Stranger Boy: Capítulo 2 – Destino


“Se há um destino, fugir dele é simplesmente perda de tempo. O destino, existindo, dará um jeito de não deixar que escapem de suas mãos”


Um vento mais ou menos intenso soprou vindo do sul, levando pedaços de papel para longe. Evan olhava fascinado para a carta que tinha em suas mãos, esqueceu até mesmo de ir encontrar o pai. Ele passava os olhos sem pressa, com certeza deveria ser algo muito importante que ali estava escrito. Evan levantou o olhar e se ajeitou na grama verde do quintal, olhou para a casa da frente e teve a estranha sensação de que estava sendo observado, mas não deu muita importância, logo retornou a leitura do que recebera.

Garoto Estranho, que bom vê-lo novamente, que bom ver que está bem, que não se machucou muito desde que nos encontramos pela última vez. Com certeza você deve estar achando tudo isso um tanto estranho, mas foi a forma que eu encontrei para me despedir de você e também dizer um até logo, pois sei que logo você precisará de mim, e saiba que estarei aposto para o seu chamado.
Espero que você encontre esta carta antes de qualquer outra pessoa, conto com a sorte e com a ajuda divina para que isso aconteça, pois do contrário sei que vou lhe colocar em perigo mais uma vez. Mais uma coisa, não oprima quem você é de verdade, não tenha medo, e não se iluda que tudo será fácil, pois não será.

P.S. Uma corrida a mais não vai fazer mal a ninguém.

Depois de terminar a carta, Evan se levantou rapidamente do gramado, e enquanto seguia para dentro de casa, picava o papel com uma gana impressionante. Ele seguiu até a cozinha e jogou os pedacinhos na lixeira, sua mãe o olhou, surpresa.
– Não encontrou seu pai? – Perguntou, olhando para Evan que terminava de jogar os pedacinhos de papel.
– Dessa vez não, mãe. – Respondeu, disfarçando a tensão. – Mas tenho certeza de que ele encontrou o mercado. – Concluiu, sorridente.
Evan seguiu para a sala, as mãos suavam frio. Ele parou próximo da escada que dava acesso ao segundo andar da casa nova onde viveria. Evan deu uma olhada para trás, de onde estava conseguia visualizar a mãe, que cortava algumas cenouras.
– Meu quarto fica lá em cima, mãe? – Perguntou com o tom de voz normal, suficiente para que sua mãe escutasse.
– Sim! – Margareth respondeu sem desviar sua atenção da cenoura. – Primeira porta à direita. – Continuou.
Evan sorriu e começou a subir degrau por degrau, alguns rangiam, outros nem tantos. O rapaz viu a porta do seu quarto aberta assim que terminou o último degrau e seguiu para dentro do cômodo. Evan observou todo o quarto antes de encostar a porta e acreditou que realmente os pais tinham comprado a casa com tudo dentro. A janela chamou a atenção do rapaz que caminhou até ela, puxando a cortina branca devagar, percebendo que dava vista para a casa da frente.
Evan já estava parado há alguns minutos próximo da janela, inconscientemente pareceu procurar por algo. Ele observou atentamente quando a porta da casa se abriu, uma menina aparentando ter sua idade, saiu. Ela tinha cabelos vermelhos, lisos, parou ao lado da caixa de correio e pegou um celular do bolso, pareceu preocupada, mas logo sorriu ao olhar para a esquina e ver uma caminhonete se aproximar. Evan olhava tudo com muita atenção, reconheceu o veículo assim que foi estacionado, e também reconheceu o rapaz que dirigia a caminhonete. A porta do lado do carona foi aberta, permitindo que a garota dos cabelos vermelhos entrasse, os dois então se beijaram em seguida, deixando Evan ainda mais ligado, como se fosse possível deixá-lo mais atento. Evan levou seu dedo indicador da mão esquerda até os lábios inferiores e começou a passar sua ponta sobre ele, passava sem parar, mas com certo carinho, até que começou a morder o lábio inferior, só parando quando viu que o veículo já havia partido, ainda ficou por um tempo pensando na cena.
O pai de Evan retornou com algumas coisas compradas no mercado que encontrou e ficou feliz ao ver o filho ajudando a mãe no que faltava arrumar na casa. Nathan se aproximou do filho, que terminava de ajeitar um quadro na parede próxima do sofá.
– Já conheceu alguém dessa cidade? – Nathan perguntou, amigavelmente enquanto passava as mãos no cabelo castanho escuro de Evan que era um pouco mais baixo do que ele pouca coisa. Evan sorriu com o questionamento do pai.
– Conheci apenas um garoto chamado William. – Respondeu, receptivo, deixando o pai pensativo.
– Será que é o mesmo William, filho do dono do mercado onde comprei essas coisas? – Se perguntou, observando o filho.
– Talvez sim, pai ou talvez não. – Evan disse, abrindo um sorriso.
– É bom ver você sorrindo, filho. Melhor assim do que com aquela cara de velho ranzinza. – Comentou, sorridente. – Agora termina aí e depois dê uma olhada no site da escola que você vai frequentar a partir da semana que vem.
– Mas já pai? – Questionou, surpreso.
– Com estudo não pode se perder tempo, filho. Tenho certeza de que você vai gostar da escola. – Respondeu, embaraçando o cabelo do filho. – Se você não gostar também, não há o que fazer… é a única escola dessa cidade para alunos dos dez aos dezoito. – Completou, sorrindo.
Evan ficou olhando o pai seguir até a cozinha, depois voltou seu olhar para o quadro, terminando de arrumar. Assim que terminou, ele viu pela fina cortina que a caminhonete de cor azul desbotado, parou em frente a casa dele. Evan seguiu até a porta, abrindo e saindo rapidamente. O veículo seguiu, deixando a garota do cabelo vermelho, entristecida. Evan se aproximou da garota, que fingiu não estar chorando assim que ele se aproximou, mas era visível seu choro, pois o rímel estaca completamente borrado.
– Está tudo bem com você? – Evan perguntou com receio.
A garota o olhou com o semblante nitidamente caído, e repentinamente abraçou Evan, e deixou que as lágrimas rolassem. Evan não soube o que fazer, apenas esperou o tempo passar. A garota chorava, parecia muito magoada, mas ainda não tinha forças, coragem ou qualquer coisa do tipo para falar.
Evan e a garota do cabelo vermelho se sentaram no gramado da casa, ela olhava para a porta da casa, parecendo estar melhor do que antes. Ele a olhava de relance, tentando entender o que se passava.
– …eu e o William namoramos desde o início do secundário, sempre estávamos juntos em tudo praticamente. Não sei o que aconteceu para que isso que existia entre nós, terminasse assim. – A garota dizia enquanto alternava o olhar para casa e para Evan, que por sua vez escutou tudo atenciosamente. – Sara… – Disse, pausando enquanto voltava seu olhar para Evan. – Eu me chamo Sara. – Concluiu, tentando sorrir. Evan esboçou um leve sorriso enquanto ouvia, ele também a olhava.
– Evan… me chamo Evan. – Ele disse, amavelmente.
– Desculpa pelo meu jeito de hoje mais cedo, tem dias que estou sem nenhuma paciência, e tem dia que estou com muita, e tem certos dias que é meio a meio, como hoje… agora. – Disse, olhando diretamente para Evan.
– Acredite…também sou assim. – Evan disse, sorrindo. Olhou em volta e viu que aquela tarde já estava indo embora, assim como o dia. – E sobre o William… dê tempo ao tempo, pois amor de verdade não se acaba de uma hora para outra, Sara. – Comentou como se fosse expert em relacionamentos amorosos, mas a verdade é que ele nunca se envolveu de forma mais profunda com outra pessoa. Sara e Evan se levantaram, ela o abraçou mais uma vez antes de seguir para casa. Evan ficou olhando ela entrar, e sorriu meio sem jeito.
Evan mexia no computador, ficando a saber sobre sua nova escola, e viu que o lugar não era nada modesto como ele chegou a pensar. O rapaz sorriu enquanto se lembrava da escola antiga e de tudo que o local ainda representava para ele. Acabou adormecendo assim que terminou o que estava fazendo.
Era possível ver algumas pessoas apontando para Evan enquanto ele caminhava até a porta da escola, todas pareciam estar rindo da cara dele, pareciam comentar sobre seu modo de se vestir, de andar, de olhar e até mesmo de pensar. Evan tentava correr, mas nada do que fazia, conseguia de fato aumentar a velocidade de seus passos, as pessoas foram se aproximando cada vez mais depressa como se quisessem prensar ele e fazer com que desaparecesse para sempre. Evan então conseguiu se desvencilhar das mãos das pessoas e começou a correr sem destino, cruzava por tudo e por todos que pareciam tirar sarro, levando a mão até o nariz , viu que ele sangrava muito até que sentiu como se seus pés não tivessem mais tocando o chão
– NÃO!!! – Evan gritou, desesperado no mesmo instante que seu relógio apitou, voltando a funcionar. Ele se encolheu na cama, deixando a cabeça em cima do joelho, chorando e lembrando do sonho que acabara de ter.
A porta do quarto se abriu, e Margareth entrou, sentando ao lado do filho, que não parava de chorar. Margareth abraçou Evan com muito carinho, ele chegava a soluçar em seu ombro. Ela foi acolhedora mais uma vez.
– Vai ficar tudo bem, Evan! – Margareth disse, tentando tranquilizar o filho amado. – Vai ficar tudo bem. – Ela voltou a afirmar, beijando a testa de Evan, que se aconchegou ainda mais nos braços de sua querida mãe.
O final de semana passou. Evan não teve mais seu sonho estranho e se sentiu aliviado por ter sido aquela a última vez. Ele falou com Sara pelo facebook, e ficou sabendo de algumas coisas da escola nova, deixando ele um pouco aliviado com relação à escola nova que passaria a frequentar . A manhã estava um pouco gelada, e vestido com calça jeans, tênis e um casaco cinza, Evan seguiu para seu primeiro dia de aula na Heaven High School, seu pai, Nathan, queria levá-lo, mas ele preferiu ir andando sozinho. Assim que chegou em frente a escola, Evan ficou admirado pela grandeza e beleza do local, observou os grupos de alunos que na certa já estudavam há um certo tempo ali, e conseguiu identificar Sara, que acenou para ele, sorrindo. Evan estranhamente começou a sentir uma tontura repentina e teve a sensação de que o nariz estivesse sangrando, então levou as mãos até ele e as olhou, porém sua visão ficou turva, fazendo com que perdesse o equilíbrio e apagasse. Alguém segurou Evan, não permitindo que ele caísse no chão.

CONTINUA

 

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