Amor Indomável: Capítulo 2


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Ano de 2005, Centro-oeste do Brasil

CENA 1: Fazenda Serrado

Frederico decide por ficar na Fazenda Serrado mesmo que não tenha tido um bom encontro com mãe de Laura, que demonstrou ser uma mulher totalmente diferente do marido ou da filha. Laura solta a mão de Frederico, e fica vermelha por causa dos olhares que ambos cruzam, os dois sorriem quebrando a tensão do momento.

FREDERICO: – Eu fico, Laura.

LAURA (Sorrindo): – E nem pense em ir embora de novo.


CENA 2: Fazenda Serrado, Campo, Exterior, Manhã 

SEMANAS DEPOIS

Laura está encostada em uma árvore, observa os peões na lida com o gado, e no meio deles está Frederico, que já pegara  o jeito do trabalho e progride a cada novo dia. Laura só consegue ter olhos para ela, logo ela se pega sorrindo do nada.

LAURA: – O que está acontecendo comigo? – Se pergunta tentando desfazer o sorriso que tem entre os lábios. Laura começa a se lembrar do dia em que pediu para Frederico ficar, e foca no momento em que ele tocou sua mão. – Que bobagem! – Diz voltando seu olhar para a sede da fazenda.


CENA 3: Fazenda Serrado, Casa, Varanda, Exterior, Manhã 

Perpétua está parada no limite da varanda, tem um cigarro que está quase no fim em sua mão esquerda, ela olha de forma séria  para a filha que acompanha o trabalho dos peões.

PERPÉTUA: – Está para nascer quem vai conseguir me enganar. – Diz enquanto leva o cigarro a boca. Ela solta a fumaça depois de uma longa tragada. – Ela acha que eu não sei que há sentimento entre os dois. Esse peão infeliz, maldita a hora em que Horácio o deixou ficar aqui.

Horácio se aproxima de Perpétua vindo de dentro da casa.

HORÁCIO: – Deixe o rapaz em paz, Perpétua. O Frederico tem demonstrado ser uma ótima pessoa, tem me ajudado muito com os afazeres aqui da Fazenda.

Perpétua se vira e encara o marido.

PERPÉTUA: – Você não vê como eu vejo, Horácio. Você dá confiança demais aos empregados, e logo você terá uma surpresa desagradável se continuar desse jeito.

HORÁCIO: – Você só vê maldade nas outras pessoas, Perpétua, tem que parar com isso. O Frederico é um excelente rapaz. Eu sei qual é o seu medo, mas será que vale a pena ter esse medo? Bom, eu vou ver como tudo está indo.

Horácio deixa Perpétua pensando e segue até o campo. Perpétua o olha com raiva.

PERPÉTUA: – É impossível que ele aceite uma coisa dessas! Espero que isso só seja obra da minha cabeça, pois não vou admitir um disparate desse tamanho.


CENA 4: Fazenda Serrado, Exterior, Tarde

Falta algum tempo ainda para o sol se pôr. Uma mulher caminha pela margem do rio, está encantada, seus olhos brilham constantemente. A jovem olha para todos os lados para ter certeza de que ninguém mais está por perto, ela desce um pequeno barranco e molha os pés descalços na água.

SAMIRA: – Ai como é bom demais ser livre!

Samira começa a se despir lentamente, parece flertar com o rio, com a fauna e a flora que está ao seu redor. Ela fica totalmente desnuda e entra na água límpida do rio e começa a se banhar.

Ao longe é possível ver um cavalo se aproximando rapidamente, assim que chega mais perto, é possível perceber de quem se trata. Laura desce do cavalo.

LAURA: – De novo, Samira? O que você tá querendo vindo todos os dias nesse rio? Sei que todos são confiáveis aqui, mas nunca se sabe.

Samira olha com certa raiva para Laura, que pega as roupas da prima.

SAMIRA: – Me deixa, Laura. Eu só quero tomar meu banho.

LAURA: – Como se na casa grande não tivesse água, não é mesmo?

SAMIRA: – Mas a água daqui é diferente, prima! Você não sabe o que é isso, afinal é da cidade.

LAURA: – Não sei e nem quero saber, agora sai desse rio logo ou eu chamo meu pai e aí sim você terá problemas.

Laura encara a prima, que entende não ser brincadeira e começa a sair do rio. Laura entrega a roupa de Samira, que logo se veste.

SAMIRA: – Satisfeita? A gente não pode mais se divertir!

Laura sobe no cavalo. Samira a olha.

SAMIRA: – Não precisa me esperar,  eu sei muito bem o caminho de volta.

Samira fecha a cara. Laura sai galopando, quando está um pouco mais distante, se vira para trás e não vê sua prima, ela fica intrigada.

LAURA: – Parece uma criança fazendo graça.


CENA 5: Fazenda Serrado, Exterior, Noite

Frederico está sentado aos pés de uma mangueira, seus olhos olham para a belíssima lua que ilumina intensamente, está meio perdido em seus pensamentos quando Laura se aproxima dele. Frederico se assusta com a aproximação repentina de Laura.

FREDERICO: – Que susto, Laura!

LAURA (Sorrindo): – Eu sou tão feia assim? – Questiona em tom de brincadeira.

FREDERICO: – Feia,  você?  Você é linda, Laura, mas não é isso… Eu estava bastante distraído.

Laura fica meio sem jeito com a resposta de Frederico, se senta ao lado dele e começa a olhar para a lua.

LAURA: – Você me acha bonita? – Pergunta ainda sem jeito enquanto desvia o olhar da lua para Frederico, que por sua vez também a olha.

FREDERICO: – Com todo respeito, sim. – Responde antes de voltar a observar a lua.

Laura analisa Frederico que é pego de surpresa. Laura encosta sua cabeça no ombro dele deixando-o sem jeito.

LAURA: – Você está gostando daqui?

FREDERICO: – Como não poderia gostar? Seu pai e você estão me ajudando muito, e eu nunca vou poder  agradecer como eu desejo agradecer à toda essa ajuda.

LAURA: – Ainda bem que você não foi embora. – Os dois se olham.

FREDERICO: – Eu não poderia, não depois de…

Os dois são interrompidos por Perpétua que se aproxima pisando firme.

PERPÉTUA: – O seu pai está chamando, filha!

Laura se levanta do lado de Frederico.

LAURA: – Eu já volto. – Ela segue para a casa.

Perpétua olha com desdenho para Frederico, que por sua vez desvia o olhar dela.

PERPÉTUA: – Eu sei o que você está tentando fazer. Minha filha é uma sonsa, não percebe nada, não vê nada, sempre desligada dos detalhes, mas eu percebi.

FREDERICO  (Intrigado): – O Quê? – Questiona se levantando.

PERPÉTUA: – Não se faça de desentendido, rapaz. Você está tentando conseguir seu futuro por meio da minha filha, eu já percebi tudo.

FREDERICO: – Eu jamais me aproveitaria da Laura,  senhora. Se eu gostasse dela, seria livre de qualquer interesse financeiro, não sou essa pessoa que a senhora imagina.

PERPÉTUA: – Você não gosta dela?

FREDERICO: – Com todo respeito, isso não é da sua conta, senhora. – Ele dá de ombros e sai em direção ao rio.

Perpétua continua a observá-lo de longe, e sorri de forma diabólica.

PERPÉTUA: – Gosta, eu sei que gosta e já não dá mais para esconder. Ai de você levar isso adiante.


CENA 6: Fazenda Serrado, Casa, Sala, Interior, Noite 

Perpétua entra em casa com um sorriso no rosto, ela pára próximo da janela quando Laura vem descendo pela escada.

LAURA: – Não era nada urgente, mãe. A senhora e sua afobação, sempre.

PERPÉTUA: – Me pareceu algo urgente, por isso resolvi chamar você logo de uma vez.

LAURA: – Pra senhora tudo é urgente… bom, vou lá fora.

PERPÉTUA: – Ele não está mais lá, filha.

LAURA: – Onde ele foi?

PERPÉTUA: – Acredito que ele tenha ido dormir, disse estar cansado . – Mente enquanto se aproxima da filha. – A senhorita não deveria andar tão colada à esse peão, pois logo vão começar a falar.

Laura se espanta com a mãe e a fuzila com o olhar.

LAURA: – Antes de tudo, o Frederico é meu amigo, mãe e não importo com o que vão falar ou deixar de falar. Não vou deixar de estar com ele só pelo fato de outros maldizer ou pelo fato da senhora não querer isso.

Laura passa pela mãe e sai da casa. Perpétua bufa de raiva.


CENA 7: Fazenda Brilhante, Casa, Quarto, Interior, Noite 

Um homem apenas de cueca caminha até a janela do quarto, ele abre e mira a lua belíssima que aponta no céu. Seu sorriso é gigantesco, de satisfação.

OLAVO: – Ela está ainda mais bela hoje.

Mãos envolvem sua cintura, Olavo se arrepia por completo.

PESSOA: – Não quero mais sair daqui, Olavo.

OLAVO: – Você não precisa sair daqui, pode ficar o tempo que quiser. Eu também não quero me separar de você.

Olavo continua observando a lua enquanto sente as mãos da outra pessoa percorrendo todo seu corpo, ele continua arrepiado e sorridente.

Um uivo parecido com de um lobo é ouvido por todos que possuem ouvidos.


CENA 8: Fazenda Serrado, Exterior, Manhã 

Laura caminha por entre os pés de manga e Coco que embelezam o caminho que leva até a fazenda, ela volta seu olhar para a porteira e avista Frederico, que logo para próximo dela.

LAURA: – Minha mãe disse algo pra você ontem a noite ?

FREDERICO: – O que ela poderia dizer, Laura?  Já estou acostumado com sua mãe.

LAURA: – Eu não sei o que minha mãe tem contra você, Frederico.

Frederico desce do cavalo e fica frente a frente com Laura, que tenta entender o motivo de sua mãe implicar com ele, motivo que lá no fundo ela sabe, mas não tem coragem de admitir.

FREDERICO: – Talvez pelo fato de ela perceber que eu gosto de você, Laura. – Ele decide contar.

LAURA: – Mas isso não é motivo, Frederico, pois eu também  gosto de você.

FREDERICO: – Não desse jeito que você está pensando. Eu sinto algo muito mais forte por você. Muito mais que amizade ou gratidão. – Revela enquanto olha nos olhos de Laura.

Laura sorri de forma tímida enquanto Frederico segura uma de suas mãos.

CONTINUA


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