Nova Estação: Capítulo 16


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| Rio Novo, Colégio Nova Estação, Sala do Diretor, Interior, Manhã

Mário continua a olhar para a filha que não diz nada diante do olhar intimidador.

MÁRIO (Enraivecido): – Eu achei que você tinha parado com essa loucura de se achar melhor que os outros, Érica. Você não é melhor do que ninguém, filha. Nós também éramos pobres, não tínhamos essa vida que temos hoje, e olhao que você fez. Você poderia ter matado sua colega.

ÉRICA: – Pai, me desculpa.

MÁRIO: – Não é para mim que você tem que pedir desculpas, mas sim para quem você prejudicou. Você pode não perceber agora a delinquência que cometeu, mas o que foi feito vai deixar marcas.

Matias olha para pai e filha. Mário olha para o diretor.

MÁRIO: – Eu peço perdão por tudo isso, Matias.  Realmente estou extremamente envergonhado pelo que a Érica fez, e ela vai fazer o que deve ser feito.

MATIAS: – Assim eu espero, Mário.


|| Rio Novo, Colégio Nova Estação, Pátio, Interior/Exterior, Manhã

Eron está sentado em um banco de concreto ao lado de seu amigo, Enrico quando seu celular vibra,  ele rapidamente retira o aparelho do bolso, e vê que é uma mensagem. Eron então abre a mensagem que recebeu, e fica espantado, provocando a curiosidade de seu amigo.

ENRICO: – O que você está vendo aí, Eron?

ERON: – Agora eu descobri o motivo para que a Carolina fosse embora daqui sem dizer nada.

Eron levanta o olhar e encara o amigo.

ENRICO: – O que houve?

ERON: – Veja você mesmo, Enrico. – Diz ao entregar seu celular com a mensagem aberta para o amigo.

Enrico também fica espantado ao saber do que Érica foi capaz de fazer. Ele devolve o aparelho para Eron, que agora está com raiva diante da verdade.

ERON: – A Carolina era para estar aqui com a gente, mas por causa disso tudo acabou não ficando um dia nesse Colégio.

ENRICO: – Você acha que ela vai voltar quando souber que a Érica já não é mais uma ameaça?

ERON: – Acredito que não, infelizmente. Sei que só foi três encontrões que tivemos, mas eu senti que ela era a garota certa para mim, mas e agora? Infelizmente não posso fazer nada também.

Érica sai junto de seu pai da sala do Diretor Matias, alguns alunos a encaram com raiva após terem descoberto tudo, outros não dão a mínima para a menina que segue com a cabeça abaixada. Eron a observa de onde está sentado.

ERON: – Com certeza foi convidada a se retirar.

ENRICO: – Ela foi longe demais, isso é coisa de gente de má índole. A Solange era melhor amiga dela, poderia ter morrido.


||| Terra Vermelha, Aeroporto, Interior, Manhã

Rogério e Débora estão a espera da filha, Carolina. Os dois demonstram estarem apreensivos até que veem Carolina sair pelo portão  de desembarque, eles seguem na direção da jovem e a abraçam.

DÉBORA: – Meu Deus, filha, que susto que nós levamos.

CAROLINA: – Graças a Deus tudo passou, mãe. Agora estou aqui de novo com vocês.

ROGÉRIO: – Realmente não aconteceu nada de grave com você  ou com os outros passageiros?

CAROLINA: – Só ferimentos leves, pai.

O abraço é desfeito, eles sorriem aliviados por ter a filha de volta. Débora beija a testa da filha e abraça novamente antes de seguirem para o carro.


|||| Rio Novo, Casa dos Magalhães, Escritório, Interior, Tarde

Glauco revisa alguns documentos sobre sua mesa, a porta do escritório está aberta, ele vê Eron passar.

GLAUCO: – Filho, vem cá!

Demora alguns segundos e Eron surge próximo da porta encarando o pai.

ERON: – Quer falar comigo, pai?

GLAUCO: – Sim, e é algo muito importante. Vou precisar de sua ajuda.

Eron estranha, mas entra para falar com o pai. Ele deixa a mochila em cima de um sofá e se senta em uma cadeira próximo da mesa de seu pai.

ERON: – É sobre o meu tio?

GLAUCO: – Sim. Seu tio quer dizer toda a verdade para os filhos, mas antes ele quer saber como seria a reação dos próprios se soubessem disso.

ERON: – Entendi, pai. Eu não sei qual vai ser a reação dos meus primos, mas se tratando de mim, eu ficaria feliz, pois saber que o pai está vivo é motivo para alegria, não importa o que sucedeu para que houvesse a mentira de sua morte.

GLAUCO: – Espero que o Guilherme e a Flávia pensem como você, filho.


||||| Terra Vermelha, Casa dos Pais de Carolina, Sala, Interior, Tarde

Carolina olha para uma foto de Eron na rede social, mas a fecha assim que vê sua mãe se aproximar. Débora se senta ao lado da filha no sofá.

DÉBORA: – Então, agora que está tudo bem, você vai me dizer o motivo por você ter voltado de Rio Novo e não ter ficado no colégio?

CAROLINA: – Prefiro não me lembrar disso, mãe. Já passou, e agora não vou me chatear mais por isso.

DÉBORA: – Mas se quiser contar, estarei aqui, filha, e é só me dizer tudo o que se passou.

CAROLINA: – Obrigada, mãe.

Mãe e filha se olham. Débora sente que Carolina esconde algo muito importante dela.

CONTINUA

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