O Que o Tempo Levou: Capítulo 16


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Ano de 2009

CENA 1: ONDAS DO PARAÍSO | HOSPITAL | INTERIOR | NOITE

O médico encara Estela que está preocupadíssima com o estado de saúde da sua irmã. Maurício a abraça enquanto ela desaba emocionalmente no ombro dele.

MÉDICO: – Se ela seguir a risca o tratamento, esse quadro pode ser revertido e ela poderá voltar a andar. Ela está acordada e depois que eu disse que você estava aqui, ela me pediu para chamá-la.

O médico deixa os dois a sós.

ESTELA: – Isso não podia ter acontecido com ela, Maurício. Minha irmã não vai mais andar, ela não vai mais movimentar as pernas. – Diz, chorosa.

MAURÍCIO: – Ela vai sim, Estela. Vamos acreditar que ela vai, você ouviu o que o médico disse.

ESTELA: – Eu e minha mãe não temos condições de fazer isso, Maurício. – Diz, penalizada.

MAURÍCIO: – Não se preocupe com isso, eu vou ajudar vocês no que for preciso, Estela. Vamos confiar em Deus, primeiramente. – Ele olha para ela. – Vai lá falar com ela, eu espero aqui.

ESTELA: – Obrigada por tudo, Maurício. – agradece enquanto sai do abraço.

Maurício observa Estela seguir pelo corredor que leva até os quartos.


CENA 2: HOSPITAL | QUARTO | INTERIOR | NOITE

Estela para de frente ao quarto onde Bianca está, ela respira profundamente e entra. Bianca está deitada, acordada e olhando para o teto. Estela se aproxima da cama de Bianca, que olha para a irmã mais nova.

BIANCA: – Estela! – Diz ao vê-la. – O que houve comigo? – Questiona se sentindo um pouco estranha.

ESTELA: – Você sofreu um acidente, Bianca, mas tudo vai ficar bem, minha irmã. – Responde com certa emoção ao também se lembrar do que o médico disse.

Bianca desvia o olhar da irmã, e relembra tudo que aconteceu, pensa no verdadeiro motivo por ter ido até a casa de Maurício. Bianca começa a chorar de um momento para o outro, deixando Estela muito mais preocupada.

BIANCA: – Foi ele, Estela… foi o Maurício. – Diz demostrando estar com certo medo.

Estela segura na mão da irmã, que a encara.

ESTELA: – O que o Maurício tem a ver, Bianca? O que você quer dizer, minha irmã?

BIANCA: – Foi o Maurício que me empurrou daquela escada, foi ele… foi ele quem me jogou de lá. – Responde forçando o choro. – Eu me lembro, foi ele!

Estela fica visivelmente chocada com a acusação da irmã. Ela solta a mão de Bianca. Estela segue para perto da janela com a mão na boca. Longe do campo de visão da irmã, Bianca esboça um leve sorriso.

ESTELA: – O Maurício não! – Diz enquanto deixa as lágrimas caírem.


CENA 3: ONDAS DO PARAÍSO | PEDRA FINA

Estela ouve Bianca, que inventa algumas mentiras para acusar Maurício de sua queda da escada. Estela briga com Maurício, que vê sua amada não aceitando sua palavra. Maurício vai embora do hospital, magoado. A noite avança, logo a madrugada se aproxima e também vai embora com certa rapidez. Estela passa a noite ao lado da irmã no hospital. Maurício pensa em tudo que aconteceu. A manhã chega e Maurício consegue adormecer, assim como Estela, que descansa na poltrona. O dia logo passa, Carmen é avisada por Estela do que aconteceu com Bianca, e então se junta as filhas no hospital.

DIAS DEPOIS 

Os dias passam, em Pedra Fina, Márcia começa a frequentar com mais assiduidade a casa do amigo Manoel, muito mais na intenção de conquista-lo do que qualquer outra coisa. Manoel por sua vez não dá tanta importância à Márcia, pois para ele, ela sempre será somente amiga.


CENA 4: BAIRRO ROMANO | CASA DOS FERREIRA | SALA DE JANTAR | INTERIOR | MANHà

Clodoaldo e Rosa estão tomando café quando Maurício se junta a ele. Maurício está sério, mal olha para os pais. Rosa para um pouco e encara o filho.

ROSA: – Não há nada que a gente possa fazer, filho? – Questiona, desejosa por ajudar o filho de alguma maneira.

MAURÍCIO: – Não há, mãe. Eu também resolvi deixar para lá. A Estela prefere acreditar na louca da irmã dela do que acreditar em mim. Eu vou trabalhar, focar no trabalho e deixar que o tempo mostre a verdade.

CLODOALDO: – Um dia a verdade vai aparecer, filho, pode acreditar e aí sim você poderá viver esse amor com a Estela.

MAURÍCIO: – Eu não sei se vou querer mais viver esse amor… A Estela não acredita, não confia em mim, então é melhor que o tempo leve tudo isso embora para sempre. – Afirma com o coração cheio de mágoa.


CENA 5: ONDAS DO PARAÍSO 

As ondas batem no paredão de pedra e espirra água para muitos lados. Pescadores em Alto mar lançam suas redes. Algumas pessoas passam à pé em frente da casa dos Belmonte, logo um táxi para em frente a casa. Estela sai do carro, o taxista ajuda a tirar a cadeira de rodas do porta-malas.


CENA 6: ONDAS DO PARAÍSO | BAIRRO COSTEIRO | CASA DOS BELMONTE | EXTERIOR | INTERIOR | MANHà

Bianca está sentada na cadeira de rodas, Estela empurra a cadeira com todo cuidado. Estela olha para todos os lados, o táxi vai embora enquanto elas entram na casa.

Carmen vem da cozinha ao escutar que as duas filhas chegaram. Bianca se encontra empurrada, ela olha rapidamente para a mãe.

BIANCA: – Me leve para o quarto, Estela. Quero ficar um pouco sozinha.

ESTELA: – Tudo bem.

Bianca segue para o quarto com a ajuda da irmã que empurra sua cadeira.


CENA 7: CASA DOS BELMONTE | COZINHA | INTERIOR | MANHÃ

Carmen olha para Estela que entra na cozinha depois de deixar Bianca no quarto. Estela abre a geladeira e pega uma garrafa com agua, depois segue até o armário e pega um copo, Carmen a observa.

CARMEN: – Você não teve culpa, filha. – Diz ao perceber certa tristeza no olhar da filha mais nova. – E você sabe o que eu penso, o Maurício jamais faria algo assim tão cruel.

ESTELA: – Eu acredito na Bianca, mãe… O Maurício, achei que eu conhecia ele, mas não conheço de verdade.

CARMEN: – O que você está pensando em fazer, Estela? Eu te conheço e sei que você está pensando em algo.

Estela se serve com água, toma um pouco do líquido e olha para a mãe.

ESTELA: – Estou certa de ir morar com meu tio, mãe. Essa cidade não é mais para mim, não é para nós. – Responde voltando o olhar para o copo. – Eu vou reconstruir minha vida por lá e tentar esquecer toda essa decepção que vivi.

Carmen se aproxima da filha e abraça com carinho.

CARMEN: – Você não pode fugir dos seus sentimentos, filha.

ESTELA: – Eu não estou fugindo dos meus sentimentos, mãe. Eu vou, pois preciso e o tempo vai se encarregar de levar esse sentimento pela pessoa errada para bem longe. – Diz antes de se afastar do abraço da mãe.

Assim que Estela sai do abraço da mãe, ela sente uma forte tontura, e Carmen consegue segurar a filha, que desmaia nos braços da mãe.

CONTINUA

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