AVASSALADOR: Capítulo 1


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Enquanto me banho na pequena, mas confortável banheira que há no banheiro do apartamento onde vivo, fico a pensar mais e mais na vida e em tudo que ela significa para mim, várias coisas rodeiam minha  mente e fiquei assim até terminar meu banho. Saí do banheiro e segui para o quarto afim de me vestir e seguir direto para uma noite com aqueles que eu considero amigos de verdade. Vesti minha cueca, calça e camisa, coloquei  os sapatos,  estava de certa forma ansioso para aproveitar a noite  de sexta-feira na companhia de meus amigos.

A noite se fazia agradabilíssima para mim, e assim que desci do ônibus, segui para a casa de Josh, um grande amigo ao qual eu prezo muito, havíamos combinado de eu estar em sua casa às oito horas da noite, mas como sempre, me atrasei, e quando cheguei parece que todos já me aguardavam.

– Que bom que você veio, Ross. – Disse Josh vindo em minha direção com seu sorriso sincero e com os braços abertos assim que me viu.

Recebi um abraço apertado, mais um para a grande coleção de abraços apertados que eu já tinha.

– Não poderia deixar de vir. – Respondi enquanto deixava de abraçar Josh. – Só cheguei um pouco atrasado novamente.

– Não se preocupe com isso, o que importa é que você está aqui.

Nós dois então seguimos para o meio dos nossos outros amigos que estavam na sala, cada um com um copo de bebida, logo me servi também e  comecei a beber. Começamos a contar histórias banais de nossas vidas, e as horas passaram rapidamente, até que me sentei em um sofá vazio um pouco distante, e meu amigo Josh percebeu que algo se passava comigo então veio até mim e se sentou ao meu lado.

– Está acontecendo alguma coisa, Ross?  – Perguntou sem muitos rodeios, afinal ele nunca foi rapaz de demorar para perguntar alguma coisa.

– Não, Josh. Está  tudo bem, fique tranquilo. Só estou  com algumas coisas do trabalho na cabeça, e por isso queria ficar um pouco com meus pensamentos. – Respondi antes de dar um último gole na bebida que ainda restava no meu copo.

– Está bem, mas saiba que se estiver acontecendo algo mais sério, pode me contar. – Disse sempre passando aquela confiança apenas pelo olhar que ele tinha desde que o conheço.

Josh ficou ao meu lado alí por um bom tempo ainda, até que me lembrei que na manhã seguinte, um sábado, teria que trabalhar. Olhei no meu relógio de pulso que havia comprado há alguns dias e constatei de imediato que deveria ir para casa se não quisesse perder a hora.

– Eu preciso ir. A noite foi maravilhosa. – Eu disse já esperando ser convencido pelo meu amigo a ficar um pouco mais.

– Fica mais um pouco, Ross. Você chegou não faz três ou quatro horas. – Disse Josh tentando me convencer a ficar mais um pouco naquela farra.

– Eu realmente tenho que ir, Josh, amanhã trabalho e não quero correr o risco de chegar atrasado. – Disse sorrindo, pois na minha  cabeça pareceu que eu havia sido rude.

– Tudo bem! Mas você vem no domingo, não?

– Está brincando? É claro que eu venho e vou tentar não chegar atrasado. – Respondi tocando no seu ombro e me levantando do sofá. Ele fez o mesmo segundos depois, e me abraçou como sempre.

– Venha mesmo. Todos nós aqui estaremos esperando por você. – Disse Josh me mantendo em seu abraço de amigo irmão.

Me despedi de todos que alí estavam com a promessa de voltar para o aniversário da filha de Josh, que era minha afilhada. Segui até o ponto de ônibus próximo dalí, e assim que o ônibus parou, entrei e parti. Diferente do que havia dito para Josh, não segui direto para a casa, até hoje me sinto culpado, pois eu sem querer acabei mentindo. Eu precisava terminar bem aquela noite, não sei de que forma, mas precisava, então saí do ônibus no centro da cidade onde eu morava há um bom tempo e fui até um bar bem movimentado e colorido.

Cheguei próximo do balcão onde servem as bebidas, pedi uma para mim e fiquei observando  o movimento. As pessoas alí estavam animadas, queriam se divertir, esquecer dos problemas, e também experimentar os  prazeres da vida. Minha bebida ia embora devagar, eu agora já fitava outra pessoa logo a minha frente, estava rodeada por alguns amigos, então não me atrevi a chegar um pouco mais perto, e nem mesmo sabia se teria chance. Quem estava sob o meu olhar, seguiu para o banheiro, e eu também com vontade de fazer minha necessidade, segui poucos segundos depois, e fiquei frustrado por ter sido de certa forma, ignorado. Voltei para o meu lugar no bar e poucos segundos depois me arranjei com outra pessoa, mas meu olhar só  queria aquele outro ser, a noite foi surpreendente demais.

Despertei no outro dia de manhã e segui para a cozinha, vi que o sol estava tímido entre as nuvens, e eu com uma ressaca, então preparei dois cafés rapidamente entre muitos bocejos, e levei as duas xícaras para o quarto. Ele estava sentado aos pés da cama e ao me ver com as xícaras, sorriu.

– Bom dia. – Eu disse enquanto encarava com cara amassada o seu olhar que parecia desvendar tudo ou pelo menos tentava.

– Bom dia! – Respondeu ele focando seu olhar em uma das xícaras. – Um é pra mim? – Perguntou sorridente.

– Sim, claro. – Afirmei ao entregar uma das xícaras em sua mão.

Ele começou a sorver o líquido e de vez em quando me olhava com um certo mistério. Ele que me ignorou na noite passada agora estava alí em minha cama, literalmente. Me sentei na cama enquanto observava e era observado, ele então se aproximou um pouco mais de mim, e sorriu como se houvesse algo engraçado, antes de eu colocar o café na boca, ele me fez parar.

– Espera! Você já escovou os dentes? – Perguntou se aproximando de mim para conferir.

– Não, eu não. – Respondi tampando minha boca com a mão. Mão essa que ele mesmo retirou da frente dela.

– Está com cheiro de menta. Você escovou sim. Quebrou uma regra importante do primeiro encontro. – Disse sorrindo.

Eu olhava para ele meio desconfiado, parecia não se importar com minhas olhadas intrigantes, somente sorria, parecia se divertir com meu embaraço momentâneo. Bebi um pouco do café na xícara, e assim pude desviar meu olhar do dele. Me surpreendi quando ele se levantou da cama ainda completamente nu e começou a procurar por algo, que eu francamente não fazia ideia do que poderia ser.

– O que você procura? – Perguntei já intrigado com seu andar e mexer de um lado para o outro.

Ele parou próximo da cama e me encarou com aqueles olhos inesquecíveis que pareciam vasculhar o meu interior.

– Você tem lápis e papel aqui? – Perguntou sem desviar o olhar por um segundo sequer.

– Tenho sim. Está na embaixo do notebook, o papel e o lápis do lado. – Respondi apontando com o dedo para que ele pudesse visualizar melhor onde estava o que procurava.

Ele, esse completo estranho que coloquei dentro de minha casa, do meu quarto só pelo fato de ter rolado uma química avassaladora, seguiu até onde eu havia indicado e mostrado e pegou o material que precisava.

– Isso serve! – Disse enquanto se sentava ao meu lado na cama.

Começou a me olhar de forma profunda enquanto manipulava o lápis no papel, quando tentei me mexer, ele não deixou, então eu sorri, assim como ele também.

– Fica melhor com um sorriso. – Afirmou alternando o olhar para mim, e para o papel.

Eu realmente não fazia ideia do que ele estava fazendo, e nem me dignava pensar no que poderia ser. Nossos olhares às vezes se encontravam, mas não conversavam, e  quando ele virou o papel para que eu pudesse ver o que ele fazia, no que trabalhava, me surpreendi muito, lá estava eu retratado em desenho preto e branco.

CONTINUA

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