Filho da Neve: Capítulo 4 (Segunda Temporada)


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Ilon termina de se arrumar sob o olhar analisador de Savo, que tenta entender várias coisas. O rei percebe que seu fiel guerreiro e amigo está um pouco distante, os olhares de ambos se cruzam, fazendo com que Savo desperte de seus pensamentos longínquos.

– Tudo pronto, Soberano? – Pergunta Savo enquanto se aproxima do rei.

– Parece que sim, agora é só esperar o baile ter o seu início para que eu esteja por lá. – Responde Ilon, sorridente. Aliás, esse baile é somente uma mera regra ou tem algo mais, Savo? – Questiona, curioso.

Savo fica um pouco desconfortável diante do questionamento de Ilon,  pensa em omitir a verdade, mas em sua mente vem a rápida conversa que teve com Marfel, então decide por dizer logo o que acontece.

– Sua rainha, soberano! – Responde Ilon. – O baile também é para que você escolha a sua futura rainha. – Informa ficando cabisbaixo.

– Isso realmente é surpreendente. Não me disse antes por qual motivo? Questiona enquanto caminha até a janela.

– Nós que organizamos o baile não achamos que seria uma boa surpresa, Ilon, então decidimos por não contar. Está chateado? – Pergunta, preocupado.

– Chateado… estou muito chateado. Não vejo necessidade de terem me escondido algo assim. E também estou surpreso, pois não achei que teria de escolher uma pessoa para estar ao meu lado de maneira tão rápida, tão prematura. – Responde voltando seu olhar de desapontamento para seu guerreiro.

O baile se inicia, Ilon faz com que todos parem e olhem para ele assim que ele adentra o salão sendo anunciado por Savo. Ilon olha de relance para boa parte das pessoas que estão no salão, logo ele avista Marfel, que está tão bem produzido quanto ele.

– É bom saber que você veio. – Diz Ilon ao se aproximar de Marfel.

– Me sinto um pouco desconfortável, isso não é para mim, Ilon. – Diz demostrando seu descontentamento.

– Do que você está falando, Marfel? – Questiona o rei.

– Esse mundo aqui é seu, Ilon e não meu, não me encaixo em lugar algum nesse palácio. – Responde observando as pessoas a sua volta. – Esse destino não é meu, pode parecer egoísta, mas é a verdade.

– Você não está pensando em partir, está? – Ilon Pergunta diretamente olhando nos olhos de Marfel, que recua seu olhar e passa a observar o baile, ele se cala. – Após o baile teremos uma conversa, Marfel e resolveremos o que lhe aflige.

– Eu já estou certo do que eu quero, Ilon, me desculpe. – Afirma, entristecido.

Ilon observa paralisado Marfel se afastar dele. Savo está próximo da porta e anuncia a chegada de Alva e sua tia Morxa. Alva está belíssima, todos a olham de forma admirada. Morxa sorri enquanto adentra ao salão ao lado da sobrinha.

– Não esqueça de fazer o que eu lhe pedi, minha sobrinha. – Morxa pede sussurrando.

– Como terei certeza de que o rei terá olhos para mim, tia? – Questiona a jovem, ingênua.

– Isso é a minha parte, Alva. Agora vá se divertir, pois hoje a noite há de ser produtiva. Sua tia aqui promete que vai ser o primeiro dia de muitos dias gloriosos que estão por vir. – Afirma sorridente, certa de que seu plano dará certo.

– A senhora é um anjo, tia. Obrigada por estar me ajudando.  – Agradece a ingênua moça sem saber das reais intenções de Morxa.

Morxa se afasta da sobrinha e vai para um local discreto longe dos olhos de qualquer pessoa. Ela observa Ilon conversando com alguns nobres, e sorri, um sorriso atormentador. Morxa  retira das mangas de seu vestido preto um saco pequeno, pega uma quantidade de pó branco e brilhante e põe sobre a Palma da mão e assopra na direção de Ilon.

– Erabren Passaralo Montreac. – Pronuncia enquanto o pó é direcionado ao rei. O pó jogado por Morxa consegue chegar no seu destino, e de imediato, Ilon é enfeitiçado. Morxa sorri satisfeita. – O resto é com você, minha sobrinha.

Ilon sobre o efeito do feitiço jogado por Morxa, caminha até Alva assim que a avista em meio às pessoas que dançam. Ilon fica paralisado ao ver Alva, e estende a mão.

– Dança comigo? – Pergunta abrindo um sorriso amigável.

Alva fica paralisada diante do rei, seus olhos se cruzam, ela, a vida toda manipulada por sua tia se sente diante do seu verdadeiro amor, e ele, enfeitiçado se vê diante de sua futura rainha. Os dois começam a dançar de forma atrativa e leve atraindo os olhares dos outros convidados.

Savo está parado próximo da porta, que se encontra aberta, ele vê Marfel passar com uma certa pressa e o segue. Marfel segue pelo corredor, sobe alguns lances de escada até chegar no seu quarto e nem percebe que Savo o está seguindo. Marfel olha para tudo a sua volta em seu quarto e começa a se despir enquanto chora, logo ele se troca, veste roupas mais simples.

– Não vou precisar de nada disso para onde eu for. – Afirma enquanto pega um papel amarelado de cima da cama. Marfel segue para fora do quarto e leva um susto ao ter seu braço segurado por Savo.

– Onde você está indo desse jeito, Marfel? – Questiona, intrigado.

– Vou embora daqui, Savo. E aproveitando que você está aqui, entregue essa carta ao Ilon assim que eu estiver bem longe daqui. – Diz estendendo a carta para que Savo pegue.

– Não entendo. Você está indo embora por qual motivo? – Pergunta, curioso com a decisão de partida de Marfel.

– É necessário que eu vá embora, simples assim. O Ilon é quem deve estar aqui e não eu. Entregue essa carta para ele, e Adeus. – Responde enquanto começa a descer pela escada.

Savo fica olhando para a carta em suas mãos enquanto Marfel aperta o passo. Marfel segue  para fora do Castelo, olha para as carruagens, olha para as janelas do palácio e chora. Ele segue direto para o estábulo e sela um cavalo que ganhou de presente do seu irmão de criação, monta e segue para além dos muros do Palácio de Felito, a noite  fria faz com que ele galope um pouco encolhido.

Ilon não consegue se desgrudar de Alva, que demonstra ser uma moça interessante, despertando no rei, sentimentos tão repentinos como o frio da região, tudo decorrente do feitiço empregado por Morxa, que se sente triunfante diante do que conseguira realizar. Savo para próximo da porta com a carta de Lion nas mãos e observa a felicidade do rei, sem nem mesmo saber do que se trata.

– Não posso atrapalhar agora. – Savo diz enquanto olha para a carta. Amanhã eu digo e entrego a carta.

Marfel segue pela floresta, não sente medo, mas também não se sente seguro, o frio  toca seu corpo com certa violência, ele aproveita a claridade da lua para seguir pelo caminho, mas a luminosidade desaparece de forma repentina, e ele pára em um breu amedrontador, é quando percebe que o frio aumenta de maneira considerável, ele se encolhe ainda mais em cima do cavalo.

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