A Jogada: Capítulo 6

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CENA 1: Maré Verde, Bairro Alto, Casa de Lucas, Interior, Noite

Lucas agradece Enrique por estar confiando nele e encerra a ligação. Ele lembra mais uma vez do que lhe aconteceu por causa de suas suspeitas. Lucas encara o celular, que apaga a luz.

LUCAS: – A justiça será feita, meu amigo, isso eu garanto. Minha vida, a sua e vai saber de quem mais foi destruída e isso não vai ficar assim de maneira alguma. – Promete enquanto já pensa por onde deve começar.


CENA 2: Maré Verde, Casa de Estefano, Escritório, Interior, Noite

Estefano está no escritório, analisa a documentação financeira do porto que administra quando Manoel entra com um certo receio. Ele pára próximo da porta.

MANOEL: – Querias falar comigo?

Estefano levanta o olhar para observar Manoel.

ESTEFANO: – Sim, eu ainda quero e acredito que seja algo do seu endereço. Entre e feche a porta, por favor.

Manoel faz o que Estefano pede e segue até próximo da mesa dele. Estefano se ajeita na cadeira e encara o namorado de sua filha, que fica intrigado.

ESTEFANO: – Me diga, o que você pretende fazer depois que se adaptar ao Brasil?

MANOEL: – Pretendo trabalhar no melhor que aparecer para mim. – Responde também passando a encarar Estefano.

ESTEFANO: – Bom, eu nunca fui de rodeios e também não será agora que vou dar voltas em uma conversa. Quer trabalhar para mim? Eu dei uma excelente olhada no que aconteceu com você em Portugal e creio que preciso de uma pessoa como você para ajudar o Igor na administração daquilo tudo, o que me diz?

MANOEL: – Não sei se devo, senhor, pois acabamos de nos conhecer, e não sei se estou a altura das suas empresas.

ESTEFANO: – Você está mais que a altura,  meu rapaz, fique tranquilo, pois o que eu descobri sobre você fica só pra mim, claro, se você aceitar minha proposta. – Diz sorrindo em seguida.

Manoel finge estar pensativo, que está a pensar na proposta até devolver um olhar firme para Estefano, que se admira.

MANOEL: – Eu aceito, senhor. – Afirma abrindo um sorriso.

ESTEFANO: – Tenho certeza de que você não vai se arrepender. – Diz estendendo a mão para cumprimentá-lo.

MANOEL (Pensando): – Também tenho certeza.


CENA 3: Maré Verde, Bairro São Jorge, Casa de Teresa, Quarto, Interior

Enrique se mostra um pouco mais animado ao se deitar na cama ao lado de Teresa, que encosta sua cabeça no peito dele.

TERESA: – Você está mais alegre, o que houve?

ENRIQUE: – Só estou mais disposto a viver, a continuar minha vida ao seu lado. – Responde antes de afagar os cabelos dela.

TERESA: – Era tudo o  que eu mais  queira, meu amor. – Afirma antes de beijar as mãos dele.

ENRIQUE: – Prometo não desistir de nós  nunca.

TERESA: – Confesso que achei isso enquanto você estava naquele lugar horrível, pensei que você iria se esquecer de mim.

ENRIQUE: – Jamais, de maneira alguma vou me esquecer de você, Teresa. Você é o amor da minha vida, é inesquecível. – Afirma antes de beijá-la. – Eu amo você, muito. – Sorri entre os beijos.


CENA 4: Maré Verde 

O movimento na cidade diminui, poucos veículos circulam pela avenida. A noite passa, o sol logo aponta no horizonte.


CENA 5: Maré Verde, Porto de Amaral, Manhã 

Igor chega no porto assim que amanhece, e sai do carro de forma apressada até avistar Pacheco vindo em sua direção.

IGOR: – Vim assim que você me ligou, Pacheco. Você  encontrou o informante?

PACHECO: – Infelizmente não, mas tem uma coisa que eu não consegui enviar, senhor Igor.

IGOR: – O que você não conseguiu evitar?

PACHECO: – O Estefano ficou sabendo de absolutamente tudo.

IGOR: – Droga! Isso não era para ter acontecido. Ele  vai perder a confiança em mim, com certeza.

Igor só nota a presença de Estefano alí quando se vira e fica de frente para ele.

ESTEFANO: – Eu não vou perder algo que já perdi há um bom tempo, Igor. Por mais que você tente,  nunca consegue fazer algo direito, pensando nisso, trouxe o Manoel para nos  ajudar.

Igor olha de cima abaixo em Manoel e volta seu olhar  para Estefano.

IGOR: – Ele é de confiança?

ESTEFANO: – Caso não fosse, eu não o teria trazido até aqui. – Responde  ao lançar um olhar  de desaprovação para Igor.

Estefano segue com Manoel, afim de lhe mostrar tudo enquanto Igor  os encara com raiva. Ao longe um homem observa atentamente sem se deixar ser visto, é Eros.

EROS: – Estefano sempre comete erros tolos.


CENA 6: Maré Verde, Casa de Estefano, Sala, Interior, Manhã

Soraia está sentada no sofá da sala.  Rebeca desce pela escada e vai até a irmã e fica admirada ao vê-la alí.

REBECA: – Não vai ao Hotel hoje, mana? – Pergunta  se sentando ao lado de Soraia.

SORAIA: – Eu tenho um encontro daqui a pouco com o Eugênio, Rebeca.

REBECA: – Fico feliz por você, de verdade. Só quero que você se cuide e não se deixe magoar, está bem?

Soraia segura a mão de Rebeca.

SORAIA: – Tudo ficará bem, mana. Não vai acontecer o mesmo  que aconteceu com o Lucas.

REBECA: – Vocês estavam prestes a se casarem e aconteceu aquilo, você ficou mal muito tempo, e não quero vê-la magoada daquele jeito.

SORAIA: – Eu vou me cuidar, prometo.

Rebeca abraça a irmã, que pensa em Lucas.


CENA 7: Maré Verde, Bairro Alto,  Casa de Lucas, Sala, Interior, Manhã 

Ariadna sai do quarto e segue para a sala e encontra seu irmão sentado no sofá a olhar para a tela do celular, ela vê de relance que é uma foto de Soraia.

ARIADNA: – Você ainda não se esqueceu dela, não é mesmo, irmão?

LUCAS: – É difícil demais esquecer de quem a gente ama, mana.– Responde olhando para ela.

ARIADNA: – E você tem certeza de que foi o Estefano quem arnou tudo aquilo, não é?

LUCAS: – Absoluta certeza,  pois só ele que não engolia sua filha namorando um investigador da Polícia. Aquele infeliz destruiu a vida da Soraia e da Eliza, além da minha,  mas tenho certeza que esse jogo ainda vai virar, mana.

ARIADNA: – Pode contar comigo para o que precisar, meu irmão.


CENA 8: Maré Verde 

Um navio de carga deixa o Porto de Amaral e segue. Alguns barcos estão ancorados na marina, um casal passeia e se beija de forma constante.


CENA 9: Maré Verde, Marina, Exterior, Manhã

Enrique caminha junto de Teresa, os dois relembram os bons momentos que passaram alí.

ENRIQUE: – Foi aqui que a gente se conheceu, lembra?

TERESA: – A gente era pequeno ainda, seu pai trabalhava aqui e minha mãe também, então vivíamos grudados.

ENRIQUE: – Você foi a melhor coisa que me aconteceu, Teresa. Quero ficar para sempre ao seu lado.

TERESA: – Eu também quero ficar pra sempre ao seu lado. E Eu vou ajudar você a conseguir um emprego, prometo, mesmo que você recuse.

ENRIQUE (Sorrindo): – Não estou em condições  de recusar, meu amor.

Os dois se beijam apaixonadamente. Teresa  afasta seus lábios dos de Enrique e sorri como se fosse a primeira vez que tivessem se vendo. Os dois voltam a caminhar lado a lado até que ouvem alguém correndo, Enrique se vira e reconhece o pai mesmo estando diferente, Teresa também reconhece Eros, que pára na frente do filho, ofegante.

EROS: – Eu tive sorte em encontrar você aqui ainda.

ENRIQUE: – O que houve? – Questiona intrigado com a presença de seu pai.

EROS: – Mais uma vez perdão por ter feito tudo oque eu fiz, mas eu amo você filho, nunca se esqueça disso. E estou aqui pra dizer à vocês tudo o que eu sei, tudo o que eu tenho contra àqueles que te mandaram para prisão. – Diz olhando nos olhos de Enrique.


CENA 10: Maré Verde, Marina, Exterior, Manhã 

Igor caminha enquanto observa o mar e quando olha um pouco mais adiante no caminho que segue, vê algo que o deixa perplexo.

IGOR: – Ele está vivo? Não pode ser! Ele não pode me ver aqui de maneira alguma. – Afirma paralisado enquanto olha para onde está Teresa, Enrique e Eros.

Igor consegue dar meia volta sem ser notado e vai em direção ao carro onde se apoia no capô.

IGOR: – Isso só pode ser um pesadelo, meu Deus! O que falta agora? O que falta?

Igor entra no carro e acelera, assustando algumas pessoas que estão perto.


CENA 11: Maré Verde, Bairro São Jorge, Casa de Teresa, Sala, Interior, Manhã 

Teresa e Enrique chegam acompanhados de Eros, que assim que vê Dolores, a abraça com muito carinho.

EROS: – Eu demorei, mas voltei, minha amiga. – Diz saindo do abraço.

DOLORES: – Espero que dessa vez seja para ficar.

Eros olha para Enrique.

EROS: – Isso não depende de mim, Dolores.

ENRIQUE: – Eu entendi que o que o senhor fez não foi com má intenção, pai, então se quiser, pode ficar,  não vou ficar chateado, e é muito melhor ter o senhor por perto.

DOLORES: – Você já contou pra eles?

EROS: – O que eu consigo me lembrar, sim, mas sei que ainda há muita coisa que eu preciso me lembrar. E você, contou à Teresa, Dolores?

Teresa se espanta. Ela se levanta do lado de Enrique.

TERESA: – Contar o que, mãe?

Dolores abaixa a cabeça diante do questionamento. Enrique olha com compreensão  para a senhora que levanta o olhar. Ela sabe que agora  não dá mais  para adiar.

CONTINUA

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