O Mago: Capítulo 1 – A Reversão (Quarta Temporada)



O Reino de Viturius não foi mais o mesmo desde o banimento daqueles que o protegiam com suas vidas. Um período de tempo que fez o mal renascer e tomar o domínio em suas mãos do Sul ao Norte, do Leste ao Oeste. Todo o Reino pereceu nas mãos de um ser de treva. Dor e sofrimento assolaram todo um povo que não teve como escapar.

Aron e Alim já passaram por muitas coisas juntos, possuem um currículo bastante extenso de tudo que já enfrentaram no Reino de Viturius, lar inesquecível. Naquela terra mágica, Aron conheceu o amor de verdade depois de ser magicamente designado para cuidar, na época, do jovem Príncipe que era todo seguro de si, mas que na verdade sempre quis protegê-lo e não ser protegido, mas a sua magia muitas vezes lhe impedia de conseguir seu intento. O amor só cresceu naquele reino, apesar de às vezes Aron sofrer calado com o peso da consciência, pensava até mesmo não ser digno de tanto poder, de tanto amor.
Aron se lembra muito bem do que levou às suas retiradas do Reino que era lar de todos, ele e seus amigos tentaram de tudo para impedir o feitiço de Zaro, mas o bruxo conseguiu obter poderes inimagináveis para a realização do mesmo, e de certa forma, todos eles agora estavam em um Reino sem magia, quer dizer, possuia magia, mas tão pouca que não dava para ser notada, e eles não poderiam usar seus dons como usavam em Viturius.
Completavam três semanas no tempo normal de Nova Metrópole e alguns meses no tempo viturioso, que chegaram na terra onde a magia não se faz tão presente, de início não sabíam como e onde viveríam, mas Perion, o aprendiz de Aron, os levou para morar na antiga casa dele, uma casa que se fez confortável, Alim ficou um pouco constrangido, mas não deixou isso transparecer. Ainda não haviam se adaptado completamente àquela vida ‘quase sem magia’, mas também acreditavam que seria por pouco tempo até acharem um modo de voltarem para casa e de lá nunca mais sair. Os vizinhos não desconfiavam de quem eram, e para evitar chamar a atenção, disseram que eram parentes de Perion, ninguém sabia de fato se acreditaram, mas pararam de fazer perguntas tolas.
A noite em Nova Metrópole se fazia muito diferente das noites de Viturius, mal puderam ver a lua direito, e os cantos dos animais fantásticos que habitavam toda aquela região. Os passos de Aron começaram lentos, então ele seguiu até a sala um pouco mais depressa, onde estava Oniria, Moran, Eran, Galbo, Lion e Perion. Não viu Alim, então se preocupou.
– Você viu o Alim? – Aron perguntou para Oniria, a melhor guerreira que já existiu no mundo de magia, ela dominava a espada como ninguém jamais dominou.
– Ele está lá fora, Aron e me pareceu chateado – respondeu, sempre educada, era de se admirar como ela não perdia a paciência de forma alguma, se mantinha firme em todas as situações.
Aron andou mais um pouco e olhou para o alto da escada, Galbo com certeza tentava acalmar o coração do irmão do mago mais uma vez, pois Lion se demonstrou bastante abalado com tudo que lhes aconteceu, mas Aron confiava em Galbo, amigo de todos e guerreiro, ele conseguiria acalmar seu irmão. Quando Aron foi cruzar a porta, Eran lhe cercou com um sorriso no rosto, sorriso esse que ele conseguiu manter apesar de estar sofrendo com tudo o que aconteceu.
– Você já tem uma resposta, Mestre? – Perguntou se mostrando ansioso para saber se Aron conseguiu criar um contrafeitiço que os levassem de volta para Viturius.
– Prometo que darei essa resposta logo, Eran, não fique tão ansioso – Respondeu-lhe segurando sua mão com um carinho fraternal.
Aron finalmente conseguiu sair da casa e avistou Alim sentado no gramado olhando de forma encantada para a espada. Aron se aproximou com cautela e se sentou ao seu lado na grama verde, ele, o rei, até então não o olhou. A tarde já parecia querer se despedir, era possível observar os últimos raios de sol, que já se preparava para se pôr. O Mago Aron tocou sua mão como uma pena toca o solo, e sentiu os poucos pelos de seu braço se arrepiarem.
– Está chateado comigo? – Perguntou percebendo o semblante pouco usual do rei.
Alim então deixou de vislumbrar sua espada e se pôs a olhar nos olhos do jovem mago, algo que ele sempre fez, sempre conversou olhando nos olhos dos outros.
– Estou chateado… mas não com você, Aron. Estou chateado pelo fato de mais uma vez ter falhado com meu povo, ter falhado com o equilíbrio – Respondeu levantando sua mão e tocando a face de Aron, o toque dele sempre lhe desconcentrou e causou arrepios. – Ter falhado com você – Concluiu deixando algumas lágrimas mais afoitas correrem por seu rosto.
– Você não falhou comigo, não falhou Alim. Todo rei tem uma derrota, não são todos que vencem, pode ser ruim o que estou dizendo, mas é a verdade, porém uma verdade maior é de que você deu o seu melhor, assim como todos que estão aqui – Aron disse avançando para abraçá-lo e tentar fazer com que o rei diminuísse tal angústia. Alim lhe envolveu em um abraço tão aconchegante que parecia ser mesmo o mago que necessitava de um levantar de autoestima. Ele olhou nos seus olhos mais uma vez, e pronunciou as palavras que nunca deixariam de serem necessárias.
– Eu amo você – Ele Disse sem dar tempo para que Aron pudesse mais uma vez dizer que também o amava, lhe beijou de uma forma mais intensa, parecia que resgatava aquilo que a ilusão o fazia acreditar que esteve perdido.
Aron sorriu ao desgrudar seus lábios dos lábios de Alim, que depois de muito tempo abriu um sorriso lindo, e envolveu o amado no seu mágico abraço.
– Eu preciso lhe contar uma coisa – Aron falou próximo do ouvido dele. Parecia que tudo que o mago fazia, mexia com ele de alguma forma.
– O que você tem para me contar? – Alim perguntou mantendo Aron entre seus braços.
– Eu consegui descobrir o contrafeitiço. – Aron Respondeu com um sorriso de canto.
Alim pareceu não acreditar no que Aron lhe dissera, mas sorriu confirmando que acreditou sim. Ele abraçou o mago mais forte ainda, o abraçou como se houvessem ficado muito tempo longe.
– Amanhã iremos até a praia e lá eu realizarei o contra feitiço – Informou enquanto deixava de abraçar Alim, que tocou em seu rosto com muita ternura.
– Obrigado! – Alim o agradeceu enquanto lhe olhava com seus olhos sempre acolhedores e que faziam com que Aron mergulhasse sem medo algum.
Quando eles entraram na casa, parecia que todos esperavam ansiosos pelos dois, que sorriam, um sorriso que confirmava o que estava por vir. Os presentes naquela sala também se alegraram, pois pareceu ser chegada a hora de retornarem para o Reino de Viturius. Aron caminhou até o centro da sala, ao seu lado, Alim. O Mago podia sentir o olhar de seus amigos sob ele.
– Aqui nesse mundo parece que foram poucos dias, mas não foram meus amigos. Não sabemos o que de fato está acontecendo em Viturius, nem sabemos como está a situação por lá, porém vamos enfrentar todos os perigos, os mistérios que se instalaram, para que possamos viver em paz. – Alim falou com todos os presentes. Ele olhou para Aron que sorriu ao vê-lo confiante.
– Quando iremos? – Lion questionou com um pequeno sorriso. Aron o olha e sorri, os irmãos se entenderam.
– Iremos amanhã mesmo logo que eu fizer o feitiço da reversão. – Aron responde ao questionamento do irmão, que por sua vez pode sentir a confiança dele. Aron girou um pouco seu corpo e olhou para todos de forma enigmática. – Precisarei da magia de todos, precisarei que todos estejam comigo na realização desse contra feitiço, pois só assim para que haja êxito. – Informou sem deixar nenhuma dúvida do que precisava.
Perion, Eran, Lion e Oniria balançam suas cabeças de forma positiva enquanto são observados pelo rei e pelo mago, que abriram um novo sorriso. O sol se pôs naquela passagem da tarde para a noite, todos estavam nitidamente ansiosos para o que aconteceria no novo dia que não demoraria a chegar.

Aron foi o primeiro que despertou na casa toda, ele se sentou à beira da cama, observava como o rei dormia, depois olhou para suas próprias mãos, fechou os olhos por poucos segundos, e logo voltou a abri-los, a íris se encontrava em uma cor violeta. Aron se pôs de pé e estendeu a mão esquerda na direção da cortina.
Erepra Gronza Soriefrea – Ele pronunciou o feitiço, logo a cortina branca se esticou toda, então imagens começaram a aparecer em toda sua extensão, eram imagens do Reino de Viturius.
O Mago não percebeu, mas Alim despertara e olhava admirado aquilo tudo, mas muito mais do que admirado, e sim também assustado pelas ruínas em que o reino se encontrava.
– Temos de fazer alguma coisa! – Exclamou o rei já se pondo de pé. O feitiço de Aron foi desfeito, ele então olhou para Alim.
– Faremos, Alim. – Afirmou, confiante. Aron se aproximou de Alim e o abraçou bem forte enquanto entrava na mente de todos que estavam na casa dizendo para que despertassem.
Não demorou muito, uma hora depois todos já se encontravam reunidos no centro da sala, alguns com pouco, outros com muito sono. Alim segurava sua espada forjada no fogo do Dragão enquanto Oniria segurava a dela. Eran, Perion, Moran, Galbo e Lion também estavam alí, prontos para qualquer coisa. O que aconteceu em seguida foi a demonstração da magia que jamais deixaria os seres de Viturius. Oniria levantou sua espada enquanto Aron atingiu a lâmina de tal arma com um de seus feitiços poderosos, e tão logo se viu uma luz brilhante ser emitida como se fossem ondas e a espada saiu das mãos da guerreira, e flutuou pelo Centro da sala, à medida que suas ondas se propagavam, todos alí presentes desapareciam, até que não restou mais ninguém no recinto, até mesmo a espada sumiu depois de realizado o transporte das pessoas.
Não demorou muito para que todos aparecessem na praia de Nova Metrópole, então a espada parou de brilhar e retornou para as mãos da sábia Oniria. As ondas do mar pareciam ter ficado lentas, as coisas ao redor passaram a mesma impressão. Aron, o mago, se pôs próximo da água e olhou ao entorno, sorridente, logo estendeu sua mão em direção a cidade.
Mes Atsiv Oan Ocsir – pronunciou com um domínio impressionante, o feitiço da invisibilidade, para que ninguém de Nova Metrópole pudesse ver o que ocorreria alí. Uma camada visível apenas aos olhos de quem possuíam magia se formou no entorno da praia, que pareceu ficar mais silencioso ainda.
Todos aguardavam já com enorme ansiedade a realização do feitiço que quebraria o outro feitiço responsável pelo banimento de todos. Aron olhou para Eran, Perion, e seu irmão Lion, que se puseram à frente do mago.
– É chegada a hora – disse o mago Aron com extrema alegria, então se aproximou dos amigos. – todos devemos estar com o pensamento direcionado à Viturius, devemos ter a certeza de que nossos corações também querem tanto isso quanto as nossas mentes – Informou com uma liderança mágica, que só ele sabia ter.
Alim, Oniria, Moran e Galbo os acompanhavam com os olhos e a expectativa também era grande, todos desejavam profundamente voltar para casa, voltar para onde não deveriam ter saído, pois se sentiam estranhos em um local onde não podiam ser eles mesmos, não podiam usar seus dons sem serem taxados de estranhos.
Aron e os outros se puseram um ao lado do outro de forma que ficaram olhando para água do mar, para as ondas que ainda pareciam se movimentar em câmera lenta. O mago conseguia ver que todos estavam conectados e que também desejavam com igual ou maior vontade retornarem para a casa.
– Repitam comigo! – pediu enquanto voltava a estender a mão esquerda, assim como outros também fizeram. – Zerepret Remaza Ecriti Relarus Introvanto retornu Virmientra – Disse e esperou que todos também repetissem o que ele dissera, então se alegrou mais ainda ao ver que todos repetiram de forma fiel. O feitiço foi feito, uma grande quantidade de água começou a se levantar do mar formando um círculo constante, logo no seu meio começou a se formar algo semelhante ao vidro de um espelho, Aron sorriu. Alim se aproximou do Mago.
– Está feito? – Perguntou, admirado com o que via.
Aron o olhou com seus olhos cheios de verdades e sorriu como não havia sorrido em dias anteriores.
– Está feito, Alim. – Respondeu com grande alegria. – Partamos? – Indagou com um sorriso advindo da alma.
Aron seguiu primeiro sob o olhar atento de todos os outros, logo eles também o seguiram e um por um cruzaram aquele enorme círculo que se formou. Eles atravessaram o mágico portal, mas não foram barrados como das outras vezes que tentaram. Assim que o último concluiu sua passagem, o portal se fechou e a grande quantidade de água retornou para o mar, a barreira invisível criada por Aron também se desfez por completo.


Reino de Viturius
Todos se arrepiaram assim que retornaram ao lar, olhavam boquiabertos tudo aquilo defronte deles. Todos os lugares que antes respiravam vida, já não faziam mais isso, naquele momento já respiravam morte, mostravam a morte. O Castelo de Viturius estava em pedaços, ruínas incessantes, não se via muita luz em lugar algum, tudo parecia perdido. De um grande espelho, uma criatura com os olhos vermelhos em brasa, observava tudo atentamente. O mal conseguiu tomar conta de toda terra que um dia gozou de uma paz impressionante. Alim se ajoelhou no chão, penalizado por tudo que viu, se culpando por ter deixado o reino cair de uma maneira tão obscura. A criatura continua observando todos que chegaram. Aron abraçou Alim, podia sentir a dor que o rei sentiu ao ver tudo aquilo.
– Conseguiremos reconstruir tudo, Alim, você verá – Afirmou o mago enquanto abraçado ao rei, que se encontrava desolado.

CONTINUA

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