O Mago: Capítulo 2 – Aliança do Mal (Quarta Temporada)


Todos eles estavam de volta ao Reino de Viturius. Depois de observarem com tristeza, as ruínas do castelo, seguiram para a floreta mais próxima com grande temor, pois não estavam certo do que encontrariam ali, se era bom ou ruim. Oniria se mantinha atenta a qualquer barulho estranho que surgisse. Eran seguia ajudando Aron e os outros que dominavam a magia, criando esferas de luz que imitavam a luz do sol. Moran, sem saber do laço que o unia a Oniria, se mantinha ao lado da guerreira, sentindo devidamente protegido. Perion estava ao lado de Galbo e Lion, que também temiam os mistérios que se estabeleceram no tempo em que ficaram banidos.
Não demorou muito e logo entraram na floresta, se espantaram com a beleza do lugar, parecia que o mal não afetou o lugar, e realmente a magia negra não conseguiu penetrar aquele ambiente. Todos sentiram a atmosfera ficar mais leve e tiveram a sensação de estarem passando por um campo de energia movido pela magia, sensação verídica, pois ali de fato existia uma barreira mágica que impedia qualquer criatura que não fosse portadora do bem, entrasse.
– Parece que aqui ficaremos seguros, meus amigos. – Disse o rei relaxando próximo do tronco de uma árvore.
Aron se aproximou de Alim, ficou de frente para seu amado rei, e sentiu que quase tudo ali lhe preocupava de alguma maneira. Enquanto os outros também se acomodavam para um descanso, Aron se sentou ao lado do rei.
– O que lhe deixa desse jeito, Alim? – questionou o jovem mago assim que se ajeitou no tronco caído de uma árvore.
Alim olhou para Alim, que com um único sopro, fez a esfera de luz que segurava, flutuar acima de suas cabeças.
– Eu não sei se estou no reino certo, Aron. Veja como está tudo… está tudo destruído! – Respondeu com tristeza. – Eu permiti que o reino todo caísse no mal, permiti que eles destruíssem tudo que um dia fez bem. – Continuou enquanto pensava em como o Reino era antes.
– Nós iremos reerguer tudo isso aqui, Alim. Logo veremos o bem tomar conta de cada lugarzinho dessas terras, acredite, essa escuridão logo vai passar. – Afirmou enquanto se permitia tocar nas mãos do rei.
Um pouco distante de onde mago e rei conversavam, Oniria caminhava ao lado de Moran , que se assustou quando um vento repentino fez com que um galho caísse bem na sua frente, assustado, ele ficou paralisado, então Oniria o abraçou e sentiu o medo de seu filho.
– Ficara tudo bem, Moran! – afirmou enquanto deixava o abraço mais aconchegante. A guerreira destemida se viu com os olhos cheios de lágrimas ao sentir o temor de Moran. Moran olhou por um instante para Oniria e sentiu algo muito familiar naquele abraço, mas então se aconchegou ainda mais sentindo que ali estaria protegido.
Lion, deitado com a cabeça no peito de Galbo, pensava em como tudo seria daquele instante para frente. Galbo afagava os cabelos de seu amado feiticeiro, e como que adivinhando seus pensamentos, ele envolveu Lion em seus braços fortes.
– Obrigado. – agradeceu o feiticeiro enquanto terminava de ler os pensamentos do guerreiro.
– Quero que saiba que sempre estarei com você e logo tudo vai se ajeitar, Lion. Tenha medo, mas não deixe que esse medo tenha você. – Disse Galbo enquanto beijava a bochecha de Lion.
Eran caminhava ao lado de Perion que se mantinha atento a cada passo do outro. Eles se distanciaram do grupo e quando perceberam, se encontravam de frente para um majestoso lago, os dois se olharam como se houvessem descoberto um grande segredo.
– Pelo menos de sede não morreremos. – Eran comentou ao cutucar Perion.
Perion lançou um olhar amigável para Eran, que estendeu sua mão em direção a água, a esfera de luz que os acompanhavam então se expandiu, permitindo que eles visualizassem toda a extensão do lago, logo ficaram boquiabertos ao constatarem que a água estava congelada.
– Temos de avisar os outros – Perion disse ainda impressionado. Eran concordou e logo seguiu Perion pelo mesmo caminho que percorreram até o lago.
Assim que retornaram para o local onde estavam com os outros, eles se assustaram ao não verem ninguém, ambos se olharam com os olhos arregalados.
– Onde eles estão? – Perion perguntou enquanto fazia com que a esfera de luz se expandisse mais uma vez. Tudo aconteceu muito rapidamente. Perion e Eran cairam no chão, empurrados por alguém, isso fez com que as esferas desaparecessem, e uma escuridão se fez presente. Eran e Perion sentiram um certo peso em cima deles , de repente se arrepiaram.
– Não façam uso da magia, eles estão aqui para nos pegar – Disse Moran quando saiu de cima de Perion e Eran.
– Onde estão todos? – Eran perguntou ainda assustado e sem conseguir definir se era Moran realmente.
– Encontramos uma caverna muito próxima daqui, ela é segura, devemos seguir para lá. – Moran disse ao se levantar.
– E estão todos bem? – Perion questionou com medo da resposta que pudesse receber.
Estavam ambos muito próximo, era possível sentir o respirar de cada um e o calor que cada corpo emanava com certa intensidade. Um silêncio então imperou por alguns minutos, só era possível ouvir a respiração dos três. De repente, um ruído fez com que suas respirações ficassem lentas, quase imperceptíveis. Na escuridão avistaram alguns olhos vermelhos e nada mais do que isso, porém o necessário para aumentar o medo que já corria desenfreadamente nas veias.
– Corram! – Moran sussurrou. E antes que ele terminasse de fato o que queria dizer, todos já estavam correndo, parecia que não havia uma direção, mas houve, e logo se viram dentro de uma ampla caverna. Moran se levantou de cima de Eran, que saiu de cima de Perion, olharam e viram várias tochas acesas, o local estava bem iluminado.
– Algo levou o Aron. – Moran revelou, entristecido. – Em um minuto ele estava entre nós, próximo do rei, no outro já não estava mais.
– Isso não pode ter acontecido, Moran! – Eran estava incrédulo. – Diga que isso não é verdade! – Pediu, nervoso.
– Infelizmente é verdade, Eran. O Alim está arrasado, pois não conseguiu nem mesmo saber o que foi que levou Aron.
– Com o que a gente está lidando? – Perion questionou, assustado com o mistério.
– Eu também gostaria de saber, Perion. Estamos em nossa casa, em nosso Reino, mas isso só é uma sensação, pois sinto que não estamos. Aqui tudo está perigoso demais. – Moran respondeu.
Os três jovens caminhavam, desconfiados pelo corredor da caverna, e então ouviram seus amigos conversando. Alim olhava para a espada, um olhar perdido, sentia que poderia ter feito algo por Aron, mas não conseguiu.


Longe da caverna onde eles se escondiam, Aron era levado por criaturas com aparência humana, mas em seus interiores habitavam apenas espíritos forjados com magia negra. Eles seguiam por um corredor semelhante a de um Castelo, a magia era poderosa, as amarras não se soltavam mesmo Aron tentando todos os feitiços que estavam sobre seu domínio. O jovem Mago estava começando a ficar apreensivo com o que poderia acontecer. Aron também já estava irritado e a medida que tentava se soltar, as criaturas o olhava com muita raiva e faziam um barulho horrendo com os dentes. Logo uma porta gigantesca se abriu com o estender das mãos das criaturas, que empurraram Aron para dentro e a porta foi trancada.
– Zul Azarapre – Pronunciou Aron em busca de produzir uma esfera de luz, mas nada aconteceu. Aron ouviu uma risada em tom de deboche, ele se arrepiou. O Mago firmou seus olhos e pode ver certa claridade entrar por várias aberturas semelhantes a janela. Passos lentos deixou o jovem mago em alerta, mas se viu preocupado.
– Sua magia não funciona aqui, Aron. – Disse a voz masculina se aproximando cada vez mais.
Aron arregalou seus olhos e percebeu algo familiar na voz que ouviu, mas não quis acreditar que pudesse ser verdade, pois era nítido que tal voz era de alguém muito mais jovem.
– Quem é você? – Aron questionou com certo receio enquanto se encostava na parede dura de pedra. – Por que me trouxe aqui? – Continuou, sentindo que a pessoa se aproximava dele.
– Você me conhece, conhece o bastante, sabe quem eu sou, Aron, então não faça perguntas idiotas. Você acreditou piamente que havia me derrotado, que havia acabado comigo, mas tudo aquilo só serviu para que meu ódio crescesse mais e mais. Você sentiu um pouco do meu poder, da minha magia. – Respondeu, ficando muito próximo do jovem mago. – Bom, agora podemos terminar o que começamos naquele dia.
Aron teve a certeza de quem era e se espantou ao ver várias tochas se acenderem e iluminarem rapidamente todo o ambiente. Zaro estava realmente a um passo de distância do jovem mago, e o bruxo se mostrava mais jovem do que a última vez que esteve com Aron.
– Você vai me matar, faça isso de uma vez, Zaro. Mas saiba que lá fora há muitos que juntos podem acabar com você. – Disse Aron em um rompante de coragem que o deixou paralisado com receio da morte.
Zaro sorriu com gosto, a juventude proporcionada pela magia negra o deixava encantador, mas para aqueles que não o conhecesse de verdade. O bruxo sorriu enquanto começou a tocar o rosto de Aron com certa delicadeza.
– Do que me valeria um ser tão poderoso, morto? Diga! – Zaro acariciou a bochecha do mago, que se retraiu. – Não irei matá-lo, meu caro Aron. – Afirmou ao aproximar a boca próximo do ouvido de Aron. – Vou deixá-lo praticamente livre.
Aron ficou intrigado, não se mexia muito enquanto tinha Zaro próximo dele, que parecia não querer sair dali. Aron pensou em perguntar algo, mas o bruxo colocou o dedo indicador próximo da boca dele, pedindo silêncio. Zaro se afastou de Aron e sorriu de forma farta, estava se divertindo com tudo aquilo, ele então voltou seu olhar repleto de mistério para Aron.
– Eu deixarei todo o Reino de Viturius em paz caso você se junte a mim, Aron. – Disse repentinamente. – Não é um pedido já que você não está em situação de escolhas. – Sorriu, fitando os olhos do jovem mago.
Aron se viu com os olhos cheios de raiva, então avançou com fúria para cima de Zaro, que levantou a mão direita e fez com que os pés do jovem não tocassem mais o chão, Aron flutuou no ar.
– Não fique com valentia, pois posso muito bem desconsiderar minha oferta e matar todos que ainda estão vivos acreditando que foi a magia deles que os mantiveram assim. Última chance, último momento para pensar. – Disse, sorridente enquanto soltou devagar sua mão que estava fechada fazendo com que Aron descesse vagarosamente até tocar os pés no chão. – Fica ao meu lado e salva a todos ou morra agora mesmo e também mate quem você ama. – Disse, sendo firme na sua proposta sem saída.
Aron abaixou a cabeça como se tivesse aceitando tal derrota, sabia que precisava fazer algo pelo Reino onde nasceu, e realmente se viu sem escolhas. Ele levantou a cabeça devagar e viu Zaro se aproximar e o envolver em um abraço. – Reptra Egropi Enoron. – O bruxo pronunciou. – Excelente decisão. – Afirmou antes de desaparecer com Aron.
As nuvens espessas no céu começaram a se dissipar, e aos poucos uma belíssima lua começou a surgir, iluminando cada canto do Reino de Viturius. As criaturas na floresta também desapareceram e um silêncio quase mortal se instalou, mas logo foi possível ouvir o piar de uma coruja, e logo outras também se juntaram. A lua no céu foi desaparecendo aos poucos assim que o sol começou a surgir, a claridade do astro revelou que o castelo de Viturius não estava mais em ruínas e aos poucos, as pessoas que haviam partido começaram a aparecer.
Alim abriu os olhos, assustado, se levantou já empunhando a espada que estava ao seu lado e não viu mais ninguém ali dentro da caverna, então seguiu até a entrada e os avistou, conversando. O rei admirou o sol que já se fazia visível no alto do céu, Lion se aproximou.
– Tudo aconteceu na noite, Alim. Enquanto repousávamos, todo o domínio do mal parece ter sido quebrado. – Lion informou, observando o olhar de admiração do rei, mas logo a tristeza se instalou no semblante do rei.
– O Aron voltou? – Perguntou com grande esperança.
Lion abaixou a cabeça, pensando no irmão, em como ele poderia estar.
– Infelizmente não temos notícias do meu irmão, Alim. – Respondeu ainda de cabeça baixa, tentando disfarçar as lágrimas que já caíam.
Alim olhou para a espada na mão esquerda e a levantou, com a outra mão enxugou algumas lágrimas que já insistiam em cair.
– Eu prometo à você, Aron… onde quer que você esteja, vou encontrá-lo e quem quer que esteja com você, verá do que sou capaz pelos meus. – Esbravejou com o olhar fixo na lâmina da espada.

CONTINUA

Anúncios

Então, o que você achou? Deixe sua resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s