Marcas do Viver: Uma Noite


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Muitos nesse mundo são perseguidos apenas por amar, por querer serem amados, por desejarem viver da forma que os fazem felizes. Esses muitos são atirados do lugar mais alto existente e caem no mais profundo dos abismos, uma queda livre que os força pensar se haverá o que ser feito depois que o corpo tocar o solo, os força a pensar se haverá uma vida após a queda.

Hugo, um rapaz honesto, trabalhador sempre preocupado com o bem estar de sua família que se resumia em um irmão mais novo, Vicente, sua mãe, Dulce, que sofria de uma doença grave e sua vó, dona Conceição, uma senhora muito sã e que nem mesmo aparentava a idade que tinha. Hugo seguia todos os dias, fazia sol ou chuva, para o trabalho que ficava do outro lado da cidade onde sempre viveu, um rapaz que contava com seus vinte anos, e que só desejava ser feliz, encontrar a pessoa certa para completar isso tudo, para deixar de certa forma, tudo mais colorido.

Hugo voltava do trabalho, e por conta de alguns problemas com o transporte coletivo, ele seguia à pé pela calçada, faltava mais ou menos três quilômetros para que ele chegasse em casa e depois no outro dia recomeçar tudo outra vez. Uma chuva fina de inverno começou a cair, mas logo ficou encorpada e começava a deixá-lo ensopado, então assim que avistou uma marquise, se abrigou alí até a chuva passar. Não foi só Hugo que tivera a mesma ideia, logo dois homens também se aproximaram e se abrigaram alí também, conversavam banalidades até que avistaram Hugo em um canto mais afastado, logo se aproximaram, ele ficou mais quieto do que o normal, evitava olhar para cima.

– Ele parece ser mudo, Bernardo. – Disse um dos caras mau encarados. – Você não fala, criatura? – Peguntou com sua voz semelhante a um trovão horrível.

Hugo teve uma sensação esquisita ao ouvir tal pergunta, se manteve calado em seu canto, mas os outros dois homens fizeram o contrário, e irritados com o silêncio do jovem, eles começaram a intimidá-lo, e mesmo na penumbra, Hugo conseguiu notar uma gana de ódio naqueles que agora os cercavam.

– Ele está me parecendo com um daqueles da semana passada, Júlio. Percebeu como ele está intimidado? Ele nem mesmo parece homem. – Disse o outro de forma sarcástica e com muito deboche.

Hugo se sentia acuado, a chuva continuava forte e ele só queria sair dalí, pois sentia o que estava prestes a acontecer. Hugo então se agarrou às sua coragem adormecida e correu, mas quando olhou para trás viu que estava sendo perseguido por Bernardo e Júlio, ele então apertou o passo com medo de ser apanhado. Hugo ouvia diversos tipos de xingamentos enquanto corria o mais depressa possível, queria estar livre dos que agora estavam atrás dele, ele pensava na família que amava muito, pensava nos casos semelhantes que já ocorreram. Hugo só parou quando sentiu um baque muito forte, parecia que algo havia se partido, pareceu que algo havia terminado.

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