor da mochila e retirou um papel, entregando nas mãos de Evan, que segurou, revelando uma certa tremedeira. – Me liga! – William pediu antes de seguir seu caminho, sorridente. Evan ficou observando tal como no dia em que o conheceu pela primeira vez, então sorriu meio desconcertado. Assim que William virou a esquina, Evan se virou, ficando de frente para Sara, que o olhava com um sorriso amigável.
– Em que mundo você estava? – Sara perguntou, tocando levemente o ombro dele. – Parecia que nem nesse planeta você estava. – Comentou, mexendo nos cabelos vermelhos. – Você está bem?
– Estou bem, Sara. Só tenho que me acostumar com o ritmo da escola, hoje foi um tanto puxado, você não acha? – Evan respondeu, esboçando um leve sorriso, que sem saber, deixava Sara ainda mais encantada por ele.
– Acho sim… principalmente pra você. Mas logo você se acostuma, Evan. E aproveitando, quero dar um conselho, mesmo parecendo ser atrevida demais. – Respondeu Sara, encarando o novo amigo. Evan ficou curioso e também temeroso ao mesmo tempo. – O William, percebi que ele quer se tornar seu amigo, bom, não sei como dizer isso, Evan, mas tenho que te avisar… ele não é uma boa companhia pra você, e não é por estar magoada com ele que estou dizendo isso, é por ser verdade mesmo. Eu namorei com ele, e sei do que ele fazia e provavelmente ainda faz, tentei ajudar ele, mas de nada adiantou, é só um pequeno conselho. – Disse, tentando não olhar diretamente nos olhos de Evan, que permaneceu calado. Evan olhava para Sara e depois voltava seu olhar para esquina. Sara tocou em seu braço. – Eu não quero ver você se dando mal por causa dele. – Afirmou, séria, seguindo para a casa e deixando Evan intrigado. Evan atravessou a rua, pensativo, e entrou em casa rapidamente.
Evan seguiu até o quarto rapidamente e se sentou na cama, pegando o papel que William lhe dera. Ele passou a pensar no que Sara também lhe dissera. Pensou muito enquanto olhava insistentemente para o número de Evan. Ele se deitou na cama depois de afastar a mochila e fechou os olhos. O rapaz abriu os olhos e pegou o celular, verificando as horas, que já marcavam cinco da tarde, antes de se sentar na cama e ficar observando o espelho próximo do armário. Evan se levantou, deu alguns passos e parou em frente ao espelho. Ele vestia uma camisa branca, a mesma calça que usou na escola e o cabelo meio bagunçado por causa do tempo em que dormiu. Evan começou a retirar a camisa que vestia, jogando para o lado, ficou observando seu corpo por alguns segundos até ficar de costas para o espelho. Um pouco abaixo do pescoço do rapaz, algo que chamava a atenção, era parecido com uma fita bege tampando parte de sua coluna vertebral. Evan seguiu até o armário e escolheu outra camisa. Retirou a calça e vestiu um short de malha fina, voltando para perto da cama e calçando um tênis próprio para corrida. Ele deu uma última olhada no celular, o deixando em cima da cama antes de sair do quarto.
Evan saiu de casa, aproveitando que os pais ainda não haviam chegado e começou a correr em direção a saída da cidade. Ele pensava no dia intenso que teve na escola, em tudo que aconteceu, nas palavras de William e também nas de Sara. O rapaz parou, ofegante e começou a caminhar lentamente até adentrar a floresta, ainda com mil coisas na cabeça. Evan levou a mão até o nariz e viu que o mesmo não sangrava como vinha acontecendo, o fazendo sorrir de maneira farta. O fim da tarde trazia um vento frio, vento esse que fez com que Evan ficasse arrepiado, e levou mais um susto ao sentir que estava sendo observado, se virou repentinamente e viu Sara se aproximando com seu belo sorriso, ele estranhou aquilo.
– Sara! O que está fazendo aqui? – Evan, perguntou intrigado enquanto observava que Sara se vestia com roupas leves próprias para uma corrida.
– Eu também corro, Evan. – Sara respondeu com o mesmo sorriso de sempre. – No momento em que você saiu de casa, eu estava me preparando pra correr também. – Ela continuou enquanto olhava Evan diretamente nos olhos, algo que deixaria alguns incomodados, mas ele não se incomodava com algo desse tipo. – Há quanto tempo você corre? – Sara perguntou, curiosa.
– Não corro sempre… meus pais não deixam. – Evan respondeu, sorrindo. – Mas é bom ver você por aqui. – Afirmou, voltando a caminhar.
Sara seguiu ao lado de Evan, não deixava de olhar para o rapaz que percebia os olhares dela para ele. Estavam retornando para a cidade, calados, quando Sara segurou o braço de Evan, parecendo um tanto aflita, os olhares se cruzaram com grande intensidade.
– Desculpa por aquilo que eu disse do William. Eu não quero influenciar nada, eu tenho certeza que você sabe o que fazer, realmente desculpa por eu ter dito tudo aquilo. A gente se conhece há poucos dias e eu já fui despejando tudo isso em cima de você. – Sara pediu, soltando o braço de Evan. – Eu só quero o seu bem. – Afirmou, chegando mais perto de Evan, que ficou paralisado analisando Sara de um jeito estranho que ela pareceu não notar ou fingiu que não notou. Sara se aproximou ainda mais de Evan, que foi pego de surpresa por um beijo rápido da garota dos cabelos vermelhos. O rapaz ficou olhando para o nada enquanto Sara se afastava, sorridente.
Evan retornou para casa, antes de entrar, olhou para a casa de Sara, que estava na janela, sorrindo. Evan sorriu timidamente, e entrou em casa, ficando face a face com sua mãe, que por sua vez olhou de cima a baixo no filho.
– Não acredito que você desrespeitou nossas ordens, nossos pedidos, filho. – Margareth disse, demonstrando estar desapontada. Evan abaixou o olhar.
– Mas só foi uma corrida, mãe. Não vai fazer mal a ninguém. – Evan disse, tentando se explicar. – Veja só, meu nariz nem sangrou dessa vez. – Ele apontou para o rosto. Sua mãe o olhava de forma séria.
– Mas você sabe que a cada nova passada rápida, seu organismo acelera o crescimento do você sabe o que. Você não pode sair por aí correndo quando der na telha, sabe o quanto isso é perigoso. – Margareth foi dura. – Eu sei quanto isso o machuca, filho, não sinta raiva de mim por estar querendo lhe proteger. – Pede, tentando abraçar Evan, que desvia e segue para perto da escada de cabeça baixa.
– Não se preocupe, mãe, pois elas estão inofensivas, não cresceram nada ainda e nem vão crescer. – Evan disse entristecido, seguindo pela escada. Ele entrou no quarto e bateu a porta com força.
Margareth olhou para Nathan, que estava parado próximo da porta da cozinha. Ele suspirou profundamente antes de se aproximar da esposa e abraçá-la fortemente, tentando deixa-la calma.
O dia já estava se despedindo. Evan se livrou das roupas, ficando apenas de cueca em frente ao espelho do quarto. Ele começou a tocar a fita nas costas, fazia caras e bocas assim que conseguia, deixou cair algumas lágrimas enquanto se olhava. De repente Evan se assustou ao perceber pelo espelho que alguém o observava na janela. O rapaz se virou e seguiu até a janela, constatando quem era que o estava espiando.
– William! – Evan disse de forma sussurrada depois de afastar a cortina. William corou ao ver que foi descoberto. Willian abaixou a cabeça, aparentemente envergonhado com a situação em que ele próprio se colocou. Evan abriu a janela, permitindo que William entrasse. Já dentro do quarto de Evan, William ficou imóvel, encarando o outro rapaz.
– É isso que você esconde, Evan? – Perguntou, rompendo o silêncio e apontando para as costas de Evan, que era possível ser vista no reflexo no espelho. Evan mantinha o olhar firme para William, que percebeu algumas lágrimas já querendo descer nos olhos dele. William se aproximou e abraçou Evan, que sentiu o corpo quente dele encostar no seu que estava frio.

CONTINUA

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2 comentários sobre “Stranger Boy: Capítulo 4 – Cedo ou Tarde

    1. Acertou! Digamos que ele é um anjo 😄
      Evan, Wiliam e Sara, há muita coisa ainda para esses três… e realmente o triângulo amoroso está formado… mas será que Evan pode se envolver sentimentalmente com alguém? Esta semana tem muito mais 😊
      Obrigado, Flavin 🙂

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