A Jogada: Capítulo 9


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CENA 1: Maré Verde, Casa de Estefano, Escritório, Interior, Manhã 

Estefano olha com raiva para Lucas. Vê-lo depois de tanto tempo alí na sua frente o deixa com o sangue fervendo.  Um olha para o outro, e a recíproca é verdadeira.

ESTEFANO: – O que esse idiota está fazendo aqui, Soraia?

SORAIA: – Eu deixei que ele entrasse, pai.

ESTEFANO: – Então a idiota é você. Depois de tudo que esse cafajeste lhe fez, você ainda abre a porta de nossa casa para ele.

SORAIA: – Será que ele realmente fez alguma coisa, meu pai? Eu não acredito. A única coisa que ele fez foi não ter me contado que sempre suspeitou do senhor, foi isso o único erro dele.

ESTEFANO: – O que você quer dizer com tudo isso?

SORAIA: – O que você sabe, sempre soube. Tudo de ruim que aconteceu comigo e com a Eliza foi por culpa sua, mas você tratou de arrumar um jeito de fazer com que outros fossem culpados injustamente.

ESTEFANO: – Você vai preferir acreditar em mim ou nesse infeliz?

Soraia olha para Lucas, que os observa.

SORAIA: – Vou fazer o que eu deveria ter feito há muito tempo, que é prezar pela minha felicidade. – Responde dando alguns passos na direção de Lucas,  que lhe abraça.

ESTEFANO: – Você vai se arrepender do que está fazendo. Essa sua escolha não tem cabimento. Você prefere acreditar em um homem que lhe traiu com sua própria irmã do que no seu pai que sempre te protegeu.

SORAIA:  – Tudo isso deve ter sido uma armação sua. E você nunca protegeu eu ou minhas irmãs, você sempre protegeu a si mesmo.

Soraia sai do escritório e segue direto para a sala junto de Lucas.

LUCAS: – Você está disposta a enfrentar seu pai mesmo?

SORAIA: – Era o que eu deveria ter feito há muito tempo, pois sua visita foi crucial. Ele me manipulou só pra eu não  estar com você, ele destruiu a minha vida.

LUCAS: – Eu vou cuidar de você, não importa o que aconteça.


CENA 2: Bairro São Jorge, Casa de Teresa, Sala, Interior, Tarde

Teresa chega do trabalho, deixa sua bolsa em cima do sofá e se senta no outro, ela respira, parece estar cansada do dia que teve. Enrique vem pelo corredor e a vê sentada no sofá, então se aproxima.

ENRIQUE: – Como foi o trabalho hoje? – Pergunta enquanto se senta ao lado dela.

TERESA: – Foi meio esquisito, pois minha patroa não apareceu por lá  hoje, e ela não falta um dia. E de manhã eu fui atrás de respostas sobre meus pais verdadeiros.

ENRIQUE: – Você conseguiu alguma coisa?

TERESA: – Infelizmente não. Me veio uma dúvida  na cabeça, será que eles estão vivos? Eu temo que não.

ENRIQUE: – Eu vou ajudar você no que for preciso, meu amor, pode ter certeza. – Afirma ao tocar nas mãos de Teresa.

TERESA: – Obrigado, Enrique. – Agradece avançando para um abraço apertado.

ENRIQUE: – Eu amo você, e não importa o tempo que for, a gente vai descobrir tudo sobre seus pais. Agora mudando de assunto, o Hugo veio me procurar.

TERESA: – O Hugo? Para quê?

ENRIQUE: – Ele veio me oferecer um emprego, meu amor. Quer que eu comece amanhã mesmo na Marina.

TERESA (Sorrindo): – Isso é maravilhoso, meu amor, muito mais por saber que o Hugo não é um sem coração como aqueles que diziam serem seus amigos.

ENRIQUE: – Também estou muito feliz. Eu queria muito mesmo voltar a trabalhar e ainda mais com o que eu gosto.

Teresa volta a abraçar Enrique, que a beija apaixonadamente.


DIAS DEPOIS

CENA 3: Edifício Samir, Apartamento de Igor, Sala, Interior, Manhã 

Igor toma uma xícara com café, ele olha constantemente para o relógio de pulso e fica pensando no que aconteceu nos dias que se passaram, parece se controlar para não explodir a raiva que está sentindo.

IGOR: – Ele me trocou por aquele recém chegado, nem mesmo deu uma oportunidade de eu fazer tudo direito. – Diz enquanto se aproxima da janela com sua xícara na mão. – Mas se ele quer me jogar para o escanteio depois de ter ajudado a manter o Império que possui, então será do jeito dele, mas vou lembrar à ele do que sei. – Afirma abrindo um sorriso.

Igor começa a se lembrar do dia em que Teresa esteve em seu apartamento à procura dos pais.

IGOR: – Eu deveria ter contado tudo, deveria mesmo. Não fui eu quem matei os pais  dela. Eu sequer sabia quem era Renato Amorim e Ingrid Valzanto, mas o Estefano sempre soube, e por isso mandou que os matassem. Se ele não devolver o meu cargo, não terei motivos para não contar afinal.


CENA 4: Centro, Casa de Estefano, Escritório, Interior, Manhã 

Estefano olha para porta, na certa espera por alguém, e a porta logo se abre, Eugênio entra. Estefano se levanta e segue para perto dele. Eugênio é pego  de surpresa por um tapa que leva no rosto, que logo fica avermelhado.

ESTEFANO: – Incompetente! Você deixou minha filha escapar de você, seu idiota. Agora ela está lá nos braços do Lucas novamente, algo que eu nunca pensei que  fosse voltar a acontecer.

EUGÊNIO: – Desculpa, senhor! Eu não fiquei atento e deixei tudo isso acontecer.

ESTEFANO: – Só vou desculpar você se caso elimine com excelência o infeliz do Lucas Serrano. Não quero falhas, entendeu?

EUGÊNIO: – Entendi, senhor e já sei muito bem o que fazer. Não  vou falhar dessa vez.


CENA 5: Porto de Amaral, Exterior, Tarde

Manoel vistoria todo o embarque e desembarque dos produtos ilícitos que Estefano manda e recebe. Ele saca o celular e faz algumas imagens discretas, e assim que termina, dá início a uma ligação. Pacheco observa um pouco distante.

PACHECO: – O que esse português está inventando?  – Se pergunta enquanto observa Manoel sorrir depois de encerrar a ligação. – Eu tenho que descobrir que mistério envolve esse daí.

Manoel volta a dar algumas ordens, e parece perceber que está sendo observado de forma discreta.

MANOEL: – Tudo isso vai acabar logo. – Afirma abrindo um sorriso.


CENA 6: Bairro Alto, Casa de Lucas, Sala, Interior, Noite

Soraia se senta no sofá ao lado de Lucas, e sorri quando toca sua mão.

SORAIA: – Eu me sinto segura com você.

LUCAS: – Vou proteger você sempre.

SORAIA: – Já era pra termos uma vida juntos há muito  tempo, mas as jogadas de meu pai não deixaram que isso acontecesse.

LUCAS: – Mas agora as jogadas dele não servirão de mais nada, meu amor, prometo para você.

Soraia e Lucas se beijam de forma apaixonada.


CENA 7: Marina/Rua, Exterior, Noite

Enrique sai do barco onde trabalha com intenção de ir para casa, está cansado, e quando vira  a esquina avista seu pai, que parece se esconder. Enrique chama Eros, mas ele não escuta, é quando o rapaz  vê seu pai tocando a campainha  de uma casa.

ENRIQUE (Pensando): – Não sabia que meu pai tinha parentes aqui. Bom, talvez seja algum amigo.

A porta da casa onde Eros tocou a campainha se abre e uma mulher belíssima sai da casa e se aproxima do pai dele.

ENRIQUE (Pensando): – Ou amiga. Mas quem é essa mulher?

Enrique observa os dois se beijando, então  Eros entra para dentro da casa. Enrique fica intrigado.


CENA 8: Edifício Samir, Apartamento de Igor, Sala, Interior, Noite

Igor assiste televisão de forma tranquila quando ouve batidas na porta, são constantes e a pessoa do outro lado parece estar com raiva. Igor se levanta do sofá.

IGOR: – Já vai, já vai!

Igor abre a porta e Estefano entra bufando de raiva.

ESTEFANO: – O que você acha que está fazendo? – Questiona se controlando para não avançar no pescoço de Igor, que não demonstra estar intimidado.

CONTINUA

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