Filho da Neve: Capítulo 5 (Segunda Temporada)

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Marfel tenta enxergar algo  em meio a escuridão que se formou, mas não obtém sucesso, parece até mesmo que ficou cego. O jovem ouve uma respiração pesada se aproximar, é possível sentir que o frio aumenta ainda mais a medida que ele sente que o ser possuidor de tal respiração se aproxima.

– Quem está aí? – Marfel pergunta em alto e bom som, mas não obtém resposta, não de forma imediata.

Marfel olha  para o chão e consegue ver o branco da neve, então ele decide por sair de cima do cavalo que parece ter ficado paralisado. Marfel consegue  tocar os pés na neve, mas ainda nada se faz visível na sua frente.

– Eu tenho que sair daqui! – Marfel diz demonstrando estar um pouco amedrontado com tudo. Ele se arrepia todo ao sentir um vento mais frio do que o normal tocar seu pescoço.

– Você não pode sair daqui, meu jovem, nunca mais poderá sair daqui. – Diz uma voz vigorosa próxima do ouvido de Marfel.

– Isso é algum tipo de brincadeira? – Questiona o jovem nitidamente assustado.

– Não há brincadeira nenhuma aqui, jovem Marfel. Você agora me pertence, você agora não é mais dono de si mesmo, não é mais dono de suas vontades. Eu conheço todos os seus segredos, todas as suas dores, todas suas aflições. Eu sei o motivo de estar fugindo…

– Você não sabe de nada. – Marfel interrompe a voz aos gritos. – Se mostre! Quem é você e o que quer de mim.

– Não é nada educado interromper os mais velhos, mas já que seu desejo é saber quem sou, então seu desejo será realizado. – Diz a voz desaparecendo aos poucos.

Marfel olha para a neve e vê pegadas se formando, logo a luz da lua retorna e ele fica de frente para um homem de meia idade, que sorri de maneira debochada, seus olhos azuis parecem refletir toda sua alma. O homem  dá  alguns passos na direção de Marfel, que não pensa muito e começa a correr na direção contrária.


O baile no Castelo de Felito tem seu fim, e todos os convidados se despedem do rei, alguns comentam sobre sua inexperiência, outros sobre ele não ter tanta idade. Ilon está ao lado de Alva, que está alegre por estar ao lado do rei de Felito, enquanto Morxa espreita de longe vendo como o feitiço que lançou no rei é poderoso.

– Logo ele estará totalmente cego de amor, não terá espaço no seu coração para tanto sentimento. – Diz observando atentamente. – Só preciso que ele não se emocione de verdade antes da meia noite, algo que me parece já bem encaminhado.

Savo por sua vez observa com bastante atenção a carta deixada por Marfel, e olha para o rei que agora só está na companhia de Alva.

– Não posso fazer isso com ele, deve ser algo muito importante para que ele tenha ido sem falar com irmão que sempre foi parte dele. Não posso adiar algo assim, seria quase um crime contra os meus próprios princípios. – Savo pensa enquanto se dirige até o rei. – Desculpa incomodar, soberano, mas tenho algo muito importante a lhe dizer. – Diz Savo depois de reverenciar o rei Ilon.

– Diga amanhã, Savo,  não estou com cabeça para mais nada a não ser conhecer por completo essa tão amável moça. – Ilon diz enquanto acaricia a face de Alva, que sorri agradecida.

Ilon deixa Savo próximo do trono e caminha pelo salão com Alva ao seu lado. Savo olha para o relógio, depois para a carta que está em suas mãos, parece pensativo.

– Uma felicidade falsa pode destruir para sempre todo o reino, deixar que a felicidade não seja verdadeira se alastrar é assinar o atestado de morte da magia que existe em todo o reino de Felito. – Diz uma voz suave na mente do guerreiro.

– O Marfel foi embora! – Savo grita de onde está fazendo sua voz ecoar por todo o grande salão. Ilon para de repente e olha para Savo, que começa a caminhar em sua direção.

– Como assim ele foi embora? – Questiona olhando de maneira séria para Savo, que por sua vez estende a mão com a carta dada por Marfel. Ilon olha para a carta e depois para Savo que balança a cabeça de forma positiva ao questionamento sem palavras do rei. Ilon pega a carta.

Morxa observa tudo de longe, ela olha discretamente para a sobrinha, que nada entende o que está acontecendo.

– Isso não pode estar acontecendo. – Morxa diz com certa raiva nas palavras. – Não leia essa carta, infeliz! – Grita em pensamento.

Ilon abre a carta e começa a ler as palavras escrita por Marfel.


Marfel corre como sua se vida dependesse disso, e realmente depende, está suando mesmo em meio a grande quantidade de neve a sua volta.

– Você não pode fugir de mim, Marfel. É inútil tentar fugir do que já está traçado. – Afirma a voz do homem fazendo com que Marfel pare.

– Diga logo de uma vez o que você quer de mim, diga! – Marfel grita com grande desespero.

– Você não tem mais ninguém, está sozinho no mundo, foi esquecido por quem dizia que cuidaria para sempre de você… Eu só quero oferecer minha pequena ajuda. Sou Ermeroc, um amigo. – Diz ao se aproximar de Marfel.

Marfel encara Ermeroc com muita raiva, está ofegante depois de ter corrido tanto. Ele abaixa o olhar rapidamente, fatigado.

– Você não pode ser amigo quando faz ameaças, não pode ser amigo quando percebe. Você não é meu amigo. – Marfel diz sendo enfático. O jovem analisa a forma de Ermeroc. – Você também é um filho da Neve! – Conclui.

– Eu sou o único filho da Neve, Marfel, não existe outro, jamais vai existir outro quando eu conseguir o que quero com sua ajuda. – Afirma com um sorriso estampado.

– Seja o que for, não vou ajudar em nada, absolutamente nada. – Marfel é enfático, seus olhos tem medo, mas também tem raiva.

– Você não tem escolhas! – Grita Ermeroc enquanto estende a mão esquerda na  direção de Marfel. – Serpamo Izobarin Erperozia. – Pronuncia Ermeroc. – Conheça uma amiga que fará com que sua vontade seja a minha vontade. – Diz enquanto na frente dele, do meio da neve surge uma serpente toda transparente.

– O que é isso? – Marfel questiona assustado ao ver a serpente vindo em sua direção.

– Não vai doer nada, Marfel, absolutamente nada. – Ermeroc sorri enquanto observa a serpente penetrar a pele de Marfel, que fica paralisado até a criatura se alojar na mente dele. – É muito rápido que nem mesmo dá para  sentir de fato alguma dor. – Diz o homem enquanto mexe nos cabelos de Marfel. – Eu sim sou a verdadeira ameaça à felicidade que  Felito inteira goza com total plenitude. – Se vangloria sorridente.


As lágrimas do rei molham o papel já amarelado e a tinta é borrada aos poucos, as mesmas lágrimas não molham somente o papel, mas também o feitiço feito por Morxa. O feitiço logo se desfaz por completo fazendo com que Ilon volte ao seu estado normal.

– Vou agora mesmo procurar pelo meu irmão, ele não tem mais ninguém, é somente eu que sou a família dele, Savo. – Diz o rei certo do que fará. Ilon volta seu olhar para Alva, que está sem entender o que se passa. – Desculpe senhorita, mas é algo muito importante e não posso esperar nenhum minuto mais.

– Não se preocupe, soberano. Eu saberei esperar. – Alva afirma com um belo sorriso. Ilon beija sua mão antes de sair do salão junto de Savo.

– Espere, Ilon! – Savo pede enquanto seguem pelo corredor. Ilon pára e deixa que o guerreiro o alcance. – Nós nem mesmo sabemos onde o Marfel deve estar.

– A neve nos dirá, Savo.  – Afirma o jovem Ilon voltando a caminhar.

Alva olha para a mão que foi beijada, e suspira de forma leve e delicada. Morxa se aproxima da sobrinha.

– Mesmo sem o feitiço, fizemos progresso. – Pensa enquanto para ao lado da sobrinha.

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