Linha do Tempo: Beco de Memórias


Essa linha do tempo que às vezes embola e se torna um verdadeiro mistério, fico sem saber onde devo puxar para acabar com o embaraço, mas aí enfim consigo deixá-la na forma em que deve estar para que eu possa nela me equilibrar e pisar no local certo sem me arrepender depois do passo que dei.

A noite estava parecida com o dia, não, eu não estava na Finlândia, meus caros, estava em terras desconhecidas que ninguém sabia dizer o nome certo, mas que já tivera muitos nomes de diferentes significados, e a claridade não era do sol, era da lua que iluminava todo o céu como nunca. Eu estava  admirado demais, pois em toda minha vida, que não era tantos anos assim, nunca tinha visto um astro tão belo, e fiquei a admirar tanta beleza enquanto meus amigos inseparáveis, o papel, o tinteiro e a pena me faziam companhia, na certa estavam pensando que eu procurava inspiração por meio da lua, mas se pensaram assim, eu digo que não, pois  já tinha guardado na mente o que eu queria montar no papel, mas sendo humilde, a lua serviu de inspiração sim, e constatei que não era só para mim, mas também para um jovem casal que subiu o mesmo monte que eu. Os dois me presentearam com um sorriso largo assim que me avistaram sentado perto de uma árvore frondosa, mas que eu não conhecia, porém naquele tempo ela estava repleto de alguns frutos, amarelos e outros ainda verdes e exalava um aroma instigante.

 Naquele tempo também, eu era passivo de uma curiosidade absurda, mas de forma estranha eu não consegui me levantar e incomodá-los como alguns donos de periódicos faziam, me acalmei e voltei meu olhar para a lua, que parece que me contava os segredos dos dois alí a minha frente,  e eu não precisava do segredo alheio, então virei-me, ignorando ela. Olhei para o papel em minha perna, e o tinteiro com a pena ao  alcance de minha mão, alguns poderiam perguntar o motivo por eu ainda usá-los, já que estávamos em uma época de canetas tinteiro que diziam meus colegas poetas serem mais discretas, eu simplesmente não queria abandonar meus amigos, faziam parte de mim.

Molhei a ponta da pena no tinteiro e então lá fui eu mais uma vez começar a vestir as letras para mais um espetáculo, e o palco dessa vez estava digno dos melhores teatros da Europa, parecia impecável até mesmo para mim, que em certos momentos era tomado de grande preguiça. Rosas, mais uma vez as rosas, seu perfume inebriante veio até mim como se soubesse do que eu precisava para despertar meus sentidos, e encontrar o que parecia estar perdido há um bom tempo, não me contive e virei o meu rosto para trás pensando já ser tarde demais para um encontro de olhares, mas não era,  nunca foi tarde, e aquele olhar já era de meu conhecimento, estava me perseguindo ou seria eu quem  estava perseguindo sua caminhada pelo tempo? O que eu realmente sei é que minhas mãos não se aquietaram, então o início do espetáculo foi antecipado.

Por onde deve andar?

Será que ainda se lembra do nossos últimos encontros

Nem eu e nem você estávamos realmente prontos

Mesmo assim insistimos no nosso deleitar.

Seu sorriso e você sempre me encontram 

Mesmo que haja tantas estradas

Mesmo que para um de nós a sina esteja terminada.

Repousa em mim o desejo, a luxúria de ter você mais uma vez

Para penetrar seu âmago com fascínio desnudado

Despejar todo amor inacabado.

Por onde andas ser cheio de sentimentos?

Que parece me procurar nos ventos 

Que cria os certos momentos

Que se aventura pelo tempo 

Procurando sempre levar um pouco mais de mim.

Deixo que me leve

Desde que você se entregue 

Ao que temos, ao que sabemos que teremos 

Se nossas mãos se tocarem além dessa alcova.

Ao concluir o espetáculo, vi que não tinha mais motivos para continuar brigado com a lua, então olhei para ela e fiz as pazes, e tenho certeza que ela aceitou o meu perdão. Não vi mais ninguém à minha frente,  na certa o espectáculo durou mais do que imaginei, e já era tarde da noite. Recolhi meus amigos com cuidado e comecei a descer o morro que me levava até a vila  onde já residia há um bom tempo, onde muitos já me conheciam e outros não faziam questão alguma de conhecer, mas não guardo mágoas, pois eram pessoas que não gostavam nem delas mesmas. Segui pela rua de chão, e as construções às vezes atrapahavam a luz da belíssima lua e um breu se formava, mas o medo não ousava me tocar enquanto seguia meu caminho. Assim que entrei no beco que me levaria a minha  humilde morada, senti um toque no ombro que foi intenso e leve ao mesmo tempo, e parece que o medo aproveitou e tentou invadir a minha mente, então virei de imediato ficando de frente com quem eu pensava ter perdido, para quem às vezes corri tanto risco, seu sorriso na penumbra ficava ainda mais encantador, e logo o medo tratou de fugir, e um abraço apertado recebi de quem sempre  me inspirou, então não esperei por mais tempo, tudo aconteceu alí, infelizmente aos olhos dos meus amigos que presenciaram toda volúpia de uma relação, que alguns poderiam dizer ser repleta de sortilégio, outros uma relação repleta de intensa paixão e vasto amor, eu digo que havia um pouco de tudo.

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3 comentários sobre “Linha do Tempo: Beco de Memórias

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