A Jogada: Capítulo 5


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CENA 1: Maré Verde, Edifício Samir, Apartamento de Igor, Quarto, Interior, Manhã 

Igor fica extremamente pensativo depois de lembrar de tudo que aconteceu em parte do seu passado, e olha para Ariadna, que o encara. Igor se levanta da cama.

IGOR: – Você precisa ir. – Diz tentando evitar olhar para ela.

ARIADNA: – Mas pensei que eu poderia ficar.

IGOR: – Pensou errado, Ariadna. Eu sempre fui sozinho e não seria agora que isso vai começar a mudar, não posso abrigar você aqui.

Ariadna sai da cama apenas de lingerie e olha nos olhos de Igor.

ARIADNA: – Você precisava se livrar dessas memórias que lhe atormentam, que o impede de viver plenamente.

IGOR: – Se eu me livrar dessas memórias, fizer com que elas  deixem de estar somente em minha mente, você não vai me ver nunca mais, há muita coisa em jogo.

ARIADNA: – Eu sei que dentro dessa casca dura, tem um homem maravilhoso, mas o fato é que você não quer mudar, não quer deixar de ter medo da verdade. Eu vou embora, procurei você achando que finalmente poderíamos viver em paz, mas não dá se você mesmo não está em paz com sua pessoa.

Igor olha para Ariadna, que se vira e começa a procurar suas roupas. Igor olha pela janela do quarto, e pensa na vida.


CENA 2: Maré Verde, Casa de Estefano, Escritório, Interior, Manhã 

Estefano olha de forma séria para o computador, porém logo um sorriso de satisfação começa a estampar seu rosto. Ela olha para Eugênio, que também sorri.

ESTEFANO: – Outro dia estava achando a chegada desse Manoel estranha, mas hoje vejo que ela foi providencial.

EUGÊNIO: – Você viu os antecedentes dele dentro da Polícia. Ele é perfeito, não acha, senhor Estefano?

ESTEFANO: – Realmente, ele é perfeito, Eugênio.  Estávamos precisando de alguém como ele nos nossos negócios.

EUGÊNIO: – E como faremos para convencer esse português?

ESTEFANO: – Isso você deixa comigo e logo ele estará conosco.

EUGÊNIO: – Disso eu não duvido, senhor. Tenho certeza que você vai conseguir, pois sempre consegue o que deseja.


CENA 3: Maré Verde

A praia é tomada por muitas pessoas, tanto na areia como na água. Ao longe em uma parte onde não há tantas pessoas, uma mulher caminha de forma lenta, parece estar pensando na vida, é Ariadna.


CENA 4: Maré Verde, Bairro São Jorge, Casa de Teresa, Sala, Interior, Manhã 

Enrique continua  em pé próximo da janela, pensando em tudo que ficou  a saber. Teresa se aproxima do namorado.

TERESA: – O que você  vai fazer? – Pergunta fazendo com que Enrique olhe  para ela.

ENRIQUE: – Eu não sei, Teresa, realmente não sei. Você acha que eu deveria perdoar ele?

Teresa abraça Enrique, que encosta a cabeça  no ombro dela.

TERESA: – Eu acredito que você deva fazer o que seu coração manda,  sem medo de achar que vai errar, meu amor.

ENRIQUE: – Você é a melhor mulher do mundo, Teresa, obrigado por estar comigo. – Diz beijando o rosto dela em seguida.

TERESA: – Eu sempre vou te apoiar, Enrique, sempre. – Afirma tocando no rosto de Enrique, que se emociona.

Enrique sai do abraço e volta a olhar pela janela.

ENRIQUE: – Eu vou reconstruir a minha vida ao seu lado, prometo. – Diz voltando a olhar  para Teresa, que se aproxima um pouco mais dele e os dois então se beijam.


CENA 5: Maré Verde, Bairro Alto, Casa de Lucas, Interior, Manhã 

Lucas termina de vestir seu uniforme, então pega a chave em cima da estante, a campainha toca e ele segue para atender, assim que abre a porta, se depara com sua irmã alí.

LUCAS: – Ariadna?

ARIADNA: – Sou eu mesmo, irmão. Desculpa ter vindo sem avisar.

LUCAS: – Não precisa se desculpar, entre! – Diz saindo do caminho.

Ariadna entra e se senta no sofá da casa do irmão. Lucas fecha a porta.

LUCAS: – Deixa eu adivinhar, você e o Igor terminaram novamente?  – Questiona se sentando ao lado dela.

ARIADNA: – Acredito que a gente nunca teve nada mais sério do que só atração mesmo.

LUCAS: – Típico daquele tipo de homem. Não sei o motivo de você ter se encantado logo pelo Igor de Amaro, minha irmã. Você sabe  o que eu penso dele.

ARIADNA: – Achei que eu poderia mudar ele, mas você tinha razão em achar que o passado dele sempre será mais  forte.

LUCAS: – Só espero que você não volte a confiar  em tipos como aquele.

ARIADNA: – Eu posso ficar aqui?

LUCAS: – Que pergunta! Claro que pode, mana, essa casa também é sua.

Ariadna abraça o irmão, agradecida pelo apoio incondicional.


CENA 6: Maré Verde 

As últimas pessoas vão deixando a praia com a aproximação de uma nuvem de chuva. Logo uma chuva fina e constante começa a cair. Alguns navios atracam no Porto de Amaral.


CENA 7: Maré Verde, Porto de Amaro, Interior, Tarde

Igor estaciona seu carro próximo da entrada do escritório que funciona alí mesmo. Devido a chuva que cai, ele sai do veículo e entra rapidamente no local. Igor segue direto até onde alguns homens estão a embalar alguns produtos.

IGOR: – Chegou toda a mercadoria na Europa como combinamos, Pacheco ? – Pergunta ao se aproximar de um homem que supervisiona tudo.

Pacheco olha para Igor, e os dois seguem para um canto reservado.

PACHECO: – Bom, senhor, nada saiu como planejamos, pois a Polícia Internacional acabou descobrindo.

IGOR: – Mas como isso foi acontecer?

PACHECO: – Eu desconfio que há algum informante aqui junto de nós, pois só assim a Polícia iria descobrir tudo.

IGOR: – Não deixe que isso chegue aos ouvidos do Estefano, pois isso não seria bom para ninguém. Você vai ne ajudar a descobrir se há um informante da polícia aqui e se tiver, teremos que eliminá-lo.


CENA 8: Maré Verde, Hotel Gold, Interior, Tarde

Soraia está em sua sala, ela olha para fora e admira a chuva caindo, e pensa na irmã, Eliza.

SORAIA: – Eu sei que você está viva, minha irmã e eu vou encontrar você, prometo.

Soraia se levanta da cadeira, pega a bolsa em cima da mesa e segue para fora da sala. A chuva agora enfraqueceu do lado de fora. Ela segue para o carro que está estacionado do outro lado da rua.

Eugênio está parado próximo do carro e fica admirado ao ver Soraia, que por sua vez tenta abrir a porta do carro, que destrava. Soraia não vê, mas um carro vem em alta  velocidade, Eugênio corre até ela e  a pega de surpresa, o carro passa e arremessa uma grande quantidade de água em Eugênio, diferente de Soraia, que não se molha por causa do corpo de Eugênio. Ela o olha de forma encantada.


CENA 9: Maré Verde, Bairro São Jorge, Casa de Teresa, Interior, Tarde

Enrique está sentado no sofá, parece pensar em algo muito sério, ele olha para o celular que está em suas mãos. Em sua mente vem a imagem de Lucas, o agente penitenciário.

ENRIQUE (Pensando): – Ele pode me ajudar a colocar esses infelizes que acabaram com a minha vida na cadeia. Eu não vou ter medo de fazer justiça, não importa quem esteja por trás disso.

Enrique procura o número agendado de Lucas, e inicia a chamada.


CENA 10: Maré Verde

O sol se põe de maneira belíssima após as nuvens de chuva se espalharem. Uma noite fria começa. O movimento das ruas aumentam.


CENA 11: Maré Verde, Casa de Estefano, Sala,  Interior, Noite

Rebeca está abraça à  Manoel, os dois estão sentados no sofá enquanto são observados por Estefano que está no alto da escada. Estefano analisa de longe o seu genro, e sorri.

ESTEFANO: – Logo você estará trabalhando para mim. – Afirma mantendo um sorriso no rosto.

De repente a porta se abre e Soraia entra sorridente na companhia de Eugênio. Rebeca fica intrigada  ao ver o mesmo homem que mais  cedo esteve com seu pai, agora na companhia de sua irmã.

SORAIA (Sorrindo): – Desculpa, gente, mas nós, não, na verdade o Eugênio se molhou todo tentando me proteger, a água era pra mim. – Ela volta seu olhar para Eugênio. – Vem comigo, eu vou lhe arranjar algumas roupas.

Eugênio segue Soraia. Estefano vê a cena e se enche de felicidade.

ESTEFANO  (Pensando): – Eu sempre consigo aquilo que eu quero.


CENA 12: Maré Verde, Bairro Alto, Casa de Lucas, Sala, Interior, Noite

Lucas chega do trabalho, e assim que entra liga o aparelho de celular e vê a chamada de um número até então desconhecido.

LUCAS: – Será que era ele? – Se pergunta enquanto pensa em Enrique. – Vou retornar. – Diz decidido.

Lucas retorna a ligação, e logo Enrique atende.

LUCAS (Ao Celular): – Alô! Enrique?

ENRIQUE (Do outro lado da linha): – Eu mesmo, Lucas. Eu liguei mais cedo pra saber se aquela sua proposta ainda está de pé.

LUCAS (Ao Celular): – Claro, Enrique. A hora, o momento que você quiser, a gente começa. – Diz se encaminhando para perto da janela. – Nós  vamos fazer justiça, meu amigo, te prometo. – Afirma se lembrando de como perdeu seu cargo na Polícia.


Flashback 

Maré Verde, 2010

Lucas chega cedo no trabalho, vai até uma sala reservada e coloca seu distintivo pendurado no pescoço como se fosse um colar, se identifica como Investigador. Ele segue para sua sala, abre a porta e se espanta.

LUCAS: – Cadê as minhas coisas?  – Se questiona ao não ver nada de suas coisas que deveria ser sua sala.

Logo um homem se aproxima por trás e se identifica como Delegado Faustino.

FAUSTINO: – Você foi transferido, Investigador Lucas, o caso do Eros Vivaro não lhe pertence a partir de hoje. – Informa entrando na sala. – E na verdade acho que você não foi bem transferido. – Diz com ar de deboche.

Lucas olha com raiva para o home na sua frente, fica com os punhos cerrados e olhos cheios de sangue.

Fim do Flashback 


LUCAS (Ao Celular): – Obrigado por não ter descartado tudo que conversamos nesse tempo, Enrique.

CONTINUA

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