O Que o Tempo Levou: Capítulo 18


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Ano de 2009

CENA 1: PEDRA FINA | AVENIDA | TARDE

Os carros param diante do terrível acidente. Algumas pessoas saem de seus veículos e olham a cena, horrorizados de certa forma. Outras pessoas já chamam o socorro. Manoel abre os olhos por um curto instante e volta a desmaiar.

Alguns minutos depois, a ambulância encosta, os paramédicos saem rapidamente e vão até Manoel, que continua desacordado. Retiram com todo cuidado e o leva imobilizado para dentro da ambulância. A multidão que se formou começa a dispersar lentamente. Um táxi para em frente da casa de Manoel, Márcia sai do veículo.


CENA 2: PEDRA FINA | CASA DE MANOEL | SALA | INTERIOR | TARDE

A campainha toca, fazendo com que uma das empregadas siga rapidamente da cozinha para a sala, e abre a porta. Márcia entra com uma certa rapidez, olha para a empregada.

MÁRCIA: – Cadê a Frau Herta, Marilde

MARILDE: – Está no escritório do senhor Manoel, dona Márcia. – Responde rapidamente.

MÁRCIA: – Ela está sozinha?

MARILDE: – Sim, está sozinha. É algo urgente, dona Márcia?

MÁRCIA: – É  muito urgente, algo inadiável. – Responde já seguindo para a porta do escritório. Ela toca a maçaneta e espera alguns segundos antes de abrir a porta.


CENA 3: ONDAS DO PARAÍSO | TARDE

O movimento de pessoas é menor do que os veículos. Muitas nuvens começam a se formar no céu, logo está encoberto. A temperatura começa a cair na cidade. Pessoas passam em frente da casa dos Belmonte, conversam e sorriem enquanto um carro vem devagar pela rua.


CENA 4: ONDAS DO PARAÍSO | BAIRRO COSTEIRO | CASA DOS BELMONTE | EXTERIOR | TARDE 

Jorge chega de carro na casa da irmã, ele buzina, e não demora muito, Carmen e Estela saem da casa. Estela tem uma mala na mão esquerda. Antes da filha entrar dentro do carro, Carmen cumprimenta o irmão com um forte abraço. Carmen também abraça Estela.

CARMEN: – Só não esqueça da gente aqui, filha.

ESTELA: – Não esquecerei jamais, mãe. Vou encontrar um emprego e assim que eu me arranjar, eu venho visitar a senhora e a Bianca, prometo. – Diz, sorridente.

As duas saem simultaneamente do abraço. Estela entra no carro do tio. Carmen acena, se despedindo enquanto o carro parte. Bianca está na porta, diferente da mãe, ela está feliz pela partida da irmã.


CENA 5: ONDAS DO PARAÍSO | TARDE

As ondas do mar estão fortes, elas batem no paredão de pedra, as pessoas observam. Pescadores jogam suas redes no mar um pouco longe da praia, próximo deles, uma embarcação já surrada pelo tempo. Veículos passam em velocidade normal em frente da casa dos Ferreira.


CENA 6: ONDAS DO PARAÍSO | BAIRRO ROMANO | CASA DOS FERREIRA | ESCRITÓRIO | TARDE

Maurício digita algo no notebook. Ele se distrai ao pensar em Estela, em como sua amada poderia estar no momento. Maurício sorri ao se lembrar dos bons momentos que viveu ao lado de Estela nos últimos tempos, mas o sorriso desaparece de um segundo para o outro.

MAURÍCIO: – Eu disse que iria esquecer ela e eu vou fazer isso. – Afirma voltando seu olhar para a tela do notebook. – Eu queria que ela tivesse confiado, acreditado em mim, mas isso de verdade, não aconteceu. – Diz, pensativo.


CENA 7: PEDRA FINA | TARDE

As montanhas e morros que cercam a cidade dão uma beleza sem igual para a cidade de Pedra Fina. As ruas da cidade estão movimentadas. Pessoas vem e vão pelas calçadas. Alguns veículos passam em frente a casa de Manoel.


CENA 8: PEDRA FINA | CASA DE MANOEL | ESCRITÓRIO | INTERIOR | TARDE 

Márcia encara Frau Herta com muita raiva, que não demonstra nenhuma mudança no semblante. Márcia se aproxima da mesa da tia de Manoel.

MÁRCIA: – Assim que o Manoel melhorar, pois sei que ele vai melhorar logo. Eu, Márcia, vou contar para ele que foi você a responsável pelo acidente.

Frau Herta se levanta, arregalando os olhos.

FRAU HERTA: – O quê? Você vai dizer tudo?

MÁRCIA: – Isso mesmo. O trato que tínhamos não envolvia acidente algum, ok? A senhora foi longe demais. A senhora está tão desesperada pela herança que quer seu sobrinho morto. Eu contarei tudo, absolutamente tudo.

Frau Herta dá a volta na mesa e para de frente para Márcia.

FRAU HERTA: – Você acha que ele vai acreditar em você? Se você não quer passar o resto da sua vida na cadeia, então acho melhor calar a boca e se aproveitar desse acidentezinho, minha cara.

MÁRCIA: – A senhora é completamente louca. Faça o que quiser, mas nosso trato está rompido e assim que eu conquistar o Manoel, a senhora viverá fora dessa casa. Se a senhora sabe ser ruim, eu sei ser pior. – Diz, encarando Frau Herta. A tia de Manoel vai dizer algo, mas Márcia dá de ombros e sai.

FRAU HERTA: – Você vai se arrepender disso, sua idiota! – Ela grita enquanto Márcia vai embora.


CENA 9: PEDRA FINA | NOITE

O sol se põe por detrás das montanhas da cidade de Pedra Fina. Pessoas vem e vão pelas calçadas da cidade. Veículos passam em frente a casa de Jorge. O carro de Jorge logo estaciona em frente da casa.

JORGE: – Desculpa não poder ficar, Estela, mas meu plantão está para começar.

ESTELA: – Tudo bem, tio. Eu já conheço bem a sua casa, vai tranquilo. – Diz, sorrindo antes de abrir a porta do carro que dá para a calçada.

JORGE: – Qualquer coisa me liga, está bem? – Ele passa a mala para Estela, que já está fora do carro.

ESTELA: – Sim, tio. Pode deixar!  – Ela sorri, pegando a mala.

Jorge segue para o hospital. Estela olha para o céu, inevitavelmente pensa em Maurício, ela coloca a mão no coração, ficando pensativa.


CENA 10: PEDRA FINA | HOSPITAL | INTERIOR | NOITE

As horas se passam. Márcia está sentada no sofá da sala de espera, olha constantemente para seu relógio de pulso, se encontra bem pensativa enquanto pensa no estado de saúde de Manoel.  Márcia ‘desperta’ assim que ouve alguém chamar ela.

JORGE: – A senhorita é a Márcia? – Questiona se aproximando.

MÁRCIA: – Sim, sou eu Doutor. Como está o Manoel?

JORGE: – Ele foi operado pelo outro médico, e agora temos de esperar para ver como ele vai reagir à essa operação e também a medicação.

MÁRCIA: – Eu posso ir até ele? – Pergunta, apreensiva.

JORGE: – Claro, mas seja breve, é só o que eu peço. – Responde enquanto se dirige a porta junto de Márcia.

Márcia entra no quarto onde Manoel está, Jorge a deixa sozinha. Ela se aproxima da cama em que Manoel está deitado. Márcia segura a mão de Manoel, que está dormindo.

MÁRCIA: – Ah, Manoel, como eu gostaria que você me amasse como eu amo você. Você sempre acha que amo você como amiga, mas é muito mais que isso, acredite. – Diz, fazendo delicado carinho na mão dele. Confiando que ele realmente esteja dormindo, ela continua. – Eu não devia ter aceitado a proposta de sua tia, não deveria e olha só o que aconteceu com você. Eu estou me sentindo a própria causadora desse acidente. – Confessa enquanto se permite chorar.

Márcia se afasta lentamente de Manoel, então se inclina e beija a boca dele. Ela abre um sorriso assim que se afasta, enxugando as lágrimas rebeldes.

MÁRCIA: – Agora vou indo, mas amanhã prometo que volto. – Diz olhando para o corpo de Manoel, que não se mexe. Ela sai do quarto e fecha a porta.

Assim que Márcia sai do quarto, Manoel abre os olhos e fica com o olhar perdido enquanto observa o teto.

CONTINUA 

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