Nova Estação: Penúltimo Capítulo (17)

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SEMANAS DEPOIS

| Rio Novo, Casa dos Magalhães, Sala, Interior, Manhã

Glauco está sentado no sofá olhando fixamente para a tela do tablet quando ouve passos na escada, ele deixa de olhar para a tela do aparelho e olha para seu filho, que parece um pouco abatido.

GLAUCO: – Não faz tanto tempo assim que as aulas começaram, filho e você já está desse jeito. O que está acontecendo?

Eron se senta no outro sofá, está abatido, e qualquer um pode notar isso.

ERON: – Não é nada, pai. Só  estou um pouco desanimado nos dias que se passaram.

GLAUCO: – Isso tem algo a ver com aquela menina que deixou o colégio por causa da ação da Érica?

ERON: – Como o senhor sabe disso, pai?

GLAUCO: – O Matias me contou, filho. Tem algo a ver ou não tem pra você estar tão desanimado assim?

ERON: – Tem sim, pai, mas eu não quero falar sobre isso.

GLAUCO: – Quando quiser falar, estarei aqui.

ERON: – Muito obrigado, pai.

Eron se levanta e segue para a cozinha. Sílvia desce pela escada e vai direto a Glauco e o beija.

SÍLVIA: – Era o Eron quem estava aqui?

GLAUCO: – Sim, e ele está meio abatido.

SÍLVIA: – Nosso filho está doente?

GLAUCO: – Só se for de saudade, meu amor. Ele está amando, e a falta de quem ele ama está fazendo isso.

SÍLVIA: – Não sabia que você entendia tanto assim, Glauco.

GLAUCO: – Eu entendo, e vou tentar ajudá-lo de alguma forma, afinal sou o pai dele, e nesses últimos tempos estive tão ausente da vida dele.

Silvia abraça o marido e o beija novamente.

SÍLVIA: – Você deixar a empresa foi a melhor coisa que poderia te feito, Glauco. Você agora é de sua família e não da empresa como vinha sendo.

GLAUCO: – Não quero nem lembrar do quanto eu perdi estando longe de vocês dois. Do quanto eu fiz outras pessoas sofrerem, tomara que eu seja perdoado algum dia.

SÍLVIA: – Você será, meu amor. Você será!


|| Rio Novo, Casa de Guilherme, Sala, Interior, Manhã

Guilherme caminha de um lado para o outro, está pensativo na conversa que teve com Eron há alguns dias, e se assusta ao ver Flávia o encarando. Flávia olha para o irmão a tentar descobrir o que o está deixando assustado.

FLÁVIA: – Vai me contar o que está perturbando você, Guilherme?

GUILHERME:  – Me diz, mana, o que você faria se nosso pai estivesse vivo?

FLÁVIA: – Como assim o que eu faria? Eu iria dar um gigantesco abraço nele, mas sei que isso não é realidade, por anos quis que fosse verdade que nosso  pai não tivesse morrido. Mas qual o motivo dessa pergunta?

GUILHERME: – Curiosidade, mana, só isso.

FLÁVIA: – Tem certeza? Não há algo a mais?

GUILHERME: – Certeza absoluta, pode ficar tranquila.

FLÁVIA: – Então agora deixe de ficar inquieto como você estava há pouco.

Flávia segue para o seu quarto. Guilherme vai até a janela e olha para fora como se estivesse a procura de algo ou alguém.

GUILHERME (Pensando): – Quando o Eron me fez tal pergunta achei por um instante que pudesse saber de algo, mas foi só minha imaginação.


||| Rio Novo, Rua, Carro, Interior, Manhã

Sérgio olha para fora, está com a janela do carro fechada,  o que impede de que seu filho o veja, ele passa a mão no rosto e algumas lágrimas começam a cair.

SÉRGIO: – Mesmo que eu me mostrasse ele não me reconheceria, estou diferente demais.

Sérgio vê Guilherme na janela de casa, e sorri enxugando as lágrimas.

SÉRGIO: – Logo eu vou dizer a verdade, e espero que não me rejeitem. – Diz ao olhar  para a foto de sua esposa na mão esquerda. – Eu não devia ter me envolvido com pessoas tão perigosas, eu não devia ter deixado tudo sair do controle. – Ele lamenta antes de beijar foto de sua falecida esposa.


|||| Terra Vermelha, Casa dos Pais de Carolina, Sala, Interior, Tarde

Carolina desce pela escada, está pensativa, ela pára ao ver sua mãe a encarando.

CAROLINA: – Mãe, o que houve?

DÉBORA: – Sou eu quem deveria estar  fazendo essa pergunta para você. Quando você iria me contar  o que se passou no colégio, minha filha?

CAROLINA: – Desculpa, mãe. Eu não queria preocupar a senhora ou o meu pai com esse triste episódio.

DÉBORA: – Eu entendo, filha, mas não precisa esconder nada de mim ou do seu pai. Eu imagino que você tenha ficado com muito medo de ser acusada de algo que não cometeu, mas graças a Deus que tudo isso já se resolveu.

CAROLINA: – Já sabem da verdade, mãe?

DÉBORA: – Sim, filha, graças a Deus!  Você não quer voltar  para lá ?

Carolina se senta no sofá e olha para Débora.

CAROLINA: – Aquilo não era para mim, mãe. Eu só me arrependo de uma coisa, mas agora já não tem mais volta.

DÉBORA: – Posso saber do que você se arrepende, filha?

CAROLINA: – De não ter enfrentado tudo de cabeça erguida, mãe.

Carolina pensa em Eron e em seus encontrões repentinos, e sorri. Débora percebe que sua filha está pensando em algo bom e a deixa sozinha com seus pensamentos.

CAROLINA (Pensando): – Como seria se eu estivesse ficado? Talvez eu teria coragem também de dizer o quanto gosto dele. Três encontros já me deixaram em outro mundo. Espero que ele tenha mais sorte no amor do que eu.

Carolina retira o celular do bolso da calça e olha  para uma foto de Eron.


||||| Rio Novo, Empresa dos Magalhães, Interior, Tarde

Sérgio se despede de sua secretária  e entra no elevador, que se fecha, seu celular toca, ele olha de forma assustada ao reconhecer o número. Sérgio atende a ligação com receio.

SÉRGIO (ao celular): – O que você quer?

HOMEM (do outro lado da linha): – Só quero dizer que você, seu irmão e o capacho do Rogério vão me pagar por pensarem em desistir de tudo.

SÉRGIO ( ao celular): – Nós não pensamos, já desistimos, e o Rogério nem no esquema estava, deixe ele fora disso.

HOMEM (Do outro lado da linha): – Você não é ninguém para me dar ordem,  Sérgio Magalhães. Vocês vão sentir na pele uma dor tão forte pra saber que ninguém sai do esquema impune.

SÉRGIO (ao celular): – O que você vai fazer?

HOMEM (do outro lado da linha): – Aguarde e você verá do que sou capaz, seu infeliz.

Quando Sérgio tenta dizer mais alguma coisa, a ligação é encerrada. Sérgio se irrita.

SÉRGIO (irritado): – Droga, isso não poderia ter acontecido.


|||||| Terra Vermelha, Praça, Exterior, Noite

Carolina caminha pela Praça enquanto pensa em Aron, está distraída que não percebe que está sendo seguida por dois homens.  Carolina se afasta um pouco de onde está uma maior quantidade de pessoas.

CAROLINA (Pensando): – Será que um dia nos veremos de novo?

Tudo ocorre de repente, Carolina é abordada pelos dois homens que a seguiam, um a faz desmaiar depois de colocar um pano molhado com no seu nariz, o outro veste um saco negro na cabeça dela, logo um carro se aproxima rapidamente, e os homens a colocam dentro do veículo e seguem em alta velocidade.


||||||| Rio Novo, Parque, Exterior, Noite

Eron caminha na companhia de seu primo, Guilherme pelo parque próximo de sua casa.

GUILHERME: – Você não me parece muito bem.

ERON: – Eu não paro de pensar na Carolina, em como ela debe estar depois de tudo o que aconteceu.

GUILHERME: – A tia dela não trabalha na sua casa? Você deveria pegar o número dela e acabar com essa aflição.

ERON: – E se ela não sentir o mesmo por mim? Talvez eu esteja louco de achar que três encontrões se transformem em uma relação maior do que mera amizade.

GUILHERME: – Louco você será caso não siga seu coração, meu primo.

Os dois conversam distraidamente, e quando percebem, já é tarde. Dois homens se aproximam e lhes apontam duas armas.

HOMEM 1: – Não tentem nenhuma gracinha.

Guilherme e Eron se olham assustados. Um carro se aproxima da calçada. Os dois homens ordenam que os rapazes entrem no veículo. Eron e seu primo entram no carro e ficam sob a mira do revólver do carona, o carro segue em alta velocidade.

CONTINUA

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