Linha do Tempo: A Liberdade

Gosto de dizer que essa linha do tempo por mais que pareça ser invisível, a gente ou pelo menos eu sempre acabo esbarrando sem querer e fazendo tudo se embaralhar ou virar de cabeça para baixo, mas não perco a esperança de vê-la totalmente esticada e pronta para os meus saltos, que são muitos, de significados diferentes e intensos, cada um a sua maneira,  cada memória querendo ser a próxima no lembrar.

Lembro-me muito bem que o tumulto se fazia grande nas ruas da cidade que um dia foi uma pequena vila com apenas casas simples. As pessoas corriam de um lado para o outro, algumas iam e outras voltavam. Os que iam gritavam contra um inimigo maior que até então se fazia invisível e os que  voltavam, choravam de maneira compulsiva, eram carregados por braços amigos, por mãos irmãs. Eu olhava aquilo tudo meio atônito, perdido, pois acabara de chegar na cidade, minha volta não foi em boa hora. Uma grande parte da multidão se dispersou logo após um barulho ensurdecedor, e então eu pude  ver o inimigo que eles tentavam derrotar. Logo a multidão começou a se recompor e não desistir do que almejavam, eles caminhavam firme e certo, e eu fiquei paralisado, totalmente sem ação ao ver a violência em seu mais alto grau a ser empregado naquela rua, uma mistura de choro, de grito, de desespero, de horror.

O susto foi grande quando uma não tampou minha boca e me puxou com muita força para um beco que ficava ao lado da rua, fui virado como uma pena, tanta foi a força usada – ou era eu quem tinha perdido todas as forças mesmo, não sei ao certo – e me deparei com uma das pessoas responsáveis por cumprir a prisão da liberdade, então arregalei meus olhos e mais que depressa achei que só poderia ser meu fim, pois logo eu tinha a estranha mania de lutar com as palavras, fazer delas meu escudo, mas acreditei que naquela hora isso não me  serviria de nada. Aquela pessoa me encarou com olhos de mistério e eu a encarei com olhos de medo mesmo, e fiz algo  impensável quando vi que parecia ser realmente meu último momento.

Se me priva do que quero

Eu vou atrás

Proibir não vai impedir.

Depois de tanto tempo

Depois desse momento

Quero estar livre

Quero ser livre.

Dê sua mão à minha mão

E vamos ao horizonte

Vamos nos esquecer do ontem.

Está aqui a me olhar

Está aqui a ser o que não é 

Eu conheço seu olhar

Conheço seu perfume

Temos o mesmo caminhar

Não importa para onde o vento rume.

Venha se despedir de mim

Venha ver o que passou

Nós somos assim

Nem mesmo tempo nos mudou.

Abri os meus olhos devagar e pus a encarar o que me perseguia ou eu quem  lhe seguia, ainda não sabia. O olhar amedrontador deu lugar a um sorriso acolhedor que me fez lembrar de tudo que fomos capazes de viver, e mais uma vez estávamos alí, mais uma vez estava a ser salvo de todas as maneiras, logo me deu um abraço ainda mais acolhedor do que seu sorriso, nenhuma palavra foi dita por nenhum de nós dois, acredito que não era preciso em mais um reencontro desprogramado, perdi o medo de estar alí, pois reconheci o que sempre me encantou, o beijo que demos foi a chave que precisávamos para abrir o baú de nossa vida, finalmente. Nada mais me importava, nada mais poderia dizer alguma coisa a não ser seus beijos gulosos, que estavam a querer mais e mais de mim, no beco, mais uma vez no beco fomos nós mesmos, e dalí saímos para a vida, saímos para dançar com o amor, e celebrar a nossa liberdade, a liberdade daqueles que lutavam pela oportunidade de ser quem  realmente era.

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