AVASSALADOR: Capítulo 2

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Ele tinha talento, inegável talento para fazer aquilo que me fez sorrir de orelha a orelha. Ele deixou de me mostrar o desenho e sorriu de forma farta. Agora era ele quem pareceu estar a analisar o seu próprio desenho, talvez tentasse encontrar algumas falhas. Ele levantou o olhar e me encarou.

– Você não gostou,  não é mesmo? – Perguntou se mantendo curioso. – Pode dizer, não se preocupe. – Completou parecendo estar com medo do que eu iria responder.

– Me diz como não gostar de algo feito tão bem? Eu gostei, e ele fica para mim. – Respondi pegando o desenho da mão dele. Eu sorri e olhei poucos segundos para o desenho e logo depois para o rosto dele. – Você trabalha com isso? – Questionei encantado pelas sua belíssima habilidade.

– Eu trabalho em uma galeria, faço basicamente tudo relacionado a arte. É a minha paixão. – Respondeu mantendo seu sorriso hipnotizante. – Você deve estar pensando que sou algum maluco por desenhar você depois de uma simples noite, mas é o meu hobby.  – Completou ele na tentativa, quem sabe, de se justificar por algo que não me importava tanto, pois naquele momento só me importava com o fato de uma pessoa estar na  minha frente se mostrando ser confiável.

– Você é maluco! Eu não me importo, de verdade. Você tem um grande talento, e eu sorte por ter passado a noite com você. – Disse fitando o desenho.

– Quase perdeu essa sorte se eu não tivesse te salvado do baixinho. – Comentou brincalhão.

– Foi o que me restou, pois você ficou me ignorando a maior parte do tempo.

– Não me leve a mal, mas eu estava de olho em outra pessoa. – Confessou, sincero.

Joguei um travesseiro nele, o qual ele segurou antes de tocar sua face. Nós dois começamos a rir.

– Então quer dizer que fui sua segunda opção? – Perguntei, mas não deixando de sorrir, não queria dar uma de louco.

– Foi. – Respondeu com toda sua sinceridade, uma coisa que já dava para notar que era mais uma de suas qualidades ou seria defeitos? Bem pelo menos para mim estava a ser uma coisa boa, então era qualidade. – Mas que importância isso tem? Não tem importância, pois o que importa é que estamos aqui juntos, passamos a noite juntos. – Sorriu maliciosamente. – Eu provei de você e você provou de mim. – Disse ao se inclinar para me beijar.

Um beijo, mais um beijo correspondido que parece de alguma forma ter afetado meu interior mais do que deveria, estava sendo avassalador. Perdi-me no tempo e quando vi, a xícara que eu segurava já estava em cima da cômoda branca ao lado da cama e a coisa entre nós esquentava outra vez até finalmente causar erupção.

Cai para o lado esquerdo da cama assim que saí de cima dele, estávamos mais uma vez cansados. Olhei no relógio que acessorava meu pulso e vi que estava próximo da hora de eu seguir para o trabalho, e ele pareceu adivinhar meus pensamentos. Logo estávamos próximo da porta da sala, devidamente vestidos, é claro, para não assustar qualquer pessoa que passasse pelo corredor. Ele estava com meu celular na mão e eu com o dele, trocávamos números.

– Está anotado. – Disse ele me entregando o meu celular.

– Veja se eu anotei o seu de maneira correta. – Pedi enquanto pegava o meu aparelho e entregava o dele.

– Está certo, sim… Ross. – Afirmou levantando seu olhar e sorrindo de maneira encantadora.

Até esse momento, não havia me atentado para o nome dele, então olhei  para o número que ele acabara de agendar no meu celular.

– Ryan… Ryan. – Disse como se quisesse gravar para nunca mais esquecer.

– Esse é o meu nome. – Afirmou brincalhão e se aproximando um pouco mais de mim, o beijo foi forte, quente e intenso. Ele se afastou devagar e voltou a sorrir como se desejasse me hipnotizar para sempre. – Bom trabalho! – Me desejou antes de sair do meu apartamento. Nossos olhares pareciam não se desgrudarem mais até que a porta do elevador se fechou.

Fechei a porta do apartamento e voltei direto ao meu quarto, ajeitei toda aquela bagunça, e me peguei pensando naquele estranho que dormiu comigo. Segui para o emprego, faltava meia hora no máximo, mas eu não queria me atrasar. Meu emprego era estar de olho na segurança de quem nadava pelo clube, um salva vidas, e como era sábado, tinha que ficar até o meio dia. Não era cansativo, muito pelo contrário, mas naquele dia estava diferente, um pouco chato até, e não sei o motivo, mas enviei uma mensagem para Ryan, dizendo estar fatigado, ele me respondeu algo que me deixou pensativo por um bom tempo até o horário do almoço, onde almocei em uma sala com dois colegas, que só sabiam falar de suas conquistas na noite anterior, parecia até não terem sentimentos,  talvez fossem uma máquina  que repetisse a mesma coisa todo sábado de manhã, tratavam as mulheres com quem haviam tido uma noite de amor da forma mais baixa possível, e eu só observava desejoso de que desse logo a minha hora e ela chegou pouquíssimo tempo depois.
Quando sai do trabalho, pude então constatar que a mensagem que Ryan me enviou não era brincadeira,  e ele realmente estava lá com duas latas de energéticos na mão. Me aproximei dele, que me entregou uma das latas, sempre mantendo seu belíssimo e encantador sorriso revelando seus dentes perfeitos.

– Saiu vivo, afinal!  – Disse brincalhão depois de me dar uma das latas de energético.

– Felizmente, sim. Não acreditei quando você disse que iria vir.

– Achei que você precisaria de uma companhia. – Ele Disse enquanto começamos a caminhar.

Não sei se era algo de minha cabeça que estava um pouco confusa naquele momento, mas ele parecia um bocado ansioso, e eu também não ficava para trás, porém acredito que ele não tenha percebido. Nossa caminhada durou mais ou menos de meia hora a quarenta minutos, e logo pude desfrutar do meu lugar predileto na companhia de Ryan, que pareceu já  se sentir em casa. Seguimos para a cozinha, onde eu ainda com una certa fome, comecei a preparar um lanche. Ryan se sentou a mesa depois de muito  tentar, com seus beijos quentes, me levar para o sofá.

– Você não quer comer? – Perguntei  enquanto me sentava de frente para ele.

– Eu já comi, Ross, mas muito obrigado. – Agradeceu enquanto me observava comer. Claro, fiquei um pouco desconcertado sob seu olhar que parecia tentar descobrir qualquer segredo meu.

Quando terminei meu sanduíche, ele olhou de forma maliciosa para mim, parecia pensar em algo para que eu gastasse  de uma vez as calorias daquele lanche.

– A gente pode fazer algo melhor, não acha? – Perguntou enquanto mordia os lábios inferiores.

– Isso vai dar mal digestão! – Brinquei enquanto observava ele se levantar e vir até mim. Eu me levantei e seguimos até o sofá da sala. Suas mãos estavam quentes e percorreram todo  meu  corpo assim que nos sentamos.

Sua respiração perto da minha, seu perfume inesquecível me deixaram hipnotizado. Suas mãos tocaram a parte da excitação e seu beijo abafou o meu gemido de prazer, e quando vimos, já nos encontrávamos nus no sofá, um sorrindo para o outro depois de ambos se aliviar de toda ‘tensão’. As conversas entre nós começava da maneira mais estranha possível, mas de uma forma incrível, tudo fluía bem. Contei a ele que não conhecia meus pais, e que vivi em lares de acolhimento até a minha adolescência, depois que iniciei no ensino médio, conheci meu melhor amigo, Josh, amigo esse que se faz irmão. Uma conversa tranquila onde ele me revelou com seu jeito incrível de ser, que todos ao seu redor sabia dele ser gay, e que levava isso numa boa, coisa que eu só contei para os amigos bem próximo, e evitava demonstrar meu gosto perto de pessoas que eu não conhecia. Nesse ponto éramos quase o oposto um do outro, eu retraído, e Ryan mais jogado, mais disposto a enfrentar os olhares do que não julgavam correto.

Parte da tarde de sábado com ele foi incrível. Ryan tinha uma forma de conquistar que me deixava embaraçado, mascarando  o que já estava nascendo em uma velocidade impressionante. Chegou a hora dele  ir, então o levei até a porta, que abri segundos depois. Ryan me beijou e saiu, seu olhar parecia um pouco diferente, deu para notar, quando voltei a olhar para a porta, ele voltou e parou bem de frente para mim.

– Eu tenho que contar uma coisa. – Disse de forma séria.

– Vai me dizer que tem namorado? – Cogitei ao perceber que poderia ser algo realmente sério.

– Não, eu não tenho namorado. É outra coisa, Ross. Não sei o motivo de estar querendo te contar isso, mas eu preciso. – Disse desatando a falar.  – Eu vou viajar amanhã, vou para a Europa, ficar um tempo lá, fazer um curso. – Disse,  finalmente.

Não sei o motivo ao certo, mas aquela informação pareceu ter caído feito uma bomba no meu terreno com um edifício de certeza que eu achava inconscientemente não ser capaz de cair.

– Sério? Bom, vejo que você está feliz por isso. – Disse sem saber o que realmente queria dizer.

Ryan me olhou com seu olhar indecifrável e sorriu.

– Bom, é isso. – Disse antes de sair novamente.

Mal deu tempo de respirar, e ele já estava de volta, parecia encabulado, seus olhos procuravam os meus com convicção.

– Esqueci. Você não quer ir a um encontro com meus amigos hoje a noite? Não sei, isso se você não tiver bem um compromisso. Você quer ir? – Disse ao me encarar.

– Eu não tenho nada pra hoje a noite, vou sim, Ryan. – Respondi enquanto ele se aproximava de mim. Nos beijamos.

– Aguardo você no bar ocidental. – Disse depois de nos beijarmos. Ele saiu do apartamento e eu fiquei atônito encostado na parede pensando  em tudo aquilo.

CONTINUA

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