Amor Indomável: Capítulo 7

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2017, Centro-oeste do Brasil 

CENA 1: Sonhador, Edifício Comercial, Interior, Manhã 

Laura e Frederico se olham como há tempos não faziam, os olhares são os mesmos que se apaixonaram há doze anos. Laura parece estar  analisando Frederico, que também mantêm um olhar analisador, por dentro  tenta conter toda a emoção por estar novamente em frente do seu grande amor.

LAURA: – O que você está fazendo aqui? – Questiona um pouco atordoada.

FREDERICO: – Eu sou o gerente do frigorífico com quem você tem uma reunião agora. – Responde sendo um pouco firme.

Laura continua a olhar diretamente nos olhos de Frederico.

LAURA: – Eu não posso acreditar nisso, não posso! – Grita antes de abaixar a cabeça e sair correndo dalí, confusa.

Frederico fica olhando ela sair correndo, seus olhos estão marejados.

FREDERICO:  – Ela não iria acreditar em mim, não depois do que a mãe dela fez com que ela acreditasse. – Lamenta enquanto passa as mãos nos olhos de maneira que enxuga as lágrimas que insistem em cair.


CENA 2: Fazenda Serrado, Casa, Sala, Interior, Manhã 

Perpétua entra em casa, está sorridente, caminha até próximo da escada que leva até o andar de cima.

PERPÉTUA: – Parece que não há ninguém em casa… muito melhor, pois assim posso descansar tranquilamente sem encher minha paciência. – Diz seguindo para próximo do sofá maior e se sentando.

Perpétua olha para a porta do escritório e tem uma sensação esquisita, em sua memória vem o último momento em que esteve com Horácio, ela fica nitidamente assustada.


CENA 3: Sonhador, Rua, Carro, Interior, Manhã

Olavo observa a pessoa misteriosa de seu passado entrar na casa, seus olhos se enchem de lágrimas ao relembrar de tudo o que viveu.

OLAVO: – Eu mereço isso, fui um covarde ao deixar você  partir, fui um idiota com você, comigo. Eu não devia ter desistido de você, não devia ter desistido da gente.

O celular de Olavo começa a tocar, ele vê que é Laura e atende.

LAURA (Do Outro Lado da Linha): – Vem me buscar, Olavo, por favor.

OLAVO (Ao Celular): – O Que houve, Laura?

LAURA (Do Outro Lado da Linha): – Depois eu explico, Olavo. Só vem me buscar.

Laura dá por encerrada a ligação. Olavo coloca o celular no banco do carona, e antes de sair com a camionete, dá uma última olhada na casa onde está parado próximo.


CENA 4: Campo Grande, Edifício Cordial, Banheiro, Interior, Manhã 

Samira sai do quarto e entra apenas com um roupão no banheiro, seus pensamentos são em Frederico. Samira despe e entra na banheira já toda preparada para o seu banho.

SAMIRA: – Se ele pensa que eu vou ficar aqui esperando, está muito enganado. Não sou mulher de esperar.

Samira se senta na banheira e começa a pensar no passado.

Flashback 

Ano de 2005, Fazenda Serrado 

Perpétua segue pela cozinha sobe por uma escadaria pequena e dá de cara com o quarto de Samira, a porta está entreaberta, ela sorri como se já soubesse. Perpétua adentra ao quarto de Samira, que está olhando pela janela, próximo dos pés dela há uma pequena mala.

PERPÉTUA: – Que bom que você aceitou minha proposta, Samira. Isso mostra que você é inteligente como eu.

SAMIRA: – Não poderia perder essa oportunidade de conseguir tudo o que eu quero… O Frederico vai ser meu, ai, ele será meu.

PERPÉTUA: – Terá ele todo só pra você quando vocês estiverem bem longe daqui e diga a ele, convença ele de que se ele voltar, algo terrível irá  acontecer com a Laura. – Diz enquanto entrega um envelope grande nas mãos de Samira. – Aqui tem dinheiro suficiente para que você possa viver confortavelmente ao lado do seu amado.

Samira pega um envelope e sorri.

SAMIRA: – Eu não queria ter uma mãe como a senhora, nunca.

PERPÉTUA: – Pouco me importa o que você pensa sobre mim.

Fim do Flashback

Samira mergulha na água da banheira, que estranhamente começa a borbulhar.


CENA 5: Sonhador, Edifício Comercial, Rua, Exterior, Manhã 

Olavo estaciona a camionete e sai, Laura se aproxima dele, que estende a mão.

OLAVO: – O que houve lá?

LAURA: – Eu reencontrei uma pessoa.

OLAVO: – Para você ter ficado assim, só pode ter sido o Frederico. – Deduz  percebendo uma certa tremedeira nas mãos de Laura.

LAURA: – Foi ele mesmo, Olavo… me tira daqui, eu não estou preparada para isso, não estou.

OLAVO: – Tudo bem, tudo bem, Laura. Vou levar você de volta para a Fazenda e depois eu volto para pegar o Mateus na escola.

Laura e Olavo entram na camionete.  Frederico está na calçada e os observa atentamente.

FREDERICO (Pensando): – Então ela se casou mesmo como a Samira disse. – Pensa visivelmente entristecido. – A Perpétua conseguiu fazer com que ela me esquecesse.


CENA 6: Campo Grande, Edificio Cordial, Quarto, Interior, Tarde

Samira está deitada na cama de casal, ela olha de forma fixa para o teto, e de repente seus olhos se enchem de raiva.

SAMIRA: – Só de imaginar minha prima perto do Frederico novamente já me deixa possessa. Eu tenho que ir para lá imediatamente. Não posso deixar que eles pensem em ficar juntos novamente. Se tem uma coisa que eu aprendi com minha tia foi não desistir tão fácil do que é meu. – Diz se levantando devagar e olhando para o espelho na parede ao lado da cama. – O Frederico nunca voltará a ser dela, nunca.

Samira olha o seu reflexo no espelho que estranhamente começa a desaparecer. A diarista que sempre cuida do apartamento três vezes por semana entra, ela estranha o silêncio.

DIARISTA: – O patrão já deve ter viajado… será que ele levou aquela cobra junto? – Se pergunta enquanto segue para o quarto.

A diarista abre a porta e se assusta, ela grita com total desespero.


CENA 7: Fazenda Serrado, Casa, Sala, Interior, Tarde 

Olavo abre a porta e entra trazendo Mateus, que logo abraça a mãe que está sentada no sofá, pensativa.

MATEUS: – Mãe, eu preciso contar uma coisa depois para a senhora.

Laura olha para Olavo e depois para o filho.

LAURA: – Tudo bem, filho, depois você me conta… estarei esperando.

Mateus sobe até o quarto deixando a mãe curiosa.

LAURA: – O que será que ele quer falar, Olavo? Ele não te adiantou nada?

OLAVO: – Você sabe como o Mateus é, ele me considera como um pai, mas não conta nada do que acontece com ele, Laura.

Nesse momento Perpétua desce pela escada. Olavo faz sinal para Laura, que fica surpresa em ver sua mãe alí.

LAURA: – A senhora já estava aqui, mãe?

PERPÉTUA: – Meu voo chegou cedo, então estava descansando um pouco das muitas horas de viagem.

OLAVO: – Que mal lhe pergunte, o que a senhora faz aqui, Perpétua?

PERPÉTUA: – Ai Olavo, essa fazenda também é minha, e eu já estava cansada de ver tantas construções, tantas pessoas, cansada da multidão, então decidi vir para cá. – Responde, sorrindo. – Vai querer me impedir de ficar aqui?

OLAVO: – Imagina! Não sou ninguém para impedir da senhora fazer o que quiser. – Ele volta o olhar para Laura. – Depois conversamos sobre aquele assunto. – Diz enquanto se dirige para a porta e sai da sede da Fazenda.

LAURA: – A senhora não deveria estar aqui, mãe, não mesmo.

PERPÉTUA: – O que foi, filha? Por acaso aconteceu alguma coisa? Disseram algo pra você? – Questiona com certo receio ao perceber a frieza de Laura.

LAURA: – Por acaso existe algo que precisassem me contar sobre a senhora? – Indaga com o olhar firme sobre a mãe.

PERPÉTUA: – Minha vida é um livro aberto, filha. Não há nada que todo mundo já não saiba. – Afirma tentando disfarçar o nervosismo.

Laura deixa a mãe na sala e segue para a cozinha. Perpétua acompanha a filha apenas com o olhar.


CENA 8: Campo Grande, Edifício Cordial, Apartamento de Frederico, Quarto/Sala, Interior, Tarde 

A diarista sai correndo depois do que vê, ela para perto da janela da sala enquanto ouve passos vindo em sua direção, ela levanta o olhar e vê Samira.

SAMIRA: – O que houve, criatura?

DIARISTA: – Tinha uma cobra na sua cama, dona Samira.

SAMIRA: – Ela não mata ninguém, deixa de drama. É um afinal de estimação confiável. – Diz, sorridente. – Prometo que vou deixá-la longe de você.

DIARISTA: – Obrigada, senhora.

SAMIRA: – Agora faça minhas malas, pois vou viajar nesta noite. – Pede enquanto dá meia volta e retorna para o quarto. Samira gargalha assim que fecha a porta do quarto. – Tenho que parar com isso.


CENA 9: Fazenda Serrado, Campo, Exterior, Tarde

Olavo anda devagar até parar debaixo de um pé de manga, ele observa atentamente a revoada dos pássaros. Olavo começa a se lembrar dos bons momentos do passado.

OLAVO: – Doze anos já foram muito tempo, não posso mais viver assim, não posso. Ela me culpa dia e noite por algo que eu nunca faria, pra mim já não dá mais. – Diz olhando para o horizonte. – E não importa o que digam de mim depois que souberem da verdade, vou ser honesto comigo mesmo.

Olavo está tão perdido nos pensamentos que não percebe a chegada de Laura.

LAURA: – O que você tem a dizer para todos, Olavo? – Pergunta fazendo Olavo se virar, assustado.

OLAVO: – Acredito que não dá mais para esconder, Laura. Isso me atormenta há anos, há anos que tenho de suportar.

Laura percebe Olavo chorando e se espanta um pouco, pois desde que está com ele nunca o viu chorar de forma tão aberta.


CENA 10: Sonhador, Casa de Federico, Sala, Interior, Tarde 

Frederico anda de um lado para o outro no espaço que há entre a janela e o sofá onde Rubens está sentado.

FREDERICO: – Ela está casada, senhor Rubens, está casada. Ela se esqueceu de mim, foi isso, ela abandonou nosso amor.

RUBENS: – Não tire conclusões precipitadas, Frederico, pois você pode se ferir mais ainda. Amanhã faremos uma visita a Fazenda Serrado, então ficaremos sabendo de tudo que ainda não sabemos.

CONTINUA


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