Nova Estação: Último Capítulo (18)


20170124_192900


| Rio Novo, Casa dos Magalhães, Sala, Interior, Noite

Glauco e Sílvia estão sentados no sofá a assistirem televisão. Silvia começa a ficar inquieta, o que acaba deixando Glauco preocupado. Ele olha para a esposa que coloca a mão no coração.

GLAUCO: – O que você está sentindo, Silvia? – Pergunta ao segurar na mão dela.

SÍLVIA: – Eu senti um aperto no peito, Glauco. – Reponde olhando para porta. – Onde está o Eron? – Questiona preocupada.

GLAUCO: – Saiu com o Guilherme, disseram que iriam dar uma volta no parque.

SÍLVIA: – Ligue para ele, Glauco.

GLAUCO: – Sim, eu vou ligar, mas se acalma, meu amor.

Glauco se levanta um pouco do sofá e pega o celular em cima da mesa de centro, ele procura o número do filho e telefona, mas suas chamadas não são atendidas. A campainha toca, e Glauco e Sílvia olham simultaneamente para a porta. Glauco deixa o celular no mesmo lugar.

GLAUCO: – Devem ser eles já de volta, meu amor. – Diz seguindo para a porta.

Glauco abre a porta e se depara com Sérgio alí.

SÉRGIO: – Ainda bem que você está em casa, irmão.

Sílvia ouve a voz de Sérgio e se levanta do sofá.

GLAUCO: – O que houve? Você está parecendo assustado.

SÉRGIO: – Eu estava, mas acho que agora posso ficar um pouco mais aliviado. O Eron está aí com vocês?

GLAUCO: – Não, ele saiu com o Guilherme.

Sérgio se assusta ao saber que o sobrinho não está em casa. Ele olha com preocupação para Glauco que fica sem entender.

SÉRGIO: – Meu Deus, irmão. O Max ligou para mim e deixou claro que vai se vingar da gente.

GLAUCO: – O que você está me dizendo, Sérgio? Meu filho está em perigo?

SÉRGIO: – O seu, o meu e a filha do Rogério,  irmão. Eu não sei o que fazer.

Sílvia se aproxima do marido.

SÍLVIA: – O meu irmão voltou?

SÉRGIO: – Ele nunca foi embora de verdade, Silvia. O Max sempre teve um passo na frente de todos nós.

SÍLVIA: – Ele não seria louco de fazer mal ao sobrinho dele, não seria.

GLAUCO: – Eu não quero  pagar pra ver, Sílvia.  Vou fazer o que deveria ter feito há muito tempo.

Sérgio, Glauco e Sílvia se olham.


|| Terra Vermelha, Casa dos Pais de Carolina, Sala, Interior, Noite

Rogério olha pela janela, só deixa de olhar quando Débora se aproxima dele. Ele olha para a esposa, que tenta entender o silêncio do marido.

DÉBORA: – O que te preocupa, Rogério?

ROGÉRIO: – Nem eu mesmo sei direito o que me preocupa. Onde nossa filha foi?

DÉBORA: – Dar uma volta na praça, mas já deve estar de volta.

ROGÉRIO: – Faz bem respirar um pouco. Eu estou muito tenso, talvez por causa de tudo isso que nos aconteceu.

DÉBORA: – Você precisa relaxar um pouco, meu amor. Vou fazer um chá para nós.

Débora segue em direção a cozinha.  Alguns segundos depois, o telefone toca, e Rogério atende.

ROGÉRIO (ao telefone): – Alô! Quem fala?

SÉRGIO (do outro lado da linha): – É o Sérgio, Rogério.  Estou ligando, pois o assunto é de extrema urgência.

ROGÉRIO  (ao telefone): – O que você quer dessa vez, Sérgio?

SÉRGIO (do outro lado da linha): – O Max nos ameaçou, mas não foi  somente eu e meu irmão, mas você também, por isso estou ligando, pra que você toma cuidado. Eu e o Glauco vamos seguir para aí o mais rápido possível.

ROGÉRIO (ao telefone): – Se o Max fizer alguma coisa contra minha família, eu mato ele, juro que mato.

A ligação é encerrada. Rogério coloca o telefone no gancho com raiva e medo. Débora se aproxima de Rogério.

DÉBORA: – O que houve?

ROGÉRIO: – Liga para a Carolina.

Débora retira o celular do bolso e liga rapidamente para o celular da filha que vai direto para a caixa postal.

ROGÉRIO: – Não acredito que aquele desgraçado fez isso. Ele vai me pagar.


||| Terra Vermelha, Galpão Abandonado, Praia, Exterior/Interior, Manhã

O sol nasce entre nuvens. Um carro preto encosta próximo de um galpão abandonado. Dois homens saem do carro rapidamente e retiram Guiherme e Eron que estão com sacos pretos na cabeça. Os homens guiam os rapazes para dentro do galpão.

HOMEM 1: – Vocês ficarão aí até o chefe decidir o que vai fazer. – Afirma antes de sorrir.

Um dos homens retira o saco preto da cabeça dos dois e os empurra para dentro do galpão, e tranca a porta.  A visão de Eron e Guilherme começa a voltar ao normal, uma claridade é vista entrando por uma abertura pequena no teto.

ERON: – Onde estamos? – Pergunta ao olhar em volta depois da visão deixar de ficar embaçada.

GUILHERME: – Parece que estamos em um galpão abandonado, primo.

ERON: – Com certeza isso tem algo a ver com meu pai.

GUILHERME: – Talvez não, Eron. Não culpe seu pai por tudo de ruim.

ERON: – Tudo bem, mas eu ainda acho que tem algo a ver com ele, Guilherme. Agora estamos presos aqui.

Eron e Guilherme ouvem algumas caixas caírem no fundo do depósito e se assustam.

GUILHERME: – Quem está aí?

Eron olha bravo para o primo.

ERON: – Você acha que se tiver alguém aqui, vai dizer pra gente, Guilherme?

GUILHERME: – Não custa perguntar.

Os dois rapazes seguem até o fundo do Galpão, e avistam uma pessoa amarrada tentando se soltar. Mesmo com a ambiente tendo pouca luz, Eron reconhece quem está ali, e corre para ajudar deixando Guilherme surpreso. Eron se abaixa e tenta desamarrar as cordas de Carolina, que também o reconhece, e assim que as amarras são soltas, ela o abraça fortemente.

CAROLINA: – Eron, é você mesmo. – Diz emocionada ao abraçar ele.

ERON: – Confesso que estaria mais feliz em vê-la se a gente não tivesse nessa situação.

CAROLINA: – Eu estou com muito medo.

ERON: – Não fique, pois a gente vai conseguir sair daqui, eu prometo para você.


|||| Rio Novo, Casa de Solange, Interior, Sala, Manhã

Solange escuta uma canção no celular quando ouve alguém batendo na porta, ela deixa o celular de lado no sofá e segue para abrí-la e fica surpresa ao ver Érica a sua frente.

ÉRICA: – Desculpa vir sem avisar, mas é que mesmo você me odiando, vim me despedir.

SOLANGE: – Eu não te odeio, Érica. Eu não teria tal sentimento destruidor em minha vida.

ÉRICA: – Perdão pelo que eu fiz, agora sim vejo que fui um monstro ao fazer aquilo com você e com a Carolina.

SOLANGE: – Eu te perdoo, mas prometa para mim que você não vai ser como era mais.

ÉRICA: – Sim, eu não serei mais aquela garota preconceituosa e mesquinha de antes.

SOLANGE: – Para onde você está indo?

ÉRICA: – Vou para a cidade do meu pai, Terra Vermelha.

SOLANGE: – Eu te desejo boa sorte nessa sua nova cidade, Érica.

ÉRICA: – Obrigada, Solange.

Solange e Érica se abraçam enquanto se lembram de quanto foram amigas.


||||| Terra Vermelha, Casa dos Pais de Carolina, Sala, Interior, Noite

Rogério caminha de um lado para o outro na sala, não dormiu direito preocupado com o sumiço de sua filha, ele olha constantemente para o telefone a espera de alguma ligação.

ROGÉRIO (Pensando): – Se eu soubesse onde esse maldito do Max se esconde, ele veria do que sou capaz para proteger aos que eu amo.

Débora se aproxima e se senta no sofá quando ouve a campainha tocar. Rogério rapidamente atende a porta e se surpreende ao ver Glauco e Sérgio alí a sua porta.

GLAUCO: – Ele também pegou sua filha?

ROGÉRIO: – Sim. Vocês tem alguma ideia de onde possa estar esse desgraçado?

GLAUCO: – Nós já levamos a Polícia até a casa dele, mas ele não está por lá, porém eu e Sérgio temos certeza de que ele mantêm  os garotos aprisionados aqui em Terra Vermelha.

ROGÉRIO: – Talvez sim ou talvez não. Eu tenho  que encontrar a minha filha.

Rogério se lembra de algo, mas fica em dúvida.

ROGÉRIO: -A antiga fábrica que foi desativada por causa da erosão que ocorre na praia sempre foi dele?

SÉRGIO: – Sim, pois é lá que ele guarda boa parte das mercadorias.

ROGÉRIO: – Vocês já procuraram por lá?

GLAUCO: – Não fizemos isso ainda, mas vamos fazer.

ROGÉRIO: – Eu vou com vocês.

Débora se aproxima do marido.

DÉBORA: – Traga nossa filha de volta, Rogério, por favor.

ROGÉRIO: – Eu prometo que vou trazê-la, meu amor, eu prometo.

Rogério beija Débora antes de seguir com Glauco e Sérgio.


|||||| Terra Vermelha, Galpão abandonado, Exterior/Interior, Manhã

Um dos bandidos está parado próximo do carro quando seu celular toca insistentemente, ele atende.

HOMEM (Ao celular): – Diga, chefe!

MAX (do outro lado da linha): – Faça o serviço. Eu só quero  ver cinzas e mais cinzas e não quero saber de falhas, estamos entendidos?

HOMEM (ao celular): – Sim, chefe, será como o senhor manda.

Max encerra a ligação. O bandido segue com o outro até o porta malas e pegam galões cheios de gasolina, então começam a esparramar o combustível em volta do galpão. Um dos bandidos risca o fósforo e joga no liquido espalhado que começa a pegar fogo. Assim  que os dois bandidos saem detrás do Galpão, avistam a polícia vir em alta velocidade, eles entram rapidamente no carro e aceleram.

Guilherme vê fumaça entrando no galpão e logo se assusta com algumas chamas.

GUILHERME: – É melhor arranjarmos um jeito de sair daqui rápido, pessoal.

Eron e Carolina se assustam ao verem fumaça e correm na direção da saída, desesperados.

ERON: – Não adianta, está trancado. – Afirma enquanto  tenta abrir a porta.

GUILHERME: – A gente vai sair daqui, eu não sei como, mas a gente vai.

Eron percebe ser o momento para contar para o primo sobre o que sabe de Sérgio.

ERON: – Primo, se a gente não sair daqui, caso não consigamos, eu preciso dizer algo antes.

Guilherme olha de forma bastante intrigada para o primo.

GUILHERME: – A gente vai sair daqui, sim, não vamos perder a esperança.

ERON: – Mesmo assim, eu preciso te contar. Desculpa por não ter contado antes, mas seu pai não morreu no acidente que teve  anos atrás, ele está vivo.

GUILHERME: – Como assim? Isso é verdade?

ERON: – Sim, mas ele está um pouco diferente por causa da cirurgia que fez.

GUILHERME: – Era ele então que estava me seguindo nos últimos dias.

ERON: – Provavelmente sim.

GUILHERME: – Eu quero sair daqui, eu quero vê-lo, primo.

ERON: – Nós vamos sair.

Carolina se aproxima dos dois rapazes ao ouvir um estalo e todos se jogam no chão em seguida ao verem a parede direita do Galpão desmoronar, uma nuvem de poeira cobre todo o local.

Fora do galpão, uma chuva forte se inicia. Glauco, Sérgio e Rogério chegam de carro e veem as últimas chamas se apagando. Os três ficam chocados achando ser tarde demais para fazer algo, porém ficam surpresos em seguida ao verem os três saindo empoeirados pela lateral do galpão, e assim  que eles se aproximam, o resto do Galpão desmorona rapidamente. Eron que carrega Carolina  nos braços, a coloca em pé no chão, ela o abraça fortemente.

CAROLINA: – Eu amo muito você,  eu o ano muito. – Diz completamente emocionada ao repousar sua cabeça no ombro de Eron.

ERON: – Eu também te amo, Carolina.

Carolina afasta sua cabeça do ombro de Eron, os dois se olham de forma intensa, a chuva os molha, fazendo com que uma parte da poeira e cinza seja lavada, o beijo é demorado pelo calor e emoção do momento.

Guilherme olha para os três homens, e fica incrédulo ao ver seu pai bem a sua frente, os dois se olham como há anos não se olhavam, pai e filho frente a frente.

GUILHERME: – Mesmo com a cirurgia você não passa despercebido, pai. -Afirma enquanto se aproxima de Sérgio, que por sua vez envolve o filho  em um abraço carinhoso.

SÉRGIO: – Desculpa por não ter voltado antes, filho.

GUILHERME: – Você voltou no momento em que deveria voltar, pai.

A chuva começa a ficar mais intensa. Glauco olha para todos.

GLAUCO: – Precisamos ir.

Todos entram no carro e seguem em direção a rodovia.


SEMANAS DEPOIS

||||||| Rio Novo, Casa de Guilherme, Sala/Cozinha, Interior, Manhã

Flávia está sentada no sofá quando Guilherme se aproxima dela.

GUILHERME: – Onde está ele?

FLÁVIA: – Está na cozinha.

GUILHERME: – Ele está cozinhando?

FLÁVIA: – A Sandra está tentando ajudar ele, mas vai ser difícil.

GUILHERME: – Eu imagino.

FLÁVIA: – Estou tão feliz que ele esteja aqui conosco, Mano.

GUILHERME: – Eu também,  estou feliz por nossa família estar unida novamente. Vou ver como estão as coisas na cozinha.

Guilherme segue para a cozinha, mas pára próximo da porta ao ver seu pai beijando Sandra, ele retorna silenciosamente para perto da irmã.

GUILHERME (Sorrindo):  – Pelo visto não vai sair comida nenhuma alí.

FLÁVIA (Sorrindo): – Pela Sandra sai sim.


|||||||| Terra Vermelha, Casa dos Magalhães, Sala, Interior, Manhã

Eron olha pela janela a casa de Carolina. Glauco se aproxima do filho sorrindo.

GLAUCO: – Vai logo lá e deixa que eu e sua mãe terminamos de arrumar tudo por aqui.

ERON: – Tem certeza, pai?

GLAUCO: – Absoluta, filho. Vai passear com ela é não se importe com o tempo.

ERON: – Obrigado, pai.

Eron passa correndo por Silvia, que sorri ao ver a pressa de seu filho.

SÍLVIA: – Onde ele vai com tanta pressa?

GLAUCO: – Namorar, meu amor.

Silvia sorri e beija Glauco em seguida.

SÍLVIA: – Agora vamos reconstruir nossa vida e fazer tudo dar certo. – Diz ao abraçar Glauco.


||||||||| Terra Vermelha, Casa dos Pais de Carolina, Exterior, Manhã

Carolina espera por Eron na varanda e assim que o avista, ela sai na calçada. Rogério sai na varanda.

ROGÉRIO: – Juízo, meninos! – Pede bem sério, mas logo esboça um sorriso.

ERON: – Pode deixar, senhor Rogério.

Eron beija o rosto de Carolina antes de seguir com ela pela calçada.


|||||||||| Terra Vermelha, Praia, Exterior, Manhã

Carolina e Eron estão sentados na areia da praia, observam o movimentar das ondas, um olha para o outro deixando que uma testa se aproxima da outra.

ERON: – Eu nunca imaginei que estaríamos assim algum dia.

CAROLINA: – Eu também não, mas hoje aqui estamos.

ERON: – Só quero reafirmar a cada novo dia que te amo mais e mais e não é amor de adolescente.

CAROLINA: – Eu te amo também, e quero esse amor por todas as fases.

ERON: – Vou estar sempre com você no que depender de mim.

CAROLINA: – No que depender de nós.

Os lábios de ambos se encostam, e o beijo acontece de forma intensa. Enquanto se beijam um segura na mão do outro.

FIM

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