A Jogada: Capítulo 3


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CENA 1: Maré Verde, Centro, Hospital, Quarto, Interior, Manhã 

Enrique olha para Dolores que demonstra estar sofrendo por conta de tudo o que aconteceu no seu passado. A senhora confiou em Enrique e contou um pouco de seu passado e o jovem rapaz conseguiu ligar os pontos de imediato. Dolores agora olha para Enrique em busca de compreensão, talvez, e ele entende o seu desejo.

ENRIQUE: – Sei que não é o certo, mas fique tranquila, pois não direi nada do que me contou para a Teresa, pois a acredito que isso seja uma coisa que a senhora deva fazer, Dolores.

DOLORES: – Obrigada, Enrique, sei que vai ser difícil pra você mentir pra quem tanto ama, mas eu prometo contar tudo para Teresa assim que eu fizer a operação.

ENRIQUE: – A Senhora tem certeza de que esse seu filho vai lhe ajudar? – Questiona duvidoso por saber do que o primogênito de Dolores foi capaz de fazer.

DOLORES: – Eu mantenho a esperança que sim, mesmo que isso pareça impossível, eu quero acreditar que ainda habita nele, o menino de bom coração.

ENRIQUE: – Quer que eu tente mais uma vez?

Dolores balança a cabeça de forma positiva, então Enrique se põe a ligar para o filho do passado de Dolores, que pode vir a ser o seu presente.


CENA 2: Maré Verde, Edifício Samir, Apartamento de Igor, Sala, Interior, Manhã 

Igor anda de um lado para o outro e de vez em quando pára e olha de forma atenta para o telefone, que parou de tocar há muitos minutos, ele tenta adivinhar quem pode ter sido o autor da ligação, mas nada de concreto se forma em suas diversas ideias.

IGOR: – Será que foi ela quem me ligou? – Se pergunta ao se lembrar da noite que conheceu a mulher que o deixou desconcertado. – Não, não deve ser ela.

O telefone toca novamente e Igor toma a decisão de atender mesmo com receio de quem pudesse ser. Igor coloca o aparelho sem fio no ouvido e arregala os olhos ao reconhecer tal voz do outro lado da linha, o passado que não parecia ter mais volta, decidiu por retornar.


CENA 3: Maré Verde 

A manhã chega ao seu fim, logo a tarde se inicia. Algumas pessoas aproveitam que o sol não está tão quente, e começam a caminhar pela areia da praia. Outras pessoas andam de bicicleta e outras de skate e patins.


CENA 4: Maré Verde, Hotel Gold, Interior, Tarde

Teresa está feliz por um lado, pois foi promovida, mas por outro está preocupada demais com sua mãe, porém mesmo assim consegue fazer seu trabalho de forma impecável, e logo vê o expediente terminar. Teresa deixa seu local de trabalho e consegue um táxi assim que sai na calçada, e ruma para o hospital, afim de saber como está Dolores.

TERESA: – Não tive coragem de pedir o empréstimo hoje, mas amanhã eu terei, tenho certeza. – Diz confiante enquanto o táxi segue em direção ao hospital.


CENA 5: Maré Verde, Casa de Estefano, Sala, Interior, Tarde

A casa está quieta, apenas um som de ópera pode ser ouvido vindo do escritório de Estefano. A porta da sala se abre, e uma jovem moça entra puxando algumas malas, ela as deixa próximo do sofá e segue para a porta novamente, é Rebeca.

REBECA: – Vem, Manoel, não precisa ficar com receio, pois sei que ele vai atender.

Um homem amorenado, alto e sorridente pega na mão de Rebeca, os dois entram e fecham a porta. Rebeca se vira e vê seu pai na porta do escritório, ela segue rapidamente até ele o abraçando.

REBECA: – Paizinho, olha, só cheguei agora, pois o avião teve problema no pouso, mas agora estou aqui.

ESTEFANO: – Já estava na hora da senhorita voltar, e parece Que não veio sozinha. – Diz antes de beijar a testa da filha.

Rebeca sai do abraço do pai, e vai até Manoel e segura em sua mão.

REBECA: – Esse aqui é o Manoel Ferreira, pai, meu namorado. – Diz Rebeca antes de beijá-lo e em seguida sorrir. 

ESTEFANO: – É muito bom ver que você seguiu os meus conselhos, filha.

A porta se abre novamente, e Soraia entra, e seu sorriso é enorme ao ver que sua irmã voltou da viagem. Soraia vai até Rebeca e a abraça de forma apertada.

SORAIA: – Achei que não ia voltar mais, mana. – Diz abraçada a irmã.

REBECA: – Eu também achei isso, pois Portugal é tão lindo, quase desisto de voltar ao Brasil.

SORAIA: – Se isso acontecesse, eu iria ter contigo, pode ter certeza.

As duas irmãs sorriem e voltam a se abraçar.


CENA 6: Maré Verde

O sol se põe, uma belíssima imagem, alguns jovens pulam do Alto de uma pedra no mar, enquanto a noite vem surgindo.


CENA 7: Maré Verde, Centro, Hospital, Quarto, Interior, Noite

Teresa está abraçada à Enrique, estão a espera da conclusão de mais um exame de Dolores, logo o médico aparece com uma expressão não muito boa.

TERESA: – O que houve, doutor?

MÉDICO: – Foi constatado um avanço significativo da doença de sua mãe, e é preciso que a gente faça essa operação o mais rápido possível.

Teresa e Enrique se olham, não tem como pagar a operação, mas também não podem deixar Dolores morrer. Eles ouvem passos atrás deles.

IGOR: – Quanto custa a operação, doutor? – Pergunta ao se aproximar dos três.

Teresa e Enrique olham para aquele até então desconhecido. Enrique se lembra do telefonema feito por Dolores, e constata que ele deve ser o filho de Dolores. O médico diz o valor da operação para Igor, e desperta Teresa e Enrique dos pensamentos distante.

IGOR: – Não há problemas, pode iniciar a operação, doutor.

TERESA (Sussurrando para Enrique): – Quem é ele?

ENRIQUE: – Sua mãe vai dizer pra você depois que tudo isso passar. – Responde abraçando Teresa.

Igor encara Enrique antes de seguir com o médico, e o rapaz não deixa por menos, mantêm seu olhar duro para o desconhecido. Enrique estranhamente começa a se lembrar da noite anterior quando foi pego.


CENA 8: Maré Verde, Casa de Estefano, Sala de Jantar, Interior, Noite

Todos estão sentados à mesa. Rebeca nota que o clima entre seu pai e sua irmã ainda não está nada bem desde que tudo aconteceu. Soraia por sua vez come calada, mas está mais feliz por não estar mais sozinha naquela casa.

ESTEFANO: – E então, rapaz, o que você fazia em Portugal? – Pergunta diretamente a Manoel, que termina se saborear a comida antes de responder.

Rebeca fica apreensiva, e Soraia nota, mas não sabe o motivo. Manoel desvia o olhar por pequenos segundos para a namorada, mas volta a olhar para Estefano, que aguarda a resposta enquanto leva à boca mais um pouco de comida.

MANOEL: – Eu era policial, senhor Estefano. – Responde se mantendo atento.

Estefano arregala os olhos diante de tal resposta, e quase se engasga, mas toma um pouco de água e tenta não transparecer que ficara surpreso. Manoel parece analisar o pai de sua namorada.

ESTEFANO: – Bom, eu preciso adiantar algumas coisas do Porto, mas fique a vontade, minhas filhas lhe farão companhia. – Diz ao se levantar e sair da mesa.

Estefano segue direto para o escritório. Rebeca olha para Manoel.

REBECA: – Não liga, ele é assim mesmo, focado demais no trabalho.

MANOEL: – Eu entendo, meu amor. – Diz, sorridente se mostrando compreensivo.


CENA 9: Maré Verde 

O movimento de veículos nas avenidas da cidade é intenso. Várias pessoas aproveitam a noite fresca e passeiam no parque Central.


CENA 10: Maré Verde , Bairro São Jorge, Casa de Teresa, Interior, Noite

Enrique sai do táxi e pede para o taxista aguardá-lo, ele entra na casa e nota algo estranho alí. Ele aperta o botão que liga a lâmpada e vê boa parte da sala revirada.

ENRIQUE: – O que houve aqui? – Se pergunta olhando em volta.

O rapaz ouve um barulho vindo da cozinha e segue para o outro cômodo rapidamente e se depara com uma pessoa tentando sair pela porta dos fundos.

ENRIQUE: – Parado aí! – Grita se mantendo atento. – Quem é você

A pessoa se vira ficando de frente para Enrique, que se espanta com o que vê.

ENRIQUE: – Não, não pode ser!


Flashback

Maré Verde, 2009

Enrique chora em seu quarto. A porta se abre e Teresa entra vai até o namorado que está sentado na cama.

TERESA: – Eu sei que é uma perda difícil, Enrique, mas eu e minha mãe estamos aqui para lhe apoiar em tudo.

Enrique segura a mão de Teresa e a beija.

ENRIQUE: – Obrigado, Teresa, de verdade por estar comigo nesse momento. Eu não sei como será daqui pra frente, meu pai era meu porto seguro e o tiraram de mim.

TERESA: – Mas se Deus quiser, a justiça será feita, Enrique.

Teresa abraça Enrique, que se permite chorar a morte de seu pai na noite de natal, no ombro de sua amada.

Fim do Flashback 


ENRIQUE: – Você não pode estar aqui, não pode, estou ficando louco. – Diz olhando para a pessoa a sua frente.

CONTINUA

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