AVASSALADOR: Capítulo 3


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Quando ele se foi, fiquei a pensar em tudo que já havia ocorrido até aquele momento, estava a ser intenso demais, rápido demais talvez, e eu parecia estar me deixando guiar por um hábito que eu já tive e pensei estar adormecido. Fui direto  ao meu  quarto onde me sentei na cama, peguei o notebook ao meu lado e comecei a escrever algumas coisas com relação aquilo tudo. Meu celular  tocou minutos depois que comecei  a escrever, era Josh.

– Fala, Josh! – Disse assim que atendi sua ligação.

– Como você está Ross? – Perguntou ele como sempre, atencioso.

– Estou bem na medida do possível, meu amigo. – Respondi tentando disfarçar tudo o que estava acontecendo, algo que não dá certo com relação ao meu melhor amigo que me conhece muito bem.

– O que houve? Parece que aconteceu algo ruim. Não vai me dizer? – Ele disse preocupado.

– Bem, não é nada, não algo de ruim, eu acho. Eu conheci uma pessoa ontem a noite, Josh. – Contei.

– Isso é bom demais, Ross, e como foi tudo? – Perguntou curioso como só ele sabe ser.

– Não foi, está sendo, Josh. Não sei mais ou menos o que está acontecendo, mas acho que é algo bom.

– Você deveria trazer ele amanhã para conhecermos. – Disse do outro lado da linha.

– Não, não sei se é uma boa ideia. E de qualquer forma ele vai embora de amanhã. – Disse sem certeza alguma.

– Bom, você é quem sabe, Ross.

Fiquei pensativo por alguns segundos. Sempre ficava assim quando era de certa forma, pressionado.

– Eu preciso ir, Josh.

– Tudo bem, mas venha amanhã sem falta!

– Estarei aí sim. – Afirmei enquanto retirava o celular de perto do meu ouvido. Eu desliguei e voltei ao que estava escrevendo no notebook.

Sempre que eu começava a escrever, parecia que aquele era meu mundo, minha única certeza e passa a horas escrevendo o que vivi, o que senti de forma intensa na minha vida.

As horas passaram rápidas demais e quando me dei conta já estava próximo do encontro que havia marcado com Ryan. Segui para o banheiro  e tomei um banho relaxante que por minutos pareceu tirar toda a preocupação de minha mente, porém isso terminou, essa boa sensação acabou quando sai da banheira. Ryan veio em meu pensamento, a noite era pra ser como uma despedida. Me arrumei da melhor forma que podia, não queria impressionar, de forma alguma, e segui para o ponto de ônibus, que por sua vez era sempre pontual, e logos minutos depois já me encontrava do outro lado da cidade bem em frente ao bar onde estaria Ryan. Não ia esperar ele na rua, então entrei e pedi uma bebida, fiquei próximo do bar enquanto aguardava sua chegada, não demorou muito para aparecer, e assim que apareceu pedi outra bebida para que ele pudesse me acompanhar.

Ryan era mais resolvido do que eu, mais despojado e um pouco sem limites, logo estávamos juntos de seus amigos, conversávamos, bebiamos, estava tudo  divertido. De repente Ryan se afastou de mim e foi conversar com outras pessoas, então fiquei na companhia de sua amiga, aliás não fui com a cara dela, não por maldade, mas acredito que nosso santo não tenha batido e o outro motivo foi principalmente pelo fato dela começar a falar da vida pessoal do Ryan, coisa que eu acho  que só cabia a ele me contar, se quisesse me contar.

Quando Ryan retornou, já um pouco alterado por conta de toda bebida que havia tomado, decidimos ir embora dalí, então pegamos o metrô e seguimos um próximo do outro até a estação que ficava poucas quadras de distância do meu apartamento. Assim que chegamos no apartamento, nos sentamos, estávamos bastante cansados de toda aquela farra. Eu o olhei, ele estava de frente para mim,  então toquei seu rosto com a ponta dos meus dedos, ele se arrepiou, eu sorri. Sua boca estava me convidando para um beijo, e de forma intensa eu o beijei como se não houvesse um amanhã, como se a boca dele tivesse o sabor ideal para mim. Sorrimos depois de desgrudarmos nossas bocas. Ele me encarava de uma forma carinhosa, que me deixava confuso.

– Que horas sai o seu voo amanhã? – Perguntei como se eu não desejasse nada. Ele me olhou, diminuiu um pouco o sorriso, mas sem deixar de perder sua graça.

– Acredito que seja quatro ou quatro e meia da tarde. – Respondeu  me  olhando nos olhos. – Temos  muito  tempo até lá. – Concluiu enquanto avançava sobre mim.

Senti o corpo de Ryan febril de desejo assim como o meu, e tiramos peça por peça de roupa um do outro até estarmos completamente nus. Ele me conduziu, parecendo conhecer meu apartamento melhor do que eu mesmo, e nos deitamos na cama, seu beijo molhado estava cada vez melhor, e era bom demais ter ele alí mais uma vez comigo. Senti sua ereção culminada  pela grande  trouxa de prazer que sentíamos, e me entreguei de forma plena, assim como ele  também se entregou de forma plena para mim, e o que fazíamos não era somente sexo, e sim algo muito mais forte, avassalador que somente eu parecia sentir de forma mais ativa.

Despertamos na madrugada ainda, ele entre meus braços, parecia um ser desprotegido, que eu desejava cuidar, mas que não conseguia admitir para mim mesmo. Ryan se virou ficando de frente para mim, e sorriu como se adivinhasse meus pensamentos, seus olhar se chocava com o meu na penumbra do quarto, e seu beijo foi calmo, leve e saboroso, pensei eu que ele queria dizer algo que a coragem pouca não permitia dizer, assim como acontecia comigo. Voltamos a dormir e acordamos quando eram dez horas da manhã, um domingo que começou diferente. Abri meus olhos e não o vi na  cama, e parece que um leve desespero tomou conta de mim, mas tratei de me acalmar assim que vi ele entrando no quarto com duas xícaras com café. Ryan me entregou uma das xícaras e se sentou ao meu lado, bebemos o café um admirando o outro de certa forma. Ele deixou a xícara em cima da cômoda e começou a se vestir, então senti que aquilo estava prestes a acabar e que o pareceu ser avassalador, não era tão avassalador de verdade.

– Escuta, Ryan… você não precisa… – Tentei dizer, mas senti seus dedos tocando meus lábios como se pedisse para que ey não dissesse nada.

– Não diga nada, Ross. – Pediu ele antes de me beijar mais uma vez.

Meu coração estava mais acelerado do que o normal quando vi ele parado próximo do parque que ficava no entorno do prédio onde eu morava. Ryan olhava para mim como se despedindo, olhou por alguns minutos e se foi.

O dia passou devagar, pelo menos a manhã foi assim, e quando a tarde chegou, estava eu pronto  para o aniversário de minha afilhada. Segui para a casa do Josh e as quatro horas da  tarde já  se aproximava, e quando lá cheguei, me surpreendi por não ter atrasado, então cumprimentei a todos, entreguei o presente da filha de Josh. No decorrer da comemoração fiquei meio deslocado, e Josh percebeu que eu de fato não estava com a cabeça alí. Josh me chamou para conversar, então fomos para fora.

– O que está acontecendo? – Perguntou realmente preocupado.

– Para falar a verdade, nem eu mesmo sei o que está acontecendo, Josh. Eu não sei o que mudou em mim. – Respondi enquanto pensava no quão avassalador foi para mim, o final de semana.

– Tem a ver com o cara que você falou? – Questionou querendo saber o que estava me fazendo ficar fora  de órbita.

– Tem sim, Josh. Eu o conheço há tão pouco tempo, mas sinto como se realmente não fosse assim. E agora que ele está indo  viajar, eu não sei, parece que me afetou muito  mais do que eu imaginei.

– Mas vocês ainda poderão se ver. – Diz sendo mais confiante do que eu.

Olhei para Josh,  que percebeu meus olhos marejados.

– Ele não vai voltar mais, Josh.

Josh olha impressionado para mim.

– Que horas é o voo dele? – Perguntou voltando seu olhar para o relógio de pulso.

– Quatro e meia ou quatro horas. – Respondi e logo percebi o que Josh procurava fazer. – Não, eu não vou fazer isso, Josh. – Disse sem convicção alguma.

Josh, meu melhor amigo me convenceu a ir atrás de Ryan no aeroporto, então segui com ele. Assim que cheguei no aeroporto, comecei a procurar pelo Ryan em toda parte, mas não fui eu quem vi ele, e sim foi ele quem me viu. Ele estava com uma  mala, se aproximou de mim, parecia estar um pouco confuso.

– Eu sabia que você iria vir! – Diz ao chegar perto de mim fazendo com que eu  me virasse e o encarasse antes de sorrir.

– Eu não posso deixar  você ir, não posso deixar que você saia da minha vida. – Disse tocando seu rosto.

Me despi de todo falso moralismo, de boa parte do preconceito que não me deixava viver como eu imaginei e o beijei no meio de todo mundo que por alí passava, um beijo que pedia sua estadia, que pedia a sua permanência ao meu  lado, no meu coração.

FIM

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