O Mago: Capítulo 10 (Terceira Temporada)


Sem Magia 

Parte 1

S03E10


Aron nunca esteve tão certo do que realmente quer para sua vida, para ele parece que não passou muito tempo desde que fora designado para ser o protetor de Alim, que na época ainda era príncipe, mas que agora repousa ao seu lado como rei de Viturius, um excelente rei que todos adoram com extrema confiança, pois nunca o reino  estivera tão bem protegido, seja pela velha magia ou a guarda que sempre serviu fielmente os reis que se acomodaram no trono.

Aron, o mago se senta a beira da cama. Ele tenta fazer o menos barulho possível para que não desperte seu rei, mas é em vão, pois Alim já despertou, e agora segura o braço dele.

– Onde você vai? – Pergunta o rei temendo que Aron o deixe outra vez com medo do que os súditos dirão.

– Eu seguiria para o preparo de nosso café-da-manhã. – Responde Aron ao se inclinar, ficando com a boca próxima do rosto de Alim, que por sua vez recebe um beijo na face esquerda. – Eu não pretendo deixar o Castelo, e nem a sua vida. – Afirma Aron agora já com os lábios a tocar os lábios de Alim. – Eu não vou deixá-lo. – Ele promete antes de intensificar o beijo.

Alim sorri com tais palavras, sabe que pode confiar cegamente no seu amado mago.

– Não vou me cansar de dizer que o amo, pequeno, e nada que aconteça vai nos separar, vai deixar a árvore de nosso amor secar. – Afirma o rei puxando Aron para  um abraço caloroso, ainda deitados.

Aron olha nos olhos do rei, que entende o que deve estar por vir. Alim passa as mãos no cabelo de Aron, que se abaixa e coloca sua cabeça no ombro do rei.

– Tem certeza de que você realmente deve ir a esse encontro de Reis no Reino do Sul? – Pergunta Aron enquanto ainda sente a essência de baunilha usada no banho de Alim na noite que passou.

– Infelizmente, sim, Aron, mas prometo voltar o quanto antes. -Responde o rei passando sua mão por toda a costa desnuda de Aron.

– Eu gostaria muito de seguir com você nessa viagem, não sei, mas me faria bem se eu estivesse com você. Sei que aqui ficarei com muita gente ao meu redor, mas mesmo assim não será a mesma coisa do que estar perto de você. – Comenta o mago na tentativa de convencer Alim a deixá-lo seguir junto.

– Desculpa mesmo, Aron, mas todos os reis só podem levar um guerreiro, apenas, sem magia. – Diz Alim beijando os cabelos de Aron, que por sua vez fica em silêncio por poucos minutos despertando assim a curiosidade do rei. – Ficou chateado? -Pergunta o rei percebendo o silêncio repentino que se instalou.

Aron levanta a cabeça e sorri para Alim.

– Eu nunca vou me chatear por algo assim, Alim. Eu entendo que faz parte da obrigação de um rei. – Responde Aron antes de dar mais um beijo em Alim.


Galbo acorda e se levanta rapidamente da cama onde dorme com Lion, ele se veste com calma enquanto observa Lion se mexer na cama. Galbo acaba tropeçando em uma taça de alumínio assim que termina de calçar as botas, o que faz um barulho pequeno, mas suficiente para fazer com que Lion acorde.

– Já está na hora? – Pergunta Lion levantando um pouco e ficando recostado na cama.

Galbo observa a cara de sono que Lion faz, ele se aproxima e se senta na cama.

– É o momento. Não queria ter acordado você. – Responde Galbo já segurando a mão de Lion e levando até próximo de seus lábios e a beijando.

– Eu não pediria para seguir com você, Galbo, mas confesso que tenho vontade. – Comenta Lion. – Sei que você e o rei sabem se cuidar muito bem, mas mesmo assim é preocupante, pois vocês estarão em um encontro sem magia, somente armas.

Galbo toca a face esquerda de Lion com sua mão fria por causa da madrugada, e os pêlos de Lion se arrepiam.

– Não vai acontecer nada, e se acontecer, estaremos preparados e voltaremos a salvos, não se preocupe. – Afirma Galbo tentando deixar Lion tranquilo.

Lion abraça Galbo, os dois ficam por um tempo envolvidos nesse abraço apertado, até que se afastam minimamente e se olham como a primeira vez que se conheceram, os lábios se tocam em um beijo que faz arrepiar, mas não pelo vento frio que adentra pela janela, e sim pela energia de tal ato, a força contida alí.


Uma jovem e elegante mulher caminha pela floresta, os passos são rápidos, não se dá ao trabalho de olhar para trás, pois tem a certeza de que se por acaso algum ladrão que vive por tal região se aproximar dela, esse já não existirá mais. Os passos da mulher continuam rápidos, não se importa com o que há no caminho estreito, logo ela chega em uma local sem muitas árvores, mas com muitos arbustos, ela então  pára e olha  em volta, parece esperar por algo ou alguém. Passos pesados que balançam a terra se aproximam da mulher sem que ela veja, e tal criatura se desfaz de sua invisibilidade assim que toca levemente no ombro da feiticeira.

– Motâmia, que prazer recebê-la aqui. – Diz a gigantesca e assustadora criatura.

Motâmia olha para cima e tenta encarar o gigante.

– Sei que vocês gigantes não são nada amigos de nós feiticeiros, mas quero lhe pedir um favor. – Diz a feiticeira enquanto é observada com cautela pelo gigante.

– Vocês são traiçoeiros, Motâmia. O que a leva em acreditar que eu vá fazer esse favor que tem a intenção de me pedir? – Pergunta o gigante se mostrando interessado no que possa ser tal favor que a feiticeira tem em mente.

– Você não vai desperdiçar a oportunidade de se vingar do filho do rei que tentou destruir toda sua família, é isso que me dá a certeza de que  você me ajudará, Onorbo. – Responde a feiticeira enquanto faz uma flor belíssima aparecer em suas mãos.

Onorbo, o gigante reconhece tal flor e deduz os planos de Motâmia.

– Você quer que eu mantenha o rei Alim ocupado enquanto você dá a poção dessa flor para o mago Aron, não é mesmo? – Indaga o gigante se afastando um pouco e deixando muitos arbustos quebrados.

– Vejo que você não é um gigante burro, e já entendeu o que eu quero. Tenho a oportunidade perfeita para você hoje a noite no encontro que sucederá no Reino do Sul. – Diz Motâmia entusiasmada com a possibilidade de conseguir o favor do gigante.

– Nós gigantes, temos um acordo com todo o povo do  Reino do Sul, e não podemos violá-lo de maneira alguma. – Comenta Onorbo dando as costas para a feiticeira.

– Não dê as costas para mim, Ornobo. – Grita Motâmia com grande raiva. – Erasa Onripa Nozama. – Pronuncia a feiticeira fazendo com que o gigante contra sua própria vontad se vire e passe  a olhar para ela. – Você fará sim, pois esse acordo pode ser desfeito assim que eu contar o que você roubou antes de fazer a paz com o povo de lá.  – Ameaça Motâmia com seus olhos avermelhados.

– Eu não roubei, nada Motâmia. – Ornobo respira profundamente fazendo um vento forte assim que solta o ar. – Eu salvei a vida de um ser. – Afirma o gigante.

Motâmia sorri pouco interessada na explicação de Ornobo.

– Mas ninguém do reino do Sul acreditará nessa história para bela adormecida dormir. – Afirma a feiticeira com um sorriso sarcástico.


Alim e Galbo seguem a cavalo. Aron e  Lion observam eles saírem pelo portão sul. Alim sente que está sendo observado por Aron, então vira por pouco tempo para o mago, os olhares dos dois se cruzam até que o rei adentre em um bosque.

– Você vai obedecê-lo, irmão? – Pergunta Lion esperançoso de que Aron não obedeça.

– Pelo menos dessa vez tenho que obedecer, Lion, não posso desfazer um pedido do Alim assim quando quero. – Responde Aron olhando nos olhos de seu irmão.

– Eu tenho medo de que alguém ou alguma coisa tente fazer algo. – Confessa Lion olhando para o horizonte. – Você mesmo disse que no Vale das Trevas achou ter visto algo. – Comenta ele voltando o olhar para o irmão.

– Talvez tenha sido produto da minha imaginação, Lion. – Diz Aron se virando e seguindo para dentro do quarto.

– Ou talvez realmente você tenha sentido algo, irmão. – Rebate Lion temeroso pelas surpresas que podem haver nesse encontro de Reis. – Eu ainda acho que deveríamos ir. – Afirma Lion enquanto observa Aron abrir uma pequena caixa.

Aron pega uma pequena pedra de dentro da caixa que abrira, ele a olha e observa sua cor transparente semelhante a um vidro.

– Se algo acontecer com eles, no caso se estiverem em perigo, nós saberemos antes mesmo deles, e assim poderemos agir. – Diz Aron deixando que Lion também observe a pedra.


A luz do sol já é intensa, mas as gigantescas árvores a beira do caminho deixa a área sombreada, e menos cansativa a viagem de rei e guerreiro até o reino do Sul. Galbo segue ao lado de Alim em seu cavalo, e o rei percebe o semblante de preocupação do guerreiro.

– Se você preferisse, eu teria trazido a Oniria em seu lugar, Galbo. O que acontece, já deu saudade do Lion? – Pergunta Alim seguindo devagar em seu cavalo.

– Não que não seja saudade, mas é que tudo parece tranquilo demais, Milord, não notou? – Diz Galbo.

– Essa tranquilidade que já desfrutamos há três meses é devido ao que aconteceu no Vale das Trevas, Galbo, e acredito que não há um perigo que não seja mais previsível.- Afirma o rei. – Logo retornaremos para casa, meu amigo.


Motâmia desfaz o feitiço que fez no gigante Ornobo, os dois se encaram como se tivessem de igual para igual, mas a verdade é que se um tentasse destruir o outro, Morgana levaria a pior, porém Ornobo não quer perder toda sua raça como quase aconteceu no reinado do pai de Alim.

– Você terá minha colaboração, Motâmia, mas prometa que deixará os gigantes em paz quando tudo isso acabar. – Diz Ornobo procurando uma espécie de garantia para o bem de sua raça.

– Você tem minha palavra, Ornobo. – Motâmia sorri. – Agora fique pronto, pois o dia passa rápido, e não queremos perder essa oportunidade preciosa. – Adverte a feiticeira enquanto estende a mão na direção de Ornobo. – Rerebra Dracunza Lortramiza. – Pronuncia Motâmia lançando o feitiço no gigante que começa a brilhar intensamente, um brilho que desaparece em seguida. Ornobo tem envolto em seu corpo, uma armadura feita de Ouro. – Um presente meu para você, meu caro.

CONTINUA 

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