A Jogada: Capítulo 2


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CENA 1: Maré Verde, Edifício Samir, Apartamento de Igor, Quarto, Interior, Noite 

Igor retira um cigarro da carteira que está sobre a cama, tira um isqueiro do bolso da calça, então acende o cigarro e começa a tragar. Ele olha para a foto amassada e a pega novamente, logo coloca fogo na imagem, querendo se esquecer do passado que parece querer atormentá-lo.

IGOR: – Não posso fraquejar, não posso fazer isso. Aquilo ficou no passado e ninguém vai descobrir o que eu escondo, ninguém jamais descobrirá.

Igor pega seu celular e se dirige para a sala, onde abre a porta e sai do apartamento, desejoso de esquecer da imagem da mulher na foto.


CENA 2: Maré Verde, Centro, Hospital, Quarto, Interior, Noite

Dolores desperta dentro do quarto de hospital,  ao seu lado está a filha, Teresa, que abre um sorriso de pleno alívio ao vê-la acordada.

TERESA: – Como a senhora está, mãe?

DOLORES: – Isso nunca havia acontecido comigo, filha.

TERESA: – Não foi isso que o doutor me disse. Quando a senhora iria me contar que está doente e precisa de uma operação rápida, mãe?

DOLORES: – Eu não queria preocupar você, filha, pois sua felicidade vem antes de tudo para mim.

Teresa se aproxima um pouco mais da mãe, e lhe segura a mão.

TERESA: – Eu vou arrumar esse dinheiro mãe, e a senhora vai fazer essa operação.

DOLORES: – Como você vai fazer isso, filha?

TERESA: – Vou pedir emprestado para a minha patroa. Ela é uma pessoa boa e com certeza vai entender. Não vou deixar a senhora sem essa operação, mãe.

Dolores olha para a porta do quarto onde está internada.

DOLORES: – O Enrique não veio com você, filha?

TERESA: – Ele ficou de vir, mãe, já deve estar chegando.


CENA 3: Maré Verde, Porto de Amaral, Interior, Noite

Enrique está encapuzado, tudo feito para que ele não reconheça o homem que quer falar com ele. Igor sai de seu carro de forma apressada e entra em um beco atrás de um depósito, ele avista dois homens mantendo outro imobilizado.

IGOR: – Podem deixá-lo solto, rapazes. Garanto que ele não representa tanto perigo assim quanto aparenta.

HOMEM: – Tem certeza, chefe?

IGOR: – É  claro que eu tenho certeza.

Igor dispensa os homens e fica a sós com Enrique.

IGOR: – O que eu tenho pra fazer será rápido. – Diz ao se aproximar de Enrique que devido a venda em seu rosto, não consegue ver quem está  alí. 

ENRIQUE: – Se vai me matar, mata  logo de uma vez seja você quem for.

IGOR: – Calma, rapaz, não é isso que eu vim fazer. – Afirma sorrindo. – Vim apenas dar um pequeno aviso, e acho bom você ouvir e não esquecer jamais disso. Você deve fingir que nada aconteceu há 7 anos, que nada, absolutamente nada houve naquele dia ou você não verá a luz do sol novamente. Não ouse querer dizer nada à Polícia, pois não vão acreditar em um criminoso e se você não quiser se afundar mais ainda, ouça bem esse aviso.

Enrique se mantêm calado, somente atento ao som da voz de quem fala. Igor sorri mais uma vez acreditando que conseguiu deixa-lo com medo. Os dois homens que pegaram Enrique voltam e o levam até o carro, e partem em alta velocidade.

IGOR: – Acho bom que ele tenha escutado, pois da próxima vez não serei eu quem  vou falar , se é que  haverá conversa.


CENA 4: Maré Verde, Bairro São Jorge, Casa de Teresa, Exterior, Noite 

O carro Preto para em frente a casa de Teresa, os homens esperam Enrique descer e arrancam com o veículo.  Enrique olha com muita raiva.

ENRIQUE: – Isso não vai ficar barato. Se pensam que podem me intimidar, estão enganados. Meu pai não morreu em vão.

Enrique olha para o relógio de pulso e vê a hora, ele segue pela calçada enquanto é observado por alguém. Enrique tem a sensação de estar sendo  observado, então se vira, mas não vê ninguém, e volta a andar.


CENA 5: Maré Verde, Centro, Casa de Estefano, Sala, Interior, Noite 

Soraia está sentada no sofá mexendo no notebook, está atenta à administração do hotel no qual gerencia.

SORAIA: – Tudo está muito bem, não há nada para se preocupar, mesmo nessa crise,  isso é surpreendente.

Estefano desce silenciosamente pela escada e vai até onde está sua filha, que percebe sua presença, mas não olha  para ele. Soraia  nunca engoliu o desaparecimento de sua irmã e por isso  trata seu pai com desprezo, um relacionamento que sempre foi falho e que piorou com a morte de sua mãe, Rosário.

ESTEFANO: – Tudo  bem com o seu hotel, filha?

Soraia levanta o olhar deixando de ver o notebook e olha para o pai.

SORAIA: – O Hotel não é meu, o senhor sabe disso, só estou trabalhando no seu hotel por não ter encontrado coisa melhor nessa crise.

ESTEFANO: – Você não pode me tratar com quatro pedras na mão, sempre, minha filha.

SORAIA: – Não seria assim se você me dissesse a verdade sobre o sumiço da minha irmã, qualquer coisa seria útil.

ESTEFANO: – Você sabe que eu e sua mãe fizemos tudo o que podíamos para encontrar a Eliza, mas não tivemos sucesso, porém a Polícia ainda não desistiu.

SORAIA: – Mas o senhor parece ter desistido já. – Diz se levantando  do  sofá e seguindo  para a escada. – Amanhã a Rebeca retorna de Portugal, e mesmo que ela queira  ficar aqui, eu não vou. – Informa antes de começar a subir.

Estefano se senta no sofá, retira o celular do bolso da calça,  e digita antes de fazer cuma ligação.

ESTEFANO (Ao Celular): – Preciso que você retorne imediatamente, Eugênio, tenho algo muito importante para você fazer aqui no Brasil.

EUGÊNIO (Do outro lado da linha): – Imagino o que seja, senhor.

ESTEFANO (Ao Celular): – É bom que imagine mesmo, pois não quero falhas. – Diz antes se dar por encerrada a ligação. Ele olha para a escada e sorri. – Você precisa de rédeas, minha filha, isso sim.


CENA 6: Maré Verde

A noite passa rapidamente. Uma ambulância chega e outra sai do hospital. O movimento das avenidas diminuem com o chegar da madrugada, o dia logo amanhece.


CENA 7: Maré Verde, Centro, Hospital, Quarto, Interior, Manhã 

Teresa que dormiu em casa chega e vê Enrique, que chegara a noite alí no hospital, já acordado, e fica admirada. Ela se aproxima dele, que observa Dolores ainda dormindo.

TERESA: – Você dormiu?

Enrique olha para Teresa.

ENRIQUE: – Sim. – Responde observando Teresa com um uniforme.– Você vai trabalhar?

TERESA: – Sim, ainda mais agora que minha mãe está doente.

ENRIQUE: – Eu quero ajudar você de alguma forma, meu amor, não posso ficar vendo você se matar enquanto tudo isso acontece.– Diz enquanto abraça Teresa.

TERESA: – Nós vamos encontrar uma saída, Enrique.

ENRIQUE: – Nós vamos sim, Teresa. – Concorda antes de beijar ela.

Teresa beija a testa da mãe antes de sair. Enrique fica acompanhando Dolores, que abre os olhos assim que a filha sai, o que causa uma certa surpresa nele.

ENRIQUE: – A senhora não estava dormindo?

DOLORES: – Sim, mas acordei assim que minha filha chegou, porém não queria atrapalhar vocês, mas eu quero falar algo com você, Enrique.

Dolores pede que Enrique se aproxime dela, e ela segura sua mão. Enrique a olha com certo receio.

DOLORES: – Eu não posso deixar que minha filha se endividar por minha causa, eu não posso fazer isso.

ENRIQUE: – Ela quer ajudar de alguma forma, Dolores, eu também faria isso se eu pudesse pedir  um empréstimo ou qualquer coisa.

DOLORES: – Eu sei, mas não posso deixar que ela faça isso, meu filho. Você tem que me ajudar. – Diz olhando de forma séria para Enrique.


CENA 8: Maré Verde, Manhã 

O tráfego nas avenidas principais da cidade é intenso. Uma multidão de pessoas caminham pelas calçadas. Muitas pessoas lotam os metrôs. 


CENA 9: Maré Verde, Centro, Hotel Gold, Interior, Manhã 

Teresa paga o taxista e sai do táxi, ela entra no hotel onde trabalha como recepcionista. Soraia a aborda assim que ela se aproxima do balcão.

SORAIA: – Teresa, venha até a minha sala, preciso falar com você.

Soraia segue para sua sala. Teresa fica apreensiva com o que sua patroa possa querer.

TERESA: – Espero que ela não tenha ficado brava por ter pedido liberação ontem.


CENA 10: Maré Verde, Edifício Samir, Apartamento de Igor, Sala, Interior, Manhã 

Igor está sentado na mesa próximo da janela da sala de seu apartamento, ele olha para algumas fotos de mulheres com que ele já dormiu e sorri.

IGOR: – Só uma  foi inesquecível, e como é difícil tirá-la da cabeça.Afirma pegando a foto de uma belíssima mulher loira. – Por onde você deve andar ? – Se questiona observando a foto.

O telefone do apartamento começa a tocar, Igor olha desconfiado, pois até onde sabe, quase ninguém, nem mesmo Estefano tem seu número residencial. Ele afasta a cadeira e se levanta, e segue até o telefone colocado em uma mesinha ao lado do sofá. Igor toca o aparelho ainda com receio de quem possa ser.


CENA 11: Maré Verde, Centro, Hotel Gold, Sala de Soraia, Interior, Manhã 

Soraia olha pela janela o movimentar da rua, a porta de sua sala se abre e Teresa entra com receio. Soraia se vira e olha para Teresa, que não esconde seu semblante de preocupação.

SORAIA: – Pode se aproximar mais, Teresa. E não fique com receio.

Teresa se aproxima da mesa de sua patroa, que por sua vez se senta.

TERESA: – Desculpa se deixei a senhora chateada ontem.

SORAIA: – Ah, aquilo? Não se preocupe, Teresa. Eu conheço sua historia, e você também sempre foi uma excelente funcionária, não teria motivos para impedir sua saída, mas o que eu quero falar é sobre outro assunto.

TERESA: – O que seria, senhora?

SORAIA: – Você será promovida, Teresa, pois você sempre se demonstrou focada no trabalho apesar de tudo que aconteceu em sua vida, com seu namorado, então você realmente merece essa promoção.

TERESA: – Obrigada, senhora, muito obrigada mesmo por isso.

SORAIA: – Não tem que me agradecer, quem dera se todas as funcionárias desse hotel fossem como você.

Soraia sai detrás da sua mesa e abraça  Teresa.

SORAIA: – E pode contar comigo para o que você precisar.


CENA 12: Maré Verde, Centro, Hospital, Quarto, Interior, Manhã 

Enrique tenta várias vezes o número que Dolores  lhe deu, mas ninguém atende. Ele olha para Dolores que espera pacientemente.

ENRIQUE: – Não atendem, Dolores. – Diz tirando o celular de perto do ouvido.

DOLORES: – Será que ele trocou de número? Até um tempo atrás ele me atendia por esse número.

ENRIQUE: – De quem a senhora fala?

DOLORES: – De uma pessoa que eu cortei relações há muito tempo, e que mesmo eu não querendo, é a única que pode me ajudar. Eu não quero ver a Teresa cheia de dívidas por minha culpa. Ele pode me ajudar, eu acredito  que ele possa. – Responde se lembrando do passado.


Flashback 

Maré Verde, 1997

Dolores caminha pela casa, segue até o quarto de seu único filho, lá fora a chuva é intensa. Ela olha para o porta retrato sobre a cômoda de madeira maciça, e se senta na cama. Dolores pega o porta retrato em suas mãos e chora.
DOLORES: – Você não me deu escolha filho, não me deu escolha. Tudo poderia ser diferente se você não resolvesse seguir os passos de  seu pai e se envolver com gente perigosa, só espero que Deus cuide de você como eu não consegui cuidar.  – Diz abraçando o porta retrato e chorando copiosamente.

Fim do Flashback


Dolores olha para Enrique que segura sua mão.

DOLORES: – Ele poderia ter sido diferente, mas escolheu ser igual ou até pior que o pai,  mas não me resta alternativa. – Afirma enxugando as lágrimas.

CONTINUA

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4 comentários sobre “A Jogada: Capítulo 2

  1. Enrique em busca de vingança, e Igor o vilão que no fundo, sente um amor verdadeiro por alguém. Atrás de uma carne fria, existe um homem que já amou. Acho que Teresa é essa mulher. Vamos ver…

    Parabéns, Jair! 😉 Aguardando vc no Mix com um web novelão das 9.

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