O Que o Tempo Levou: Capítulo 20


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Ano de 2009

CENA 1: PEDRA FINA | HOSPITAL | INTERIOR | MANHà

Manoel está parado, olha para a janela, Estela está de costas para ele. Estela parece pensar, não demonstra nenhuma reação, somente quando Manoel se move um pouco para o lado, é que ela também se movimenta.

MANOEL: – Desculpe por ter feito essa proposta… parece ser indecente já que a gente se conhece há tão pouco tempo, mas é que eu não vejo mais uma certa saída. – Diz, cabisbaixo. – Sei que você nada tem a ver com meus problemas, mas é que realmente estou desesperado com tudo que me aconteceu. – Afirma com receio.

ESTELA: – Então é por isso que você está todo esse tempo aqui! Eu jamais poderia imaginar pelo que você estivesse passando, Manoel. Mas você tem certeza que sua tia e sua namorada querem ver você pelas costas? – Questiona, nitidamente intrigada com o que acabara de saber.

Manoel fica de frente para Estela, que também fica de frente para ele.

MANOEL: – Eu tenho certeza absoluta, Estela… e a Márcia não é minha namorada, era apenas uma amiga, bom, pelo menos eu achei que fosse isso. – Responde sem deixar de olhar nos olhos dela. – Mas eu confesso que gostaria de ter alguém como você ao meu lado, pois sinto que posso confiar em você. – Comenta, abrindo um sorriso.

Estela esboça um pequeno sorriso, ficando levemente corada.

MANOEL: – Me ajude e deixe que eu ajude você, Estela. Eu sei também que tudo isso parece muito louco, pedir algo assim, mas não tenho mais a quem recorrer… e eu também quero dar uma lição na minha tia antes de colocá-la para fora. Eu não posso viver com quem me quer morto, não acha?

ESTELA: – Você tem certeza do que quer, Manoel?  Eu concordo que você não deva viver com quem lhe quer mal, sei muito bem como é isso.

MANOEL: – Minha certeza é única, Estela. Eu não sei, mas acredito que isso me fará bem também. E você, pode cuidar melhor dessa criança que está vindo aí. – Responde, com um sorriso de canto.

Estela sorri, deixando Manoel sorridente. Ela pensa enquanto abaixa a cabeça. Logo ela volta a olhar para Manoel, e de repente estende a mão, que é segurada pela mão de Manoel.

ESTELA: – Eu aceito. – Afirma, voltando a ficar cabisbaixa.

MANOEL: – Obrigado, Estela. De verdade, muito obrigado por isso. – Agradece, avançando para um abraço apertado.

Estela sente a carência de Manoel no abraço, e também percebe que ele chora, mas resolve não dizer nada.


CENA 2: ONDAS DO PARAÍSO | HOSPITAL | SALA DE ESPERA | INTERIOR | TARDE

Maurício mexe no celular enquanto espera a hora da operação de Bianca passar. De repente começa a pensar em Estela, e em tudo que eles viveram. Maurício joga a cabeça para trás no encosto do sofá e fica pensativo, logo o celular começa a tocar, ele vê que é a mãe, então atende a chamada.

ROSA (Do Outro Lado da Linha): – Onde você, filho? – Pergunta, parecendo preocupada. – Você saiu de casa sem dizer para onde iria, então estou aqui aflita junto de seu pai.

MAURÍCIO (Ao Celular): – Eu estou no hospital,  mãe.

ROSA (Do Outro Lado da Linha): – No hospital? O que você está fazendo aí? Está tudo certo?

MAURÍCIO (Ao Celular): – Está tudo bem, mãe. Só estou ajudando uma pessoa, logo volto pra casa, prometo. – Responde, seco. – Agora vou desligar, e se até a noite, eu não voltar, ligo de volta. – Afirma antes de encerrar a ligação.

Maurício fica olhando para a tela do celular, pensativo. O médico entra na sala, ele se levanta no mesmo instante.


CENA 3: ONDAS DO PARAÍSO | BAIRRO ROMANO | CASA DOS FERREIRA | SALA | INTERIOR | TARDE 

Rosa deixa o telefone no mesmo lugar. Clodoaldo observa a mulher andar de um lado para o outro, intrigada e irritada.

CLODOALDO: – O que ele disse, Rosa? – Pergunta, observando ela parar e o encarar.

ROSA: – Disse que estava no hospital. – Responde, levantando a sobrancelha. – O nosso filho deveria ser médico, pois agora não sai mais do hospital. – Comenta. – E eu já faço ideia do que ele esteja fazendo lá.

CLODOALDO: – Você acha que tem a ver com aquela moça?

ROSA: – Acho não. Tenho certeza de que aquela Bianca tem algo a ver com tudo isso. – Responde certa do que esteja acontecendo. – Se ela pensa que se fazendo de coitada, vai conquistar meu filho, está redondamente enganada.

CLODOALDO: – Talvez ela tenha mudado, Rosa. Você não pode sair julgando as pessoas assim.

ROSA: – Eu duvido muito que ela tenha mudado. Uma pessoa que faz o que ela fez, jamais muda, Clodoaldo. Eu só quero ver até onde vai a cara de pau dela… e espero que nosso filho não caia nessa armadilha.

Rosa encara o marido que fica sem saber o que dizer.


CENA 4: PEDRA FINA | CASA DE JORGE | SALA | INTERIOR | NOITE

Estela está sentada no sofá próximo da  janela, se encontra bastante pensativa quando seu tio se aproxima.

JORGE: – Está pensando naquilo tudo ainda? – Pergunta, curioso.

ESTELA: – Sim. O que você acha que eu devo fazer, tio?

Jorge se senta ao lado da sobrinha, olha para a televisão por alguns segundos e depois volta o olhar para a sobrinha, que aguarda uma resposta.

JORGE: – Eu acredito que você deve se dar uma nova chance. Você tem que tentar ser feliz novamente, Estela. – Responde, sorrindo. – E acredite, o Manoel é um bom homem, ele vai respeitar você, vai respeitar todo seu tempo. Sei que isso só é um acordo, mas nunca se sabe.

Estela sorri enquanto abraça o tio, que sente a tensão da sobrinha.


CENA 5: ONDAS DO PARAÍSO | HOSPITAL | INTERIOR | NOITE

Bianca se encontra deitada na cama, ao seu lado está Maurício, que segura a mão dela. Ela chora, aparentemente está triste.

MAURÍCIO: – Já chamei sua mãe, ela deve estar vindo para cá. – Informa, tentando confortar a jovem.

BIANCA: – Não consigo entender o motivo para não ter dado certo, Maurício. Eu contava com isso,  contava que eu ia voltar a andar. – Diz, entristecida. – Vou ter que me conformar que nunca mais vou movimentar minhas pernas.

MAURÍCIO: – Você vai desistir tão fácil, Bianca? Eu prometi ajudar e vou ajudar, ouviu ? Não deixe a esperança morrer.

BIANCA: – Obrigado mais uma vez, Maurício. – Agradece, levando a mão dele até próximo da boca e beijando. – Você é um anjo pra mim.

MAURÍCIO: – Não precisa agradecer, Bianca. Enquanto houver esperança, não vamos desistir dessa batalha. – Afirma, sorridente.

Bianca deixa algumas lágrimas caírem, aparentando estar emocionada. Maurício recolhe a mão, e quando vai se levantar, Bianca o puxa, e rapidamente o beija com muita paixão. Nesse mesmo momento, a porta do quarto se abre e Carmen entra, ficando paralisada com o que vê.


CENA 6: PEDRA FINA | CASA DE JORGE | INTERIOR | EXTERIOR | NOITE 

Estela sai com uma mala do quarto próximo da cozinha, seu tio está parado próximo da janela, assim que a vê, segue até ela e pega a mala.

ESTELA: – Obrigado, tio, mas nem está tão pesada. – Agradece, sorrindo.

JORGE: – Você é quem pensa, Estela. – Diz, brincalhão. – O Manoel deve está para chegar, não é mesmo ?

ESTELA: – Sim, já deve estar chegando.

Assim que os dois se aproximam da porta, ouvem o buzinar de um carro. Estela abre a porta e sai, atrás dela vem Jorge. Manoel sai do carro, um veículo branco, e se dirige até Estela.

MANOEL: – Está pronta? – Pergunta ao se aproximar.

ESTELA: – Acredito que sim. – Ela responde voltando o olhar para o tio. Jorge estende a mão com a mala e Manoel pega a bagagem.

Estela segue para o carro. Jorge se aproxima de Manoel.

JORGE: – Cuide bem dela, Manoel. – Pede, encarando o homem.

MANOEL: – Eu farei isso, Jorge. Mas acredito que será ela quem vai cuidar de mim, de certa forma. – Diz, sorridente. – E não precisa ter medo, pois vou proteger ela com a minha vida. – Afirma antes de seguir para o carro.

Manoel entra no carro e segue.


CENA 7: PEDRA FINA | CASA DE MANOEL | EXTERIOR| INTERIOR| NOITE

Manoel para o carro perto da calçada. Estela olha para ele com certa vergonha e nervosismo, ele acaba percebendo a situação.

MANOEL: – Se quiser desistir do nosso acordo, saberei entender. – Diz, compreensivo.

Estela olha para fora da janela, depois volta seu olhar para Manoel, que bate levemente com o dedo no volante.

ESTELA: – Temos um acordo ainda, Manoel. – Afirma, abrindo um sorriso. Manoel segura na mão dela.

Manoel sai do carro, dá a volta eabre a porta do lado de Estela, que sai. Os dois seguem até a entrada da casa. Estela, nervosa com o que pode ser dali pra frente. Manoel gira a maçaneta, abrindo a porta e entrando junto de Estela. Frau Herta, que segura um vaso na mão, deixa o objeto cair, virando caco. Manoel sorri por dentro, e pega Estela de surpresa com um beijo.

CONTINUA

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