Linha do Tempo: O Mesmo Toque


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Não peça explicação se eu próprio não sei como explicar, e acredito que seja isso que acaba deixando tudo mais saboroso, bom, pelo menos para mim que sou um exímio amante do mistério. Com os olhos vendados, sou levado até uma nova porta, entro e logo percebo que o ambiente foi trancado.

Meus olhos então se abriram assim que um inconveniente raio de sol tocou minha face, mas logo desapareceu, depois reapareceu, ficou assim durante um bom tempo até ele aparecer completamente. Atentei meus ouvidos o máximo que pude e então consegui ouvir o barulho do mar, a sinfonia das ondas e também das gaivotas que começaram a voar em cima de mim, uma altura segura. Me pus sentado na areia da praia e assustado, com certeza eu estava perdido. Olhei para o horizonte e o que vi foi desolador, pelo menos para mim, que percebi estar muito longe de casa, mas afinal, nem eu mesmo sabia onde ficava minha casa.

Levantei devagar e senti uma pequena dor de cabeça, mas foi coisa passageira, precisava descobrir onde eu tinha ido parar. A mata próximo da praia era visivelmente virgem, então comecei a sentir alguns calafrios, isso aumentou com um barulho estranho que veio de dentro. Percebi que era melhor ficar somente próximo da areia da praia, próximo do mar, pois a mata tinha seus segredos e eu, perdido, não queria desvendar tais segredos sem antes desvendar os meus próprios.

Me lembrei da última vez que estive em terra firme. Estava eu fugindo da cavalaria do rei, e sem saída me vi diante de um rio amedrontador que eu preferi não temer mesmo não acreditando que pudesse sobreviver à queda com a qual eu fui presenteado minutos depois de ouvir a ordem para que os arqueiros lançassem suas flechas. Mergulhei nas águas raivosas, mas que mesmo assim foram acolhedoras.

Eu precisava saber onde eu estava, precisava encontrar uma saída definitiva daquele labirinto invisível que eu fui me colocar. De repente atentei novamente meus ouvidos e consegui ouvir barulho de tambores, mas não foi só isso, também me deparei com olhos afoitos me vigiando por entre as folhas dos arbustos. Não tive tempo de reação, só pude me abaixar e logo senti que estava cercado, assim que olhei de canto de olho, percebi serem pessoas diferentes das que eu estava acostumado a ver, eram pessoas que não tinham quase ou nenhuma roupa,  definitivamente eu não consegui defini-los. A forma de falar também era peculiar, eu não entendia absolutamente nada, estava com certeza bem complicado, mas algo que vi me surpreendeu muito, pois a minha frente, uma daquelas pessoas, que logo percebi ser um tanto diferente dos demais, estendeu sua mão, e eu mesmo com receio, segurei e consegui me levantar. O toque daquela mão não me era estranha, e aquele rosto único era muito familiar, mas as pinturas em seu rosto e corpo me impedia de ter a certeza absoluta.

Confuso eu fiquei, pois agora estava sendo ajudado por todos aqueles desconhecidos, diferente do lugar onde eu vim, ali eu recebia tratamento de igual para igual, onde não existia rico ou pobre. Assim que a noite se aproximou, me sentei próximo ao mar, mas o vai e vem das ondas não alcançavam meus pés. Senti um arrepio e logo um calor ao ser tocado no braço, levantei a minha cabeça e deparei com a mesma pessoa de sempre. Não sei o motivo de ainda ficar surpreso, mas ao vê-la, percebi também que havia começado um novo ciclo e que aquelas águas do rio no qual eu pulei haviam feito o seu trabalho perfeitamente

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