Amor Indomável: Capítulo 8

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2017, Centro-oeste do Brasil 

CENA 1: Sonhador, Casa de Frederico, Interior, Tarde 

Frederico concorda com Rubens, ele caminha em direção a janela e fica pensativo, a memória vem e ele se pega lembrando dos beijos e abraços de sua amada, dos bons momentos que passou ao lado dela antes de serem separados. Em seus pensamentos, Frederico cogita a possibilidade de contar o pouco que sabe de Perpétua, mas teme que o amor de sua vida nao lhe dê crédito, seus olhos se enchem de lágrimas.

FREDERICO: – Não posso arriscar em perder o amor dela para sempre.

RUBENS: – Você só perderá se quiser que isso aconteça, Frederico. Não fique pensando muito nisso, pois é capaz de você enlouquecer. Resolveremos tudo isso logo logo.


CENA 2: Fazenda Serrado, Campo, Exterior, Tarde

Olavo coloca as mãos no rosto, chora copiosamente enquanto se lembra do que escondeu durante todo esse tempo. Laura o abraça de forma amigável vendo o quanto é difícil o que Olavo tem para lhe contar.

LAURA: – Se você não quiser contar, eu entenderei, Olavo. Não precisa se sentir forçado a nada.

OLAVO: – Eu preciso contar, preciso colocar para fora tudo o que ne deixa agoniado durante tantos anos. Eu não posso esconder mais nem de mim mesmo esse segredo. – Diz enquanto olha nos olhos de Laura. – Eu não sei por onde começar, pois são tantas coisas que me deixa embaralhado. Me promete una coisa, Laura?

LAURA: – Diga, Olavo.

OLAVO: – Não sinta nojo de mim, por favor. Isso pode parecer estranho, mas é algo que pode deixar algumas pessoas assustadas.

LAURA: – Eu prometo, Olavo. Agora se possível, me conte o que tanto deixa você aflito. – Diz mantendo seus olhos nos olhos de Olavo.

OLAVO: – Bom, tudo começou quando eu me mudei para cá… – Olavo começa a contar enquanto Laura ouve atentamente.


CENA 3: Sonhador, Casa de Paco, Sala, Interior, Noite

Paco acabara de voltar a cidade, uma cidade que ele deixou para trás contra sua vontade. Ele caminha de um lado para o outro na sala de casa que um dia foi de seus pais, ao mesmo tempo que mantêm um leve sorriso no rosto, ele também está aflito.

PACO: – Espero que tudo aquilo não volte. Espero viver minha vida em paz, apesar daquele amor não ter morrido dentro de mim. Faltou coragem de ambas as partes para que ficássemos unidos. – Diz ao parar próximo da janela e começar a ter certas lembranças do passado. – Vou viver a minha vida mesmo querendo sair daqui e ir atrás do que eu deixei incompleto.


CENA 4: Campo Grande, Edifício Cordial, Apartamento de Frederico, Sala, Interior, Noite

Samira sai do quarto com duas malas de rodinhas, aparenta estar feliz. Ela segue até a porta, pára e olha para toda a sala.

SAMIRA: – Eu sei que ele me trata apenas como uma fiel amiga, mas estou disposta a fazer  com que isso mude para sempre… eu vou fazer com que isso mude. – Afirma, sorridente. Ela deixa as malas e abre a porta. – Ele será meu, só meu.


CENA 5: Fazenda Serrado, Casa, Quarto de Laura, Interior, Noite

Olavo está próximo da janela,  pensa em tudo que contou para Laura, que por sua vez está sentada na cama.

OLAVO: – Eu pensei que você me acharia um nojento por conta disso.

LAURA: – Eu jamais pensaria isso de você. É uma forma de amor saudável como todas as outras, veja bem. Agora eu é quem estou com vergonha, pois você se casou comigo mesmo não sendo de seu gosto.

OLAVO: – De certa forma, sim, mas eu também não queria que você ficasse mal falada na região, pois você sabe como era naquela época e ainda é… E você não está oficialmente casada comigo, Laura.

LAURA (Surpresa): – Como assim, Olavo?

OLAVO: – Aquele documento é falso. Foi a única maneira que eu encontrei para não deixar que você fizesse uma coisa que se arrependeria depois.

Laura se levanta da cama e no impulso, abraça Olavo.

LAURA: – Eu não sei como te agradecer por isso. Sei que parece algo muito frio de dizer, mas isso é muito importante para mim.

OLAVO: – Você ainda tem esperança de estar com o Frederico?

Laura se afasta de Olavo, que percebe certa tensão.

OLAVO: – Desculpa, eu não deveria me intrometer.

LAURA: – Não é isso. Se eu disser que não tenho esperanças estaria mentindo, ainda mais com ele de volta. Eu nunca poderia me esquecer dele por mais doloroso tenha sido o que ele fez comigo.

OLAVO: – Você se apegou muito a essas cartas, Laura. Você tem de ouvir a verdade da boca dele, somente ele poderá dizer se ele fugiu mesmo ou não. Papéis são materiais que podem muito bem serem alterados.


CENA 6: Sonhador, Casa de Paco, Quarto, Interior, Noite

Paco retira de dentro de uma caixa de papelão, uma caixa de madeira, ele abre e vê muitas fotos, ele sorri com saudades de cada momento daquele.

PACO: – Essas fotos foram minha alegria e minha tristeza também, pois foi por causa delas que meu pai descobriu tudo o que éramos. – Diz pensando no dia em que o pai soube da verdade. – Éramos muito mais que amigos, Olavo, muito mais.


CENA 7: Sonhador, Casa de Frederico, Interior, Manhã 

Frederico sempre teve o costume de acordar cedo, e mesmo com grande poder nas mãos, mantêm o hábito. Ele está sentado no sofá tomando uma xícara com café enquanto lê o jornal, seu pensamento sai um pouco dalí e vai direto as lembranças de seu amor com Laura.

FREDERICO: – Ela está em tudo o que eu penso, tudo o que eu faço. Eu a amo demais, demais. – Afirma com um sorriso de canto.

Frederico ouve passos e olha para o corredor ao lado da escada evê Rubens vindo em sua direção com um álbum nas mãos. Rubens se aproxima e se senta ao lado de Frederico.

RUBENS: – Hoje eu darei um dos últimos passos para contar tudo para todos quem é a minha filha de verdade, Frederico. – Diz enquanto abre o álbum, a foto de uma mulher sorridente aparece. Rubens passa a mão de forma delicada sobre a foto. – Minha mulher, a mãe dela se foi por causa das maldades dela. Ela matou a própria mãe e roubou tudo o que a gente tinha. – Conta chorando.

Frederico olha assustado com a revelação, pois desde que Rubens começou a ajudá-lo, sempre soube que esse era pai de Perpétua, mas nunca soube do segredo por trás do ódio que ele sentia pela filha.


CENA 8: Fazenda Serrado, Casa, Sala/Cozinha, Interior, Manhã 

Laura despertou cedo, ela vem pela escada quando se depara com algumas malas próximo da entrada, fica desconfiada, então termina de descer, seus  olhos correm por toda a extensão da sala procurando a pessoa dona das malas, mas não encontra. Laura segue para cozinha ainda estranhando aquilo e para ao ouvir que há  pessoas discutindo.

Perpétua olha com muita raiva para Samira, que acabara de chegar de viagem.

PERPÉTUA: – Eu disse para você nunca mais aparecer aqui sua idiota, dei muito dinheiro para que você não passasse mais por essa fazenda e nem por aquela cidade de infelizes, mas parece que você fez de surda, não é mesmo?

SAMIRA: – Eu estou aqui para finalmente conseguir o que eu quero, tia. Não ofereço risco algum à senhora.

PERPÉTUA: – Além de tudo é uma burra, pois ainda não conseguiu se casar com o idiota do Frederico, ainda não conseguiu agarrar aquele homem como prometeu que iria fazer. Você é uma verdadeira inútil… saiba o que eu deveria fazer?

SAMIRA: – O que? O que, tia? Me matar como matou o tio!

Laura ouve tudo com atenção, ela perde as forças e quase cai ao chão, mas é segurada por Olavo que a leva até o sofá. Laura logo desperta e olha de maneira bastante assustada.

OLAVO: – O que houve, Laura?

Laura se lembra de tudo que ouviu. Samira e Laura saem da cozinha e entram na sala. Laura já está sentada com Olavo a amparando. Laura olha assustada para a mãe e para a prima.

LAURA: – Me tira daqui, Olavo. Eu vou pegar o Mateus e a gente vai embora daqui. – Diz antes de se levantar. Laura segue até o quarto do filho.

Perpétua olha para Olavo, que a encara com superioridade.

PERPÉTUA: – O que houve com minha filha?

OLAVO: – Eu não sei direito, mas acredito que seja algo muito grave.

Perpétua se aproxima de Olavo que não recua.

PERPÉTUA: – O que você disse à ela, seu nojento?

OLAVO: – Eu não precisei dizer nada, Perpétua.

Laura logo aparece com Mateus que carrega uma mochila nas costas. Ela não olha para a mãe e nem para a prima. Laura sai da casa junto de Mateus e Olavo.


CENA 9: Sonhador, Zona Rural, Estrada, Exterior, Manhã 

Frederico segue no carro que Rubens dirige, eles vão calados. Frederico observa o quanto a região mudou e quando passa próximo de uma grande árvore se lembra do acidente de seus pais, ele se emociona ao se lembrar.

A camionete onde está Olavo, Mateus e Laura segue em direção de Sonhador. Olavo olha para Laura e percebe a grande tristeza que ela está sentindo. Laura beija a testa de Mateus, que fica intrigado com o que pode ter acontecido com a mãe, ele segura na mão dela. Em uma curva mais acentuada, Olavo acaba por perder o controle do carro devido a velocidade, assim como Rubens que vem na outra pista e também não conseguem controlar o veículo que dirige. Ambos os veículos giram na pista antes de se chocarem de lado.

Rubens sai do carro, assim como Frederico. Laura e Olavo estão desmaiados, a porta traseira da camionete se abre e Mateus sai correndo em direção a Frederico.

MATEUS: – Eles parecem estar mortos… não quero perder ninguém.– Diz, chorando.

FREDERICO: – Calma, calma! Eles só parecem estar desmaiados. – Pede enquanto volta seu olhar para a camionete. Frederico reconhece Laura e corre até ela.

Frederico abre a porta do veículo e verifica se Laura ainda respira, ele suspira com alívio, e verifica se Olavo também respira.

FREDERICO: – Chame a ambulância agora! – Pede ao voltar seu olhar para Rubens.

CONTINUA


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