A Jogada: Capítulo 17


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CENA 1: Maré Verde, Praia do Horizonte, Exterior, Tarde 

Enrique está completamente enquanto olha para o corpo a sua frente, ele sua frio enquanto se abaixa para verificar se a outra pessoa respira. Enrique suspira, um alívio toma conta de seu corpo e mente.

ENRIQUE: – Mas como isso é possível?  – Se questiona enquanto toca o rosto do outro  homem. – Ele é igual a mim, igual!

Enrique tem a razão, o homem deitado na areia da praia é igual a ele, a não ser pelos cabelos que se mostram bem baixinho. O outro homem começa a tossir e de repente expele uma boa quantidade de água pela boca, é Manoel. Enrique se levanta. Manoel abre os olhos e no início sua visão está meio turva, mas alguns minutos depois, ele  volta a enxergar  direito.

ENRIQUE: – Tudo bem aí? – Pergunta voltando a se aproximar.

Manoel fica boquiaberto, tem a impressão de estar de frente a um espelho onde ele pode ver seu reflexo.

MANOEL: – Eu morri? – Pergunta olhando para os lados depois  de se sentar. – Eu estou ficando louco?

ENRIQUE: – Não morremos, até onde eu sei.

MANOEL: – Quem é você? Eu só me lembro de estar sendo perseguido e cair no mar. – Diz olhando para Enrique,  que também o encara.

ENRIQUE:  – Eu sou Enrique e você?

MANOEL: – Eu sou Manoel. – Responde com um carregado sotaque português.

Os dois se olham parecendo estarem sem graça com alguma coisa. Manoel apresenta um corte superficial no rosto esquerdo e Enrique no lado direito. Manoel coloca a mão na cabeça.

ENRIQUE: – Você está bem mesmo?

MANOEL: – Acho que não, pois estou a ver dois de mim mesmo.– Responde encarando Enrique e firmando a vista. – És igual a mim.– Afirma estendendo a mão para tocar no rosto de Enrique. – Tu és real, não é coisa da minha cabeça! – Diz surpreso. – Como pode ser isso?

Enrique fica sem saber o que fazer ou falar, só olha para Manoel, seu espelho.


CENA 2: Bairro Beira Mar, Casa, Sala, Interior, Tarde

Uma mulher ouve a campainha tocar e segue a passos largos para atender a porta. Os cabelos cortados de forma curta dão um charme especial ao seu rosto angelical. A porta é aberta por suas mãos delicadas, e ela fica de frente para Eros.

EROS: – Sei que eu disse que não viria aqui quando fosse dia, mas tive que quebrar essa regra.

A mulher sai um pouco da frente dando  passagem para Eros.

EROS: – Escuta, Eliza! Não  dá para adiar mais. Você tem que contar tudo o que sabe  para a Polícia imediatamente. – Diz voltando seu olhar para terceira filha  de  Estefano.

ELIZA: – O que houve dessa vez, Eros?

Eros se senta no sofá e coloca as mãos na cabeça.

EROS: – Houve tudo, Eliza. Seu pai com certeza armou  outra para o meu filho, sem contar no acidente com a Soraia.

ELIZA: – Meu pai é um monstro.  Mas tenho medo, Eros.

EROS: – Medo do quê,  Eliza?

ELIZA: – Medo de ser presa. Medo do meu pai conseguir reverter todas as coisas a favor dele.

Eros se levanta e abraça Eliza.

EROS: – Prometo a você que isso não vai acontecer. Eu vou proteger você, pode confiar.


CENA 3: Bairro São Jorge, Casa de Teresa, Sala, Interior, Tarde

Teresa entra acompanhada de Igor. Dolores termina uma ligação assim que eles entram, ela tenta disfarçar a preocupação com Enrique.

DOLORES: – Que bom que você chegou, filha.

TERESA: – Há algum problema, mãe? A senhora parece  estar aflita.

DOLORES: – Não há nada, filha. Como foi lá?

TERESA: – Tenho uma surpresa para a senhora e para o Enrique.

DOLORES: – Não há nada sério?

TERESA (Sorrindo): – Depende, mãe.  Tem certeza que não está acontecendo nada?

DOLORES: – Tenho, filha. Vou lá no quarto e já volto.

Dolores sai da presença dos dois. Teresa olha para Igor.

TERESA: – Eu conheço ela e está acontecendo alguma coisa, Igor. Ela está estranha.

IGOR: – Talvez Teresa, mas também não pode ser nada, ela devia estar preocupada com sua saúde.

TERESA: – Deve ser isso, Igor. E obrigado mais  uma vez por ter perdido um pouco do seu tempo para me levar ao hospital, fico muito agradecida mesmo.

IGOR: – Que isso, Teresa! Sempre que precisar, pode contar comigo.


CENA 4: Bairo Alto, Casa de Lucas, Quarto, Interior , Tarde

Lucas está sentado na cama, olha de forma insistente para a tela do celular, não consegue acreditar no que acabara de ouvir.

LUCAS: – Isso deve ser um engano, não pode ser verdade! – Diz ao se levantar. – Vou ligar de novo e verificar tudo isso, não quero ficar na dúvida aqui.


CENA 5: Edifício Samir, Apartamento de Rebeca, Sala, Interior, Tarde

Soraia está inquieta, anda de um lado para o outro, seus olhos lacrimejam.

SORAIA: – Eu não vou aguentar mais isso! – Diz andando até a sua bolsa em cima do sofá.

Ela  pega a bolsa é verifica se Rebeca ainda está no banho, depois de ver que sim, ela abre a porta e sai do Apartamento.


CENA 6: Bairro São Jorge, Casa de Teresa, Sala, Interior, Tarde

Teresa continua a conversar com Igor quandp ouve um celular tocando. Ela logo nota que é o de Dolores, ela então  pega o aparelho é aceita a ligação.

TERESA (Ao Celular): – Alô!

Do outro lado da linha, Lucas percebe ser a voz de alguém mais jovem e deduz ser Teresa.

LUCAS (Do outro lado da linha): – Oi,  aqui é o Lucas. Eu gostaria de saber se o que aconteceu com o Enrique  é realmente verdade, parece que ele sofreu acidente no barco onde estava.

Teresa arregala os olhos, e desmaia com o impacto da notícia que ela não era sabedora. Igor se assusta, o celular cai no chão e a ligação se encerra. Teresa está desmaiada no sofá. Dolores vem do quarto e se assusta.

DOLORES: – O que aconteceu?

Igor levanta o olhar.

IGOR: – Alguém ligou para o seu celular, ela então atendeu e minutos depois desmaiou.

Dolores pega o celular do chão e verifica quem ligou. Igor tenta despertar Teresa.


CENA 7: Bairro Beira Mar, Casa de Eliza, Sala, Interior, Tarde 

Eliza está abraçada a Eros no sofá. Ele olha com preocupação enquanto afaga os cabelos dela.

ELIZA: – Você não contou tudo ao seu filho, não é mesmo?

EROS: – Eu não poderia, ele poderia fazer alguma burrada. Eu não queria vê-lo naquela cadeia de novo. Eu acho que ele nunca vai me perdoar quando souber que tem um irmão gêmeo.

ELIZA: – Ele vai perdoar sim, eu sei que vai, Eros.

EROS: – Eu não sei onde eu estava com a cabeça que não acabei com tudo isso há 25 anos atrás.

ELIZA: – Você teve compaixão, teve dó, Eros, coisa que meu pai nunca teve. Ele sumiu com seu outro filho, fez sua mulher enlouquecer até tirar a própria vida e não contente, conseguiu que você começasse a trabalhar para ele.

EROS: – Eu só fiz isso pelo Enrique, não queria que ele sumisse também. Mas do que adiantou? O Estefano quer nos matar de qualquer jeito.

ELIZA: – Tenho certeza que logo meu pai terá a justiça merecida.

EROS: – Assim eu espero, Eliza!


CENA 8: Praia do Horizonte, Exterior, Tarde

Enrique ajuda Manoel a andar até a sombra de um coqueiro, os dois se sentam lado a lado.

MANOEL: – Será que alguém vai nos encontrar?

ENRIQUE: – Essa é a parte mais remota da região litorânea de Maré Verde, Manoel, mas não vamos perder a esperança.

MANOEL: – O meu alento será saber  que eu fiz uma  coisa boa antes de morrer, vou colocar aquele infeliz do Estefano na cadeia.

ENRIQUE: – Você não vai morrer, ninguém vai morrer. – Diz pensando na outra parte que Manoel disse. – Você disse Estefano? Dono do Porto… – Manoel interrompe.

MANOEL: – Do Porto de Amaral! Ele acabou com minha vida, acabou com a vida da minha mãe, mas não estou fazendo mais por mim, mas sim por aqueles que ele ainda pensa em pisar em cima.

Enrique fica boquiaberto com tamanha revelação.

ENRIQUE: – Ele também acabou com a minha vida, com a vida do meu pai.

MANOEL: – Um homem desses não deveria mais estar entre nós, mas quem sou eu para decidir isso, não é mesmo? Deixar que a justiça faça o trabalho  dela.

Enrique encara mais uma vez a face de Manoel, que percebe  e passa a olhá-lo também.

ENRIQUE: – Qual a chance de sermos irmãos? – Pergunta analisando o olhar de Manoel.


CENA 9: Bairro Alto, Casa de Lucas, Sala, Interior, Tarde

Lucas vem do corredor, ele pára perto da mesa de centro e pega a chave de sua moto. Ariadna vem da cozinha.

ARIADNA: – Vai sair, Lucas?

LUCAS: – Vou, mana. Tenho que saber o que está acontecendo com o Enrique, está tudo muito estranho.

ARIADNA: – Mas vai com cuidado hein, Lucas!

LUCAS: – Eu irei e voltarei logo, mana.

Lucas passa pela irmã depois de beijar sua testa e sai do apartamento.


CENA 10: Centro, Casa de Estefano, Escritório, Tarde

Estefano toma um pouco de vinho em sua taça preferida, ele olha para fora, admira o sol quase se pondo, seu sorriso é de satisfação.

ESTEFANO: – Eles pensam que podem acabar comigo um dia, mas não podem, ninguém pode. – Afirma confiante. – Já que não querem estar ao meu lado, o lado da jogada certa, então que aguentem as consequências.

Estefano se assusta um pouco ao ouvir a porta do escritório bater com tanta força. Ele vira a cadeira e olha  para a porta, e fica sob a mira de um revólver.

ESTEFANO (Assustado): – Você? Mas como?

O gatilho é acionado. Estefano arregala os olhos.

ESTEFANO: – Calma! Você não vai fazer isso. A gente pode conversar.

A arma dispara. Três tiros carteiros no peito de Estefano, que debruça seu corpo sem vida na mesa.

CONTINUA 

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