O Mago: Capítulo 11 (Terceira Temporada)


Sem Magia

Parte 2

S03E11


O sol agora está  escondido entre as nuvens, que correm rápidas se acumulando cada vez mais. Galbo as observa enquanto cavalga ao lado do rei, ele não se mostra atento somente as nuvens, mas também ao seu redor, e essa atenção toda, faz com que mesmo assim ele se assuste ao ver alguns arbustos se mexerem, o cavalo é obrigado a parar bruscamente. Alim também pára seu cavalo ao ver que Galbo parou.

– O que aconteceu, Galbo? – Pergunta Alim um pouco a frente do guerreiro.

– Eu achei ter visto algo, Milord. – Responde Galbo voltando com seu cavalo em movimento. – Não estamos nas terras dos gigantes, meu rei? – Pergunta Galbo ao se aproximar de Alim.

– Estamos, mas não há motivo para temer a nossa passagem por essas terras, Galbo. Há um acordo entre o reino do Sul e essas criaturas que permite a paz nesse território. – Responde Alim enquanto volta a cavalgar devagar.

Galbo olha para os arbustos a beira do caminho, observa rapidamente as grandiosas árvores que se perdem de vista, ele conhece a fama dos gigantes e não está nada tranquilo em ter que passar por ali.

– Espero que esse acordo dure a eternidade, Milord. – Comenta Galbo ao voltar seu olhar para o caminho.

– Todos nós esperamos isso, Galbo. – Afirma Alim ao olhar para o guerreiro.

Alim e Galbo cavalgam o mais rápido que dá, parece até mesmo que disputam uma certa corrida, mas logo param perto de um lago, e descem, deixando que os cavalos descansem e bebam água. Alim se senta em uma pedra debaixo de uma árvore que faz uma grande sombra, Galbo logo se junta ao rei.

– Milord, posso fazer uma pergunta? – Indaga Galbo ao se sentar ao lado de Alim.

– Faça a pergunta que quiser, Galbo. – Diz o rei. – Somos amigos desde crianças, não precisa temer em me fazer uma pergunta.

Galbo então se sente mais seguro para perguntar diante de tal afirmação, mas ele titubeia um pouco antes de fazer a pergunta.

– Eu quero viver plenamente ao lado do Lion, mas não sei se estou certo, será que aqui no Reino isso estaria dentro das possiblidades sociais?  – Questiona Galbo.

– Quando você diz possiblidade social, quer saber se haverá preconceito, não é mesmo, assim como eles definiram em Nova Metrópole? Talvez haja ou talvez não, meu amigo.

– O Milord pretende unir-se ao mago definitivamente também? – Pergunta Galbo.

– Para você eu posso dizer, Galbo. – Sorri Alim. – Eu pretendo e nada irá me impedir, isso  está  decidido. Não imagino ficar sem o Aron, mesmo que tudo tenha se invertido um pouco.

– Invertido? – Pergunta Galbo tentando entender o que o rei quis dizer com isso.

Alim começa a rodar o anel que carrega no dedo anelar.

– Eu queria protegê-lo, queria defendê-lo dos perigos, mas é ele quem faz isso por mim, por isso o invertido. Não que eu não goste da proteção dele, mas eu gostaria de ser um refúgio verdadeiro para ele, Galbo. – Explica o rei.


Distante do lugar onde Guerreiro e rei descansam, Motâmia olha para um grandioso espelho e observa os dois conversando. Ela sorri ao ouvir tal confissão do rei.

– Logo seu desejo será realizado, Alim. – Afirma Motâmia fazendo aparecer a mesma bela flor das outras vezes. – Um chá dessa flor  vai deixar seu tão amado mago desprotegido, e assim poderei atacar todo o reino sem me  preocupar com os outros aprendizes. – Diz a feitceira fazendo desaparecer a imagem dos dois  no espelho e fazendo aparecer a imagem de Ornobo. – Muito bem, então ele fará como o combinado, mas eu não. – Motâmia sorri. – Orema Irocro Ezaron. – Ela Pronuncia fazendo aparecer uma adaga em suas mãos.

Motâmia caminha até a janela e olha melhor para a lâmina do instrumento.

– Vou me livrar de dois problemas em uma só vez. – Afirma a feiticeira fazendo desaparecer a adaga. – Você me será útil no momento certo.


Perion caminha com Moran ao longo do bosque próximo do castelo. O mais novo, Moran, percebe que os pensamentos de seu amado não está por alí no momento.

– Gostaria de saber no que você pensa. – Diz Moran sorrindo de forma encantadora para Perion, que se vira para ele e olha com ternura. – Não quer me contar? – Indaga Moran.

Perion segura a mão de Moran, que fica a espera de uma resposta, algo que não demora muito.

– Eu estou sentindo que algo está preste acontecer e que vai selar nossos destinos para sempre. Eu terei que abrir mão de algo, assim como você. – Diz Perion antes de abraçar Moran.

Um vento frio começa a soprar, o sol está todo encoberto, uma garoa fina se inicia.

– Eu vou estar com você, não importa o que aconteça, Perion. – Afirma Moran tocando o peito do feiticeiro. – Nós estaremos juntos.

Perion envolve Moran ainda mais em seus braços, os dois começam a se molhar na garoa gelada que se intensifica, o beijo é regado pela água da chuva.


Na janela do quarto imponente do rei, Aron observa a chuva se intensificar, ele segura a pedra que deve avisá-lo quando Alim correr perigo, mas o instrumento de magia não brilha, então a calma repousa nele.

– Espero que esteja tudo bem mesmo. – Diz Aron olhando para a esfera em suas mãos.

Alguém bate na porta, Aron se vira desejoso por saber quem é.

– Entre. – Pede o mago.

A porta então se abre, e a guerreira Oniria entra.

– Preciso falar sobre algo muito importante, Aron. Talvez só seja um pressentimento ruim, porém mesmo assim quero dizê-lo. – Diz Oniria encostando a porta.

– Diga então, Oniria, o que a está  deixando aflita? – Pergunta Aron.

Oniria se aproxima um pouco mais de Aron e o olha diretamente nos olhos.

– Algo me diz que alguém do Vale das Trevas ainda possui magia, grande mago, posso estar errada, mas eu suspeito desse fato. – Comenta a guerreira com medo de ser repreendida.

Aron fica pensativo, não cogitou tal possibilidade desde que tudo aconteceu.

– Prometo que vou verificar isso, Oniria, é meu dever. Não pode ser que isso tenha acontecido, mas é melhor saber se realmente foi possível, fique tranquila, Oniria. – Diz Aron segurando a mão de Oniria.

– Prometo que ficarei tranquila. – Afirma a guerreira. – Você também tem de ficar tranquilo. – Diz ela percebendo certo nervosismo em Aron.

– Prometo que também ficarei tranquilo. – Afirma o mago.

Oniria deixa o quarto do rei e segue pelo corredor, ela encontra Moran e Perion molhados, eles passam correndo por ela, que esboça um leve sorriso ao vê-los se divertindo. Oniria segue mais um pouco pelo corredor e cruza com uma criada que leva uma bandeja em sua mão com um bule e várias xícaras, elas se cumprimentam rapidamente e seguem em direção opostas. A serva segue para o quarto do rei, mas antes de entrar ela pára próximo da porta e abre o bule, que tem em seu interior, a flor que a feiticeira Motâmia carregava, ela sorri depois de fechar o bule, em seguida bate levemente na porta, Aron então abre e a criada entra com certa cautela.


Alim avista primeiro o Castelo do Reino do Sul, a chuva ainda não começou. Ele e Galbo agora seguem novamente devagar até o portão do castelo que já está aberto.

– Chegamos, Galbo. – Afirma o rei com um grande sorriso no rosto e já descendo do cavalo.

Galbo também desce de seu cavalo e olha para o rei.

– Você deveria ter trazido o Aron com você,  Milord. – Comenta o guerreiro verificando sua espada.

– Eles iam descobrir que ele é um mago, Galbo e isso poderia custar a paz entre os Reinos. – Afirma o rei.

Galbo sente algo estranho, seu instinto de Guerreiro parece lhe avisar, e quando pensa em dizer a Alim, os dois são pegos por mãos invisíveis e desaparecem para dentro da floresta que circunda o Castelo do Reino do Sul.


Lion está preocupado com Galbo, então segue diretamente para o quarto do rei, onde também fica seu irmão, Aron. Lion abre a porta ao ver que está só levemente encostada.

– Irmão, você está aqui? Eu preciso falar com você. – Diz Lion enquanto entra no quarto, e logo fica paralisado ao ver Aron caído ao lado da cama, uma xícara está despedaçada e um líquido  molha o chão próximo da mão esquerda de Aron, e próximo da janela a esfera transparente agora brilha de forma intensa.

Lion corre para perto do irmão, se abaixa e segura sua cabeça.

– Acorda, Aron. Acorda, irmão. – Pede Lion sem sucesso. – Perion, eu preciso de sua ajuda. – Diz Lion em pensamento.

Perion logo aparece na porta do quarto, e entra, ficando assustado ao ver Aron desmaiado.

– O que aconteceu com ele, Lion? – Pergunta Perion ao se aproximar.

– Eu não sei, Perion, eu não sei. – Responde Lion enquanto olha para Perion. – Eu o encontrei assim, mas temo que haja algo a mais acontecendo. – Diz Lion apontando para a esfera ao seu lado. – Essa esfera só começaria a brilhar assim se algo de ruim tivesse acontecendo com o Alim.

Perion caminha até a esfera e pega o objeto na mão, ele então vê Alim e Galbo amarrados no meio do que parece ser um ninho de Corpios.

– Fique com o Aron, Lion, eu vou fazer algo para ajudá-los.- Promete Perion deixando de olhar para a esfera. – Arapato Ibarano Conzaro. – Pronuncia Perion desaparecendo em seguida.

CONTINUA

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