Stranger Boy: Capítulo 1 – Segredo


“Segredo é segredo, deve ser mantido até sob tortura. Segredo que possa causar dor maior.”


A cidade de Heaven Peace, conhecida como uma localidade onde a paz reinava absoluta. Os crimes eram apenas de jovens delinquentes que extrapolavam após as festas que aconteciam na sexta feira a noite em diferentes casas, principalmente dos que frequentavam o ensino médio na Heaven High School. Aparentemente, todos se conheciam pelo nome, apesar da cidade não ser tão pequena assim. Tudo era encantador na cidade, que também tinha uma bela floresta ao seu arredor e para chegar ou sair, as pessoas tinham que necessariamente passar por dentro dessa floresta, que deixava o ambiente um pouco misterioso, mas nada que tirasse a tranquilidade de quem ali vivia.
Era metade de outono, as árvores distribuídas em fileiras pelas calçadas deixavam suas folhas dançarem quando o vento batia, gelado. Um carro vinha pela rua, devagar, e era possível ver que um jovem rapaz espreitava tudo pela janela. No volante, um homem que aparentava ter seus trinta e cinco anos, ao lado dele, uma mulher que parecia ter a mesma ou menor idade do que ele. O homem freou o carro, fazendo com que o rapaz batesse a cabeça no encosto do banco, rapidamente a mulher se virou para o rapaz.
– Filho, filho, tudo bem aí? – Perguntou já passando a mão na testa do rapaz, que a tirou com certa violência.
– Me deixa em paz! – O rapaz gritou, abrindo a porta do carro. Sua mãe olhava com lágrimas nos olhos e antes que o pai pudesse dizer alguma coisa, o rapaz saiu andando sem dar ouvidos ao apelo de quem quer que fosse.
– Não se entristeça, Margareth. – O homem pediu, passando a mão no rosto da mulher, que se aconchegou no ombro do companheiro.
– Tenho medo de que ele não se adapte aqui também, Nathan. Eu tenho medo de que ele não se adapte a lugar algum. – Revelou, temerosa do que possa ser o futuro de sua família, principalmente do filho.
– Ele vai se adaptar, meu amor, você vai ver. O Evan só está nervoso por essa mudança, mas logo ele se acostuma, e então poderemos recomeçar. – Nathan suspirou enquanto deixava o abraço mais aconchegante. Margareth chorou silenciosamente.
Evan caminhava sem rumo, melhor, a placa por onde ele passou há alguns passos dizia que ele estava deixando a cidade. O rapaz começou a chutar algumas pedras que encontrou pelo caminho, parecia desolado. Evan começou então a correr, mas logo se cansou, e resolveu seguir caminhando, e já dentro da floresta, se viu arrepiado por um barulho semelhante ao de uma coruja, saiu da estrada e escorou em um grande tronco de árvore.
– Eu só não queria ser desse jeito, não mesmo. – Evan estava com olhos marejados, olhava para o alto como se procurasse algo, uma resposta talvez. – Eu não queria causar constrangimento aos meus pais, nunca mais, já é a terceira cidade que estamos morando, terceira… – Disse, aparentemente chorando. Evan passou a camisa de forma que enxugou as lágrimas, mesmo estando sozinho não queria se ver chorando mais uma vez. O rapaz se ajoelhou no chão e olhou para o horizonte, depois para cima mais uma vez, se perdeu por instantes em pensamentos ruins, algo o atormentava muito.
Evan tinha no pulso, um relógio, o seu preferido, ele então olhou para o objeto e viu que o mesmo havia parado, não sabia quanto tempo já estava sozinho, por isso se levantou devagar e usando a memória fotográfica, retornou para a estrada. Evan caminhava cabisbaixo, conversava com ele mesmo quando se assustou com o buzinar de um veículo.
– E aí, garoto! Quer uma carona? – Perguntou um dos três rapazes dentro de uma caminhonete azul desbotado.
– Não, obrigado! – Evan agradeceu enquanto seguiu andando, pensando em tudo e em nada. De repente viu a caminhonete passar por ele e seguir adiante. Mas ele levou um susto ao sentir uma mão tocar seu ombro.
– Espera! – O rapaz que havia oferecido carona, disse. – Você anda muito rápido, está fugindo de alguém? – Questionou, brincando.
Evan arregalou seus olhos castanhos claros, ficou paralisado enquanto olhava para o outro rapaz, que o fitava.
– Fugindo? Eu não estou fugindo de ninguém. – Respondeu seco, sem se dar conta que o outro estava apenas brincando. Parecendo estar amedrontado, Evan saiu correndo sem olhar para trás, parando somente quando não viu mais o outro rapaz. Evan levou uma mão no nariz e logo depois a olhou, estava sangrando, quando levantou o olhar viu o mesmo rapaz novamente, que ofereceu um lenço ao ver o nariz dele sangrando.
– William… mas pode me chamar de Will. – Disse ao entregar o lenço nas mãos de Evan, que o encarou por alguns segundos, percebendo que ele estava ofegante, na certa por ter corrido. – Bom, não quero assustar você mais, então vou indo. – Will disse, sorridente. Saiu da presença de Evan sem deixar que o mesmo agradecesse. Evan ficou olhando ele seguir até virar a esquina e desaparecer.
Evan andou mais alguns metros e avistou o carro dos pais parado em frente a uma bela casa. ‘Pelo menos dessa vez vamos morar confortavelmente’ pensou, sorridente, pressionando o lenço no nariz. O rapaz olhou para o lado e viu uma jovem, aparentemente da mesma idade o observando. Evan acenou com a cabeça, e ela estranhamente não respondeu, entrou na casa e fechou a porta, ele ficou sem entender.
Margareth estava arrumando tudo na cozinha quando seu filho entrou pela porta dos fundos com o lenço no nariz, rapidamente ela deixou o que estava fazendo e foi até Evan, preocupada.
– O que aconteceu, filho? – Perguntou, passando a mão no rosto de Evan. – Aconteceu de novo? – Questionou, preocupada com o que pudesse ter chegado a acontecer.
– Não aconteceu de novo, mãe, eu juro. – Evan respondeu, abaixando a cabeça. – Começou a sangrar depois que eu corri um pouco. – Ele continuou, tirando o lenço. – Mas agora parece que parou.
– Parou sim. – Margareth afirmou, segurando o queixo do filho. – Você sabe o que uma corrida significa filho, você sabe muito bem, então não faça mais isso, eu te peço. – Ela disse, abraçando ele em seguida.
– Tudo bem, mãe… eu não quero fazer você e nem meu pai passar por tudo aquilo novamente. Eu vou me comportar, não vou extrapolar meus limites, prometo. – Evan disse, deixando o abraço mais apertado. Margareth beijou a testa do filho, que sorriu. – Posso ajudar a senhora? – Ele perguntou, gentil.
– Eu já estou terminando, não se preocupe. – Ela agradeceu, sorrindo. – Seu pai disse que precisava encontrar um mercado, não quer ir ver se encontra esse mercado? – Margareth perguntou, limpando alguns utensílios.
Evan sorriu para a mãe, já não saía mais sangue do nariz. Ele seguiu para a porta.
– Aposto que encontrarei esse mercado mais rápido do que ele. – Evan brincou antes de sair.
O rapaz deu a volta na casa e parou ao lado de uma caixa de correios, curioso, a abriu e viu um envelope no qual estava escrito ‘para o novo morador’, rapidamente ele olhou em volta a procura de alguém, mas não viu ninguém, somente viu de relance, a porta da casa em frente a sua se fechando. Evan olhou para a carta, ficando pensativo com o envelope nas mãos, procurando uma explicação.

CONTINUA

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2 comentários sobre “Stranger Boy: Capítulo 1 – Segredo

  1. Acho que o conteúdo da carta deveria ser descoberto logo no primeiro episódio. Agora fiquei em dúvida se o Evan vai se envolver com o William, ou com a garota da casa da frente… Um formato diferente de escrita, que eu não sou acostumado a ler, mas vou dá uma chance.

    1. Será que ela vai se envolver com quem ? Ou, será que ele vai se envolver com alguém ? Tem muitos mistérios a serem revelados 🙂 muito obrigado, Flavin 😊 o conteúdo da carta logo será revelado 😄

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