O Que o Tempo Levou: Capítulo 19


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Ano de 2009

CENA 1: PEDRA FINA | HOSPITAL | INTERIOR | NOITE

Manoel olha para o teto depois se despertar e também ter ouvido o que Márcia disse sobre ela e a tia dele, Frau Herta.

MANOEL (Pensando): – Eu não posso mais ficar aqui, não depois disso tudo.  – Ele continua a olhar para o teto, mas assim que ouve a porta se abrindo, ele volta seu olhar para o médico que entra.

Manoel analisa o nome do médico no crachá. Jorge, o médico, estranha um pouco.

JORGE: – Eu pedi para ela não acordar você,  mas pelo visto ela fez o contrário do que pedi. – Comenta ao se aproximar do paciente.

MANOEL: – Ela não me acordou, acredite… – Ele faz uma pausa enquanto pensa em tudo que ouviu. – Eu preciso mudar de quarto, doutor Jorge. Sei que é estranho, mas eu não confio mais em ninguém que um dia conviveu comigo.

JORGE: – O que ela fez a você? – Questiona, preocupado.

MANOEL: – Não tenho certeza absoluta, mas mesmo assim quero que você não a deixe me ver mais, nem ela e nem minha tia que daqui a pouco deve aparecer por aí.

JORGE: – Tudo bem, farei como você está me pedindo, mas depois quero que me conte o que está acontecendo. – Diz, olhando nos olhos dele. – Eu conhecia seu pai e sua mãe, e tenho você como um filho, e espero que confie em mim quando quiser contar o que se passa.

Os dois se olham com compreensão.


CENA 2: ONDAS DO PARAÍSO | PEDRA FINA

Os dias se passam. Sem ter muito o que fazer na nova cidade, Estela decide por ajudar os doentes no hospital com aval de seu tio. Ela passa a ir todos os dias, e assim acaba conhecendo Manoel, jovem e ranzinza. Frau Herta fica enfurecida com o sobrinho pelo fato dele não permitir que ela o visite. Márcia remoe a sua culpa por ter deixado o acidente acontecer com Manoel, com vergonha, não o procura mais. Estela acaba descobrindo que está esperando um filho de Maurício, mas magoada ainda,  decide por não contar nada a ele.

Bianca pede desculpas a Maurício, e promete a ele que vai dizer a verdade para Estela, o que acaba acontecendo por meio de um telefonema. Estela fica arrasada com a irmã, que se aproveita da situação e diz que está conhecendo o Maurício, deixando Estela enciumada e cheia de raiva. Com o intuito de pedir ajuda, Bianca se aproxima aos poucos de Maurício.

UM MÊS E MEIO DEPOIS


CENA 3: PEDRA FINA | MANHà

O sol nasce por detrás das montanhas que rodeiam a cidade de Pedra Fina. Pessoas, algumas delas, seguem com muita pressa pelas calçadas, outras já ssguem tranquilamente. Os veículos são muitos nas ruas e avenidas da cidade. Jorge estaciona o carro no estacionamento do hospital, Estela é a primeira a sair, seguida do tio.


CENA 4: PEDRA FINA | HOSPITAL | INTERIOR | NOITE

Estela segue ao lado do tio pelo corredor que leva até a sala dele. Ele para quando chega próximo da sala.

JORGE: – Acho que vai ter uma pessoa que vai gostar de te ver novamente aqui. – Comenta, sorridente.

ESTELA: – De quem o senhor está falando, tio? – Ela questiona, encarando o tio. – Espera! Não vai me dizer que é o ranzinza do Manoel?

JORGE: – Esse mesmo. Nessa semana que você não veio, ele ficou mais ranzinza do que nunca.

ESTELA: – Acho que não tem como. – Afirma, sorridente. – E falando nisso, que dia o senhor pensa em dar alta para ele? – Pergunta, curiosa.

JORGE: – Bom, terá que ser hoje, pois é o último dia que posso mantê-lo aqui. Vai lá ver como ele está e depois volte aqui pra que a gente ver se está tudo bem com esse menino aí. – Diz, apontando para a barriga da sobrinha.

Estela acaricia a barriga, ela pensa no bebê que espera, suspira profundamente, deixando um sorriso escapar. Jorge entra na sala, e Estela segue pelo corredor.


CENA 5: PEDRA FINA | HOSPITAL | QUARTO | INTERIOR | MANHà

Manoel ainda pensa em tudo que lhe aconteceu. De repente em seus pensamentos vem o tempo em que Estela cuidou dele no hospital, ele então fecha os olhos tentando se lembrar com mais nitidez.

MANOEL: – Ela é minha única alternativa, única. – Afirma, preocupado.


CENA 6: ONDAS DO PARAÍSO | MANHÃ

Os surfistas pegam ondas, algumas pessoas, na areia da praia, acompanham. Outras pessoas caminham pela areia. As ondas vem e vão. O céu está sem uma nuvem sequer, o dia amanhece belíssimo como sempre. Carmen empurra a cadeira de rodas de Bianca próximo de casa.


CENA 7: ONDAS DO PARAÍSO |BAIRRO COSTEIRO | CASA DOS BELMONTE | EXTERIOR | MANHà

De repente, Carmen reconhece o carro de Maurício que se aproxima lentamente até parar por completo ao lado da calçada. Maurício sai do carro, deixando Carmen intrigada.

MAURÍCIO: – Preparada, Bianca?

CARMEN: – O que está acontecendo?

MAURÍCIO: – Ela não contou, dona Carmen? – Pergunta, olhando diretamente para Carmen.

CARMEN: – Ela não me contou nada, Maurício. – Responde, voltando seu olhar para Bianca.

BIANCA: – Desculpa, mãe. Eu não queria de deixar a senhora preocupada… hoje eu vou fazer a operação que pode me dar os movimentos das pernas novamente. O Maurício está me ajudando. – Conta, cabisbaixa.

CARMEN: – Meu Deus, filha, isso é maravilhoso.  Afirma, sorridente. Ela volta o olhar para Maurício. – Eu não tenho como agradecer, Maurício, realmente não tenho como. – Diz, emocionada.

MAURÍCIO: – Não é necessário, dona Carmen… Estou fazendo isso por gostar de vocês, de verdade, e sabendo que ela tem grandes chances de voltar a andar, não poderia deixar ela assim. – Ele diz, tocando na mão de Carmen, que agradece mais uma vez e o abraça.

Maurício ajuda Bianca, logo ambos estão dentro do veículos. Carmen observa o carro partir, ela acena.


CENA 8: PEDRA FINA | HOSPITAL | MANHÃ

Manoel observa Estela, que arruma algumas coisas no quarto onde ele está. Ela olha para ele e levanta a sobrancelha.

MANOEL: – Está tudo bem com você? – Pergunta, aparentemente somente por perguntar.

ESTELA: – Sim, por quê?

MANOEL: – Você não apareceu aqui durante um bom tempo. – Responde. – Achei que tivesse acontecido algo.

ESTELA: – Achei que você não se preocupasse com as outras pessoas, Manoel. – Diz, sincera enquanto é encarada por ele.

MANOEL: – Você acha isso de mim? – Questiona, um tanto surpreso.

Estela se aproxima, sorrindo.

ESTELA: – Acho que todo mundo acha Isdo de você, Manoel.  Desde que cheguei aqui, que estou ajudando, você sempre foi muito antipático, duro, frio. – Responde. – Desculpa estar dizendo tudo isso assim, mas é o que dava pra perceber.

Manoel fica pensativo enquanto olha para Estela, então ele faz algo que deixa Estela impressionada. Ele sorri.

MANOEL: – Obrigado por sua sinceridade. – Diz, ainda sorrindo. – Desculpa se eu parecer invasivo demais, mas seu tio me conhece desde que sou criança e eu a ele, então ele me contou pelo que você está passando.

Estela fica cabisbaixa, então desfaz o sorriso que ostentava, deixando Manoel preocupado. Ele se levanta da cama com calma.

MANOEL: – Ei, Desculpa… não tocarei mais nesse assunto. Eu só não quero ver você triste. – Diz chegando próximo de Estela.

ESTELA: – Tudo bem, Manoel. Não estou triste ou algo assim, só não gosto de falar muito disso.

MANOEL: – Eu sei como é, acredite. – Ele faz uma pausa enquanto pensa em tocar o rosto de Estela, mas recua. – Eu tenho uma proposta pra fazer. – Diz, sendo direto.

Estela olha nos olhos de Manoel, ficando intrigada. Ele agora a olha com certo receio.

CONTINUA

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