A Jogada: Capítulo 8

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CENA 1: Maré Verde, Edifício Samir, Apartamento de Igor, Interior, Manhã 

Teresa se encontra de frente para Igor,  que tenta entender o que a moça faz alí. Os dois se encaram por alguns minutos. Teresa pensa na noite passada quando Dolores lhe revelou tudo o que sabia.

IGOR: – Aconteceu algo com a Dolores?

TERESA: – Não, não aconteceu nada com nossa mãe.

Igor se espanta ao ouvir tais palavras. Ele desvia o olhar por um pequeno instante, agora temendo um pouco mais a presença de Teresa alí.  Ela percebe a mudança do semblante de Igor.

IGOR: – Como?

TERESA: – Ela me contou tudo ontem, não tudo, pois ela não sabe quem são meus pais. Fique tranquilo, pois não vim julgar você, mas para outra coisa

IGOR: – O que seria?

TERESA: – Eu quero saber quem são meus pais verdadeiros, e segundo nossa mãe disse, você provavelmente deve saber quem é. – Responde enquanto mantêm seu olhar de dúvida e esperança para Igor, que por sua vez não consegue manter seus olhos na mesma direção do que Teresa.


CENA 2: Porto de Amaral, Exterior, Manhã 

Estefano sai de seu carro e retira o óculos preto enquanto caminha até seus homens, ao seu lado está Manoel. Pacheco se aproxima do chefe, que o encara.

ESTEFANO: – Onde está o Igor, Pacheco?

PACHECO: – Ele não chegou ainda, chefe.

ESTEFANO: – Como assim ainda não chegou? O combinado é que ele já estivesse aqui. O Igor não está me dando opção.

MANOEL: – Talvez tenha acontecido alguma coisa, senhor.

ESTEFANO: – Pode ser, vamos ver quando chegar o que de tão  importante ele estava fazendo para não ter chego aqui primeiro. Ligue para ele, Pacheco, e diga que o emprego dele  depende disso, e que não adianta querer me enganar.

PACHECO: – Tudo bem, chefe!

Estefano olha para Manoel.

ESTEFANO (Para Manoel): – Vou terminar de mostrar tudo para você,  e logo você entenderá como tudo isso funciona.

Os dois voltam a andar, seguem até um caminhão onde vários homens retiram caixas e mais caixas de dentro do baú.


CENA 3: Centro, Casa de Estefano, Interior, Manhã 

Soraia olha para Lucas, que também a olha com muita atenção. Os dois começam a se lembrar do motivo por terem se separado.

SORAIA: – Eu nunca pensei que fosse ver você novamente.

LUCAS: – Eu também pensei o mesmo sobre você, mas aqui estou depois de muito tempo.

SORAIA: – O que você veio fazer, Lucas?

LUCAS: – Eu vim para contar o que aconteceu naquele dia, Soraia.

SORAIA: – Como assim o que aconteceu naquele dia? Eu sei muito bem o que aconteceu naquele dia, Lucas. Você me traiu com minha própria irmã, qual é a explicação para isso?

LUCAS: – Eu nunca trai você. Jamais faria isso, jamais! Aquele dia eu recebi a visita de seu pai, ele me ofereceu dinheiro para não me casar com você e eu não aceitei, então ele me elogiou por não ter aceitado, e depois começamos a falar de você. – Conta olhando nos olhos da mulher que sempre amou. – Seu pai me propôs um brinde e eu inocente, aceitei, depois não me lembro de mais nada, somente de você gritando quando entrou no meu quarto e me flagrou com sua irmã alí do lado. Eu não sei como a Eliza foi parar lá.

Soraia nunca ouviu a explicação de Lucas, e agora vê que cometeu um erro, pois eles sempre juraram confiar um no outro acima de tudo, mas ela naquele momento não compriu isso. Em sua mente vem imagens de tudo o que aconteceu.

SORAIA: – E logo depois minha irmã sumiu.

Lucas se espanta com tal revelação. Soraia volta a olhar para Lucas depois de abaixar a cabeça por um pequeno instante.

LUCAS: – Como?

SORAIA: – A Eliza sumiu logo após eu ter visto ela com você na cama. Eu fui atrás dela no apartamento, queria saber os motivos dela, mas não a encontrei.

LUCAS: – Eu nunca soube que ela tinha desaparecido. Depois de tudo o que você viu, que você não quis mais saber de mim, eu perdi tudo, e tive que recomeçar do zero, Soraia. Você sempre soube que seu pai não me queria na sua família, e nem mesmo isso você levou em consideração, nem mesmo tentou me ouvir.


CENA 4: Bairro São Jorge, Casa de Teresa, Interior, Manhã 

Dolores olha pela janela, se lembra do dia em que Igor trouxe Teresa para ela, mas seu nome não era esse e sim, Sofia. Dolores põe a mão na cabeça, ela chora.

DOLORES: – Será que o Igor me contou e eu não me lembro? Eu gostaria de lembrar se ele contou, não quero deixar minha filha nessa escuridão de dúvidas.

Enrique se aproxima de Dolores.

ENRIQUE: – A gente vai descobrir, dona Dolores, cedo ou tarde a gente  vai saber quem  são os pais verdadeiros dela.

DOLORES: – Eu tenho tanto medo que de alguma forma ela se revolte com a vida.

ENRIQUE: – Não vamos deixar isso acontecer. A Teresa é uma pessoa boa, e nós estaremos do lado dela, assim como vocês estiveram ao meu lado.

DOLORES: – A Teresa tem muita sorte de ter você.

ENRIQUE: – E eu a ela, dona Dolores. Amo demais sua filha.


CENA 5: Edifício Samir, Apartamento de Igor, Sala, Interior, Manhã 

Teresa está sentada no sofá e Igor ao seu lado, um pouco mais distante. Ela coloca as mãos na cabeça.

TERESA: – Então você realmente não sabe quem são meus pais?

Igor desvia o olhar mais uma vez quando começa a se lembrar de quando e como os pais dela morreram.

IGOR: – Se eu soubesse, contava Teresa, mas realmente não sei quem são eles. Aquele dia que eu encontrei você na rua, só pensei em levar você para um lugar seguro e tirar você da rua, mas eu não vi ninguém com você.

Teresa se levanta do sofá.

TERESA: – Desculpa por ter tomado seu tempo, Igor. Eu realmente precisava vir aqui depois que nossa mãe contou tudo.

Teresa segue em direção à porta enquanto Igor a observa atentamente, parece pensar em algo muito sério. Quando Teresa toca na maçaneta, ele a faz parar.

IGOR: – Espere! Posso fazer uma pergunta?

Teresa se vira e volta a olhar para Igor.

TERESA: – Sim, pode fazer.

IGOR: – Se você soubesse quem são eles, o que mudaria?

TERESA: – Talvez nada mudasse ou tudo mudasse, não sei ao certo, pois nem mesmo sei se eles estão bem. Mas  eu vou descobrir quem são eles.

IGOR: – Eu vou lhe ajudar no quer for preciso.

TERESA: – Obrigado, Igor.

Teresa sai do apartamento de Igor, que segue para o quarto.


CENA 6: Edifício Samir, Apartamento de Igor, Quarto, Interior, Manhã

Igor entra no quarto onde vê a tela de seu celular piscando sem parar, ele o pega e vê chamadas de Pacheco,  rapidamente atende a ligação.

IGOR (Ao Celular): – O Que houve, Pacheco?

PACHECO (Do outro lado da linha): – O Estefano está aqui, ele veio novamente, e quando não viu você, ficou com muita raiva, e ele está com o novo assistente dele.

IGOR (Ao Celular): – Eu já estou indo. Não vou deixar que o Estefano acabe dando meu lugar para ouro. Diz antes de encerrar a ligação.


CENA 7: Porto de Amaral, Exterior, Manhã 

Estefano conversa algumas coisas com Manoel, que demonstra um grande entusiasmo no assunto, ele avista o carro de Igor chegando. Igor sai do carro, e segue apressado assim que avista Estefano.

ESTEFANO: – Que bom que você resolveu aparecer.

IGOR: – Tive um contratempo, senhor, peço desculpas.

Estefano se aproxima um pouco mais de Igor, que o olha nos olhos.

ESTEFANO: – Você sabe  que no que trabalhamos é preciso pontualidade ou estamos perdidos, mas você sempre resolve se atrasar.

IGOR: – Só foi dessa vez, senhor.

ESTEFANO: – Que bom, e espero que não haja outra vez. Você sabe o que acontece com quem  brinca comigo. – Diz voltando seu olhar para o horizonte além do mar. – Há muitos peixes com fome lá embaixo. – Sorri intimidando Igor.

Estefano segue para o carro, sorridente.


CENA 8: Centro, Casa de Estefano, Escritório, Interior, Manhã 

Soraia caminha de um lado para o outro enquanto Lucas a observa, atento. Ela pára e olha para Lucas.

SORAIA: – Meu pai fez tudo isso, e eu esse tempo todo só desconfiando do sumiço da minha irmã.

LUCAS: – Eu não tenho provas concretas para acusar ele, mas minhas suspeitas são sobre ele é você não tem o dever de acreditar em mim, eu só vim esclarecer tudo o que ficou mal esclarecido.

Lucas se encaminha para porta, mas sente uma mão em seu ombro.

SORAIA: – Não me deixe sozinha, pois se tudo isso for verdade, eu não sei o que fazer para parar meu pai, Lucas. E nem sei se há forma para que ele pare. – Pede se aproximando um pouco mais do corpo de Lucas.

Lucas sente um arrepio ao sentir o perfume de Soraia, um perfume que parece ser o que ela sempre usou. O beijo acontece de forma surpreendente para os dois que se entregam ao reencontro depois de tanto tempo separados. A porta do escritório se abre.

ESTEFANO: – O que é isso aqui?

Soraia e Lucas param de se beijar e olham para Estefano que fecha as mãos quando reconhece Lucas.

CONTINUA

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