Filho da Neve: Capítulo 1 (Segunda Temporada)


 

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Ilon olha para o horizonte, agora está no Palácio, um local que ele jamais pensou que pudesse colocar os pés, e muito menos ser o rei. Suas vestes estão totalmente diferentes das que usava quando era apenas um simples camponês, a coroa em sua cabeça ostenta ainda mais sua nobreza. As nevascas passaram e o que ficou foi apenas um frio convidativo, mesmo ele podendo controlar de forma completa os elementos já tão antigos, seus pensamentos vão longe, voam para um lugar que ele gostaria de não ter saído, mas foi preciso, e mesmo tendo consciência disso, ele se martiriza. Passos rápidos e leves são ouvidos por seus ouvidos aguçados, o rei de Felito então se vira e acompanha o aproximar de seu guerreiro, Savo, que percebe certa tristeza no olhar do soberano.

– Mestre! – Diz ao reverenciar o rei. Savo se põe de pé e olha nos olhos de Ilon. – Eu sei o que lhe perturba  tanto, meu rei, mas o senhor não pode ficar desse jeito.

– Você já me chama de senhor, isso que estou apenas há seis meses no trono, envelheci tanto, Savo? – Questiona mantendo seu olhar  firme e ao mesmo tempo triste.

– De forma alguma, meu rei. O senhor se encontra na sua jovialidade, o chamo assim pelo grande respeito que tenho por sua pessoa. – Responde já abrindo um sorriso, fato que faz Ilon se encher de alegria por saber que seu guerreiro e amigo diz a verdade. – Quero lhe informar que tomei a liberdade de organizar um baile junto com Marfel, e esse evento será nesta semana, espero que não fique  chateado.

– Não ficarei chateado de maneira alguma, meu amigo, e é bom que um baile seja feito, pois esse Reino parece necessitar disso mesmo. O meu tio proibiu tudo isso quando estava no trono.

– O seu tio não gostava de nada que remetesse à felicidade, e por isso impediu todo tipo de expressão de felicidade. Até mesmo os casamentos não  puderam ser mais realizados. – Informa Savo.

– Tudo isso está começando a mudar, Savo. Vejo que a felicidade voltou a reinar como outrora reinou.

– Por isso precisamos que o senhor esteja bem, que esteja feliz e não fique preocupado facilmente. Nós todos vamos ajudá-lo no que preciso for. – Diz, sorridente.

Savo deixa a sala do trono certo de que tudo ficará bem, está feliz por ter trazido o verdadeiro herdeiro do trono de volta ao seu verdadeiro lar. Ilon volta seu olhar para a janela enquanto a porta da  sala  se fecha. O rei está distraído em seus  pensamentos, porém mesmo assim consegue ouvir um pequeno ruído semelhante a voz se um ser pequenino, ele se assusta ao se virar e dar de cara com uma fada.

– Não se assuste, meu rei, sou Lazarim, eu só quero lhe falar. – Diz a pequena diante dos olhos arregalados do rei a bater rapidamente suas asas. – Eu e meus amigos necessitamos de sua ajuda, Ilon.

– Para que vocês precisam de mim, Lazarim? – Questiona o rei desejoso de poder ajudar.

– Uma força desconhecida está capturando toda a nossa família, não sei o objetivo, mas acredito que seja algo relacionado à felicidade, pois somos o primeiro grupo a ser dizimado caso alguém queira sumir de vez com a fonte de felicidade que move o Reino. – Responde com grande tristeza.

– Eu vou ajudá-los, prometo. – Afirma o rei passando um pouco de esperança para a fada na sua frente. – Vou avisar aos outros e logo partiremos para a sua terra. – Diz saindo da beirada da janela e dando alguns passos em direção a porta do salão.

– Não! – Diz a fada se pondo na frente do rei. – Apenas o senhor é suficiente, meu rei.

Ilon pára e olha novamente para a fada, que por sua vez está bastante nervosa, mas controla seu nervosismo.

– Tem certeza? – Questiona, intrigado.

– Absoluta, meu rei! Venha comigo, e antes do anoitecer já estaremos de volta, dou minha palavra.

– Bom, segundo as lendas, as fadas de sua espécie não mentem, então vou confiar, mas antes tenho de deixar uma mensagem ao meu irmão para que ele fique ciente de estou indo. – Informa o rei se dirigindo para o canto do salão no qual há uma pequena  mesa. Não há nada em cima da mesa, mas assim que Ilon se aproxima e estende a mão, um tinteiro, um papel amarelado e uma pena aparecem. – Será rápido. – Ilon se  põe a escrever um comunicado a Marfel, algo rápido que não leva muito tempo.

Lazarim, a fada espera impacientemente, algo que aumenta assim que ela com seus ouvidos sensíveis começa a ouvir passos e vozes se aproximando do salão. Ilon se levanta e se aproxima da fada, que sorri disfarçando sua preocupação.

– Podemos ir. – Afirma o rei, sorrindo.

– Chegaremos rápido! – Diz Lazarim ao retirar um pequeno potinho das mangas de sua minúscula camisa. – Elarenta Iremenzi. – Pronuncia a fada no mesmo instante que joga um punhado de pó sobre Ilon, que desaparece no mesmo instante. Lazarim segue logo atrás. Assim que os dois desaparecem, Savo e Marfel entram no salão e estranham que Ilon não esteja alí. Marfel  olha para Savo com dúvidas.

– Ele não está aqui, Savo! – Marfel caminha de um lado para o outro no salão procurando Ilon, mas não o vê. – Onde ele se meteu? – Questiona voltando seu olhar para Savo, que também não entende o que está acontecendo.

– Ele não passou pelo portão principal, Marfel.

Marfel olha para todos os lados e pára próximo da mesa onde Ilon escreveu o comunicado, o papel aparece de repente e voa para as mãos dele fazendo com que Savo se aproxime e também passe a ler o comunicado.

– Nosso rei está em perigo, Marfel. – Afirma o guerreiro com o velho papel em mãos.

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