Coração de Pedra: Capítulo 2


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| ROSA DO BARÃO, CASA DE EMANUEL E MANUELA, SALA, INTERIOR, MANHÃ

São quase dez da manhã e Emanuel Valdez já retorna para casa na sua moto, achando que Manuela, sua esposa já tivesse viajado assim como fora informado por ela mesma, porém a surpresa e grande quando a vê ainda em casa assim que entra pela porta da sala.

EMANUEL: – O que faz por aqui ainda, Manuela? – Ele pergunta antes de beijá-la.

MANUELA:  – Estou esperando o Leonardo, meu amor, ele não chegou até agora.

EMANUEL:  – Aquele imprestável vai com você?

MANUELA: – Imprestável, Emanuel? Imprestável? Meu irmão não é imprestável!  – Ela diz já irritada.

EMANUEL:  – Está bem! O pior cego é aquele que não quer ver e não vou discutir com você por causa disso. – Ele diz ao subir pela escada. – Tenho algo mais importante para fazer.

Assim que Leonardo, irmão de Manuela chega, os dois seguem para o aeroporto. Emanuel fica por um tempo parado no alto da escada, até que resolve fazer um telefonema, desce rapidamente, pára próximo ao telefone. Emanuel parece estar ansioso e com medo ao mesmo tempo depois de desligar o telefone, uma conversa rápida que o faz se sentar no sofá e ficar pensativo.

EMANUEL: – Ele saiu hoje, e agora, como será? Ele não podia ter ganhado liberdade agora, meu Deus, tudo estará perdido, com certeza ele vai querer se vingar.

Emanuel coloca as mãos na cabeça, está bastante nervoso.


|| ROSA DO BARÃO, CASA DE ISAQUE E VITÓRIA, SALA, INTERIOR, MANHà

Vitória está inquieta , e isso não  passa despercebido por Isaque que acaba ficando impaciente com a maratona realizada por sua esposa.

ISAQUE: – O que acontece, Vitória?  – Ele questiona fazendo a esposa parar de andar para lá e para cá na sala.

VITÓRIA: – Nada, Isaque. Só estou um pouco preocupada! – Ela responde enquanto volta a caminhar de um lado para o outro.

ISAQUE:  – Com o que você está preocupada? Diga logo!

Vitória se senta ao lado do marido.

VITÓRIA:  – Ora, Isaque!  O Eduardo saiu hoje da prisão, e fico imaginando…

Isaque a interrompe.

ISAQUE:  – Imaginando o que?  Não há nada pra imaginar.

VITÓRIA: – Eu não sei como sua frieza ainda me impressiona, Isaque! Você é incapaz de fazer ou de falar algo que ajude.

Vitória se levanta.

ISAQUE:   – O que você quer que eu diga, Vitória? – Isaque se levanta e segue até a janela de casa. – O Eduardo fez uma coisa horrível e pagou por isso.

VITÓRIA: – E se não foi ele, meu amor?

ISAQUE:  – Que conversa é essa agora, Vitória? O Eduardo fez aquilo sim, está  provado.

VITÓRIA: – Ainda tenho minhas dúvidas! – Ela diz seguindo para cozinha.

Isaque fica pensando no que Vitória disse, e depois de muitos anos considera a hipótese de Eduardo ser inocente realmente.

ISAQUE: – Se ela estiver certa, se tudo isso tiver cabimento, ele vai querer alguma coisa. Ele  vai querer vingança. – Ele diz enquanto passa a mão por cima de seu reflexo no vidro da janela.  – Nós não fomos amigos, não fomos amigos.


||| CASA DE DENIS, SALA, INTERIOR, TARDE

Denis Pereira Bragante viu aquela tarde chegar tão rápida e ficou pensando no assassinato de seu pai, tinha apenas sete anos na época do acontecido e tudo isso ainda mexia muito com ele. Ficou órfão depois da morte de Paulo Bragante e cresceu prometendo se vingar do assassino. Virgínia, a governanta observa o jovem pensativo próximo da janela. Denis se vira e segue em direção a porta.

VIRGÍNIA:  – Onde você vai, Denis?

Denis pára já com a mão na porta e olha para Virgínia.

DENIS: – Vou sair um pouco, Virgínia. Estou querendo esquecer um pouco dos problemas, e acho que se eu sair, será mais fácil.

VIRGÍNIA:  – Só não fique pensando naquele dia, meu filho! Não se torture tanto.

Virgínia se aproxima de Denis e o abraça, sempre foi como um filho para ela.

DENIS: – Vou tentar. Prometo que vou tentar não pensar em tudo aquilo.

Denis sai do abraço de Virgínia e segue pra fora de casa. Virgínia fecha a porta.

VIRGÍNIA: – Proteja ele, meu Deus! Ele já sofreu tanto.

Virgínea já trabalha há muito tempo na casa de Denis e assim como os amigos de Eduardo fizeram, ela também jurou não contar a Denis que Eduardo foi considerado o assassino de Paulo, mas aquela boa mulher faz isso também, pois sempre acreditou que Eduardo não tem culpa alguma.


|||| APARTAMENTO DE DEMÉTRIO, SALA, INTERIOR, TARDE

Eduardo está sentado na sala lendo um livro, adquiriu este hábito com muito mais frequência no tempo que esteve enclausurado. Demétrio desce pela escada rapidamente para atender o telefone que toca insistentemente e depois de fazer isso, Eduardo fica olhando de forma séria para o amigo.

EDUARDO: – O que houve, Demétrio?     – Ele pergunta enquanto fecha o livro que tem em mãos. 

Demétrio se senta no sofá, parece aflito por conta do telefonema que acabara de receber.

DEMÉTRIO: – Eu deveria ter lhe contado uma coisa, meu amigo, mas o Estênio me pediu segredo quanto ao assunto, então tive que me calar.

EDUARDO (Impaciente):  – O que tem o meu tio, Demétrio?

Demétrio olha diretamente para Eduardo, que por sua vez aguarda uma resposta.

DEMÉTRIO:  – Ele faleceu, Eduardo! Faz alguns dias isso já, mas agora me ligaram dizendo sobre o testamento dele, no qual todos os bens ficaram pra você. Há alguns dias antes de sua morte, ele me procurou pra pedir que eu não lhe contasse nada sobre a doença que ele tinha, então eu fiquei sem saber o que fazer. Eu queria ter lhe contado, Eduardo.

EDUARDO: – Você não podia ter feito isso, Demétrio. E meu tio não podia ter escondido que estava doente

DEMÉTRIO: – Ele tentou lhe poupar, Eduardo, entenda!

EDUARDO:  – Mas eu vou honrá-lo, Demétrio. Vou fazer o que eu preciso fazer! – Ele diz determinado a fazer o que tem de fazer para provar que não é um criminoso.

DEMÉTRIO:  – O que você pretende fazer, meu amigo?

EDUARDO: – Vou usar este dinheiro que meu tio deixou pra fazer justiça. Vou descobrir quem foi o verdadeiro culpado de ter matado o Paulo.

Eduardo encara Demétrio, que percebe o ódio nos olhos do amigo.

CONTINUA

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