Filho da Neve: Capítulo 8 (Segunda Temporada)


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Ilon continua a olhar para Ermeroc, que por sua vez busca uma saída daquele lugar, já que depois de tudo que viu, tem certeza de não poder combater o verdadeiro filho da neve, que o encara com muita raiva enquanto Marfel agoniza ainda sobre o domínio da serpente de gelo, um feitiço controlado por Ermeroc. Savo olha  com muita apreensão para o rei e o bruxo a sua frente, tenta usar todas as suas forças para quebrar o feitiço que o prende a parede, mas não dá certo.

– Chega disso tudo! – Ilon esbraveja, cansado de tal jogo que parece nunca ter fim. Ele vira rapidamente para Marfel, que deixa a espada que empunha, cair na neve. Marfel  se ajoelha com uma extrema dor de cabeça, algo que beira o insuportável. Ilon não suporta ao ver o quanto Marfel sofre. – É a mim que você quer e não meu irmão, Ermeroc. O solte e você me terá! – Ele propõe, certo  do que está fazendo.

Com certa dificuldade, Marfel levanta seu olhar em direção à Ilon, os dois se olham, parecem se conectar.

– Minha vida não vale tantas vidas que há por aí. – Afirma com muita dificuldade. – Faça o que for melhor para o Reino, Ilon. Felito precisa mais de você. – Marfel conclui antes de perder os sentidos.

Ilon volta seu olhar para Ermeroc, que com toda sua maldade, se diverte ao ver o desespero nos olhos de Ilon, olhos esses que perdem sua cor original ao imaginar que Marfel perdera sua vida, um branco azulado toma conta de sua íris, ele se aproxima como um raio de Ermeroc, que é pego de surpresa. O rei de Felito  tem em suas mãos, o pescoço de Ermeroc.

– Você não é igual a mim, Ilon. Vai querer mesmo se tornar um assassino? – Ermeroc questiona enquanto sente Ilon apertar seu pescoço. A armadura do rei começa a desaparecer, assim como a cor de seus olhos passam a ser vermelhos. Ermeroc sente como se seu corpo tivesse queimando e toda sua magia desaparecendo.

– Não me tornarei um assassino, mas você não ficará impune, não vai tirar as vidas dos meus e dará as costas como você sempre fez, como posso ver em seus olhos. Erebraza Dronxa. – Ilon pronuncia, logo a temperatura começa a subir em ambos os corpos, porém o feitiço somente atinge Ermeroc, que abre a boca deixando que uma criatura pequena semelhante a uma  fada, saia.

– Obrigado! – Agradece a criatura ao começar a voar livremente. Os olhos de Ermeroc saltam, ele parece não acreditar que tal criatura vivia dentro dele, que desmaia, sem forças alguma.

Os olhos de Ilon voltam ao seu estado normal, assim como ele próprio, que corre até o corpo de Marfel, que se mantêm desacordado. Savo, liberto do feitiço que o aprisionava, se aproxima do rei.

– Creio que não há mais nada que possamos fazer, Ilon. Ermeroc usou a serpente de cristal e ela deve ter sugado toda a energia vital de seu irmão. – Savo diz, entristecido.

Ilon abraça o corpo de Marfel, um corpo frio, mais frio por causa da Neve do que qualquer outra coisa. O rei parece não  acreditar que Marfel tenha partido.

– Ele não pode morrer, Savo! – Grita, desesperado acolhendo ainda mais o corpo imóvel de Marfel. – Há tanto para ser dito, há tanto para conversarmos, há tanto pra vermos juntos. – Ilon lamenta enquanto começa a chorar copiosamente. Suas lágrimas caem sobre Marfel, que por sua vez aparenta não ter sinal vital algum. Uma camada fina de gelo começa a se formar em torno do da pele do jovem, Ilon continua a chorar.

Savo retira o espelho de dentro de seu casaco e o levanta, o objeto os suga para dentro por meio de uma luz intensa. Assim que desaparecem, as nuvens espessas também se vão e a noite sem lua se faz presente.

O primeiro raio de sol adentra por uma das janelas do salão principal e ilumina um corpo posto sobre uma mesa gigante, no salão apenas o rei Ilon, que se mantêm em pé ao lado da mesa, seus olhos estão um pouco inchados devido ao choro que perdurou o restante da madrugada. Ilon toca a face de Marfel, a película de gelo que se formou então se abre e permite que ele sinta a pele do outro.

– Deixá-lo morrer foi um grande erro. – Ilon afirma enquanto segura a mão de Marfel. – Eu nunca vou me perdoar por isso, nunca vou me perdoar por não ter lhe escutado, por não ter visto tudo o que estava acontecendo com você. – O rei apoia sua cabeça no peito de Marfel, pensa em tudo que eles viveram desde criança, ele abre um sorriso com tais lembranças. – Você sempre foi mais do que um irmão para mim, você sempre foi a fonte de toda a força que eu obtive antes de tudo isso se revelar. – Ilon revela.

A porta do salão então se abre e Savo entra, os guardas tornam a fechá-la. O guerreiro caminha com uma certa rapidez até o rei Ilon, os dois se olham, uma certa insegurança se instala no local. Ilon percebe um som já conhecido, logo ele percebe que o coração de Marfel ainda bate, mas de forma fraca, ele então se levanta e enxuga muitas de suas lágrimas, Savo o olha sem entender nada.

– Ele ainda vive! – Ilon diz com empolgação.

Savo o olha, parece não acreditar no que ouviu da boca do rei, ele fica alguns segundos parado observando Ilon, que passa a mão sobre a face de Marfel.

– Isso não é possível, soberano! – Savo contesta acreditando que não seja verdade tal fato.

– Ele está vivo, Savo, acredite! O Marfel não está morto. – Ilon diz com muita certeza nas palavras pronunciadas. – Eu tentarei uma última coisa, não posso perdê-lo, não posso deixar essa chance escapar de minhas mãos.

Savo fica ainda mais confuso, pois sequer pode imaginar do que seu soberano fala, mas assim que Ilon aproxima seu rosto do rosto de Marfel, ele entende. Ilon faz com que a película de gelo desapareça de todo o corpo de Marfel, e lentamente toca seus lábios nos lábios do outro, os olhos do rei mudam para um vermelho intenso, a temperatura já não é mais a mesma de segundos atrás, o toque, agora um beijo intenso amparado pela magia habitante da pessoa do rei faz com que o rapaz desperte outra vez para a vida. A porta se abre com violência fazendo com que Ilon pare o beijo, próximo da entrada está Morxa com sua não esquerda estendida fazendo um campo de energia, atrás dela é possível ver os guardas caídos, BA certa, desmaiados ou até mesmo mortos.

– O que a senhora está fazendo? – Savo questiona. Ele não recebe resposta, não a que desejava, assim que Morxa o olha, é de imediato jogado contra a parede,  desmaiando em seguida.

– Não quero intrometidos. – Ela diz, sorridente enquanto volta a caminhar na direção do rei, que parou o seu beijo em Marfel. – Se eu soubesse que isso poderia acontecer, o teria matado no baile mesmo, Ilon, o rei mais insignificante que Felito já teve, imagine! – Debocha. – Esse beijo era pra ser unicamente de minha sobrinha, somente para ela seriam seus beijos, mas você estragou tudo quando beijou esse rapaz.

Ilon fica boquiaberto com a raiva que a desconhecida senhora sente, ele olha para Marfel que está com os olhos abertos e segurando sua mão de forma firme. Morxa então para na extremidade Sul da mesa e sorri de forma maquiavélica.

– O que a senhora quer de mim? – Ilon questiona. Ele não consegue entender de onde vem tanta raiva que a senhora um pouco distante dele, externaliza.

– Eu já não quero mais, meu caro. – Morxa responde. – Você e ele morrerão, a felicidade do Reino novamente vai acabar e eu sim serei a rainha que o povo merece.

– Sem felicidade não há Reino! – Ilon contesta.

– Que seja! Não preciso da felicidade para o que pretendo fazer, para o que pretendo construir, pois na verdade eu quero é desconstruir, destruir tudo o que todos mais prezam. – Morxa afirma com grande certeza da maldade que pretende realizar.

– Não deixarei que seus planos aconteçam! – Ilon desafia. Ele beija a mão de Marfel e a solta, os olhos do outro, ainda debilitado, acompanha seu afastamento.

– Minha magia é mais antiga que a sua, eu sou mais experiente que sua pessoa, acha mesmo que simples como são seus dons, você pode me derrotar? – Morxa pergunta enquanto desdenha da magia do filho da Neve. – Sua magia é para criança, é para espetáculos baratos. Seritra Zetanvra. – Ela pronuncia o feitiço, que é lançado rapidamente na direção de Marfel.

– Relzabra Eripra. – Ilon pronuncia e na sua frente forma um paredão visível somente aos seus olhos, que permite o desarmamento do feitiço de Morxa.

– Terá que dar muito mais se quiser salvar aos seus. – Morxa ameaça, logo em seguida começa a lançar diversos feitiços na direção de Ilon, que vê pouco a pouco a barreira que criou, sendo totalmente destruída.

Um grito ensurdecedor pode ser ouvido, Ilon que olhava para Marfel, volta seu olhar para frente e vê uma lâmina atravessada no corpo da bruxa Morxa, logo uma luz intensa toma conta do lugar e o corpo da velha se torna pedra, logo explode, restando apenas pequenos pedaços. Ilon olha  para o homem que empunha a espada, aparenta ter o dobro de sua idade ou mais que isso, ele usa uma coroa semelhante a sua, os dois se encaram.

– Onde está minha filha? – O rei Serob questiona de maneira enfática.

Alguns passos são ouvidos atrás dele, que se vira e fica admirado ao ver Alva, que por sua vez mesmo sem ter visto muito seu pai, consegue recomhecê-lo com seu coração. Serob se aproxima com a saudade acumulada de vinte anos, o tempo em que já não via sua filha.

– Realmente é você, filha! – Exclama, emocionado ao reconhecer o colar forjado no fogo da felicidade.

Alva, livre do feitiço que sua tia usou por tanto tempo, se vê pela primeira vez pronta para fazer o que seu coração pedisse. Ela abraça Serob com grande intensidade e chora em seu ombro, aliviada por estar liberta.

– Eles lhe fizeram algum mal, Alva? – Serob questiona em meio ao choro da filha.

Alva levanta seu olhar e olha diretamente para Ilon, seus olhares se cruzam.

– Minha liberdade só foi possível graças ao rei Ilon, pai. Eles não me fizeram mal algum, pelo contrário, o que houve aqui permitiu que meus  olhos enxergassem  a verdade. – Alva responde ao questionamento do pai e o turbilhão de sentimentos a faz esboçar um leve sorriso na direção de Ilon e Marfel. – Obrigada. – Os lábios dela mexem, mas nenhum som é ouvido.


Ilon, da sacada de seu quarto, observa o cavalo com o rei e a princesa de Deran seguirem pelo caminho que adentra a floresta. A neve deu uma trégua, agora o que se vê é um campo úmido com certos pontos de neve ainda em derretimento, o vento frio que sopra faz com que Ilon se arrepie, ele olha para o lado e vê Marfel próximo, os dois se olham como nunca se permitiram olhar.

– O que acha de fugirmos? – Marfel pergunta, sorridente.

– Só tem uma semana que tudo aconteceu e você já está pensando em fugir novamente. Mas confesso que essa proposta é tentadora. – Ilon sorri.

– Agora essa fuga pode ser melhor ainda. – Marfel afirma enquanto se aproxima um pouco mais de Ilon. – Temos mais do que tínhamos, somos mais do que éramos. – Diz ao tocar a face de Ilon, que  por sua vez se arrepia mais ainda. Marfel toca os lábios de Ilon com os dedos e se vira, sorrindo. – Espero você lá embaixo.

Ilon olha Marfel se afastando, seu sorriso é de orelha a orelha, assim que ele não o vê mais, começa a caminhar. O rei deixa seus aposentos e caminha pelo corredor olhando para todos os lados, desce os lances de escada e sai no pátio principal, próximo do portão ele avista Marfel próximo de dois cavalos, então se aproxima.

– À nossa liberdade! – Marfel diz enquanto entrega as rédeas do cavalo mais avermelhado para Ilon, que monta rapidamente. Marfel faz o mesmo com o outro cavalo.

– À nossa felicidade! – Ilon diz ao começar a galopar ao lado de Marfel.

Ilon e Marfel logo disparam em seus cavalos e saem do Castelo, sorridentes.

Para Um Fim, Um Novo Recomeço 

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