Amor Indomável: Capítulo 6


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Ano de 2017, Centro-oeste do Brasil

CENA 1: Fazenda Serrado, Casa, Sala, Interior, Manhã 

Laura olha atentamente para o porta retrato sobre a mesa ao lado do sofá maior da sala contendo a foto de seu pai, ela fica visivelmente emocionada ao se lembrar de Horácio, em sua mente vem a imagem do último abraço que deram. Laura escuta um barulho e olha para a escada, ela vê que é Mateus quem desce correndo. Laura tenta disfarçar a tristeza assim que o filho se aproxima.

LAURA: – Eita filho, onde você vai com tanta pressa?

MATEUS: – É a volta das aulas, mãe, se esqueceu?

LAURA: – Você acredita que eu não me lembrava? O tempo passou tão rápido, parece que foi ontem que estávamos na capital.

MATEUS: – Quem vai me levar na escola?

LAURA: – O Olavo e eu como sempre, filho. Falando nisso, onde está seu pai?

MATEUS: – Ele ficou no quarto, mãe… disse que já iria vir.

Laura olha para o alto da escada e vê Olavo começando a descer, os dois se olham por um rápido momento, logo ela desvia o olhar para o filho.

LAURA: – Podemos ir? – Pergunta assim que Olavo se aproxima deles.

OLAVO: – Se quiser, eu posso levar o nosso filho, Laura.

LAURA: – Não precisa, Olavo, eu irei junto, pois tenho um encontro com o gerente do frigorífico.

OLAVO: – Então vamos! Sonhador parece perto, mas a realidade é que fica um bocado longe. Agora tudo ficou um pouco mais rápido por causa da pavimentação da estrada.

Laura, Mateus e Olavo seguem para fora da casa. Mateus olha para os dois com um certo olhar de dúvida.


CENA 2: Sonhador, Carro, Interior, Manhã 

Um veículo Preto importado pára próximo de uma grande casa, os vidros elétricos das portas traseira descem, e revela Frederico sentado, ele observa tudo com muita atenção e sorri.

FREDERICO: – Senhor Rubens,  tem certeza que quer continuar sendo meu chofer? O senhor sabe  que era eu quem  deveria estar aí no seu lugar.

Rubens olha para Frederico e sorri.

RUBENS: – Você se sai muito melhor como um empresário, Frederico. Não tive dúvidas quando o conheci, por isso depositei tudo  o que eu ainda tinha em você.

FREDERICO: – Nunca vou poder agradecer tudo o que o senhor fez por mim durante todo esse tempo, são doze anos que já estou longe  disso tudo aqui, e agora estar de volta dá uma sensação esquisita.

RUBENS: – Sei muito bem como é Frederico, mas logo essa sensação vai passar, acredite. Se concentre no que você e eu temos em comum, a mulher que destruiu as nossas vidas.

FREDERICO: – Ela tirou de mim a mulher que eu amava, foi tudo tão de repente que até parece mentira.

RUBENS: – Mas não é mentira, Frederico. – Rubens aponta para a fachada da casa. – Essa casa agora é sua!

Frederico olha para a casa novamente e fica ainda mais admirado.


CENA 3: Sonhador, Carro/Escola, Rua, Interior/Exterior, Manhã 

A camionete de Olavo para próximo do portão da escola. Mateus desce e se despede da mãe e de Olavo. Laura olha para Olavo, que parece estar um pouco pensativo.

LAURA: – Obrigado por não deixar transparecer.

OLAVO: – Não quero magoar o Mateus, por mais que ele não seja meu sangue, tenho um carinho de pai  para com ele. Nós nunca tivemos uma relação de marido e mulher de verdade, Laura.

LAURA: – Você sabe muito bem o motivo de minha  parte. Sou eu que não sei até hoje o motivo que vem de você.

OLAVO: – É melhor não tocarmos nesse assunto, pois com certeza vamos nos chatear.

LAURA: – Me responda uma coisa, Olavo. Você teve algo a ver com o desaparecimento do Frederico?

OLAVO: – Há doze anos você me pergunta isso, e eu digo a mesma coisa que não é nada mais do que a verdade. Eu não tive nada a ver com a partida do seu  grande amor. – Responde com certeza do que diz.

LAURA: – Eu vou daqui, depois lhe espero aqui mesmo, não sei quanto tempo vai durar essa reunião. – Informa antes de sair do veículo.

Olavo fica olhando Laura seguir pela calçada.

OLAVO: – Ela nunca acredita que estou dizendo a verdade. Vai continuar achando que sou  eu quem  convenceu o Frederico de ir para sei lá onde.

Olavo debruça em cima do volante e pensa no seu passado, lágrimas escorrem.


CENA 4: Sonhador, Casa de Frederico, Interior, Manhã 

Frederico anda  pela casa, está admirado com o tamanho de todos os cômodos. Ele vem da cozinha e para no meio da sala entre dois grandiosos sofás, logo Rubens se aproxima dele.

RUBENS: – Gostou da casa?

FREDERICO: – Tem como não gostar? Isso aqui eu nunca imaginei em ter, é gigantesco, senhor Rubens.

RUBENS: – Bom, depois você conhece melhor o espaço todo. Daqui a pouco você tem uma reunião com a Laura e você tem que estar bem disposto.

FREDERICO: – Confesso que tenho medo do que ela vai pensar  de mim. – Confessa enquanto coloca a mão na cabeça.

RUBENS: – Na hora certa a verdade aparecerá e ela não poderá mais pensar qualquer coisa de você. A culpada disso tudo é minha filha, Frederico e vamos conseguir mostrar isso para todos.

FREDERICO: – A Perpétua é um monstro. Reze para que eu consiga me conter assim que eu ver a Laura. São tantos anos sem tocá-la, sem vê-la, sem sentir o perfume dela, eu não sei se conseguirei conter esse amor indomável que só cresceu com nossa separação.


CENA 5: Sonhador, Rua, Exterior, Manhã 

Depois de sair da escola onde foi levar Mateus, Olavo segue para o outro lado da cidade, está pensativo e bastante emocionado, ele olha por um instante para o celular.

OLAVO: – Não acredito no seu retorno. Achei  que você ficaria fora para sempre. – Diz para ele mesmo enquanto diminui a velocidade do veículo.

Olavo segue devagar por uma rua muito bem arborizada, ele freia e para antes de chegar no seu destino. De onde está, Olavo pode ver bem uma casa que já era bem conhecida por ele. Há uma certa movimentação em frente a residência, mas logo Olavo vê a pessoa.

OLAVO: – Não mudou nada, está a mesma pessoa, é o que parece. – Diz aparentando um certo nervosismo.

A pessoa parece perceber que está sendo observada e olha diretamente para o carro onde está Olavo, os dois se encaram, a pessoa reconhece Olavo e abaixa a cabeça aparentemente triste.


CENA 6: Sonhador, Centro, Rua, Carro, Interior, Manhã

O carro onde Frederico está segue pela rua mais ou menos movimentada. O celular de Frederico começa a tocar de maneira insistente, ele olha para o visor e depois para frente. Rubens chacoalha a cabeça.

FREDERICO: – É a Samira. – Diz com uma certa apreensão.

RUBENS: – Você não disse para ela que viajaria, melhor, que viria morar aqui em Sonhador?

FREDERICO: – Não contei absolutamente tudo.

RUBENS: – Você deveria ter contado, Frederico.

FREDERICO: – Não sei se seria uma boa ideia, Rubens. A Samira aparenta ter muita raiva da Laura, nesse tempo em que ela viveu comigo só dizia que a Laura também tinha grande culpa em tudo.

RUBENS: – Esconder isso que está acontecendo não vai resolver nada.

FREDERICO: – Mas acredito que seja o melhor por enquanto. – Afirma enquanto desliga o celular.


CENA 7: Fazenda Serrado, Pista, Exterior, Manhã

Um jatinho pousa com total segurança, logo as portas se abrem e Perpétua sai de dentro, sorridente.

PERPÉTUA: – Como é bom voltar aqui depois dessa viagem pela Europa. Não preciso me preocupar com absolutamente nada, pois sei que tudo está sobre meu controle.

Perpétua olha para o lado esquerdo e fica assustada.

PERPÉTUA (Assustada): – Nossa, pareceu o Horácio me olhando.

Um carro para ao lado dela na pista de Avião e ela entra, visivelmente amedrontada com o que achou ter visto. O veículo começa a seguir em direção a Fazenda enquanto Perpétua pensa no passado.


CENA 8: Sonhador, Edifício Comercial, Interior, Manhã 

Laura está sentada na recepção, aguarda a chegada do gerente do frigorífico que passará a fazer negócios com a Fazenda Serrado. Laura sente um estranho aperto no peito, estranhamente começa a se lembrar de Frederico, seus olhos lacrimejam, mas assim que ela ouve passos se aproximarem dela, as lágrimas rebeldes são secas. Laura levanta o olhar devagar ao ver um sapato social na sua frente e fica pasma.

LAURA: – Frederico? – Pergunta enquanto observa o homem na sua frente, um pouco mudado, mas nada que o deixasse irreconhecível. Em ambas mentes vem a cena da última noite de amor que tiveram, uma noite que ficou marcada.

CONTINUA


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